Aperfeiçoados
6 Pré Inferno
Notas iniciais
Boa Leitura!!!
Abri os olhos lentamente, encarei o teto por um momento até ter coragem para me levantar,quando fiquei sentada na cama me surpreendi com o que vi,era alguém deitado na outra cama. Aproximei-me nas pontas dos pés e me assustei quando ele se virou de frente para mim me dizendo um oi sem graça.
— Você?-era o mesmo rapaz que me beijou na galeria.
— Pois é.
— Onde estão os outros?
Ele me olhou como se fosse óbvio que não me contaria.
— Como te pegarão?-perguntei.
— Não sei ao certo, foi tudo tão rápido.
— Então bem vindo ao pré inferno.
— Porque pré?
— Porque inferno mesmo é na outra sala.
— Te torturaram?
— Tortura é pouco, eles vão direto a tua mente, você deve bloquear suas lembranças o máximo que conseguir, porque o médico vai tentar invadi-las.
— Que bom que falou.
— Prazer, sou Lorena. -me apresentei esperando que ele fizesse o mesmo.
— Rafael.
Ficamos sem ter nada o que fazer ou falar já que ele não confiava em mim. Jonathan veio, estava ainda mais pomposo do que antes com o seu sorriso de orgulho grudado nos lábios.
Algemou o rapaz, me lançou uma piscada de olho e saiu praticamente arrastando-o pelo corredor direto para o inferno. Encolhi-me na cama, sabendo o que aguardava ao rapaz, ouvi os gritos dele vindo da outra sala, tremi de medo, sabendo que depois seria minha vez.
Horas depois, Jonathan passou pela porta de ferro, jogou o garoto para dentro, sorriu satisfeito por me ver com medo.
— Se considere com sorte, hoje não tenho mais tempo para gastar com você. -ele disse apertando o meu queixo.
Quando Jonathan saiu, olhei para o garoto e ele estava em uma situação deplorável, seu corpo estava cheio de ferimentos, seus olhos roxos indicava que Jonathan o esmurrou por um bom tempo, também foi “bonzinho” com ele.
— Então eu pensei que estava preparado para o que viria depois que você me alertou, mas estava enganado. É bem pior. -ele abriu um sorriso amarelo.
Eu não sabia o que podia fazer muito menos o que podia falar, além de que nada disso poderia mudar o que foi feito. Ele ficava extremamente quieto no canto da cama, de vez em quando me encarava como se fosse falar alguma coisa, mas então desistia da ideia.
— Faz muito tempo que esta aqui?- por fim ele me perguntou, enquanto fitava a porta de ferro.
— Não muito, só alguns dias. Até quando acha que vamos ficar aqui?
— Até eles conseguirem o que quiserem e depois nos matam.
No fundo eu sabia que isso era o mais provável que aconteceria, mas parte de mim tem a esperança de sair daqui e viver em paz.
“Se fugirmos logo, temos chances de continuar vivendo”. -ele disse em minha mente.
“Por acaso tem algum plano?”
“Ainda estou pensando... eu queria conhecer o local melhor.”
“Por aqui só o que tem são várias curvas e longos corredores, o que confunde muito a cabeça da gente.”
Ele balançou a cabeça em sinal afirmativo concordando com o que eu disse. E continuou a pensar se mostrando cada vez mais ansioso e nervoso percorrendo seus olhos por cada canto da sala.
“Eu pensei que o tal médico era uma lenda. Só mais algum boato, que ouvi por ai.”-ele disse intrigado.
“Como assim?”-perguntei.
“Nunca ouviu falar sobre o Henrique?”
“Não, o que ele tem de especial?”
“Nada além dele ser o único do estado a saber tirar o chip, sem acarretar dano algum nas pessoas.”-ele falou irônico, debochando da minha cara.
“Como você sabe disso? E se for outro?”
“Minhas fontes são confiáveis. Mais pelo o que sei, ele nunca trairia a confiança dos federais.”
“O chip dele também não é ativado totalmente é?”
“Acho que não. Foi o pai dele que ensinou a tirar o chip.”
“Quem é o pai dele?”
“Parece que é um dos cientistas malucos que ajudaram a criar o chip e morreu de uma forma misteriosa, Henrique é tipo o filho prodígio que só trouxe orgulho à família dele.”
“E a mãe dele?”-perguntei cada vez mais curiosa sobre esse médico.
“Sumiu, ninguém sabe onde ela foi parar. O que dizem sobre ela, é que era louca. Estava em nossos planos tentar encontrá-la.”
“Porque não me fala das outras pessoas? É sua família?”
“Agora é. Quem sabe você não vai acabar vendo eles.”
Esse era um assunto muito delicado para ele não me falaria mesmo, não posso culpá-lo mais minha curiosidade era muito forte. Planos, o único que eu tinha era, ou melhor, não tinha mais estava tentando construir era de sair daqui enquanto estou inteira. Mais tarde quando o robô trouxe dois pratos daquela comida nada apetitosa, alguma coisa nos olhos de Rafael me fez perceber que ele tinha algumas hipóteses de como poderia sair daqui.
Notas finais
Obrigada a todos que leram
reviews são bem vindos :)
bjs
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