Apenas para Lembrar
15 Capítulo 14 - Decisão
Acordaram sob o luar, por motivos óbvios: Sem os poderes de Aizen, Las Noches, não amanhecia nunca. Já estavam em forma, preparados para a investida, o vento gélido — característico do clima — atingiu a face de todos, estes que estavam sérios e não diziam ao menos uma palavra.
Noah afastou-se dos demais e em silêncio obteve a forma do morcego negro, olhou para trás mirando a amada, que devolveu-lhe um sorriso tímido, aquele sorriso tão doce que apenas queria dizer “Continue”. O arrankar abriu o rasgo no ar, a coloração da luz verde do seu poder mostrava a trilha que a mão tinha feito. Ele passou cuidadosamente pela abertura, sumindo no escuro e voltando em seguida.
– Está tudo bem. — Disse. — Podem entrar.
Entraram um a um, totalmente apreensivos e cuidadosos. Pisavam em um território inóspito, o cainho de uma garganta era muito mais perigoso quando ainda haviam almas tão cheias de vida.
– Peço para que fiquem próximos de mim. — Ulquiorra disse calmamente. — Tentarei expandir minha reiatsu ao máximo, tentarei camuflá-los ao máximo, escondam o poder de vocês.
– Ichigo não sabe fazê-lo… — Rukia lançou um olhar ao shinigami, não era a primeira vez que ele conseguiria estragar uma missão por não ter controle sobre ele mesmo.
– Não há problema. — Suspirou. — Ichigo, me escute: Você deve andar ao meu lado, mas esteja preparado, eu mandarei você colocar a máscara e você deve colocá-la.
Afirmaram com a cabeça trocando o olhar de cumplicidade, olharam a sua volta e o caminho cercado por escuridão, mostrava o outro lado da fenda brilhando com a luz do dia. Caminharam a passos lentos tentando esconder suas presenças, alarmaram alguns fracos hollows que foram destruídos rapidamente e, em poucos minutos, estavam a ver o céu brilhante da Sereitei.
A luz do sol ofuscava os olhos do grupo e quando se acostumaram com ela, viram-se dentro de uma clareira calma e de brisa leve, respiraram fundo ao constatar que ainda não havia causado alarde.
– Como no plano: Kurosaki, Ulquio…-Tossiu corrigindo o erro. — Noah e Inoue vão até a prisão de Aizen; Chad e Abarai seguirão minutos depois marcando os caminhos adjacentes; Eu colocarei as armadilhas pelo caminho, cuidarei dos guardas e encontrarei com a Kuchiki logo em seguida para protegê-los na entrada quando o alarme disparar. Inoue, não esqueça de envolvê-los com sua proteção o máximo que conseguir, a reiatsu ficará bem mais fácil de ser encontrada quando estivermos próximos a base da Soul Society. Estão prontos?
O clima de tensão apenas os fez conseguir afirmar com a cabeça antes do plano seguir. Ishida foi o primeiro sair, indo cumprir a sua parte, esperaram o som dele se movendo sumir e Orihime respirou fundo.
– Certo. — A ruiva se aproximou dos dois garotos, sua expressão era tensa. — Santen Kesshun!
A luz amarela saída das presilhas envolveu o grupo, eles olharam os colegas sorrindo em forma de incentivo e seguiram sem olhar para trás, apenas ouvindo o som dos outros se movendo em outras direções entre as folhas.
~*~
O shinigami parecia que ia perder a respiração a cada passo rápido que dava. Era seu turno na guarda e ao chegar encontrou os colegas abatidos. Seus reflexos o fizeram correr o mais rápido que conseguia, indo direto para a base da primeira divisão.
Atravessou toda a guarda do capitão Yamamoto sem permissão e entrou gritando na sala onde o velho homem estava sentado.
– Algo está próximo da prisão do Capitão Sousuke, senhor! — O shinigami se aproximava do capitão, ele estava ofegante e estava sendo bloqueado por outro homem.
– Entrou sem permissão, General! — Gritou o shinigami que tentava contê-lo.
– Deixe-o ficar! — O velho homem parecia tranquilo. — Do que se trata?
– Os guardas foram abatidos, eu ia para o meu turno e eles estavam no chão! — Continuou ao ver que o homem que o segurava deixava se aproximar.
– A porta foi aberta? — Continuou firme.
– Não, general, ainda não.
– Chame outros, vá até lá, se alguém tiver entrado, soe os alarmes. — A ordem foi sucinta. — Mande Soi Fong acompanhá-los
O shinigami reverenciou e saiu depressa, até a base da capitã, explicou a situação e ela preparou seus homens para a empreitada, silenciosos, se moveram sendo surpreendidos por Renji e Chad.
– Sub-Capitão Renji, o que faz aqui? — Fong foi parada por ele.
– Desculpem, mas não podem passar! — Renji sorriu. — Ban-kai!
Zabimaru fazia o escudo com seu grande corpo tampando a passagem dos demais shinigamis, enquanto Chad também formava um escudo com seu braço.
– Temos traidores… — A capitã disse entre os dentes. — Soem o alarme!
~* ~
Caminharam calmamente pela floresta, sabiam que não era prudente fazer tanto barulho e conseguiram avistar o cárcere onde Aizen estava, a guarda de quatro shinigamis estava desmaiada, era sinal de que Ishida já havia agido ali, provavelmente tinham pouco tempo.
Inoue desfez seu escudo e seguiu Ichigo e Noah até os homens desmaiados, procurando pela chave, encontraram-na dentro de uma bolsa de um dos shinigamis e seguiram com para abrir o portão. Ichigo empurrou a pesada porta devagar sentindo toda a energia que vinha lá de dentro: eram as reiatsus mais pesadas aprisionadas naquele lugar. Inoue vacilou ao sentir o poder que a praticamente quase a jogava no chão e recebeu o apoio do morcego ao seu lado.
– Quer ficar do lado de fora? — Noah perguntou antes de dar o primeiro passo para dentro.
– Não! — Ela afirmou sorrindo ajeitando os cabelos e mostrando um sorriso. — Estamos juntos, tudo bem, eu aguento!
– A reiatsu dele vai disfarçar a nossa por mais um tempo, venham. — O ruivo apontou para o fundo da escada.
Desceram uma incontável leva de degraus até chegarem no corredor. O local era úmido e pouco iluminado, o caminho parecia infinito, era possível ouvir gemidos dos monstros presos ali e a cada passo a energia tornava-se esmagadora. Era assustador pensar que ele estava ali embaixo.
– Minha princesinha está aqui? — Uma voz masculina extremamente sedutora ecoou pelo salão.
– Aizen! — Inoue extremeceu ao ouvir a pergunta que soava, procurando pela fonte da voz.
– E meu mais fiel arrankar, mas… Que reiatsu é essa, Ulquiorra? — A voz ainda ecoava sem que eles pudessem encontrar a fonte. — Vejam só, o rapaz shinigami também.
– Onde você está, seu imundo? — Ichigo disse entre os dentes.
– Estou onde sempre estive desde que me colocou aqui, venha, estou perto. — A voz de Aizen trazia prazer a cada palavra.
– Aqui! — Noah encontrou.
Aizen estava preso, ainda trazia a mesma carcaça branca com a qual havia sido capturado. Os olhos estavam vendados e os braços e pernas presos com um Bakudou poderoso e, provavelmente, proibido. Apesar de seu estado ele trazia um sorriso triunfante nos lábios.
– Não tiraram o hougyoku… — Ulquiorra engoliu seco.
– Eu sou ele Ulquiorra, eu sou o hougyoku. — Ele riu. — Eu sei que tem um desejo tão profundo em seu coração, veio atrás disso Ulquiorra? Ou será que devo chamá-lo de Noah?
– Seu desgraçado! — O moreno segurou o pescoço do homem, que ainda sorria. — Libere-o, eu preciso dele, libere-o!
– Eu não posso, querido servo. — O tom de deboche de Sousuke era visível. — Tem que me levar.
A palavra “levar” saiu alta e num eco audível por todo o corredor, era como se Aizen quisesse da ênfase, causando um silêncio mortal. O coração do grupo começou a bater forte, seria possível haver outra maneira que não aquela?
Não podiam arriscar a vida de todos com a presença de Aizen, na verdade nem as próprias vidas poderiam ser arriscadas.
Orihime olhou esperançosa a espera da decisão de Ulquiorra, seus ombros caíram e ele perdeu a postura altiva, trocando olhares com os outros dois presentes ali, viu a preocupação presente na expressão de ambos, — principalmente, sentiu a dor da amada ao pensar em qualquer uma das alternativas. — Então, conseguiu apenas balançar a cabeça negativamente abandonando a figura de Aizen Sousuke presa. Seguiam de volta para a superfície prontos para desistir do plano, não podiam ir tão longe, porém, o alarme soou.
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