Aperfeiçoados

3 Frágil e Impotente


Notas iniciais
Bem,só ia postar esse capítulo de noite ou amanhã,mas não aguentei hahaha
Esta um pouquinho grande.
Boa Leitura!!

P.s:Bem vindo ao segundo leitor Eudes :)

Voltei para casa processando os últimos acontecimentos, um estranho me beijou no banheiro da galeria, o que foi muito bom por sinal, fazia algum tempo que não beijava ninguém, isso não é tão importante quanto descobrir que mais gente conseguiu se desconectar do chip, eu preciso encontrá-los. Mas como conseguir pensar direito, enquanto minha mente insiste em pensar naquele beijo idiota que sim, me fez ter borboletas no estômago, droga não posso ficar pensando nisso, respiro fundo tentando focar no que mais interessava no momento, tem mais gente por ai livre, quantos deles?Será que podíamos ajudar a todos se livrarem do chip?

Eu não me sentia a vontade caminhar pela rua e ver aquelas pessoas “perfeitinhas” andando pesadamente, alguns fitando o nada, outros distraídos com suas tecnologias. Ás vezes era realmente apavorante ver o quanto as coisas perderam o sentido.

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Faz uma semana que ando por todos os lugares na esperança de encontrar aquele rapaz porque se eu o encontrasse de novo, não iria deixá-lo ir sem me dar respostas. Eu dirigia todo dia por um bairro diferente, procurando algum indício de alguém sem ser comandado pelo chip. Se você pensa que no futuro os carros voam, perca as esperanças porque não voam. Mas o trânsito esta bem mais organizado, ah, e as doenças?Ainda existem, agora com menos freqüência, que antes.

Não adianta, não vou encontrar ninguém, penso quando paro o caro no estacionamento de um restaurante, olho para o visor do carro, fazendo a melhor cara de retardada que consigo, não posso esquecer-me de ficar com a coluna reta. Passo pela entrada distraidamente e escolho uma mesa, sento e olho o lugar, não me lembro de ter vindo aqui antes. Era tudo tão simétrico que me deixava enjoada. Logo um garçom veio até minha mesa, anotar meu pedido, com seu uniforme impecavelmente branco e engomado,quando serviu minha comida,me desejou um bom apetite bastante monótono, todos nós éramos hipócritas quando estávamos com o chip.

É como se eles te reprogramassem,dando uma mesma personalidade e comportamentos a todos, houve quem não quis aceitar como meus pais, mas acabaram tendo um final trágico, mortos a sangue frio, só os policiais e o governo possuíam armas, não sei por que não fizeram o mesmo comigo. Não acho armas necessárias, já que não tem precisão de uso, a não ser para isso, matar quem fosse oposto, mas não tinha como alguém ser oposto já que todos estam infectados com o chip.

Quando estava no caminho para minha casa senti uma pontada tão forte na cabeça, que resolvi ir ao hospital, eu sentia meu corpo todo tremer, tinha medo de acontecer alguma coisa comigo, e a pontada de dor aumentava cada vez mais, parei no semáforo me retorcendo de dor, eu não ia conseguir chegar a tempo, sentia meu corpo fraquejar, uma mulher bateu no vidro do carro e perguntou se eu precisava de ajuda fiz que sim com a cabeça, passei para o banco de passageiro e ela entrou colocou o cinto de segurança e colocando a mão no volante me perguntou onde eu queria ir, falei que era o hospital, e em alguns minutos estávamos lá.

A mulher me deixou ali parada dentro do carro na frente do hospital, agradeci e ela foi embora. Ela não demonstrou nem um pouco de preocupação, simplesmente foi só uma ação. Tentei ser o mais rápido possível, sentia que minhas pernas não iam aguentar o peso do meu corpo, dor, dor e dor era tudo o que estava sentindo...

A senhora que estava na recepção, me encaminhou imediatamente ao consultório de um médico, tinha sangue escorrendo pelo meu nariz, minha boca estava aberta como se eu fosse gritar, mas não emitia nenhum som, eu estava aterrorizada o medo se misturava com minha dor.

Lembro que entrei numa sala branca, o médico veio ao meu encontro e eu desmaiei.

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Quando voltei a mim, estava deitada em uma maca, na verdade era uma cama bem confortável, continuei deitada, estava entre quatro paredes, do meu lado direito um pouco distante havia outra cama igual a que eu estava deitada, fora isso nada mais, era uma sala grande com as paredes pintadas de branco, me levantei e fui caminhando para frente onde tinha duas portas, abri a que estava ao meu lado esquerdo, era um banheiro pequeno com um chuveiro, uma pia e um vaso sanitário, a outra porta só podia ser a entrada, bati e gritei pedindo ajuda, afinal de contas onde eu estava?

Gritar não adiantou, nem sequer tinha janela nesse lugar, no canto do teto havia uma mini câmera menor que a palma de uma mão me monitorando, não me restou nada a fazer, eles me torturariam para saber como que me desconectei do chip, eu não aguentaria nem poderia explicar algo que eu não sabia. Lágrimas rolaram pelo o meu rosto e cinco minutos depois ouvi passos vindos na direção da sala. A porta se abriu e um homem que deveria ter uns trinta e quatro anos entrou, fechando a porta.

— Então você se livrou mesmo do chip. -ele falou friamente, mas pareceu se surpreender ao ouvir a própria voz ecoando pela sala. Por um minuto ele ficou parado e depois voltou à realidade.

Não respondi, só o olhei.

— Não adianta tentar negar. -ele se aproximou de mim, me pegou pelos cabelos e continuou a falar. – Pensou que ninguém ia perceber? A gente sempre esteve de olho em você, quer dizer, na maioria das vezes. -ele apertava meus cabelos mais ainda.

Mordi meu lábio inferior para tentar segurar a dor, ele teria coragem de me machucar de verdade se precisasse.

— Com a família que você tinha, precisamos ficar de olho em você. Tudo estava indo bem, mas não sei como ou quando você conseguiu se tornar uma... Não sei como te definir.

Ele me soltou, e deu uma risada diabólica, me encarando.

— Pois adivinha, eu também não tenho chip. -ele me mostrou o seu distintivo.

Ficou esperando que eu falasse alguma coisa, e depois abriu a porta.

— Vai ser bom ter você por aqui, frágil e impotente. -dito isso ele fechou a porta de ferro e se foi.

Notas finais
Espero que tenham gostado
até o próximo capítulo...

comentem o que vocês acharam.