Apocalipse

4 Quando tudo se torna confusão.


Notas iniciais
Olá. Primeiramente, desculpem o atraso de quase um ano para postar. Quase ou mais de um ano? Confesso que não prestei atenção. Quero agradecer aos reviews e visualizações do último capítulo. Amo vocês, viu? Agora, boa leitura.

Briathos mal prestou atenção na peça em si, que já estava quase no fim. Pensava apenas no demônio que enviaram para aflorescer o lado mau de Hope e na ingenuidade da mesma. Fervia de raiva, chegou quase a sentir ódio, porém, este é um dos sentimentos que não são admitidos no céu. Nem raiva, nem ódio. Nada mau ou em excesso. Porém, naquela hora, cumprir com as normas estava sendo uma das mais difíceis tarefas que já haviam lhe dado. Avisaram-no que a missão seria terrivelmente difícil e, se antes ele já podia imaginar a interferência do inferno, agora ele podia ver com os próprios olhos. Maldito Lúcifer!

Levou um susto quando se iniciaram os aplausos; pôde ouvir o som melodioso da risada de Hope e o agradecimento dos atores que estavam lisonjeados do demasiado público que se prestara a assistir e prestigiar seu trabalho.

– Foi tão legal, né? — Hope disse, sorrindo. Os olhos ocre, em admiração pelo que havia visto naquele palco. Briathos se sentira culpado por não ter prestado atenção em sequer uma parte, enquanto Hope, maravilhada, o perguntava sobre a reação dele a todas as cenas que ela assistira e achara magníficas.

Novamente, amaldiçoou o demônio que tanto o intrigara.

Não que o amaldiçoar adiantaria, afinal, Typhon já era um ser amaldiçoado. Mas o amaldiçoava mesmo assim, pois achava o maior dos pecados desejar bençãos àquele ser terrível.

Àquele para quem Hope acenava agradecendo pelo telefone, anotado em uma folha em sua agenda de compromissos florida, com uma letra desleixada e um propósito maligno. O observou sorrir para ela e dar a partida em sua moto.

– Vamos? — disse Hope, feliz. E ele fez que sim com a cabeça, quieto.

A volta para o hotel fora no mesmo silêncio e Hope já estava incomodada. Havia percebido o clima tenso entre Gabriel e Nicholas, porém preferiu não comentar.

De outro lado, percebia-se um Briathos inquieto, observando de canto a pequena garota a seu lado. Esta não estava mais sorrindo, ou falando sobre a peça. Permanecia pensante, parecia inconformada. A cor de seus olhos jaziam de um roxo escuro, meio esverdeado, meio azulado, confusa.

Hope olhou para seu lado, fitou o anjo que a fitava tão intensamente e sorriu sem jeito. Ele a sorriu de volta, e quando fora puxar assunto, ela foi mais rápida, indicando que já haviam chegado.

– Olá, Javier! — disse, sorridente, para o porteiro.

Ela era sempre assim, carinhosa com todos. Briathos a admirava por isso. A observou ir até o balcão e pegar a chave correspondente ao seu quarto.

– Aqui. — disse, estendeu para o garoto. — Te vejo na escola amanhã? — sorriu.

– Claro. — respondeu, girando nos calcanhares e rumando para as escadarias.

Ele certamente não esperava a hora de vê-la na escola.

Hope caminhava para sua casa após o término de seu expediente quando encontrou Nicholas parado em um poste. O homem fumava um cigarro e parecia distante. Ela sorriu e foi até ele, beliscando-lhe os ombros quando chegou e viu que ele ainda permanecia distraído.

– Não devia fazer isso. — apontou para o cigarro. — faz mal.

Typhon riu, jogando o cigarro no chão e pisando em cima.

– Perdida? — perguntou, colocando as mãos nos bolsos e começando a caminhar, seguido por Hope.

– Oh, não! — ela deu uma risada alta, correndo em passos curtos para alcançar o homem. — Apenas indo para casa.

– E posso acompanhar essa corajosa princesa que se aventura a andar sozinha pelas ruas de Moscou tão tarde? — Typhon disse, brincalhão, e Hope novamente riu. Seus olhos, agora rosados, indicava o que suas bochechas também mostravam. O garoto observou ela colocar uma mecha dos cabelos ruivos atrás da orelha. Tão linda, pensou.

Hope queria que Gabriel estivesse lá para partilhar esse momento com eles, porém já havia notado que o garoto não havia gostado de Nicholas. E, no teatro, percebeu também que o sentimento do moreno era recíproco.

– É aqui. — ela disse, apontando para o lugar em que morava. Abraçou o homem e o agradeceu, sorridente.

Ele sorriu e deu alguns passos para frente, deixando-a o mais próximo possível da porta da casa. Observou-a mexer em sua bolsinha e tirar de lá uma chave extremamente cheia de penduricalhos.

– Então, está entregue. — Nicholas sorriu e se virou para tomar também o rumo de casa.

A menina retirou os agasalhos e os pendurou em um cabideiro.

– Vovó? — chamou, acendendo as luzes.

A avó, Elizabeth, estava dormindo em cima de seus livros e materiais de crochê mais uma vez. Hope sorriu com a cena e caminhou até a senhora.

– Vovó, de novo trabalhando até tarde? — disse, acordando a avó, que deu sorriu amarelo e levantou-se da poltrona, caminhando com a ajuda da neta para seu quarto.

– Como foi a peça, Flo? — disse.

A menina sorriu, seus olhos esmeraldas brilharam.

– Foi incrível! — exclamou, enquanto a avó gargalhava. — Você tinha que ver, vovó!

– Que bom, querida. — sorriu e deitou-se. Hope a cobriu com uma manta e depositou um beijo em sua testa.

– Dorme bem, vovó. — murmurou, acariciando as madeixas grisalhas. — Eu te amo.

Mas a senhora já havia adormecido. "Ela não muda", pensou Hope, apagando as luzes do quarto e caminhando até seu quarto. Despiu-se e dobrou cuidadosamente as roupas, guardando-as. Desfez a cama e deitou, pensando em todos os fatos que aconteceram no dia. Estava confusa.

Naquele dia, Hope esquecera de fazer suas preces.

Notas finais
Oláaaa de novoooo, capítulo confuso, não? Pelo visto, um ar de confusão vem se espalhando pelas ruas de Moscou ultimamente. E como Hope se sairá, com dois novos amigos tão confusos e conflituantes um contra o outro? Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.