Aperfeiçoados
24 Sucesso ou Fracasso?
Notas iniciais
– Digamos que você estivesse certo, que eu não aguentasse mais. Que eu preciso de mais, preciso de tudo e mais um pouco, o que aconteceria? Você me disse para eu não ter medo. -me inspirei em Mirella para manter meu semblante impenetrável.
– Jonathan alega que eu e você somos iguais, que vamos nos habituar facilmente com as inovações do chip. O que te fez mudar de ideia?
– Acha que eu quero continuar com os fracassados? Eu sempre quis estar um passo a frente, cansei da Mirella sempre ser a melhor em tudo.
– Eu sabia que um dia ia cansar dela. Sempre ficamos em segundo plano para ela não é? Eu sou auto-suficiente sozinho e logo serei a pessoa mais espetacular que se possa imaginar, serei uma lenda.
A ambição o dominou de tal maneira que bastou uma conversa de quinze minutos para eu convencê-lo de que compartilhávamos o mesmo sentimento de cobiça e anseio de poder.
– Você será a primeira, dessa forma eu fico mais tranquilo porque assim você não vai mais poder voltar atrás. –Rafael me algemou e começou a andar rapidamente passando por vários corredores, ninguém o questionava ele já tinha conquistado a confiança de Jonathan.
Adentramos a sala de Henrique e percebi que Felipe não estava lá.
– Lembra do favor que eu ia cobrar depois? Quero ver o procedimento que vai ser feito em mim, e você usará Lorena para isso. -acabado de se falar isso, Felipe sai de uma porta que estava camuflada pela parede e atira um dardo em Rafael fazendo-o cair no chão.
– Pena que isso não o machuque e muito menos o mate. -murmura Felipe.
– Ele vai ficar horas inconsciente. Aquela é minha sala privada. -diz Henrique indicando o local do qual Felipe tinha saído.
– Rafael se aproveitou de mim, ele ia me usar.
– Eu falei para ele que as novidades do chip seria um método muito perigoso e que ele estava arriscando a vida dele apostando entre ser um sucesso ou fracasso. Em parte é verdade, o interesse de Jonathan é usar você, Felipe, Mirella e Rafael para incorporar esses melhoramentos e assim eu ia estudá-los e treiná-los se fosse o caso. Alguns avanços científicos sempre precisam de cobaias, e se tivesse êxito não sei a proporção do que estaria por vir.
– O que ele faria com Laís?-perguntei.
– Com o tempo, ele ia querer ela morta ou ia usá-la em algo.
– De que tipos de melhorias estamos falando?
– Digamos que seriam... Evoluídos, capazes de fazerem quase tudo ou até mesmo tudo, o cérebro não teria limites então vocês realizariam muitas coisas. E depois disso, talvez o resto do mundo fosse contaminado com o mesmo, ou poderiam usar vocês como ferramentas para suprir as ganâncias dos outros.
– Estão querendo fazer o impossível deixar de existir, querem ter o domínio de tudo. -comenta Felipe.
– Não temos muito tempo, tudo tem que ser feito antes que Mirella volte para aquela cela. -alertei-os
– Vamos logo acabar com isso. -diz Henrique nos guiando para dentro de sua sala privada onde já tinha tudo preparado.
– Prometo que vamos usar toda a nossa capacidade para que você sobreviva. -fala Felipe, assim que beija o topo da minha cabeça.
– Não tenho dúvidas quanto a isso.
Odeio despedidas, felizmente Felipe e os outros não fizeram cena. E de algum modo não sinto que esteja partindo, e sim que esteja sendo eternizada se eles conseguirem atingir o objetivo em questão. Dizem que todos nós nascemos com um propósito para cumprirmos, talvez esse seja o meu, me sacrificar pelo bem de todos. Nos segundos seguintes um estado de inconsciência estava se apoderando de mim, o anestesiante que Henrique me deu estava fazendo efeito.
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( Especial:Pequeno trecho narrado por Felipe)
Lorena foi fechando os olhos lentamente e logo fiquei com medo de que ela não voltasse a abri-los.
– Uma coisa de cada vez, primeiro vamos tentar invalidar os chips e depois vamos impedir... Que algo de ruim aconteça. Esta pronto?
– Com certeza.
Na verdade, eu sempre tive medo de me envolver com coisas das quais são imprevisíveis. Mas eu dei minha palavra de que ao menos tentaria, só espero que todo o meu conhecimento sirva para alguma coisa. Estava na hora de eu honrar Luke, o cara que passou parte da vida se dedicando a me ensinar tudo o que sabia.
Henrique já estava acostumado a fazer todo tipo de cirurgias e era totalmente cuidadoso ao mover seus habilidosos dedos pela cabeça de Lorena, ele sabia exatamente em que ponto o chip estava instalado e só precisava ter acesso a ele.
Antes eu o tinha questionado se não podíamos usar um chip qualquer e usar o código que estaria contido nele. Porém ele disse que teríamos mais chances se fosse feito com um que ainda estivesse implantado e achava que um simples código não poderia ser tão útil já que não estamos falando de um chip nano tecnológico qualquer, enquanto ele fazia o que tinha que ser feito ia me explicando passo a passo do que estava fazendo e no momento certo eu teria que auxiliá-lo.
– Depois que conseguirmos como vai ser?-perguntei.
– Todos vão se sentir livres e será um recomeço para cada um de nós.
– É melhor tirar logo esse chip daí, assim será mais fácil para nós.
– O modo fácil não é eficaz, e não se preocupe vou tirá-lo no momento certo assim você poderá finalizar. Temos que fazer esse ser o ponto central da tal interligação universal, essa é a parte perigosa da qual falei. Agora pare de falar, assim você me deixa nervoso.
Parte de mim achava que essa nossa tentativa seria em vão porque fazer isso seria como gerar um blackout em todos os países ao mesmo tempo, mas Henrique estava seguro sabia que seu pai não faria nada que fosse irreversível sempre tinha métodos caso fosse emergência, então com medo de que os chips corrompessem a humanidade ele sabia que teria uma forma de invalidá-los e acabou revelando tudo para a mãe de Henrique ela não lembrou com exatidão, no entanto só o fato de mencionar Luke já foi de grande ajuda.
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