Apenas uma caçada

1 Apenas uma caçada


Notas iniciais
Olá amigos leitores, espero que curtem mais um momento de minha mente poluída pelo mundo sobrenatural desses garotos.
Os personagens pertencem inteiramente ao seriado SUPERNATURAL. Apenas os conduzo para aventuras que imagino que um dia eles possam passar.

Era para ser apenas mais um caso. Encontrar o corpo, salgar e queimar. Mas na vida dos Winchester nada era simples. Dean sustentou o próprio corpo com dificuldade, a respiração parecia rasgar suas entranhas. A criatura o cercava, deixando-o levantar-se saciando o momento exato para o ataque final. A chuva caia abundantemente, relâmpagos acompanhados de trovões faziam daquela cena um cenário assustador. Um cenário de morte. Dean ficou em pé, com uma das mãos segurava o abdômen, entre seus dedos o sangue misturado com a chuva. Corpo arqueado, respiração acelerada, de sua boca o vapor de seu hálito quente de encontro ao frio da noite. A menos de dois metros de distância estava Sam, seu amado irmão. Inconsciente pela queda ou talvez morto por ela. Aquilo dilacerava o loiro. A dúvida. Sam estaria vivo? Morreria antes de saber? Eram esses os pensamentos do loiro ao notar o primeiro passo do ser nefasto em sua direção. Sua arma estava longe, as balas não surtiram efeito, nem mesmo o ferro. Aquele fantasma era muito mais que um simples espírito. A ignorância dos irmãos agora poderia ser a morte de ambos. Dean afastou-se lentamente e curvado para trás. O ser maligno não tinha pressa. Aquilo tudo e o cheiro de sangue e medo o excitavam ainda mais. O loiro encarou aqueles olhos vermelhos, era um fantasma, tinha aspecto de um pelo menos. Mas era forte, desafiador e um devorador de almas. Sua boca escancarada revelando dentes de ferro pontiagudos, suas unhas pareciam garras afiadas. A língua do ser demoníaco era comprida de aspecto gosmento, seu corpo era semelhante a um humano, só que no lugar da pele havia crostas, tipo casca de uma árvore antiga.

— Arghh... vocês humanos...arghh... doce alimento — dissera aquele ser que exalava cheiro de carne podre.

— Então você matou todos aqueles jovens? — Dean dizia sentindo cada palavra sair como espinhos em seus pulmões.

— Não só aqueles. Mas algumas multidões de almas. Arghh... já devorei tantos caçadores. Tantos idiotas — resmungava o ser a poucos metros do loiro.

— O que é você? — o Winchester queria saber. Sua pesquisa e a de Sam não levaram em nada. Tudo que eles pensaram que fosse estava fora do que estava vendo realmente. Um espírito com dentes de ferro?

— Sou o guardião dos mortos. Tenho meu líder e cumpro meus deveres, sou conhecido pelos humanos por Abaasy.

Dean Winchester fechou os olhos momentaneamente, estava difícil manter-se em pé. Não sabia o que era um Abaasy, mas infelizmente acabara de conhecer um.

— Então é um demônio-fantasma — era isso que ele estava enfrentando.

— E isso importa? Vou devorar cada centímetro do seu corpo, e junto dele sua alma. Depois saciarei meu apetite por mais um instante com o seu parceiro caído ao chão.

A criatura desviou o olhar para Sam. E neste instante ela sentira algo diferente. Algo incalculavelmente prazeroso. O medo exalando o corpo de sua vitima a sua frente.

— Arghh. Ele é importante para você? Sinto que terei que devorá-lo primeiro, bem na sua frente — disse o Abaasy saltando para onde estava Sam Winchester.

Dean paralisou. Sentiu o mundo cair sobre seus ombros curvados. Não sabia o que fazer, olhou atônito ao ver a criatura segurar seu irmão pelos cabelos, arrastando-o para perto de uma cova.

— Humm. Essa alma é diferente. É forte. Será uma preciosa aquisição, sem dúvida alguma. Arghh, sem dúvida alguma — a criatura lambeu o rosto do jovem desacordado.

O Winchester mais velho precisava agir. Seu coração parecia que iria explodir a qualquer momento. Era isso que instigava a criatura. Mas como controlar esse medo? Resolveu apelar para a última coisa que poderia fazer. Falar e ganhar tempo.

— Abaasy, não é? — o nome proferido surtiu o efeito desejado ao Winchester. O ser demoníaco teve a atenção do loiro. Afinal a tortura era muito mais interessante do que simplesmente a morte.

Dean ao invés de recuar, como estava fazendo antes, deu um passo lento e cambaleante em direção onde estava a criatura e seu amado irmão.

— Você disse que tem um líder, não é? — Dean continuava aproximando-se.

— E daí? Seu interesse nisso é para quê? Ganhar tempo? — o trovão fora tão forte que a voz da criatura aumentou de intensidade.

O Winchester estagnou novamente. Aquele ser parecia ler sua mente. Captar seus planos, sentir suas emoções. A chuva estava muito intensa. As gotículas agora açoitavam a face do jovem que tinha seus olhos atentos aos movimentos do fantasma-demônio.

— E isso importa?— foi a vez do loiro alfinetar a criatura.

Abaasy sentiu algo que lhe incomodou. Não pensou que encontraria um moribundo tão arrogante e atrevido. Enquanto a criatura parecia analisar seu oponente, o loiro continuava encarando-a e percebeu a criatura largar Sam com certa violência em direção de uma cripta. Dean pôde sentir o baque do corpo do irmão contra a lápide e a poça de água. Aquilo fez seu coração acelerar novamente. Mas tentou manter o contato visual com a criatura, que também o encarava.

— Comer o que está morto, não tem muita graça — dizia a criatura desviando o olhar para Sam Winchester.

Se a criatura queria desestabilizar o rapaz a sua frente conseguiu. Dean sentiu seu corpo caminhar tropegamente em direção ao irmão. Sam estaria morto? A lama dificultava a caminhada excruciante de Dean, e sentiu o gosto desta lama ao sentir a criatura pular sobre seu corpo e derrubá-lo segurando sua cabeça contra o chão.

— Não tem mais nada para me dizer, rapaz? — o monstro segurou fortemente o rosto do jovem contra a lama e levantou-o logo em seguida sentindo a respiração tortuosa sair dos lábios do Winchester misturados com lama e sangue.

Dean cuspiu o que lhe acumulava na garganta. Suas narinas ardiam, tanto pela dor como pelo forte odor da criatura. Segurou o braço da criatura que o sustentava apenas com uma das mãospela cabeça.

— Você tem uma tara por cabelos, hein — disse Dean sarcasticamente.

O loiro descobriu de uma forma bem dolorida que não devia ter feito aquela gracinha com a criatura, que enraivecida segurou o punho do jovem atravessando-o com suas garras. Aquele grito foi um estimulante para o ser das trevas. Seus olhos brilharam intensamente de satisfação. A dor também era um dos ingredientes deliciosos a sua alma, se que é existia alguma alma naquele corpo nefasto e pútrido.

Dean pensou em Castiel. Ele havia ficado do lado de fora do cemitério. Sam e Dean iriam tirar os sigilos contra anjos que alguém colocara naquele lugar infestado pelo poder maligno. Mas não houve tempo suficiente para isso. Tudo acontecera tão rápido depois que entraram na floresta. Foi nessa hora que o loiro lembrou-se da espada angelical. Sam estava com ela, talvez fosse a única arma que pudesse acabar com esse ser maléfico.

— Algum problema humano? Acabaram as piadinhas? — o demônio agachou-se encarando o jovem caído que segurava o punho perfurado que sangrava.

— Sai pra lá coisa fedida! — Dean tentava irritá-lo. Sabia que com isso a “coisa” não o mataria de imediato.

O jovem também sabia que seria torturado de maneiras inimagináveis, no entanto apenas queria que fosse atirado para perto de Sam. O pensamento no irmão o fez desviar rapidamente o olhar para ele. Era sua imaginação ou Sam estava escorado na lápide? Não quis que o monstro percebesse a euforia de seu semblante ao perceber que seu irmão estava acordando. A criatura, no entanto, era perspicaz, e desconfiada desviou o olhar do loiro.

Dean não perdeu tempo. Avançou na criatura suicidamente. Chamando a atenção novamente sobre ele.

— Quer me matar seu caçador amador? Se avançando sobre mim, com o que? Com as mãos nuas? — O fantasma-demônio escancarou sua boca deixando os dentes de ferro pontiagudos amostra, trazendo o loiro para perto deles.

Sam Winchester cambaleou. Mas seus olhos encontraram aos do irmão momentaneamente e vê-lo nas garras daquela “coisa” maligna o deixou angustiado. Acordou no momento que ouvira o irmão gritando e agora estava a poucos metros das costas daquele ser nefasto. Cautelosamente pegou a espada que Castiel lhe emprestara. O corpo falseou ao tentar caminhar, respirou fundo. Os trovões sobressaiam ocultando os ruídos que Sam acabara fazendo.

Dean agora via nitidamente o irmão movimentando-se, o garoto era esperto. Estava empunhando a espada angelical. O Loiro só teria que ganhar um pouco mais de tempo e atenção. Dean Winchester abriu a boca para dizer alguma de suas gracinhas, mas no lugar das palavras um grito abafado e sufocante saia de seus lábios sangrentos.

— Nãooooooooooo!!! — gritara Sam ignorando todas as oposições que seu corpo o lembrava através da dor.

A criatura assustou-se e tirou suas presas do pescoço do caçador mais velho, que desabou ficando de joelhos. Abaasy virou-se para Sam, viu o brilho da lâmina nas mãos do rapaz. Aquilo era uma arma diferente, algo que nunca vira antes. No entanto sentia o poder dela mesmo de uma certa distância. Não era hora de titubear. Abaasy abriu os braços e como uma fera urrou para o céu escuro.

Castiel atônito por não poder ajudar assistia impotente ao combate dos amigos contra a criatura. Apenas os relâmpagos lhe mostravam flashes do confronto e o grito do monstro demonstrava o quão irado estava.

Antes que pudesse fazer qualquer movimento, Sam Winchester ficou parado diante a situação ao qual se encontrava. Abaasytinha Dean sobre seu domínio, segurava-o junto a seu corpo. Dean sentia-se exausto e estava sendo usado como escudo. Viu o rosto de seu irmão titubear com a espada em punho. Tentou mexer-se e sentiu a garra de Abaasy perfurar seu ombro. Dean não conseguiu abafar o grito.

— Atire a espada longe garoto ou irei perfurar esse caçador com minhas garras afiadas. Você sabe como elas são doloridas, senti sua pele também — Abaasy gritava em meio aos fortes trovões.

—Solte-o primeiro e lhe entregarei a espada e...

A criatura desceu suas presas no pescoço do jovem e ficou com elas ali, olhando para Sam.

Dean Winchester sentia-se um fantoche. Estava todo ferrado e agora iria ferrar com seu irmão. E nada conseguiria fazer, estava “pregado” a criatura. Viu Sam transformar-se em um borrão, estava difícil manter-se acordado. Era insuportável a dor que sentia. Mas a pior de todas era a impotência. Um estrondo chamou a atenção de todos, um raio caiu sobre uma gigantesca árvore, rachando-a ao meio e uma parte dela desabara sobre a criatura e Dean.

— DEAN! — Sam correu procurando o irmão pelos montes de galhos caídos sobre o solo. Tudo havia sido rápido demais. O susto, o ranger dos galhos e logo em seguida o estrondo.

— SAM, atrás de você! — a voz do irmão alertando-o foi o suficiente para agir e encontrar o peito da criatura com a espada de Castiel.

Abaasy arregalou os olhos sentindo os dentes e as garras se desmancharem ao tentar atingir seu oponente. Nem Sam acreditou no que acabara de acontecer. Só podia ser Deus guiando seus passos. A criatura agora gritava e flutuava perdendo pedaços de seu corpo até que começasse a inchar e explodir deixando milhares de almas saírem de seu confinamento.

Sam colocou o braço sobre os olhos com a intensidade de luz que tomou conta do lugar momentaneamente. E logo em seguida procurou pelo irmão.

— DEAN! CARA DIZ ALGUMA COISA! — a chuva continuava intensa e o som atrapalhava.

Dean tentara gritar, mas estava se afogando com a água da chuva. Um dos galhos caíra sobre sua cintura e como estava debruço não conseguia sair dali. Ouvia claramente os gritos de seu irmão. Elevou a cabeça o mais alto que pôde e gritou:

—SAMMY!

Sam virou-se rapidamente em direção do grito. Sabia que seu irmão estava muito machucado e o esforço era imensurável. Ouvir seu nome encheu seu coração de esperança.

— DEAN!

Sam vislumbrou a calça do irmão. Um galho daquela antiga árvore prendia seu irmão e a água estava inundando aquela área.

— DEAN! EU TÔ AQUI, EU TÔ AQUI! — Sam tentava levantar o galho, mas era muito pesado. Viu o irmão apoiar-se com os cotovelos mantendo o nariz fora da água. Seus olhos se encontraram mais uma vez. Sam começara a cavar com as mãos ao redor do corpo do irmão e o tronco do galho da árvore. Tentou em vão diminuir o volume da água. A luta era desleal. Dean estava cansando, sentiu a cabeça pender quando não conseguiu manter os braços como alavanca. Sam percebendo o perigo ergueu-o com cuidado para não quebrar-lhe a espinha. Dean sentiu o ar em seus pulmões lhe socarem. Não sentia as pernas, na verdade não sentia mais nada. Apenas o sufocamento e as palavras quase incompreensíveis do irmão caçula.

— Dean. Hey, hey. Me ajuda cara, tente manter-se apoiado. Por favor — Sam Winchester estava entrando em desespero. Além da água, o irmão mais velho estava perdendo muito sangue.

Dean parecia ter compreendido. Manteve a posição evitando afogar-se. Sam não perdeu tempo. Tentou mais uma vez mover aquele tronco. Era inútil. Desesperado passou a mão pelo queixo e como uma luz lembrou-se da espada. Tentou usá-la como machado, não funcionara. Viu o irmão tossir. E com a ponta da espada começou a fazer um buraco entre o tronco e o corpo do irmão. A lama aumentou e com ela a água subia rapidamente. Tudo que ele tirava de lama voltava. Mas o terreno ficou mais arenoso e Sam sentiu um leve movimento do tronco.

— Dean. Isso vai doer. Mas não temos mais opções. O tronco parece estar cedendo e no momento certo vou te puxar, então esteja preparado — Sam deu a volta. Pegou outro galho que cortou com a espada e fez de alavanca.

A ação surtiu efeito, o tronco deslizou e agilmente Sam puxou o irmão pelo cós da calça. No instante seguinte Sam correu puxando o irmão de encontro ao seu peito.

— Dean, DEAN! — O loiro parecia ter perdido os sentidos.

Sam pegou irmão cuidadosamente e o carregou como a uma criança para fora daquele maldito lugar. A chuva parecia não ter fim. Com os relâmpagos Sam conseguia enxergar melhor e se apressava em chegar até o amado impala. Viu o anjo acenar, estava perto.

— Agüenta Dean — o moreno dizia apertando o irmão em seus braços. Ele sentia os tremores do corpo do mais velho e o líquido quente que continuava a banhar seu corpo.

— Sam. Graças a Deus! — Castiel foi de encontro a eles.

— Cass, tente curá-lo. Ele está muito mal. Não sei se vamos conseguir chegar ao hospital a tempo — Sam dizia rapidamente as palavras.

Castiel colocou sua mão sobre a testa do loiro. Uma pequena luz acendeu-se e logo apagou-se. Castiel não estava com todos seus poderes e com os sigilos tão próximos a ele acabou diminuindo-os consideravelmente.

—Consegui parar a hemorragia e fechar os cortes. Mas não tenho poder suficiente para curá-lo. Temos que sair desse lugar. Ainda continua protegido contra anjos — Castiel conduziu Sam até o impala.

— Obrigado Cass. Ele vai ficar bom — vamos voltar para a cabana. O hospital está a 200 km daqui. Seria uma viagem exaustiva e até perigosa ao meu irmão. Vamos aquecê-lo e medicá-lo. Até amanhã você também estará com seus poderes e então poderá curá-lo ou nos tele transportar.

— Sim, Vamos.

Algumas horas depois de toda a loucura que passara junto ao irmão mais velho, o moreno estava sentado na cadeira, vigiando o sono instável do loiro.

O resto da noite passou lentamente. Sam enxugava o suor da testa do irmão devido a febre, com um pano úmido tentava ameniza-la. Tremores e alguns momentos de lucidez se intercalavam. Mas Dean estava vivo, lutando e vencendo cada segundo de dor. Castiel ficara de guarda, mas Sam não conseguira dormir. Quando finalmente amanheceu e a chuva dera um pouco de trégua, os dois estava carregando as coisas no impala. Dean abriu os olhos ao sentir-se flutuando. Viu o semblante preocupado do irmão caçula. Estava sendo carregado e não pôde deixar de soltar uma de suas gracinhas.

— Q.…que cena patética, Sammy — a voz falhou um pouco e com tons mais alto do que esperava.

— Dean, cara você acordou! — Sam encarava os olhos do irmão com alegria.

— Beleza, mas quer me... me colocar... [suspiro] no chão? — dizia o jovem com um sorriso nos lábios ao constatar o constrangimento do caçula.

Sam balançou a cabeça. Esse era Dean, ferrado e mesmo assim bancando o macho alfa. O moreno ajudou o irmão a manter-se em pé e ambos caminharam até o impala. Castiel os aguardava com seu sorriso escondido atrás da máscara de anjo sério. Não sabia explicar o quanto os irmãos Winchester se tornaram importante para ele. Os dois eram sua nova família. Morreria por eles, sabia disso. E com os primeiros raios de sol a despontar no horizonte deixaram a cabana rumo ao hospital. Mas com a satisfação e certeza de que tudo daria certo e que Sam e Dean voltariam a caçar em breve ao lado do anjo Castiel.

Notas finais
E assim se encerra mais uma aventura desse trio maravilhoso. Beijos para todos que aqui passaram.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!