Apenas um sussuro
2 A festa
Notas iniciais
Jane acordou meio zonza com o celular vibrando na cômoda, os últimos dias de trabalho e as noites mal dormidas estavam esgotando-a aos poucos –Uma mensagem da operadora, droga! O sonho estava bom. -Olhou para o lado e não viu Maura, levantou para sua higiene matinal.
Enquanto olhava para a pia pensava no porquê ter uma escova de dentes na causa da Maura e roupas ocupando um espaço generoso no guarda roupa do quarto de hóspedes... e o mais importante, por que sentia mais "em casa" na casa da Maura do que na sua própria casa.
Olhou no espelho, não gostou do que viu, ele mostrava coisas demais. O espelho mostra as claras o que tentamos esconder, e ela não queria que todos vissem o que ela estava vendo agora, reflexos de uma vida. –Não, não posso aparentar fragilidade, todos esperam muito de mim, cansaço não me é permitido, não quando tantas pessoas dependem de mim.– Olhos ferozes agora eram refletidos no espelho, e seguia assim mais uma manhã, era assim todas as manhãs, esse debate já entrara na rotina.
Tomou café com Angela e Maura e falaram sobre sapatos, homens, viagens. Passou em casa antes de ir para o trabalho, gostava de sua rotina.
*******
Detetive Senkey desceu ao necrotério, fitou Maura realizando uma autópsia, receosa por entrar ficou na porta. A loira percebeu a presença e enquanto cobria o corpo na mesa fez sinal para que a detetive entrasse.
–Você parecia receosa, então preferi cobri-lo -disse apontando para a mesa.
–Obrigada, non sei porque, mas sinto nervosa aqui.
–Tudo bem, é normal. Aqui tinha um detetive... um amigo que também tinha esse mesmo problema.
–Barry Frost, ouvi muito sobre ele. Me desculpe doutora, mas...
–Deixa eu adivinhar, Jane te mandou aqui a respeito da autópsia?
–Como sabe?
–Conheço a terra que piso. Farei amanhã.
–Posso assistir? Quer dizer, non assistir "assistir", mas ficar por dentro -disse a asiática animada.
Maura observou melhor Kikyou, podia ser pequena, mas não era nada frágil. Tinha um corpo de causar inveja nas mulheres e quebrar o pescoço de muito homens ao andar pela rua. Aparentava ter no máximo 30 anos, tão nova... Todos agora pareciam novos demais para Maura.
–Sim, esteja aqui amanhã às 10:00.
–Sim, estarei. Jane disse que estar presente sempre que possível é essencial. -a forma informal como a detetive se referia a Jane não passou despercebida por Maura.
–Tenho notado que você faz muitas perguntas por ai detetive Senkey. Você faz boas perguntas.
–Sim, só estou querendo aprender. Jane pediu para analisar os casos em aberto. Conversamos tanto essa manhã, ela é tão legal.
"Eu vou furar essa menina com meu bisturi... sorria Maura, sorria"
–Jane é uma policial muito esperta, ande com ela e você irá aprender muito.- 'Mas não muito próxima"
–Você gosta dela doutora? -Maura engasgou com ar e olhou assustada para Senkey.
–Quero dizer, Todos dizem que vocês sempre eston juntas e você fala bem dela. A Jane é ton diferente né. Tem algo nela que chama a atençon, sabe? ...
Maura sentia seu sangue ferver enquanto a asiática continuava seu monologo e via algo além de admiração nos olhos da mais nova ao falar de Jane, ela via avidez?
"Sorria Maura, você é de paz, sorria. O que a Jane viu nessa pirralha, o que ela tem de tão interessante para ser sua nova amiga?... sorrindo, sorrindo"
******
–Frank, acharam o carro da nossa Xena, parece que ele estava estacionado em local proibido, os policiais que acharam estão esperando por nós. -Disse Jane ao encontrar o irmão saindo do elevador.
–Eu sei, Nina já está buscando as câmeras de segurança do local. -Frank observou a irmã apertar várias vezes o botão de descida. 'Acho que deveria ter segurado o elevador pra ela'
Enquanto Jane apertava o botão do elevador recebeu uma mensagem.
"Vamos fazer as compras para o churrasco surpresa da Susie?-M"
"Não é surpresa se ela já sabe. u.u — J"
"Mas como eu iria saber o que ela queria se não perguntasse? -M"
"Tá, me espera na cantina. -J"
–Frankie, me da cobertura nessa, tenho que resolver um problema com a Maur.
*******
–Jane, pegou o vinho? -disse a loira empurrando um carrinho.
–Já não compramos bebidas o suficiente? -resmungou Jane empurrando outro carrinho
–Quero que nossos convidados tenham opções.
–É apenas um churrasco Maur.
–E daí?
–Churrasco não combina com vinho, combina com carne e cerveja
–Tá parecendo meu vizinho falando. Sempre que ascendo a churrasqueira ele grita do outro lado do roseiral que churrasco tem que ter cerveja.
–Está falando daquele seu vizinho barrigudo e machista?
–Sim, ele mesmo.
–Não sei se é pior ouvir que pareço seu vizinho machista ou você sempre me comparar aos homens. "Senta igual mocinha Jane" -imitou a morena
–Claro! E eu não uso essa inflexão. Tenho que te ameaçar pra você sair da frente da TV na hora do jogo.
–Quer dizer que não vou poder assistir ao jogo mais tarde?
–Por que fui tocar no assunto?
–Mas já comprei até cerveja pra assistir ele, apesar que cerveja vai bem com tudo. -resmungou Jane apontando para o carrinho.
–Claro, agora sim ficou menos machista!
–Tudo isso porque não quero deixar você levar o vinho?
–Tá querendo dizer o que?! -a loira falou colocando as mãos na cintura.
–Nada Maur, é que parece meio exagerado.
–Ah! Então eu sou exagerada?!
–Calma, vamos do começo. O problema...
–Falando em problema. -interrompeu a loira. — Você vai chamar sua nova amiguinha?
–Quem? A Kikyo? Claro! Ela é muito legal, não pode falta né. -respondeu Jane sorrindo antes de sentir um frio na espinha. "Sinal de perigo, falei demais"
–Tá
–Maura, você não acha que está implicando demais com ela não?
–Hum... por que diabos você chamou ela?
–Porque somos amigas.
–Ah maravilha! -a loira levantou as mãos e deixou cair.
–Você chamou seus amigos do laboratório e eu não disse nada. -Jane se virou para a loira, crente que o argumento foi eficaz.
–Mas ao menos meus amigos do laboratório não querem me ver nua.
–Aquele cara do noturno as vezes...
–Ah! Já tô ficando estressada. Pegou tudo da lista da sua mãe?
–Por que você acha que deu dois carrinhos?
–Muita coisa né. Então tudo bem dois carrinhos pra sua mãe, mas deixar eu levar um vinhozinho...
–Tá! Pega lá seus vinhos caros. -Maura deu alguns gritinhos.
–Jane, que tal vodka também?
–Oh Senhor
******
A imagem seguia na tela enquanto Frankie e Nina assistiam.
"Um carro estaciona -o carro da vítima- ela desce e entra em um prédio. Segundos depois outro carro para logo atrás. Uma pessoa de moletom cinza e rosto coberto pelo capuz desce e se abaixa ao lado da porta de passageiros, segundos depois levanta e retorna ao carro"
–Volta Nina e da zoom. -pediu Frankie se aproximando da tela. -O que essa pessoa estava fazendo? Esvaziando o pneu?
O video começa a rodar de novo, lentos flames passavam na tela.
"A mulher novamente abaixada ao lado do carro, um cacho de cabelo negro desponta do capuz, a mulher se levanta, revelando ser alta e elbelta e retorna ao seu carro, porém dessa vez é possível ler BPD escrito em suas costas."
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