Aperfeiçoados
18 Desequilibrada?
Notas iniciais
Despedimos-nos brevemente de Raul que ficou nos observando sair torcendo por nossa vitória. Encontrar a mãe de Henrique seria uma coisa muito boa para nós de acordo com Mirella eles tinham um acordo e ele sempre cumpria com sua palavra.
Ninguém se atrevia a dizer nada por causa do clima estranho entre Rafael e Mirella,e Felipe ainda não estava totalmente convencido de que tínhamos tomado uma decisão inteligente,então só nos restava olhar para as ruas que passavam rapidamente pela gente porque claramente Rafael não tinha paciência de dirigir decentemente.
O trajeto todo que fizemos foi a mesma mesmice, a única coisa que mudou foi que em certo momento Mirella quis dirigir, até porque de alguma forma ela sabia qual o caminho mais discreto para a gente seguir.Levou horas para chegarmos até nosso destino,o clima tenso entre a gente não ajudava em nada.
– Estamos quase lá. -informou Mirella.
– Minha nossa, não acredito que dormi o caminho quase todo. -fala Laís um pouco assustada ao perceber que já era noite.
– Não se preocupe você não perdeu nada. -afirmei.
– Com certeza, nem mesmo belas paisagens. -zombou Felipe.
De repente estávamos em uma rua totalmente escura.
– Mas o q...
– Chegamos. -Mirella interrompe Felipe.
Ficamos um tempo em silêncio.
– O caminho todo foi muito tranqüilo... Isso é motivo de preocupação. -diz Rafael.
– Eu avisei que o melhor momento para fazermos isso é agora?Jonathan diminuiu a vigilância federal, eu não sei o que é mais... Algo bem maior esta sendo planejado.
– Você quis dizer maior ou pior?-pergunta Laís engolindo seco.
– Lanternas. -Mirella não responde Laís, isso é tão típico dela. Ela sai do carro rapidamente nos deixando para trás.
– Só uma observação: Quando vocês estão bem, ela fica mais suportável sabia?-Comenta Felipe.
– Não enche. -Rafael sai nervoso do carro. E restamos nós três no banco de trás procurando desesperadamente por uma lanterna para que a escuridão vá embora.
Seguimos os sussurros hostis que ouvíamos saindo da boca de Mirella e Rafael até encontrarmos eles.
– Até quando vai durar isso?-perguntei me posicionando entre os dois.
– Você esta certa, precisamos ter foco. -Mirella iluminou a sua frente, a luminosidade da sua lanterna revelava a tal casa que procurávamos.
– Quem conseguiria viver sem energia elétrica?Aposto que não tem ninguém ali. -falou Laís.
– Vamos.
Laís tinha razão, não tinha ninguém e nada fora do comum. Reviramos a casa toda procurando algo útil.
– Nada indica que alguém esteve por aqui. -reclamou Felipe.
– Na geladeira e no armário ainda tem alguns alimentos. Talvez ela tenha vindo aqui algumas vezes. -deduz Laís.
– Ei vocês, venham aqui. -chama Rafael.
Ele segurava uma caixa de remédio nas mãos, mas não era qualquer remédio era um antidepressivo e dentro da gaveta que tinha na cozinha havia alguns outros remédios de tarja preta.
– Ótimo, agora vamos ter que lidar com uma louca. -comenta Mirella.
– Uma louca a mais ou uma a menos não faz diferença. -provoca Felipe.
– Não me tente a te machucar ok?
– Ou talvez não seja um caso tão grave assim... -tento ser otimista.
Novamente nos separamos para olhar minuciosamente cada cômodo da casa. Eu fico com o quarto, no criado mudo ao lado da cama tem um pequeno pedaço de papel, uso a lanterna para ver o que estava escrito. Duas palavras: Lugar Seguro
– Onde seria?-perguntou Felipe, me assustando completamente o que me fez dar um grito.
Logo os outros estavam no quarto também, todos alertas.
– Foi só o Felipe. -falei enquanto minhas bochechas coravam de vergonha.
– Idiota. -resmunga Mirella.
– Talvez isso ajude. -anuncia Laís enquanto entrega um bloco de anotações para Rafael.
Todos nós ficamos ao redor de Rafael, usando nossas lanternas para ajudá-lo a ler.
– É só um texto antigo, deixa eu ver...Aqui fala de uma bússola e algum lugar que eu não sei qual é.
– Bússola?Que coisa mais arcaica. -diz Laís.
– Um GPS poderia ajudar?-pergunta Felipe com seu celular a mostra.
– Desde quando tem um celular?-pergunta Mirella que recebe um dar de ombros como resposta.
– Não custa tentar.
A nossa tentativa não foi em vão, tínhamos um lugar para ir. E o melhor, poderíamos ir andando.
– Passeio a luz de lanternas, que legal. -debochou Felipe.
– Seu humor esta detestável hoje. -diz Mirella.
– Não sou o único assim.
Foram os mais longos 10 minutos de caminhada da minha vida para no fim chegarmos até rochedos enormes.
– Montanha?Caverna?Como definir?-pergunta Laís analisando o lugar.
– Tenho uma opção melhor. -responde Felipe que por alguns segundos sumiu de vista. -Venham aqui.
Entramos na “caverna” em fila indiana com Felipe nos guiando.
– Eu já li sobre esse lugar, esta abandonada.
– Abandonada?-pergunto em dúvida.
– É uma mina, faz anos que não é mais usada. -nos explicou Felipe.
Fomos adentrando mais ainda quando começamos a ver ferramentas, trilhos e carrinhos enferrujados.
E então um tiro. Todos nos olhamos a procura de algum ferimento, mas ninguém tinha sido machucado.
– Quem são vocês?-uma voz autoritária fez eco pelas extensões do lugar. -Saibam que eu não vou sem lutar.
– Não queremos violência. -diz Mirella apalpando algo que creio ser uma arma.
A pessoa vem rapidamente em minha direção me surpreendendo com um abraço.
– Solte ela. -grita Laís sem entender o que estava acontecendo.
– Esta fazendo isso com a pessoa errada. -diz Mirella.
Quando a pessoa me soltou, vimos que se tratava de uma mulher e pelo jeito que Mirella estava só podia ser quem procurávamos.
– Você demorou, eu sabia que viria atrás de mim algum dia. Você também quer acabar com eles não é? Aqueles imundos me tiraram tudo.
Agora que a mulher identificou Mirella, então ela passou a ignorar a gente.
– O que você faz aqui?-pergunta Mirella.
– Ah querida aqui é minha casa, você veio para ficar comigo não foi?-a mulher estava dócil, não parecia que segundos atrás queria machucar a gente.
– Na verdade, viemos levar você para... Outro lugar seguro. -pigarreia Rafael.
– Sabe se o Henrique já voltou da biblioteca?Ele adoraria ir ao laboratório agora que o pai dele foi embora. -a mulher, ou melhor, Karen começou a falar coisas sem sentidos. Então calmamente Mirella pegou-a pelo braço e foi levando-a para a verdadeira casa que tinha perto dali.
– Eu não sei se consigo lidar com uma pessoa assim tão... Ilógica. -sussurra Felipe.
– Até que ela não esta tão mal.-digo.
– Eu só não entendo porque ela esta sendo legal com a Mirella. -diz Rafael desconfiado.
– Gente vocês estão falando de uma pessoa desequilibrada, de pessoas assim podemos esperar de tudo. -afirma Laís.
Karen estava um pouco suja, mas suas roupas eram conservadas, ela vivia ali como se realmente fosse sua casa.
– Porque ninguém a encontrou antes?-perguntei a mim mesma.
– Bem, acho que pensavam que estava morta ou não deram importância já que ela esta nesse estado. -me responde Felipe.
– Querida porque não me avisou que estava vindo, eu teria feito um jantar. -Karen disse quando entramos na casa dela.
– Ela já esta me assustando. -comenta Rafael.
– Vou contar um segredo para vocês, antes do meu marido ir embora ele me disse que eu tenho a resposta para tudo. -era a primeira vez que ela notava nossa presença.
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