Apenas uma garota
2 Capítulo 2 - Edward
Notas iniciais
Ana Paula Souza!
Edward
Mais um ano na FHS!
Na verdade era muito fácil dar aulas lá. Eu conhecia praticamente todo mundo, por ter estudado lá. Não fazia muito tempo desde que eu estava no lugar deles, ali, aprendendo.
De acordo com meus pais, eu sempre fui um prodígio e não fui uma surpresa ter ganhado uma bolsa de estudos na faculdade de Literatura com apenas 16 anos.
Hoje, com 22 anos, estou no meu segundo ano de mestrado, portanto ainda não deveria dar aulas, porém meus professores afirmam que por sempre ter sido um aluno avançado, eu poderia lecionar, desde que aquilo não prejudicasse o meu rendimento na universidade.
No ano passado eu peguei somente uma turma, esse ano eu resolvi arriscar e peguei três, durante a manhã, assim não atrapalharia as minhas aulas à noite e eu ainda teria as tardes livres.
Os diretores, Carmen e Eleazar Denali, confiavam muito em mim, me conheciam desde criança e sabiam sobre o distúrbio de minha mãe, sabiam que meu pai havia se empenhado muito para ajuda-la, já que meus avós maternos praticamente desconheciam a doença e que se hoje ela estava sã, era tudo graças aos esforços e tratamentos aos quais ela foi submetida e foi por isso que ambos vieram até mim com um pedido.
Eles estavam matriculando uma aluna que tinha esse mesmo distúrbio.
Pelo que ele dissera, os pais da garota eram abastados e podiam pagar os tratamentos e que em vista de outras pessoas com o mesmo distúrbio, ela estava muito bem.
-Edward, eu gostaria de lhe fazer um pedido. – disse indicando a cadeira a sua frente, numa tarde no final de dezembro.
-Claro, diretor, pode falar.
-Teremos uma nova aluna com o mesmo problema de sua mãe.
-Mesmo?
-Sim, não podemos descriminar alguém e vetar a entrada na escola só por causa disso, você sabe, não costumamos tomar esse tipo de decisão. Todos são bem vindos. No entanto, acho que ela poderia precisar de uma ajuda a mais. – disse Carmen.
-A ONG da minha mãe?
-Sim, os pais tem dinheiro, mas a menina estudou a vida inteira em uma escola especial, todos os alunos lá tinham algum tipo de problema, e pelo que os pais disseram na conversa com a psicóloga da escola, não tem nenhum amigo. Achei que talvez se ela conhecesse sua mãe... – hesitou – Bem, ela é um exemplo de superação e talvez ajudasse Isabella a se concentrar, se dedicar mais ao tratamento, e de repente até fazer amigos.
-Claro, coloque-a em minha turma, eu tenho certeza de que ela se dará bem nas aulas e eu falarei com minha mãe, talvez possamos conversar com os pais e médicos dela.
-Obrigado Edward.
-Sempre às ordens, Eleazar.
Depois dessa conversa com os dois, já em casa, contei a história toda para minha mãe, Esme, e ela ficou feliz em poder ajudar mais alguém.
Alice, namorada de meu irmão mais novo, Jasper, também sofria do mesmo distúrbio, porém hoje muito menos do que quando chegou à ONG e conheceu meu irmão. Acredito, até, que ele tenha sido um grande estímulo para a recuperação dela.
Perto do início das aulas, em uma das reuniões do concelho com os professores, onde seria discutidos o conteúdo do ano letivo baseado na média dos alunos no ano anterior, foi decidido reforçar os pontos fracos notados nas provas de todos os alunos e pedido uma atenção especial à aluna nova, Isabella.
Pelo que o diretor disse, os pais da garota não queriam expor a doença da garota para todos os alunos, para não causar possíveis “brincadeirinhas” da parte de seus colegas de turma e isso foi respeitado por todos os professores.
...
Durante o primeiro dia de aula, tudo seguia como o esperado.
Os alunos em clima de volta às aulas, revendo os colegas, sorrindo alegremente...
-Todos empolgados com as aulas, não Edward? – comentou Kate, ao meu lado, dentro do carro, fumando seu cigarro.
Kate é uma de minhas primas e professora de teatro na FHS e também já foi minha namorada, há alguns anos, porém, hoje, é somente uma grande amiga.
-Sim, só não sei se eles continuarão felizes ao saber que alguns professores planejam uma prova surpresa logo no primeiro dia. – sorri, olhando para os garotos andando de skate na frente do portão principal da escola.
-Ah, eu tenho certeza que não ficarão felizes, mas a maioria deles terá a chance de relaxar com a sua aula depois.
-Ou com a sua.
-Sim, mas você sabe que é o preferido... De todas. – disse sorrindo maliciosamente.
-Kate...
-Relaxa, priminho, e peça a Deus que esse ano as meninas não fiquem tão em cima de você como foi no ano passado.
-Pensando em fazer psicologia e dar aulas para crianças.
Kate gargalhou alto.
-De nada adiantará, eu sinto muito. A única diferença é que você será o primeiro amor platônico das pobres crianças que irão suspirar todos os dias por você. Que genética dos infernos, Edward.
-Nossa genética, né? – disse enquanto saía do carro, após ela ter terminado seu cigarro.
Apesar de haver vários estudantes fumantes na FHS, assim como Kate e eu em nossa época aqui, como professores nós preferimos não fumar dentro do campus, e evitar fazê-lo na frente deles.
Não que eu fumasse frequentemente agora, consegui largar o vício durante e faculdade e hoje posso dizer que fumo “socialmente”.
Kate e eu adentramos o colégio juntos, fomos em direção à secretaria, onde assinamos o registro de presença e caminhamos pelo corredor em direção às nossas salas.
O início do dia foi relativamente tranquilo. Todos os alunos foram receptivos e eu já conhecia a maioria, sempre tendo dois ou três alunos novos em cada turma.
Fiquei com uma turma de cada ano, sendo professor de Inglês e Literatura de das três, e isso me rendia dois horários com cada turma, eu gostava assim.
Eu não sou e nunca fui uma pessoa carrasca, digo, mandão e autoritário, não gostava disso nos professores e sabia bem que a melhor maneira de adquirir respeito, confiança e ter um bom rendimento com a turma era sendo amigo, ou ao menos colegas, deles.
Não que isso fosse um sacrifício, eu não era muito mais velho que alguns de meus alunos e gostava da proximidade que eu tinha com cada um, e além do mais, Forks é uma cidade muito pequena, então basicamente todos aqui se conhecem.
As primeiras aulas passaram rapidamente, a turma da primeira aula era do primeiro ano, alguns morrendo de sono ou tédio, outros cochilando, outros falando mais que papagaio.
A maioria ali eu conhecia de vista, mas por terem começado agora no ensino médio, não haviam tido nenhuma aula comigo no ano anterior.
Eles aprenderiam o ritmo assim que parassem de reclamar das duas aulas seguidas.
Na terceira aula era meu tempo livre, das seis aulas, eu e Kate, por ainda estarmos em formação, dávamos apenas quatro, o que era bom, já que ao contrário dos outros professores, poderíamos levar menos trabalho para casa, se o fizéssemos em nosso tempo livre.
Assim como no ano anterior, nesses intervalos eu passava na sala dos professores, e munido de um café e talvez alguns biscoitos, me dirigia para o teatro da escola, onde Kate estaria me esperando, geralmente em seu laptop escrevendo sua peça ou escolhendo as peças a serem encenadas por cada turma sua no final do semestre.
Forks, apesar de ser uma cidade pequena onde todas as informações circulam, sendo elas verdadeiras ou não, muitas pessoas não sabem do grau de parentesco entre Kate e eu, e nossos ‘encontros’ durante os intervalos nos renderam várias especulações sobre um possível envolvimento, e até comentários sobre usarmos esse tempo para encontros sexuais.
Mal sabiam que tudo o que fazíamos era tirar um tempo juntos, como primos e não como namorado ou qualquer outra coisa do tipo, apenas sentávamos, trocávamos ideias enquanto comíamos, corrigíamos provas, algo que facilmente poderia ser visto como um encontro casual de amigos.
A quarta aula chegou e com ela, finalmente pude conhecer Isabella Swan.
Ela era a única aluna na sala de aula quando entrei lá. Apesar dos alunos do terceiro ano, em específico aquela turma, já me conhecerem e gostarem das minhas aulas, não era comum alguém chegar ali antes de mim, ainda mais numa aula depois do intervalo.
A garota de cabelos castanhos e presos estava concentrada em algo em seu caderno e acredito que não tenha me visto chegar.
Quando seus olhos se viraram para mim, após eu chamar a sua atenção, antes mesmo de ela pronunciar seu nome, pelos olhares vagos em minha direção eu já sabia que aquela era Isabella.
Durante as aulas ela foi pouco perceptiva, em certo momento Alice foi até ela, isso era bom, as duas poderiam se dar bem, mas não acho que Isabella saiba como fazer amigos fora do seu círculo de conforto, isto é, fora da escola especial.
Kate e eu nos encontramos mais uma vez durante a última aula, mais um horário vago para ambos.
-O que você vai fazer hoje? – ela me perguntou, em determinado momento, parando de digitar nervosamente em seu laptop.
-Tenho um trabalho para entregar na universidade, depois tenho jantar na minha mãe, por quê?
-Pensei que talvez você possa bancar o cupido.
-Quem é a vítima? – disse rindo sarcasticamente, enquanto revisava as questões que seriam a base do trabalho sobre Taylor Caldwell na semana que vem para os alunos do último ano.
-Eu não disse que era para mim, disse? – perguntou levemente irritada – É Emmett, ele veio pedir ajuda.
-Rosalie. – eu disse, largando a caneta e olhando para Kate.
-Sim, eu não sei o que a minha irmã quer, sinceramente. Daria tudo para ter Emmett no meu pé.
-Não é surpresa, você daria tudo pra ter alguém, qualquer um, no seu pé.
-Idiota – disse me dando um soco de leve no ombro, após revirar os olhos com o meu comentário. – Poxa, Emmett mudou muito nos últimos anos, fez tudo o que Rosalie sempre quis e ela nunca, em nenhum momento, deu esperanças pra ele, e ela sabe que todos sabem que é nítido que ela gosta dele.
-Wow, quantos “que’s”. O que você tem em mente? O que Emmett te disse?
-Ele me ligou ontem à noite, queria conversar, disse que havia convidado Rosalie para jantar, levado flores, chocolate e ela simplesmente não apareceu. Quando ele ligou para saber onde ela estava, ela disse que havia esquecido do jantar e que estava em casa, com as amigas.
-Eu não entendo o porque de o Emmett ser tão apaixonado pela Rosalie, ela é bonita, sim, é, mas ela o esnoba tanto que se fosse comigo, eu já teria desistido dela há tempos.
-É, mas ele é um homem apaixonado, homens apaixonados não desistem tão facilmente.
-Por que Emm disse isso a você e não a mim?
-Sei lá, de repente ele estava precisando de algum conforto feminino e não masculino.
-Kate, você não...
-Claro que não! – cortou-me imediatamente – Não estou a fim de migalhas e isso é tudo o que eu teria de Emmett.
-Certo, todos nós sabemos que a única mulher no mundo para Emmett se chama Rosalie e pode deixar, eu vou falar com ela.
-Obrigada. Aquela cabeçuda é minha irmã, mas nunca me ouviria.
Nos separamos quando alcançamos o portão de saída, Alice e Jasper vieram até mim enquanto eu ia em direção ao meu carro.
Jasper é meu irmão, um ano mais novo que eu e dois mais velho que sua namorada, Alice.
Os dois sorriam felizes enquanto se aproximavam de mim. Jasper sempre dava um jeito de sair na hora do almoço e vir até a escola se encontrar com ela para o almoço, era quase como um ritual.
-E aí, cara? Vai estar no jantar hoje à noite? – disse enquanto Alice me abraçava, sendo seguida por ele, que deu um ‘tapinha’ em minhas costas.
-Claro, dona Esme me mataria se eu não aparecesse.
Desde que me mudei, definitivamente, da casa dos meus pais, há exatas três semanas, Esme me fez prometer que as ‘segundas-feiras em família’, continuariam.
Ela criou essa ocasião pra sempre manter a família unida à mesa para uma refeição e um pouco de conversa.
Por conta das aulas e da universidade, ficou impossível passar um tempo decente com as pessoas mais próximas a mim, e minha mãe sendo um pouco sensata resolveu que deixaria os finais de semana livres para que Jasper e eu pudéssemos ter um tempo de descanso, elegendo assim a segunda-feira para o dia da família.
-Ah, isso com certeza. – disse Jasper – Sinto sua falta em casa, brother.
-Sente nada, agora você tem o quarto só pra si. – disse levantando as sobrancelhas, e ele logo entendeu o que quis dizer. Alice não percebeu, ou percebeu e fingiu que não.
-Bem, já que você colocou assim, então não sinto sua falta mesmo, mas você sabe do que eu estou falando...
-Se vocês quiserem que eu saia pra que possam deixar de conversar em código, eu posso... – disse Alice sorrindo apontando o dedo para trás.
-Eu sei, – disse rindo – mas também não é como se eu estivesse do outro lado do mundo Jasper, ainda moramos na mesma rua.
-Mas não nos vemos com tanta frequência, como antes...
-Jasper, nada vai mudar. Estou em fase de transição, ainda nem levei todas as minhas coisas para o apartamento, mas sempre que quiser conversar é só caminhar até a outra esquina.
Jasper e eu sempre fomos muito ligados, mesmo com a diferença de idade. Aliás, por causa de nossa mãe, a nossa família era muito unida. Eu gostava disso.
-Ok, não vou ser melancólico agora, vou ajudar a mamãe nisso mais tarde. Acho que você precisa ir, certo?
-Sim, tenho um trabalho pra entregar na universidade hoje durante a tarde, talvez nem consiga almoçar.
-Então nos vemos mais tarde, também precisamos ir, tenho que estar de volta às três da tarde. Boa aula, Edward.
...
Naquela noite, em casa, com meus pais, Jasper, Alice, Kate e Rosalie, o assunto se voltou para mim, como eu imaginava, porém, Alice resolveu me salvar – ou simplesmente quis comentar sobre isso – e mudou o foco da conversa para Isabella, a nova aluna.
-Estou ansiosa para conhece-la. – comentou Esme, interessada sobre como Alice falava sobre a garota, descrevendo-a como tímida demais, apesar do distúrbio. – Quando você a trará aqui, Edward?
-Mamãe, estamos no primeiro dia de aula, preciso de mais tempo antes de abordá-la sobre esse assunto. E eu nem sei qual será a reação dos pais dela...
-Achei que ela fosse maior de idade... – disse Carlisle, pensando sobre os pais não mandarem mais em suas decisões.
-Não, ela ainda tem 20 anos, de acordo com sua ficha.
-Ela está bem atrasada... – comentou Jasper.
-Os pais não confirmaram, mas pelo que o diretor disse os pais devem ter tirado a menina da escola nos primeiros anos após descobrirem o distúrbio e antes de coloca-la numa escola especial.
-Eles têm algum tipo de problema?
-Não, mas Eleazar acha que os dois a superprotegem demais, porém, isso é algo a ser analisado, mesmo que ela não venha para a clinica, ainda será minha aluna.
-Mas espera, aos vinte anos a doença não deveria ter regredido ou sido controlada? – perguntou Kate.
-Sim, mas eu não conversei com ela ou com os pais para saber sobre os tratamentos feitos, medicação e nem nada do tipo, não tenho como saber se ela está tendo um acompanhamento adequado.
-Bom, de qualquer forma, é melhor ficar de olho e se ela precisar de ajuda, estaremos aqui.
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