Apenas uma lembrança

2 Capitulo 2 - Nem tudo são flores


O Nameless Team era uma mistura desbalanceada de bons makers em potencial, era incrível como todos ali tinham alguma qualidade e defeito destoante. Começando por mim que era dedicado e engenhoso, produzindo tanto para os roteiros quanto para os eventos, mas incrivelmente orgulhoso e mente fechada. Já o roteirista principal se chamava Dyo, ele tinha uma boa visão de criação de cena, mas ainda mais orgulhoso que eu mesmo (seria esse um mal de roteirista?) E ainda por cima tinha o péssimo hábito de nunca deixar nada claro, criando plots confusos e sem explicação. Tínhamos também o Ghost, chamo ele assim porque ele raramente dava as caras e quando aparecia eram apenas rápidos vislumbres como um fantasma. O Ghost cuidava da parte gráfica do jogo, no geral ele ajudava no resource mining. O problema dele é simples, ele não tinha engajamento algum. Por fim tínhamos nosso "diretor", o Jr., que se encarregava do level design e programação bruta (via scripts), acho que o que realmente faltava para ele era maturidade e autoridade para liderar a equipe. Havia mais alguns membros no grupo do Nameless, mas vou ser sincero que não tenho nenhuma recordação deles além do fato de estarem no grupo. Enfim, éramos praticamente 4 mentes fora de sincronia para produzir um projeto do Dyo e do Jr.

A partir do dia em que entrei no Nameless a maior parte do meu tempo livre se dedicava à equipe. Como citei anteriormente, Dyo era genial na construção de cena, mas uma lástima na estruturação de roteiro, ele escondia pontos chave do roteiro da própria equipe o que obviamente resultava em produtos insatisfatórios do restante da equipe. Mas me lembro como se fosse ontem uma das cenas iniciais do jogo: O protagonista numa sala que a cada flash ia se transformando num jardim de rosas. O jogo se passava nos tempos atuais, mas nunca cheguei a realmente entender a história do jogo, só sei que era um dungeon crawler like a Persona.

Quanto mais tentávamos tocar o projeto para frente, mais eu e o Dyo batíamos de frente. Na época eu culpava o Dyo por todas as dores de cabeça do projeto, hoje vejo que também me faltou muita maturidade naqueles tempos. O Jr sempre tentava apaziguar os ânimos entre nós, mas isso não durava muito tempo, sempre voltávamos a discordar e se instaurava novamente o clima de guerra. Nos dias de hoje provavelmente tudo seria bem diferente, mas na época, minhas habilidades sociais e de persuasão ainda estavam de desenvolvimento.

Aconteceu o que uma equipe sem líder estava fadada a acontecer, fomos perdendo o foco e o entusiasmo. Primeiro o Ghost, depois eu, um a um os colaboradores foram deixando o projeto e no fim só restaram o Dyo e o Jr.

Apesar dos desentendimentos, ainda queria ver o jogo do Dyo pronto, queria provar a concepção de universo dele e quem sabe finalmente entender o que ele tanto queria transmitir. Mas infelizmente o projeto morreu na praia, com apenas algumas imagens e telas prontas.
Nisso achei que essa história de fazer um jogo com desconhecidos tinha morrido, mal sabia eu que uma mensagem do Jr mudaria esse meu pensamento....