Aperfeiçoados
22 O Aprendiz de Luke
Notas iniciais
Pisquei algumas vezes voltando a ficar consciente.
– Ela esta bem. -ouvi uma voz enfurecida ao longe.
– Lorena pode me ouvir?-reconheci a voz fina de Laís.
Tentei responder, mas minha língua e meus lábios me impediam então afirmei lentamente com a cabeça, eu ainda estava com tontura.
– Ótimo. -afirma Felipe.
Foquei a minha visão envolta de onde estávamos, e logo eu soube. Era um lugar parecido com o qual eu estive antes, agora está mais espaçoso e tem mais três espécies de cama totalizando quatro contando com a que eu estava, cada uma em um canto.
– Me desculpem. -falei.
– Não há o que desculpar. -diz Laís.
Felipe estava aborrecido, Karen indecifrável e Mirella com as emoções mais enigmáticas do que sempre foi. Os três estavam com alguns machucados e pequenos cortes.
– E Henrique, vocês o viram?-perguntei.
– Ainda não, eu não sei o que fizeram com o meu filho. E tampouco sei o que farão com vocês.
– Só com a gente? Você também esta incluída nisso.
– Exatamente, então se sabe de alguma coisa que possa nos ajudar é melhor falar agora. -disse Felipe ríspido.
– Aqui é perigoso, estamos cercados pelo o mal.
– E ainda precisamos ter certeza de que Henrique esta com a gente. -conclui.
Jonathan entrou com o seu sorriso cínico nos lábios.
– Adoro tê-los aqui. Tantas escolhas, não sei qual vou levar primeiro. Que tal você Lorena?Aposto que sentiu saudades daqui e quero ver se continuará resistindo porque devo dizer... Você será o meu maior sucesso.
– E o que acha de levar a mim?-perguntou Felipe. – Não se lembra de mim? Isso é realmente uma pena.
– O aprendiz de Luke. Vejo que continua sendo audacioso, gosto de pessoas assim quando eu mesma as mato.
– Igual fez com Luke? Só por pura inveja, isso é realmente covardia.
– Ah, estou começando a gostar ainda mais da sua presença aqui. –Jonathan agarrou Felipe pelo braço usando toda a força que tinha para deixá-lo com um hematoma e o algemou. -Vamos nos divertir um pouco.
– Me solta, sei andar sozinho. -resmungou Felipe.
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– Pode confiar em mim. Henrique disse que você tinha um conhecimento valioso sobre os chips, esta é a hora de falar.-murmurou Mirella para Karen.
– Luke. Ele podia ajudar.
– Não é momento para falar de Luke. -repreende Mirella.
– Quem é Luke?-pergunta Laís.
– Foi um hacker, ele era especial porque seguia os passos de um físico americano e esse tal físico tinha um estudo envolvendo alguma coisa de manipulações de átomos. Eu não entendo muito disso. -esclarece Mirella.
Se esse Luke seguia os passos de um cara que tinha um projeto de vida tão importante e intelectual, então conseqüentemente o próprio Luke realmente seria muito inteligente e de alguma forma saberia lidar com os chips podendo assim livrar todos do chip, bom pelo menos era isso que Mirella tentava explicar infelizmente não é um assunto que ela compreenda bem e muito menos eu.
– Olha Luke não vai ajudar porque morreu, você ainda esta viva e se sabe de algo que pode nos ajudar fala logo de uma vez. -insiste Mirella.
– Luke morreu? Porque eu acho que morri também. -balbucia Karen.
– Chega disso, tenha foco. Faça isso pelo Henrique.
– Ok. Eu acho que posso fazer tudo voltar ao normal, como era antes dos invasores. Luke pode.
– Karen, isso é caso de vida ou morte. Me diz a verdade de uma vez,como você pode ajudar?-Mirella estava quase histérica.
– Luke e os átomos.
Um guarda jogou Felipe para dentro e fechou a porta, Mirella estava deitada virada de costas para nós, Laís e Karen também. Estava quase uma total escuridão, só não era total porque havia uma luminária acessa. Fui até Felipe que estava todo machucado, porém quando me aproximei ele retrocedeu.
– Karen falou que pode fazer tudo voltar ao normal. -falei.
– Na verdade ela falou que o Luke pode. -retrucou Mirella, sem ao menos olhar para nós. –Nos fale sobre Luke.
– Luke e os átomos são o segredo. -diz Karen encarando fixamente a porta como se estivesse em transe, como se alguma cena da sua vida estivesse se desenrolando em sua mente, tendo flashbacks.
– Há muitos anos atrás, um físico americano Richard Feynman fez-se uma pergunta: O que aconteceria se pudéssemos mover os átomos? Ele fez um estudo sobre isso, organizar os átomos da maneira que desejarmos. Esse estudo trouxe muita vantagem, possibilitou os cientistas construírem supercomputadores que caibam no bolso, colocar micros sondas para fazer testes sanguíneos dentro do corpo humano e etc. Enfim, esse tipo de estudo é responsável por várias coisas no ramo de nanotecnologias. -explica Felipe.
– Luke e os átomos podem interligar os processamentos e dar um fim para sempre. -diz Karen.
– Luke não era só um hacker, era um gênio adorou esse estudo de Richard e se inspirava nisso para avançar em seus projetos dia após dia. Os chips idiotas são nanotecnologias.
– Tem átomos, tem pontos em comum. -fala Karen. –A única coisa que é igual, átomos. Interligações que podem ser modificadas.
– Agora é uma louca inteligente vejam só.-zombou Mirella.
– Acho que entendi. O que Karen fala tem sentido, esse é o segredo. Todos os chips são iguais, são nanotecnologias. São constituídos de átomos iguais, movendo esses átomos podemos fazer uma interligação universal como Luke costumava fazer e modificálo-s ou até mesmo desativá-los para sempre. Bom, Luke nunca fez esse tipo de coisa com chips, mas posso tentar.
– Como eu disse só um louco para entender outro. -retruca Mirella.
– Digamos que você consiga fazer isso, desativar todos que existem ao mesmo momento, não traria algum dano para as pessoas?-perguntei preocupada.
– Não posso responder a isso.
– Mas talvez eu possa. -disse a voz vinda da silhueta que atravessava a porta.
– Henrique. -Karen correu para abraçá-lo.
– Antes que perguntem, eu instalei uma escuta aqui. Consegui ouvir o debate de vocês e cheguei a mesma conclusão de Felipe, vou ter que analisar direito para depois ter uma resposta concreta. Mas tenho quase certeza que isso resolveria tudo, quando descobri que minha mãe tinha “um segredo” era sobre exatamente como fazer para abolir de vez com os chips caso a situação fosse de emergência. -declarou Henrique.
– Como confiar em você? –Laís questiona.
– Sinto muito, fiquei sabendo sobre Rafael. Embora eu tivesse a desconfiança de um traidor, cheguei a pensar em Raul. O amigo de vocês não falou nada do meu envolvimento com vocês para Jonathan, ele disse que por enquanto não contará nada que devo considerar como um favor e no momento certo eu terei que retribuir.
– Ainda assim, não acho que poderíamos arriscar. Nesses últimos meses arriscamos demais, e olha só no que deu. -contesta Laís.
– Fiquem a vontade para pensar, mas cuidado acho que não terão muito tempo.De qualquer jeito,fico feliz que cumpriram com a parte de vocês mesmo não saindo como queríamos,quando cheguei no local que marcamos e vocês não apareceram com a minha mãe, imaginei que algo tinha acontecido.-depois de falar isso ele disse que não poderia mais ficar ali se não iriam suspeitar,então ele se foi.
– Ele é de honrar o que faz, e principalmente o que diz. -balbuciou Karen, indo deitar novamente.
– Amadureça essa ideia de desativar os chips em sua mente Felipe, pode ser útil. -diz Mirella que não se moveu desde que Felipe voltou.
– Ainda tenho esperança de encontrarmos uma solução. -comenta Laís, enquanto voltava a se deitar também.
– Vem. -peguei na mão de Felipe e o guiei até chegar à minha suposta cama, aonde íamos novamente dividir o espaço para dormir.
– Acha que Henrique e eu podíamos conseguir?-ele me perguntou em um sussurro.
– Espero que sim, pelo menos devem tentar.
– Me desculpe, eu disse que nas próximas vezes seriam melhores. -Fala Felipe sorrindo enquanto eu me aconchegava a ele.
– Falou certo, nas próximas vezes não nessa.
–Quem esta confiante demais agora?... Como acha que ela esta?-ele me perguntou se referindo a Mirella.
– Não faço a mínima ideia, ela não tocou no assunto.
– Acha que ela se importaria?
– De quê?-perguntei curiosa.
– Ah, acabem logo com isso vocês dois. -resmunga Mirella. – Não adianta ficarem prolongando.
Sorri sem graça com o comentário de Mirella.
– É acho que não. -diz Felipe acariciando meu rosto e finalmente me beijando.
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