Apenas você
20 Capítulo 20
Notas iniciais
[...] Em alguma cidade da Califórnia, na mesma manhã [...]
–Esvazia o caixa!- Um bandido chegou na cafeteria, com mais dois comparsas, as pessoas que estavam no local se assustaram.
–Quero todo mundo no chão com a mão na cabeça, todo mundo!- ele falava, apontando a arma.
Mas lá no fundo, duas pessoas não se abaixaram, uma garota, com a pele muito mais pálida que o normal, uma maquiagem preta borrada nos olhos e um batom vermelho forte na boca, possuía um cabelo branco, amarrado com um rabo de cavalo grosso e desgrenhado em cada lado da cabeça, e uma roupa um tanto sensual, botas cinzas, calças de couro apertadas também vermelhas e cinzas, a parte de cima era uma blusa também de couro, curta e das duas cores, sua calcinha vermelha saía por uma das bordas, e na frente dela, um homem grande, com uma armadura de ferro oriental, um chapéu cônico de palha chinês em sua cabeça, e ao que parecia, duas katanas presas ao lado de sua cintura.
–Mas que porra é essa?- o Bandido riu apontando a arma- Vocês são o que? Vendedores fantasiados?- ele ria- De qualquer forma, abaixem se não quiserem ter uma bala no meio da porra da cara!
–Você é esquentadinho- a moça falou- Um belo corpo, mas a sua cara é uma merda, você nem pra colocar uma mascara, não vê que o lugar tem 3 câmeras e ainda o assalta na luz no dia?- ela falou, e na hora que o homem virou a cabeça para procurar elas, a mulher instantaneamente jogou uma faca em seu pescoço.
O homem que era uma espécie de samurai correu em direção aos outros dois, que atiraram, sem sucesso, a armadura dele funcionava muito bem, o homem girou se agachando, tirando a katana de sua cintura, e golpeando o homem nos joelhos, amputando parte das duas pernas do ladrão, ele logo pulou ainda girando, o outro capanga ficou sem o que fazer ao ver aquilo, quando estava a um segundo de voltar ao chão, ele começou a enfiar a katana no ombro do homem, afundando cada vez mais enquanto terminava o giro, e quando colocou os pés no chão, quase metade da lâmina já tinha atravessado e saído pela cintura do homem, e a medida que o bandido foi caindo morto, o samurai foi manobrando sua arma, saindo calmamente do corpo que acabara de invadir, ele a bateu no ar, tirando o sangue, e a guardou.
A garota tirou alguns dólares de algum lugar de sua calça e deu ao atendente no caixa.
–O café estava bom, a propósito, deu pra perceber que não estávamos em uma festa fantasia né?- ela riu, logo vendo que aquilo não havia graça- Ah, esquece- ela se virou.
–Q...quem são vocês?- um dos atendentes teve coragem de perguntar.
–Oh, bem, uma hora vocês vão descobrir.
[...] Na casa de Dave [...]
–Acho que eu devo ir treinar agora- Mindy falou, enquanto estava deitada sobre o peito de Dave.
–Nem pensar, sua costela ainda vai ficar parada por mais um dia, pelo menos.
–Pelo menos alguma coisa eu preciso fazer- Ela resmungou.
–Você poderia limpar suas armas e arrumá-las melhor, e tem as granadas.
–Isso não tinha me passado pela cabeça- ela lembrou-se.
–Nossa, você esquecer de algo assim é bem raro- Dave riu.
–Bem, dessa vez posso atribuir isso a uma bela manhã, por isso me esqueci- Ela olhou para cima, enxergando o amado, olhando para o teto, alguns de seus cabelos encaracolados mostravam suas pontas desfiadas pelo rosto dele, estavam grandes, alguns já chegavam perto da boca que sorria.
–É, concordo- ele riu um pouco mais.
–Olhando agora com bastante atenção, seu cabelo está menos ondulado do que a uns anos atrás, e bem mais comprido, não lembro da última vez que você cortou.
–Já faz uns meses, você estava aqui já fazia um tempo, e você está reparando demais hoje- ele sorria sempre que falava para ela.
–Porra, não dá pra ficar sem reparar- ela disse, o levando a rir um pouco mais forte.
–Mindy- ele a chamou.
–Diga.
–Nós estamos namorando?
–Oh, você nunca me pediu...- por algum motivo óbvio, ela ficou tímida.
–Então.... quer ser a minha namorada?- ele olhou para baixo, com um sorriso cômico.
–Porque essa cara?- Hit Girl se sentou, com uma expressão de curiosa e feliz.
–É que a gente já é meio que...
–Opa opa, você tá muito seguro, garotinho.
–Garotinho?- ele se sentou também, se fazendo de inconformado com o que ela o havia chamado- Qual é, vai apelar agora?
Ela riu um pouco antes de encara-lo, com um rosto um tanto sério, ajeitou melhor o seu olhar para dizer algo.
–Sim, aceito ‘’oficializar’’ o nosso namoro- Ela sorriu.
–É, parece que os talk shows estavam certos- ele foi dizendo, enquanto se aproximava dela para roubar um beijo.
–Ei, vamos, temos que trabalhar- Mindy interrompeu o beijo, saindo das cobertas.
–Ah, o mundo real está começando a ficar uma merda- ele falou abaixando a cabeça, fazendo os cabelos caírem para frente, e suas costas másculas aparecerem, levanto Mindy a concordar com ele.
Por fim, os dois acabaram levantando, saíram do quarto e desceram para a cozinha, já que estava na hora do almoço, eles acabaram por trocar o horário e apenas comer um lanche bem vitaminado. Não havia algo a fazer, Todd estava no hospital, e Bandaged como sempre sumia, o que mais irritava os dois é que era praticamente quase impossível acha-lo por conta própria enquanto o mesmo não fazia nada. Dave treinou muito aquele dia, como se, de repente, algo tomasse conta dele, não algo ruim, mas alguma força diferente, algo que Mindy sabia que estava deixando Kickass mais forte tanto mentalmente, quanto fisicamente, e ela se impressionou com um fato, ele havia evoluído praticamente o mesmo que ela, em muito menos tempo, ao contrário de Mindy que passou a vida toda em treinos e desafios, Dave começou com esse tipo de coisa apenas na metade de sua adolescência. E a conclusão que ela sempre teve, é que Dave Lizewski nasceu para ser o Kickass, nasceu para ser o super-herói sem poderes mais forte, algo que ela só havia visto tão intensamente em seu pai.
Enquanto limpava suas armas e colocava as balas em pentes maiores para suas pistolas, Dave dava uma série de chutes e socos no maior saco de pancadas que eles tinham, ele girava e chutava alto, esticando a perna, dava um soco quando parava o giro e logo repetia o movimento, não perdia o ritmo e nem o equilíbrio. Fazia alguns dias que ele não treinava assim.
Algum tempo depois começou a se erguer na barra com um braço, porém no outro possuía um peso de vinte quilos, conseguiu completar o desafio algumas vezes, logo após se deitou no chão, fazendo abdominais, e quanto se sentava a cada vez, dava dois socos a direita e dois a esquerda.
Incríveis seis horas se passaram e ele ainda estava ali, Mindy que já havia terminado de arrumar suas coisas e as do Kickass, já havia subido a algum tempo, e resolveu descer para mandar seu namorado parar com aquilo, mas quando chegou o encontrou sentado no sofá velho, parecia estar descansando.
–Você abusou hoje, sabe disso não é?- ela disse, olhando uma marca recente de vômito no tatame.
–Eu nem vi o tempo passar, estava tão legal.
–É, estava legal, agora você vai passar o resto do dia com dores musculares, vamos, suba e tome um banho, eu preparei algum ovos cozidos, arroz integral e mais coisas pra gente, aposto que esta com fome, porque eu estou.
–Fazendo a janta é- ele riu.
–Alguém precisa cozinhar nessa merda- ela subiu as escadas, rindo.
Dave foi logo atrás, e assim que terminou de subir as escadas, o telefone toca, mas quem estava mais perto era Mindy, e ela atende.
–Oi, Dave?- a pessoa do outro lado da linha fala.
–É a Mindy.
–Ah, ou Mindy, sou eu Marty, liguei porque tenho noticias do Todd.
–Diga- ela ficou de certa forma apreensiva, afinal, era um dos melhores amigos que Dave tinha.
–Parece que, ele sofreu um ferimento na espinha, infelizmente.
–Uou.....é... é permanente?- Mindy apenas perguntou um pouco surpeendida, já com uma aparência triste, deixando Dave frustrado em não saber direito o que era, e preocupado ao mesmo tempo.
–Ainda não se sabe, mas que ele não vai andar quando acordar, disso já é certeza. Eu estou aqui no hospital, o Todd está dormindo sem riscos, se quiserem vir vê-lo acho que recomendo ser depois da família, ouvi também que tem uma marca de um soco inglês bem na região onde machucou, com isso já se sabe quem foi não é? Agora eles estão vendo os resultados de uma pancada que ele levou na cabeça, também de um soco inglês.... Bem, vou ter que desligar agora, preciso sair e comer algo, até mais, a propósito, veja na internet as últimas notícias de Los Angeles.
–Tchau, Marty- a garota se virou, meio que pensando em como falaria a Dave.
–E então?- Dave perguntou- O que Marty queria?
–Dave... é....- Mindy tentou organizar uma frase- ele ligou pra falar do Todd, parece que ele sofreu uma lesão na espinha...- nessa hora Dave bufou-... eu.. não sei direito, os médicos ainda não sabem se é permanente. Mas quando o Todd estiver lúcido amanhã, provavelmente ele não vai poder andar, e ele também levou uma pancada na cabeça, acho que é sorte que não esteja em coma, desmaiado ou algo assim- ela o olhou lamentando.
–Que merda- Dave estava surpreendido, assim como ela, que esperava apenas lesões não tão fortes a esse ponto.
–Sim, uma grande merda- ela respondeu antes de haver alguns segundos de silêncio.
–Já passamos da hora de apagar o Bandaged- ele pensou em voz alta.
–Tenho que concordar, apesar de heróis não fazerem muito isso.
–Mindy, olha bem para a nossa situação, somos mais justiceiros ou anti-heróis do que heróis- Ele estendeu os braços.
Hit Girl concordava com essa opinião, eles não ligavam muito para a vida dos bandidos, isso era verdade, querendo ou não, era verdade, não os entregavam para a policia e deixar as leis puni-los, eles mesmos os puniam com a morte, ou uma bela deformidade física.
–Ele também falou que se for visita-lo é melhor ir depois da família, e... bem vou usar o computador um pouco -ela falou rápido, se lembrando do que ele a havia falado antes.
–É eu vou, tomar o meu banho- ele começou a subir as escadas, aquele dia que estava indo bem, de uma hora para outra, ficou tenso, as coisas ruins sempre estavam presentes, e por mais que as boas acontecessem, sempre a vida real batia na porta para dar um olá e um chute nas bolas ou onde fosse.
Hit Girl pegou o laptop e foi pesquisar sobre Los Angeles, que era o que Marty havia lhe indicado, e depois de ver algumas notícias, viu uma que sabia que o outro amigo se referia, ‘’cidadãos fantasiados matam bandidos e impedem roubo’’ ela entrou e começou a pesquisar a fundo o caso, até que minutos depois encontrou o vídeo liberado e sem cortes da lanchonete enquanto hackeava uma CPU da policia de Los Angeles. Apertou para iniciar e analisou cada passo que os supostos heróis faziam.
–Eles são bons- Ela comentou percebendo que Dave havia chegado atrás dela.
–Quem são esses?- Ele perguntou, se abaixando ao lado dela para ver melhor.
–Eu não sei, evitaram um simples roubo a uma lanchonete, mas olha para isso, eles simplesmente mandam bem.
–Quantas vezes você viu esse vídeo?
–Algumas vezes, ainda estou tentando ver que tipo de habilidades eles tem, esse cara manda bem demais com uma espada para ser um simples aluno de uma escola por aí.
–Espero que estejam do lado que estamos.
–Eu espero que fiquem por lá, não quero mais confusão, já basta RNB e Toxicman, se estes vierem ficará mais complicado ter relações tranquilas.
–É, talvez seja.
–Sabe quem ela me lembra?
–Não, mas me parece bem familiar.
–A Arlequina, de vermelho e preto, só o cabelo que é branco e ele não esta vestida como palhaça, parece mais uma versão dos jogos.
–Também acho, talvez ela seja uma fã.
–Provavelmente.
–Vamos jantar, vou ir no hospital depois, ver se a família do Todd já passou por lá , e se ele acordou.
[...]Enquanto isso com Marty[...]
O jovem estava comendo um cachorro quente dentro de seu carro para matar sua fome, enquanto estava observando as pessoas caminharem na rua, as luzes dos postes, dos prédios e lojas iluminavam demais o lugar, assim como toda parte de Nova York. Mas seu sossego parou quando alguém bateu algumas vezes com a mão em seu vidro, pedindo para abaixar.
Ele segurou sua arma que já possuía a algum tempo e abaixou um pouco o vidro, apenas o suficiente para se defender a tempo caso fosse algo ruim.
–Ei, você pode ficar tranquilo certo? Eu sei quem você é, sei que tem contato com o Kickass.
–Não sei do que esta falando, porque eu teria contado com o Kickass? Quem é você?- ele perguntou, já que, a pessoa havia colocado um capuz e não dava para ver seu rosto.
–Para de mentir, olha, só vim te passar um recado ok? Vai haver algo semana que vem, terça feira a noite para ser mais exato, alguns peixes grandes vão se encontrar em um armazém a leste de cidade, é fácil de achar, é o único que tem por lá. Talvez seja interesse dos heróis.
–Porque está me dizendo isso?
–Porque eu quero me vingar de pessoas que vão estar lá, estou infiltrado entre eles, os grandes vilões vão estar lá.
–Quem é você?
–Você já ouviu falar muito de mim- ele disse saindo apressado dali.
Se analisasse bem, tudo estava começando a andar, coisas estranhas estavam acontecendo, e agora isso? Uma pessoa do nada dá uma informação dessas de bandeja. De qualquer forma, parece que alguém vai ganhar trabalho.
Marty olhou para o volande de seu carro abaixando o vidro, mordendo o cachorro quente e se perguntando.
–Mas que merda que aconteceu aqui?
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