Apenas o tempo
9 Início de um pesadelo maior...
Notas iniciais
Aquela noite, Kanae e Chiori dormiram com Kyoko, com medo que se ela acordasse, desse aquele grito horroroso ou tentasse se matar novamente. Ambas dormiram abraçadas a uma Kyoko que lacrimejava desacordada.
O dia logo chegou e todos voltaram ao trabalho. Kyoko teve as marcas de enforcamento escondidas por Julie, debaixo de uma maquiagem pesada.
E isso não atrapalhou para que Setsu fizesse as sessões de foto de Kyoko valessem a pena. Natsu se concentrava em Box R, Kuon e Ryuu no dia a dia dela. Mio ajudava Kuon e Ryuu.
Mais dois longos dia se passaram desde o encontro de Ren e Kyoko. Kanae ainda não havia descoberto, mas Chiori lançava olhares furtivos a Julie, como quem dissesse qual é a próxima?
Julie suspirou cansada. Apesar de Chiori não esfregar na cara dela, o olhar dela dizia tudo. Julie havia compartilhado com Chiori sua ideia. E Chiori disse que ficaria de olho. Não negou nem aceitou, apenas iria observar. Pelo menos isso Julie ficou tranquila.
Naquela noite elas precisariam pisar na LME. Sawara havia chamado Kyoko e Chiori para um trabalho e logo depois elas iriam para casa.
Julie e Kuu a deixaram, e Kanae estava em outro projeto. Chiori e Natsu estavam juntas.
— Você já sabe como vão fazer a workaholic da Kyoko?
— Ainda não, Natsu. Kuu e Julie ainda estão receosos.
— Espero que não seja tarde demais quando decidirem fazer. Ela já tentou 3 vezes. A próxima pode ser fatal.
— Ela não vai morrer Natsu...
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Os dias se arrastavam ainda mais para Ren. Depois do comercial, ele tentava de todas as formas se aproximar de Kyoko, mas, nenhuma havia conseguido. Ou ela estava cercada dos quatro, Kanae, Chidori, Kuu e Julie, ou pelo menos um deles. Kyoko não ia sozinha a canto nenhum, e Ren não sabia por que… Lory se havia descoberto, não havia lhe dito.
Passando no corredor conhecido, Ren gela ao escutar duas vozes familiares conversando…
— Espero que não seja tarde demais quando decidirem fazer. Ela já tentou 3 vezes. A quarta pode ser fatal.
— Ela não vai morrer Natsu...
"Quem?"
Ren parou em frente a porta.
— De qualquer forma, vocês são lerdos. Muito lerdos. Além de não conferir se ele estará ao redor, ficam plottando para que os dois se encontrem.
— Ninguém tá plottando nada, Natsu. — Começou Chiori.
— Como se eu fosse acreditar nas palavras de Julie-chan, Yumika. Kuu-san também não foi nada convincente quando disse que ele 'não sabia' que o Freak-san estaria lá.
— Eles são humanos, Natsu. Eles estavam cansados da noite anterior, não?
— Por que ela tentou se matar pela segunda vez, sim eu sei...
"Ela quem?"— Ren estava alarmado, mas não quis acreditar na palavra.
— Natsu, eu sinceramente ainda tenho minhas dúvidas.
— Pensei que fosse mais leal, Yumika.
— Você sabe que sou. Eu apenas ainda acho que escutar atrás da porta, sempre traz ideia errada!
"Ela tem razão…"— Pensa Ren.
— Mas sempre revela surpresas maravilhosas. — Disse Natsu com o que parecia ser um sorriso na voz.
"Concordo de novo…"— concorda Ren e Kuon ao mesmo tempo.
— Descobrir o quão ele mente, foi uma chamada para acordar para vida… — Natsu terminou e Ren arqueou a sobrancelha. — Só que no caso tá sendo para morte. Se você estivesse no meu lugar, entenderia porque eu, Kuon, Setsu, e Mio estamos irritados!
— Natsu… Qual é a chance dela ter escutado errado?
— Zero. — Respondeu. Ren arqueou ainda mais a sobrancelha. "Escutado o que errado?"— Motivo este que preciso trocar o numero dela. Todo dia tem mensagens dele no celular dá recipiente, o que piora as coisas sempre. — Ren arregalou os olhos "Que?! O telefone dela está normal?" Ele pressionou ainda mais o ouvido na porta para escutar a conversa.
— E ela lê?
— Kuon e eu não deixamos. Se ela ler e tentar cortar os pulsos de novo, a culpa não vai ser nossa. Já basta o que Julie e Kuu aprontaram colocando ambos no mesmo comercial! Rendeu um quase enforcamento.
Ren ficou branco.
"Como assim cortar os pulsos de novo?!" — Pensou alarmado Ren
"Ela tentou se enforcar?" — Rilhou Kuon super irritado. "O que está acontecendo com nossa princesa!?"
Ren não sabia se ficava furioso, congelado no lugar, ou depressivo. Ele tinha uma quase certeza agora, parecia que ele tinha uma parcela de culpa no que quer que tinha levado sua pequena a não lhe querer perto, mas querer a morte?
Uma fúria começou a explodir do interior de Ren. A cada dia que se passava, Ren piorava o humor, mas não deixava mostrar a ninguém… Ele queria descobrir a verdade, mas ninguém parecia à vontade em contar, além da frustração, Ren sentia um vazio de não poder resolver o problema…
Mas isso mudaria hoje!
A conversa que ele estava escutando era a perfeita para ele tentar falar com ela e resolver o que quer que tinha acontecido!
Uma ideia surgiu… Ele pegou o celular e começou a ligar pro celular dela…
— Natsu, seu telefone está tocando.
"Então o celular dela funciona! Ela está ignorando todas as minhas chamadas!?"
— Sei… - Ela abre a bolsa e olha o número— Tsk. É o Freak.
— Vai atender?
— O que eu deveria falar? Queria algo para deixá-lo furioso.
— Não brinque com o que você não sabe, Natsu.
— Ora, eu sei bem as faces que ele tem. O demônio dele não seria nenhum pouco pior do que o que... — Natsu pondera o que falar. Talvez falar que a La La Land de Kyoko virou o próprio inferno dela não seria uma coisa boa... — Eu posso ser. Ele não me assusta.
"Demônio? Ela sabe de você Kuon?"
"E eu que vou saber? Estou tão abismado como você, mas uma coisa quero. Pegar ela no flagra!"
— Alô? — Diz Natsu atendendo e Ren petrifica. — Freak-san? O que quer? — Ren suspira e se afasta um pouco da sala, mas sem ficar longe.
— Eu ainda quero entender por que você agora está me chamando de Freak…
— Precisa mesmo?
— Adoraria.
— Por que é o que você é. Queria saber de onde você toda sua atuação… E a melhor palavra pra você, como Kanae-chan fala, é 'Freak'.
— Pensei que seu telefone estava quebrado. — Desconversou ele. — Você não me retornou nenhuma vez, e nem respondeu minhas mensagens…
— Preciso responder quem não quero? — Ele sentiu uma facada em seu peito — Aliás, por que você não faz o que sabe de melhor, finge que não me conhece e me deixa em paz?
— Acho que é bem difícil sendo você quem é, e eu quem sou.
— Nada. Eu não passo de uma chata para você. Pode admitir…
— Concordo, Natsu-san. Você é realmente chata. Mogami-san por outro lado não.
Natsu entrou em estado de choque. Setsu tomou a posição imediatamente.
— Deveria saber que você não liga nenhum pouco para mim, nii-san. - Disse Setsu em inglês. Chiori a olhou assombrada pelo inglês perfeito da mesma.
Ren riu e deixou Cain assumir.
— Ao contrario, Setsu, se eu não ligasse, não estava correndo atrás de você, ou melhor… dela. E por que mentiram sobre o celular?
— Nii-san estava incomodando. Então o melhor a fazer era ignorar.
— E eu sou um incômodo?
— Acredito que é o contrário, não? Você mesmo disse isso.
Ren parou no meio do que ia falar. Aquela conversa não fazia lógica nenhuma. Desde quando ele havia chamado-a de incômodo? Ou chata? Porque nada clicava em sua mente? Apenas parecia que tudo escurecia ainda mais.
— Setsu, quero falar com Mogami-san.
— Ela não quer falar contigo.
— Então vou ter que forçar…
As duas escutam 2 batidas na porta e se entreolham.
— Abra a porta Setsu.
Ele escutou Setsu e Chiori ficaram apavoradas atrás da porta, vendo que a maçaneta estava aberta, ele resolveu entrar. Desligando o celular ele olhou para ambas. Chiori estava de olho arregalado, mas Setsu… Estava congelada no lugar.
— Boa noite. — Disse com um sorriso brilhante ao extremo, voltando ao japonês. Kyoko, que estava próxima a superfície, travou no lugar. Chiori sentiu as bochechas arderem. — Posso conversar com a Mogami-san? A sós?
Chiori cruzou os braços ficando mais séria. E Ren notou que ela não se mexeria do canto.
— Por favor, Amamiya-san.
— Se quiser falar com ela, fale comigo aqui.
— Por favor? — E colocando seu sorriso mais brilhante, Chiori sentiu a vida ameaçada, mas Natsu, voltando as faculdades do corpo, segurou na mão dela.
— Sua máscara não me assusta, Freak! — Disse Natsu segurando as mãos de Chiori. — Yumika não vai sair daqui em hipótese nenhuma. Se quiser falar, fale com ela aqui.
"Ela está nos testando Ren!"
"Tem algo errado. E muito. Kyoko nunca foi desse jeito. Inclusive comigo."
"Me deixa enfrentá-la! Ela vai falar tudo!"
"Eu não quero assustá-la, Kuon… Não"
"Você acha que você vai conseguir as respostas?" — Ren parou para pensar e suspirou fundo...
— Ok, então…
Ren fecha a porta com um clique. Ambas se entreolham assustadas. A áurea de Ren se transforma, e do sorriso brilhante, Chiori vê em primeira mão a face de um monstro. Mas isso não a assustou depois que ela olhou para dentro dos olhos dele. Eles pareciam… vazios… tristes…
"Observe, Chiori! Por favor! Não impeça, deixa fluir a conversa entre eles…"— Disse a voz de Julie em sua cabeça. Chiori lembrava da conversa algumas horas atrás quase, quando Kanae não estava próxima. "Eu tenho certeza que você vai entender o que eu e o Kuu queremos dizer! Por favor!"
"Só espero que isso não renda ela tentar se matar de novo!"— Dizia Chiori que prestava atenção em Kyoko e Ren.
— Mogami-san, o que está acontecendo contigo? — Disse Ren/Kuon se aproximado do lado dela da mesa. Ele parecia um felino ao se mover.
— E é da sua conta? — Ele parou na metade do caminho. — Natsu. — Ela latiu ao olha-lo. — Eu detesto que confundam meu nome...
— Claro. — Kuon suspirou. Olhando mais determinado para ela. Precisava saber o que diabos estava acontecendo, e seria hoje! — Porque você mentiu?
— Eu menti? — Ela deu uma risada cínica. — Eu que deveria perguntar isso, não? — Ren/Kuon arqueou a sobrancelha...
"Eu não aguento mais vê-la..."
— Seu celular. Você disse a Kotonami-san que estava quebrado. — Falou Ren/Kuon apontando para o aparelho dela.
— Disse? — Ela pôs o dedo indicador nos lábios como se pensasse. — Aquilo foi ideia dela, eu não pedi nada.
— Então você deixou ela mentir?
"Ela está sendo um pé no saco..."
— Tudo para não ter você enchendo o saco. Aliás, o pé no saco sou eu mesmo, né? Eu parei de lhe incomodar, porque você não segue o mesmo conselho e para de me incomodar também?
— Desde quando você me incomoda?
"Eu não aguento mais a voz dela, a presença dela, o cheiro dela..."
— Me diga, como é ser o ator número 1 o Japão? — Natsu tentava se manter parcial sem a ira aumentar. Kyoko, internamente, estava cada vez mais gelada e triste. Kuou/Kyoko a segurava, mas a mesma não dava sinal nenhum de vida. E as vozes lhe voltavam a encher seus ouvidos.
— O que isso tem haver com a conversa?
"Não estou vendo você fazer nada, Kuon!"
"Calma… Tudo a seu tempo!"
Natsu se levanta da cadeira, chegando perto dele de forma felina. Kuon/Ren conhecia aquele andar, e aquele olhar predador.
"Então a caça quer ser caçador?" — Diz Kuon/Ren sorrindo. Chiori percebe o sorriso de canto de boca dele.
"E agora?! Eu deveria parar a conversa!" — Chiori sentia-se mais incomodada. Mas a voz de Julie persistia em sua cabeça.
— O que você quer em troca de me deixar em paz para sempre?
— Nada. Por que eu não vou lhe deixar em paz…
CLICK
"Essa não! Bem que Julie-san falou. Tem algo errado! Alguém escutou ou falou errado! Isso não passa de uma imensa confusão!"
Chiori se estava incomodada antes, agora ficou ainda mais. Ela olhava atenta a cada movimento. Natsu chegou bem perto dele. Passando um dedo pelos braços dele, Ren sugou o ar. O dedo dela parecia lhe dar choques elétricos.
— Ren… Ren… Ren… Teimoso como sempre… — Disse Natsu sorrindo, como se procurasse algo.
— Não tanto quanto você, Kyoko...
Ela pega na gravata dele, e ele trava o ar. Iria precisar do ar, caso ela tentasse enforca-lo… Foi quando ele se lembrou ...
"Já basta o que Julie e Kuu aprontaram colocando ambos no mesmo comercial! Rendeu um quase enforcamento."
Olhando imediatamente pro pescoço dela ele pode ver, algumas marcas arroxeadas, cobertas com maquiagem. Os olhos dele estreitam. Ele levanta a mão e toca no pescoço dela e Natsu trava sentindo a mão dele no pescoço dela.
— E este movimento me lembra uma coisa… Quem fez isso a você? — Disse apontando ao pescoço dela. — Eu quero uma satisfação.
— Para que? — Disse Natsu tentando se fazer de desinteressada, retirando a mão dele do pescoço dela de forma bruta, dando um tapa na mão dele.
— Eu quero matar o desgraçado!
O corpo de Kyoko congelou e Chiori travou na cadeira. Mas por dentro, ela estava frenética. Ela notava as mudanças em Kyoko rapidamente.
"Não, Não, Não! Eu tenho que parar essa conversa! Julie, Kuu, a nossa noite de paz chegará um fim hoje! Hoje vai ser o inferno!" Chiori tentava de todas as formas descongelar, mas era impossível.
"Ele está tentando dar uma de gentil… O prefeito cavalheiro que quer salvar a dama do dragão malvado, ou da bruxa má. Não… Tsuruga… Não há ninguém… Além das suas palavras…"
— Ninguém.
— Não minta Kyoko!
— Por que mentir. Quem poderia ser? — Disse Natsu sem emoção na voz. — Está insinuando que tentaram me matar?
— Seja quem fez isso…
— Não é da sua conta.
Ren chegou mais próximo a ela, Chiori observava a cada segundo. Julie estava mais que certa… Mas no estado atual de sua senpai, Chiori passou a prestar atenção no jeito de Kyoko, arregalando os olhos.
"Não! Levanta corpo! AGORA!"
"O calor dele… O cheiro dele… Ele está perto demais! Ele não suporta meu cheiro… Minha voz… Porque não me deixa em paz?"
— Paz… Que paz?— Perguntou uma voz no fundo da mente dela e, aparentemente, no fundo da sala. Era uma voz cavernosa, rodeada de trevas. — Paz… Não existe paz… Kyoko-chan... Não está vendo que ele apenas quer terminar o que começou?
"Kyoko! Não deixe isso lhe afetar!"— Tentou Ryuu apavorado com a nova onda de tristeza que começava a emanar dela internamente. Do lado de fora ninguém percebia, além de Chiori.
— Tsk tsk tsk... Até quando quer se prender a uma realidade imaginada?
Tudo pareceu parar, como se o segundo tivesse parado. Kyoko olhou ao redor e ambos pareciam estátuas... A sombra dele se transformara, e por detrás de Ren, o Demon Lord aparecia. O sorriso cínico e triunfante.
— Entenda de uma vez que o que quer que ele diga, não passam de palavras... Puras e simples. Quem vai querer alguém como você?
— Você disse que me queria... — Disse Kyoko num fino de voz.
— Tsk. É verdade... Mas isso por que sou diferente deles. Para lhe provar... Vou lhe dar algo... Que vai lhe ajudar a se libertar desta dor imensa... Aguarde... Hoje a noite ainda...
Tão de repente o olhar dela ficou petrificado, e segundos depois eles passam a não mostrar nenhum sentimento. Uma dor aguda no peito de Ren foi o suficiente para ele ter certeza que ele precisava descobrir o que era... Pois ele agora tinha certeza...
Que tinha relação com ele!
Ela sente tudo voltar a andar, e as mão quentes de Ren lhe segurarem pela cintura.
— Me diga quem fez isso… — Tentou mais brando, mas o corpo dela fazia maravilhas ao dele. Mas seu coração parecia ser apertado dentro do peito. — Eu quero lhe proteger...
"— E ela não percebe seu jeito?"
"— Claro que não! Ela está completamente cega! Não consegue ver que eu amo outra pessoa! Simplesmente ela não larga do meu pé…"
Chiori fica branca vendo Kyoko ficar da forma que eles odiavam.
— JÁ CHEGA! — Diz Chiori batendo na mesa, vendo o corpo de Kyoko ficar entorpecido.
Esta ação rendeu tempo para 'Kuon/Kyoko' agir. O mesmo tomou posse do corpo de Kyoko empurrando Ren para traz, que caiu sentado no chão
— Eu não sei o que é pior, ser agarrado por um homem, ou ser agarrado por ele!— Ele se virou para Chiori e o olhar dele ficou duro. Chiori conheceu um pouco deste personagem de Kyoko, mas nunca havia ficado sozinha com ele. — Tudo bem que eu estou num corpo de mulher, mas mesmo assim detesto ser tocado por um homem. Deveria ter agido antes! Da próxima vez impeça, Chiori-chan! Você deveria ter falado algo antes! Ninguém agora aqui pode prever as consequências!
— K-Kuon-san… — Começou Chiori e Ren a olhou petrificado, e depois olhou para Kyoko sem entender nada até dar um estalo e ele se lembrar da vez que ela foi ele…
"Por que ela está agindo e vivendo como se fosse cada personagem que ela já fez? E eles entrando e saindo de forma livre? O que diabos está acontecendo?"
— Eu estava meio que…
— Petrificada. Eu sei. — Disse suspirando Kuon/Kyoko e passando a mão no cabelo e falando mais manso com ela, tocando a bochecha dela de forma mansa, sorriu. Como era possível Kyoko passar um ar masculino desta forma? — Você não tem culpa, mas sabe o terreno minado que estamos pisando nestes últimos dias. — Ele se virou para Ren e ele pode sentir um ódio muito diferente do que o de Mio. — Escute de uma vez por todas, seu gigante de meia tigela. — Ela chegou ameaçadoramente perto de Ren — NUNCA MAIS chegue perto dela! Deu pra entender? Você já fez estrago demais por uma vida! Se você preza pelo recipiente, afaste-se para sempre!
E com isso, ela agarra a mão de Chiori, que pegava tudo da mesa como um furacão e ambas saíram porta afora.
"O que…" Ren tentou começar
"Não sei se você entendeu a mesma coisa que eu entendi"
"O que, Kuon?"
"Seja o que foi que aconteceu, falamos algo que rendeu um belo de um mal entendido..."
"Mas o que, Kuon?!"
"Não sei, Ren… Descubra o mal entendido! Antes que seja tarde demais!"
No mesmo segundo que Ren levantou do chão, ele foi parado a porta por uma figura estranha… Que logo ele reconheceu quem era… Não foi preciso dizer muita coisa, Ren logo o acompanhou.
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Chiori pegou um táxi para voltarem pra casa, mandando uma mensagem para Kuu, soando o alerta vermelho máximo. Kuu e Julie estavam com Kanae em casa.
— Isso está errado! — Ralhou Julie novamente — Não podemos continuar sem saber a base! Está muito profundo para ser apenas palavras ditas pelo Tsuruga!
— Agora você quer dizer que ele não foi o culpado? De novo? Achei que tínhamos passado por isso! — Começou Kanae irritada
— Não. Você não entendeu. É impossível apenas por causa de alguma coisa que alguém disse, causar tanto na vida de outra pessoa assim para que esta outra queira mais a morte que a vida, não! Eu conheço o estilo de depressão profunda… Esta está muito obviamente pior do que imaginamos! Kanae-chan, preciso saber o que tem a mais!
— Sho e Saena já não bastam na vida de uma pessoa? Já contei tudo o que eu sei!
— Precisamos ouvir da fonte, da boca dela, tudo! — Suspirou Julie e Kanae apertou a mão
— Eu não sei se seria uma boa ideia neste momento isso, Julie!
— Mesmo assim, precisamos saber! Tsuruga-san deve ter sido apenas a cereja do bolo. Teve coisas piores que estão levando ela cada vez mais para longe! Tudo bem que eu conheci Saena cara a cara, mas mesmo assim! Eu não acredito que uma mãe possa fazer algo do gênero! Tudo bem que existe todo tipo de mãe, mas, eu preciso saber! Precisamos saber se queremos saber como atacar e fazer ela voltar para nós, ou apenas vamos afastá-la cada vez mais, e cada vez mais ela ficará longe, até finalmente conseguir se matar! Não! Eu não quero que minha menina morra ainda! Não é hora, nem tempo! Não! Eu quero minha filha nos meus braços!
— Você está pronta para as consequências, Julie-san? — Perguntou Kanae muito seria.
— Nós damos um jeito nas consequências! Precisamos arrancar o que podemos!
— Mas como fazer ela falar? — Perguntou Kuu. — Ela não abre a boca pra falar nada, é difícil até sabermos o que se passa na cabeça dela, uma vez que ela mascara!
— Este é outro motivo que preciso saber! Por que ela faz isso? Desde quando? Por que é muito bem mascarado! Ninguém é tão perfeito assim, Kuu! — Diz Julie apertando a mão em sinal de irritação.
— Muito bem… Vamos sentar ela e fazer ela abrir a boca, mas como? — Perguntou Kanae novamente.
— Eu diria… Embebeda-la? — Pergunta Kuu
— Você ficou doido? — Disse Kanae — Estamos dando um remédio para ela e o médico claramente especificou para não misturar álcool com remédio!
— Nenhum remédio com álcool se mistura, Kanae-san — Diz Kuu suspirando — Mas é a única forma que eu acho que podemos tirar tudo dela…
— Peça! Melhor que embebeda-la… — Disse Kanae. — Se ela não falar, nos enfiamos um litro de whisky goela abaixo dela e ela fala! — Disse emburrada. — Mas vocês vão ter que arcar com as consequências deste ato!
— Eu arco! — Diz Julie. — Mas eu preciso saber! E eu VOU saber! — Terminou Julie.
Não muito tempo depois, Chiori, que já foi avisada do plano, chegava com Kyoko. Mas a mesma não parecia muito bem. Aparentemente era Kuon/Kyoko que estava de pé, mas nem ele estava bem...
— O que houve?
— Tsuruga-san espiou uma conversa nossa, e apareceu na LoveMe…
— QUE?! — Gritou Kanae ficando de pé, vendo vermelho. — O que aquele desgraçado ainda quer?!
— Saber o que está acontecendo… — Diz Kuon/Kyoko. — Eu não suporto mais aquele homem rondando ela! — Ela se sentou cansada na cadeira. — Tudo está piorando e eu não sei quanto tempo mais vamos conseguir segurar nada!
— Filho, precisamos falar com ela… — Diz Julie. — Precisamos que ela se abra conosco… de uma vez por todas…
— Vocês querem causar a 3 guerra mundial? — Perguntou irritado. — Ela se abrir, nem eu, nem ninguém aqui dentro estamos com forças suficientes para segura-la! Estamos nas últimas, Okaa-san. A partir daqui, fica por conta de vocês, se querem fazer um ato louco assim…. Principalmente agora depois dele ter sondado... — Ele olhou Kuu e suspirou — Será que você poderia fazer o papel de pai turrão, e enfiar a mão na cara dele? Por nós? Porque está impossível! Qualquer coisa que fazemos, ele parece que se materializa do nosso lado para atazanar! Não já está bom o caminho que estamos indo, pra ele continuar dando pop-up a cada 5 minutos? — Kuon/Kyoko cruzou os braços cansado. — É como se tivesse um imã que atrai esses dois juntos!
— Eu chamo isso de destino, filho… — Começou Julie.
— Então o destino quer que ela morra? Porque se for, ela está a poucos passos para conseguir.
— Não diga isso, Kuon! — Ralhou Kanae. — Não vamos permitir.
— Vocês não estão 24/7 com ela e vocês não fazem a mínima ideia de como está aqui dentro…. — Ele apontou para a cabeça. — Estou avisando, querem pressionar, aguentem as consequências. — Ele olhou para os pais e sorriu. Julie sentiu o coração apertar, e a garganta sufocar, Kuu sentiu como se o coração dele tivesse sido arrancado. — Obrigado por ter me dado a luz, Tou-san… Kaa-san… mas eu acho que depois de hoje, não sei se vou voltar…
— N-nem se atreva a dizer isso Kuon! — Julie se tremia da cabeça aos pés. Kuon/Kyoko balançou a cabeça.
— Eu não sei o que vai acontecer, odeio despedida, mas, prefiro dar a minha despedida agora, do que não poder dar… — Ele/a sorriu — Obrigado por ter me dado a chance de conhecer pais tão legais, de ter pais maravilhosos! Eu peço perdão, por ir pelo mesmo caminho que o filho de verdade de vocês foi… Mas caso eu o encontre lá, do outro lado, mandarei um abraço por vocês dois… — Kuu e Julie começaram a se debulhar em lágrimas. Era como se ela tivesse desistido de viver de verdade. Era como se o filho deles estivesse desistindo de estar vivo…
— NEM PENSE EM FALAR COISAS ASSIM KUON! — Gritou Kanae irritada. — ELA NÃO VAI MORRER! NEM VOCÊS!
— Não… Ela eu não sei mais, eu… por outro lado, não tenho mais tanta força para voltar a ativa neste corpo. Assim como Mio, Natsu e Setsu. Apesar de que das 3, eu estou mais fraco que elas. Ryuu é o que aguentaria mais do que nos 4. Eu não garanto voltar, então prefiro dizer até breve aqui, e agora. Do que morrer e me arrepender de não ter dito.
— V-você não vai morrer Kuon! — Começou Julie. — Meu Kuon não morreu, e você também não vai!
— Ele está vivo? — Perguntou Kuon/Kyoko.
— Eu nunca disse que ele tinha morrido! — Disse Kuu.
— Pelo jeito que falou quando deu a ela a tarefa, foi justamente o que aparentou, que ele tinha morrido. — Ele riu — Que bom que ele está vivo. Espero que o encontrem logo. — E suspirou. — Boa sorte com a Kyoko-chan. Eu, estou indo.
— KUON! — Julie gritou e no momento seguinte, o corpo ficou inerte, parado, com o olhar desfocado. Julie teve que agarrar Kuu para não cair. Isso estava muito errado. Era como se Kuon tivesse morrido de verdade. Aquilo não podia continuar… Isso tudo não estava certo! Até onde mais ela iria cair? O que tinha a mais em tudo isso?! Não, definitivamente o Tsuruga foi a cereja do bolo… Um bolo enfeitado e preparado por anos afinco, onde o toque final foi dado por ninguém menos que o filho deles…
— K-kyoko-senpai? — Perguntou Chiori. O tempo parece que parou naquela mesa. O corpo de Kyoko parecia totalmente sem vida. O olhar dela estava sem vida. Ela parecia que não respirava, ou se respirava, era o mínimo. Era como se ela fosse uma boneca de porcelana… Sem vida… — Kyoko-chan? — perguntou Chiori novamente. Kanae, Kuu e Julie estavam em lágrimas pela perda de Kuon. E estavam sem condições de falar nada.
Nenhuma resposta. Kyoko apenas olhava para um ponto específico da mesa, como se não olhasse para nada.
— MO! KYOKO! — Kanae esbravejou batendo na mesa com tudo. Nenhuma reação. — Você ainda quer falar alguma coisa a ela , Julie? — Disse Kanae irritada.
— Preciso! Eu … não posso… deixar isso continuar!
— Muito bem… — Kanae precisava sair. — Vou pegar a bebida, porque até mesmo eu preciso…
Kanae saiu empurrando a cadeira, que caiu no chão, de tanta raiva que ela estava. Tentava por todas as formas não chorar, mas estava cada vez mais difícil. Ela foi e trouxe uma garrafa de whisky, e Kyoko reagiu.
Kanae vendo ela reagir, arqueou a sobrancelha.
— K-Kyoko-chan? — Tentou Julie, vendo ela reagir a garrafa, mas novamente o olhar dela voltou a ficar sem vida. — Por que ela reagiu com o whisky?
— Eu vou saber? — Perguntou Kanae, pegando e colocando no copo e bebendo de um gole. Novamente Kyoko reagiu, e Chiori viu uma lágrima escorrer do olho dela.
— Kyoko-senpai? — Kyoko voltou a cabeça para Chiori e todos prenderam a respiração. O olhar dela, de sem vida passou para uma tristeza profunda, como se tivesse morrendo. — O que foi?
— Porque?
— O que?
— Continuam tentando me trazer?— os 4 se entreolharam na mesa.
— Não seria óbvio que te amamos? — Disse Kuu e Kyoko balançou a cabeça, negando. — Não? Como não? Não podemos lhe ver mais assim, Kyoko-chan.
— Eu preciso saber… Desde quando tudo isso começou… — Diz Julie pegando coragem. — Você pode me contar?
— Pra que? - Apenas a voz, quebrada dela, era o suficiente para esmagar o coração de Julie. Ela segurou as lágrimas que já caiam...
— Eu quero saber... Tudo…
— Pra que?
— Por que eu preciso saber para saber como lhe trazer de volta para nós… — terminou Julie segurando as mão de Kyoko.
Kyoko primeiramente olhou para as mãos dela nas suas e depois para os olhos de Julie.
— No momento que souber, você vai me atirar janela abaixo…— Julie congela. — E finalmente me deixaram em paz para eu ir descansar e nunca mais acordar… — Kuu sentiu a espinha congelar… Kanae travou com o copo na mão, e Chiori foi a mais brava, abraçando Kyoko.
— Nunca faríamos isso kyoko…
— Até escutarem o quão quebrada sou… O quão eu menti… O quão impotente e insuficiente eu sou. Eu prefiro não contar e vocês continuarem na ilusão de quem eu era… Antes dele falar a verdade, e da máscara de todos finalmente cair …— ela se soltou do abraço de Chiori. — Me deixem. Vocês não precisam passar por uma sessão de flashback comigo. Nem precisam ver o qual morta eu já sou. Eu apenas gasto o ar que vocês respiram… Mas na verdade, eu já estou morta totalmente…
Os 4 travaram. Julie fechou a mão irritada, e bateu na mesa com toda a força que tinha. Seu sangue russo falou mais alto, vendo-a se levantar e sair da sala.
— MOGAMI KYOKO, VOLTE A BUNDA PARA ESSA CADEIRA AGORA MESMO MOCINHA! NÃO TERMINAMOS COM VOCÊ E VOCÊ NÃO VAI SAIR DAQUI ATÉ ME CONTAR TUDO, SEM ESCONDER NADA! E DANE-SE COM O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO QUE EU VOU TE JOGAR DA JANELA! EU QUERO SABER QUE MERDA DE VIDA É ESSA QUE VOCÊ TEVE ATÉ AGORA NESTE EXATO MOMENTO! E SE VOCÊ NÃO FALAR EU VOU ENFIAR ESSE LITRO DE WHISKY GOELA A BAIXO PARA VOCÊ FALAR TUDO SEM ESCONDER NADA!
Kyoko travou no meio da sala, e se tremeu da cabeça aos pés ouvindo a voz de Julie. O comando e a ordem no tom de voz dela. Era como se fosse o de sua mãe Saena… Ela voltou caladinha, de cabeça baixa.
— Muito bem, mocinha! Pode começar a falar tudinho! — Disse Julie se sentando na cadeira de braços cruzados, com o rosto fechado, e os olhos verdes estreitos, como se tentasse furar a pele de Kyoko apenas olhando. Kyoko simplesmente não pode dizer não a voz de comando…
Ela simplesmente começou a vomitar toda a vida dela, querendo ou não. Relatou como sua mãe, Saena, havia lhe contado a parte dela, de quando ela estava na barriga de sua mãe, como ela tentou se matar, e por conta da família do Toudo-san e dos Fuwa's, Saena teve Kyoko. Mas ela rejeitou tocar na criança desde o nascimento…
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Flashback…
— Eu não tinha vontade de lhe ver, lhe segurar… — Saena olhava para o café, na frente de Kyoko, na sala de advocacia. — A única coisa que pensava era que você era minha falha personificada. De quando eu falhei meu dever. Por que lhe abraçar? Por que ter algum sentimento bom para contigo, se você era a personificação viva da minha falha? Não. Graças ao Toudo-san e aos Fuwa's, você foi criada, desde bebê.
Saena tomou um gole de café. Apesar de sua face estar tranquila, seus olhos estavam duros, lembrando de tudo. Kyoko estava curiosa ainda mais, naquela mesma noite, ela ligou para a família Fuwa…
— Fuwa Ryokan, Okami famando.
— Fuwa Okami-san… É a Kyoko.
— Kyoko-chan! Como está? Está tudo bem? Aquele meu filho desnaturado não fez algo…— A voz da mãe de Sho era dura, lembrando das burrices do filho. Kyoko quis sorrir...
— Não… não… Okami-san… Estou ligando por outro motivo.
— E qual seria?— Perguntou e pela voz ela estava visivelmente curiosa.
— Eu… Conversei com minha m… com Saena-san hoje. — Ela sentiu do outro lado ela endurecer. — Ela me contou a verdade. Desde o início… E de como vocês cuidaram de mim quando eu era pequena.
— Ela … T-teve coragem de contar… Tudo Kyoko-chan? Assim, tudo mesmo?
— Sim. — Kyoko suspirou. — Eu… estou ligando para agradecer… e para pedir perdão pelo incômodo.
— Idiotice, Kyoko! Você nunca foi um incômodo para nós. Saena que era um monstro! Quem já viu, que mãe ela é, sendo que ela abandonou você antes do ventre! Você é uma menina tão fofa! Nunca. Eu não poderia deixá-la morrer… Toudo-kun quando lhe trouxe, me contou tudo. E eu lhe amei a primeira vista! Cuidei de você como se fosse uma mãe. Eu tentei ser a mãe que aquela bruxa não quis ser, mas ela apareceu depois, lhe levando, quando estava com idade suficiente para andar. Lhe pôs numa escola quando você ainda mal sabia falar direito, mal lhe alimentava! Ela para mim sempre foi um monstro. Quando você chorava ela lhe batia para você ter um motivo para chorar! Eu não conseguia ver você sofrer na mão dela, então ofereci que você ficasse conosco, para ela ter a vida que ela queria levar. Ela recusou, pois ela dizia que você precisava aprender a ter bons modos, como se eu lhe fosse dar maus modos! Aquela bruxa! — Okami sentia a fúria subir aos olhos. — Quando ela saía, deixava você sozinha, com 1 ano de idade. Quando eu cheguei lá e vi você limpando a casa, e roxa pois ela tinha acabado de lhe bater, meu sangue ferveu. Acredito que você não se lembra disso tudo, né?
— Não… Eu lembro que minha mãe me ensinou a não chorar por qualquer besteira. E que quando eu tinha 3 anos ou mais, eu já sabia cozinhar, por mim mesma, sem ainda pegar no fogão, mas já me limpava e me arrumava sozinha.
— Uma criança de 3 anos é para aprender a falar e não fazer trabalhos domésticos! Eu fazia uma boa parte, por que você insistia que tinha que fazer para sua mãe gostar de você! Aquela bruxa… Foi assim que ela começou a lhe deixar aqui em casa, pois precisava viajar e não queria que você queimasse a casa! Eu só lhe ensinei a cozinhar porque você pediu muito! Mas eu preferia que você brincasse com o Shou-chan, do que fazer trabalho doméstico! Mas desde pequena você era rápida para aprender! Me surpreendia a cada novo desafio que você pegava e terminava com maestria! Eu tinha certeza que você daria a Okami-perfeita pro Shou-chan… Pena que aquele idiota não olha para frente! Com certeza ele só quer a carreira dele! Tanto que ele lhe abandonou, né?
— Foi por aí… — Disse Kyoko sorrindo sem graça.
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Kyoko pausou e começou a contar quando começou o colégio. Era a única sem pais, pois o casal Fuwa nunca poderia participar das atividades escolares de ambos. Às vezes a Sra Fuwa ia, mas eram poucas as vezes. E os bullyings começaram…
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— Olha lá, se não é a orfã! — Dizia uma das meninas que estava sentada mais afastada.
— Parece que ela hoje apanhou, não?
— Quem manda ela ficar perto do nosso Shou-chan? Ele é nosso! — A menina esticou bem o 'nosso' e as três começaram a rir. Kyoko tinha um machucado na bochecha, mas era de Saena ter lhe batido, por ter tocado-a sem querer.
— Podemos ensinar uma lição a ela de nunca mais se aproximar de nosso Shou-chan, não?
— Mas eles moram sobre o mesmo teto! — Disse outro
— Não, ela é órfã… Tem que aceitar a bondade dos outros pra viver… — Disse outra e riu.
— Não podemos mostrar bondade para ela! Ela é muito feia!
— Feia! Kyoko é muito feia!
— Feiosa! Órfã! Vou pegar orfandade dela se ficar muito perto dela!
— Não toquem nela! Ela deve ser cheia de ferida! Pode ser contagioso! Nem os pais dela quiseram ela! — Gritou outra.
— Feiosa! — Disse uma
— Por que ela tem que tá na nossa sala? Ela deveria ser expulsa!
— Expulsa! Seria uma boa opção!
— Se ela morresse na rua, ninguém ia nem notar! Ela é abandonada!
E a risada encheu o local, até a professora chegar e fazer todos sentar… Kyoko teve que segurar o choro…
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Kyoko já se encontrava em sala, havia se passado alguns meses desde o começo das aulas, quando as pessoas começaram a chegar.
— Ha! Olha, ela quer dar uma de intelectual! — Falou uma das meninas que chegava.
— Ridícula. — Disse outra amassando uma bolinha e jogando na cara dela — Ei otária, porque você ainda tá viva?
Palavras como 'órfã', 'otária', 'feia', 'morre logo' soaram. Algumas passavam ao lado dela e tacaram tapa na cabeça dela, outra, tomou o lápis dela e quebrou a ponta, jogando no chão, outra pegou o estojo dela e jogou pela janela.
— Lembre-se que o Shou-chan é nosso! Não se aproxime dele! Feiosa! — Disse outra…
A professora chegou e todos se sentaram.
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— Ei, que tal ver quem tem mais medo do escuro? — Perguntou uma das garotas da sala de aula da Kyoko.
— Uhhh, aposto quem tem mais medo aqui é a orfã!
— Aposto um lanche no restaurante mais chique da cidade! — Disse a rica do grupo. — E eu pago, se ela for a mais medrosa!
— E quem podemos comparar com ela?
— Me coloquem. — Disse uma que sorria de forma maléfica. — Que eu garanto que ela ai ter medo de escuro pro resto da vida dela…
— Vamos tentar sem assusta-la primeiro… — Disse a rica… — Se ela se recusar, amedrontaremos ela pelo resto da vida dela!
Todos saíram da sala, ficando apenas 4 e Kyoko. Quando esta já se arrumava para sair as meninas bloquearam a porta.
— Ei órfã, do que mais você tem medo?
— Não me chamo órfã.
— Olha, a perebenta tá corajosa. — Disse outra. Kyoko suspirou e voltou a andar, mas foi puxada para trás, e a mochila arrancada das costas.
— Me devolve!
— Vamos fazer um trato? Se você for corajosa mesmo, nos mostre e nos paramos de te importunar.
— E o que querem?
— Que fique sozinha na escola a noite inteira!
— É contra as regras.
— E qual o problema? Nunca quebrou uma regra? — Elas começaram a rir e Kyoko ficou vermelha, e abaixou a cabeça.
— Nunca…
— HA! A certinha! — Disse uma e todas riram.
— Ok, então vamos fazer de forma melhor… Peguem ela! — Disse a rica.
Kyoko ainda tentou fugir, mas recebeu uma pancada forte na cabeça e desmaiou. Quando acordou estava amarrada, dentro do armário da sala de aula, com a boca tampada. O som dos ventos, e o barulho que fazia la forma, assustava-a tremendamente.
O medo lhe congelava a alma, e até hoje ela não se lembra como conseguiu escapar de tudo. Esta foi uma das mais simples. Muita vezes elas jogavam o lanche dela fora, quebravam os hashis dela, jogavam água, refrigerante e suco na roupa dela, nas aulas de educação física, ela sempre era derrubada no chão, e sempre saia machucada….
Sua escapatória aos 6 foi quando conheceu Corn. Ela pode sorrir ao se lembrar do amigo fada, seu príncipe e único amigo naquela época de escuridão. Mas assim como ele veio, ele foi embora, deixando-a para trás. Abandonando-a. Ele precisava voltar, pois precisava voltar para a casa dele. Novamente o abandono veio a Kyoko, depois de Corn, sua mãe, a abandonou na casa dos Fuwa's de uma vez por todas. Nunca mais Kyoko soube muitas notícias dela.
Os pais de Shou, começaram a entrar num acordo dela e dele se casarem, e Kyoko sabia de todos os preparativos. Para não se abandonada de novo, ela aceitou tudo, quieta, e calada. Sabia que se casasse com Shou, sua vida iria mudar. Ele era o primeiro príncipe dela, lógico. Mas não.
Na escola, Shou às vezes fingia que nem a conhecia. Só quando precisava de algo, que ele ia até Kyoko, pegar as coisas dela, os deveres, e saia, deixando Kyoko em maus lençóis. Toda vida que ele aparecia, os bullyings se tornaram mais nocivos…
A cadeira dela sempre sumia, jogada no lixão mais próximo, coisas como "vadia", "prostituta" eram deixadas no armário dela, cartas com palavrões, pedaços de roupa, as roupas dela eram cortadas. Quando Shou chegava perto dela, Kyoko tinha que ser mais ágil para não ter o cabelo cortado, ou os braços machucados, ou ser amarrada com um plástico e sufocar. Sua cadeira era a que sofria mais, pois constantemente era quebrada e jogada fora. Kyoko foi contando cada uma das agressões, cada uma das marcas que levava no corpo, cada uma das palavras nocivas.
Muitas vezes ela o via beijar outras garotas, agora ambos já eram mais velhos, e Shou sempre tinha uma ficante nova...Até ele pedir para que ela fugisse com ela… Mas que dia feliz. Ela iria deixar tudo para trás.
Ela trabalhou para ele como uma condenada, para realizar o sonho dele… Até ser jogada como um lixo descartável. Lógico, Kyoko sempre foi feia, uma criança, sem nenhum atrativo físico. Não era bela, não tinha nenhuma curva feminina em seu corpo, pequeno…
Ela contou cada pensamento, cada sonho, cada desejo que foi destruído, quando ela desistiu de amar, e como entrou na LME. Quando conheceu o Tsuruga, o arquirrival de seu Ex-melhor amigo Shou Fuwa. Como ele a odiou, como foi o começo de ambos, até finalmente começarem a se entender, por algum milagre e ele começar a ser mais amigável.
Ela passou a confiar nele, e a vê-lo com outros olhos. Ele era o senpai dela, o modelo de ator e modelo de vida…
Por ele, Kyoko conheceu Kuu, e ela contou cada palavra que passou pela mente dela, quantas e quantas vezes ela teve que recitar frases de vai dar certo, sempre quando precisava chegar perto deles. Quando Kuu a adotou, ela pode entender um pouco o que era ter um pai, mas ela sabia que era de mentirinha. Ele nunca poderia realmente ser um pai para ela, mas ela se segurava nisso, como se fosse uma corda de salvação. E em seu senpai também.
Ela vomitou que estava começando a sentir algum sentimento proibido por ele, pois amor para ela era proibido. Principalmente para alguém como ele, que era um modelo! Alguém que nunca poderia ser alcançado facilmente! E quem ela era? Uma garota sem atrativo nenhum! Feia e plana! A maquiagem ajudava quando ela precisava se transformar, mas era a magia da maquiagem… Quando ela tirava, ela voltava a ser a velha e plana Kyoko de sempre…
Até que finalmente o golpe final foi dado…
Ela repetiu as mesmas palavras que escutou no camarim, como um disco quebrado, enfatizando a palavras, feia, sem nenhum atrativo físico, taboa, inconveniente, chata… O quanto Lory, Yashiro e ele estavam cansados dela.
E logo tudo ia acabar. Eles iam se livrar dela...
Final flashback
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Ao final de tudo, ela se calou, não dava para vez mais o rosto dela...Ela vomitou tudo. E a cada palavra que ela deu, Kanae, Chiori, Julie e Kuu se irritavam ainda mais…
Sim, ela tinha uma ferida mais profunda…
E Tsuruga Ren foi apenas a cereja do bolo.
A culpa não era dele… Não… Até Kanae viu isso… Ele apenas foi a última barreira que precisava para Kyoko desistir de viver.
Julie pode então entender um pouco de sua filha. Seu coração de mãe não tinha se enganado. Ela mesmo viu pelas ações dele que ele não tinha ido tão baixo a ponto de machucá-la! E tudo não passava de um tremendo mal entendido!
Kyoko se levantou da cadeira, indo até a cozinha. Era como se eles nem ali estivessem. Julie e Kuu se entreolharam, e correram para a cozinha quando escutaram uma gaveta ser aberta.
Julie e Kuu ficaram congelados ao ver Kyoko retirar uma das maiores facas da cozinha, para cortar carne, e rapidamente posicionar no pescoço dela, cortando com um rápido puxão, que se Kuu não tivesse sido rápido, ela tinha se degolado na frente deles, como se cortasse uma maçã. A marca ficou no pescoço dela, e na mão de Kuu que segurou a faca evitando dela aprofundar o corte.
— Me deixa morrer…
— NUNCA! EU NÃO QUERO LHE PERDER!— Kuu colocava toda a força, de forma que tentava puxar a faca afiada da mão de Kyoko, e ao mesmo tempo tentava não perder a mão, pela força descomunal que ela estava colocando.
— Se você se importa comigo… Me deixa morrer…— Dizia sem emoção nenhuma em seus olhos. Ela puxou a faca em outra direção, fazendo Kuu soltar a faca, se desequilibrando, e se afastando dele, então ela recolocou a faca na goela dela. — Eu sou apenas um incômodo, uma chata, irritante, plana e sem atrativo nenhum… Eu prometo que faço isso rápido… Um único corte… E tudo acaba…
Novamente ela começa a afundar a faca na garganta dela, cortando-a. Julie pegou algo da gaveta aberta e voou em cima de Kyoko, impedindo que a faca voltasse a corta-la mais profundamente do que já estava, podendo pegar alguma veia, ou pior, como ela estava para fazer, no mesmo momento que Kuu segurava a faca com a mão, e o sangue na mão dele escorria mais forte, assim como o sangue do pescoço dela, e a outra mão ele segurou o cabo da faca.
—NÃO!— Julie gritou. Kanae e Chiori correram para a cozinha, e viram a luta deles, que tentavam arrancar uma faca de carne afiada da mãe de Kyoko, e que ela já tinha se cortado, mas ainda não era profundo o corte. Kanae viu vermelho, Chiori correu para pegar algo e ajudá-los a fazer com que ela se soltasse da faca.
Kanae correu até Kyoko e lhe enfiou um tapa na cara com muito gosto, o que fez a faca escapulir da mão dela e Kuu e Julie puderam arrancar a faca da mão dela.
— MO! O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO!? VOCÊ QUER TANTO MORRER ASSIM, AO INVÉS DE PENSAR SER A PROFISSIONAL QUE É, TERMINAR OS SEUS CONTRATOS? MO! SE NÃO TEM PRAZER NA VIDA, PREZE SEUS CONTRATOS, TERMINE ELES E AÍ VOCÊ PENSA QUAL É A MELHOR COISA A SE FAZER, MATAR OU CONTINUAR VIVENDO SEM TER ESSES BABACAS NOS SEUS PÉS!
— Kanae! — Disse Julie ainda se tremendo.
— Não… Ela tem razão, Julie-san. — Disse Chiori entendendo Kanae no mesmo instante. — Termine seus contratos, senpai. Depois, podemos sair daqui. Você pode ir para a América, e tentar melhorar. Virar alguém que não é, e ser quem quiser ser… Muitos atores fazem isso. Eu fiz isso. — Disse sorrindo. — Vai ser melhor você sair deste ambiente, senpai.
— Em qualquer lugar que eu for, não vai mudar o fato que sou plana, feia e sem atrativo nenhum… Os bullyings só vão mudar de língua…
— Não. Você não é plana, feia nem sem atrativo. Se você fosse, você não ganharia tantos papéis como vêm ganhando, não seria chamada para modelar como vem sendo chamada, e não tiraria tantas fotos para publicidade, como vem tirando… — Kuu tentou respirar. Kyoko não estava em seu juízo perfeito, e assim como Kanae pensou, apenas o lado profissional poderia segura-la… Por enquanto… — Vamos fazer um trato, você termina os contratos e todos nós vamos para a América. Começar de novo…
"Nem em mil anos você daria certo com nada. Se alguém, algum dia, quiser você, vai ser porque você serve para algo que eles querem. Mas nada é para você. Nem nada nem ninguém… Lembre-se bem disso feiosa…"
— Por que? Seria melhor eu morrer fora do país para não ser um incômodo?
Kuu teve que respirar fundo. Ele agora sabia em primeira mão o quão frágil sua filha era. Ela já havia recebido muita pancada da vida. Pancada atrás de pancada. Assim como Kanae pensou, ele teve que concordar, ele sabia que apenas o trabalho a seguraria... Só não sabia exatamente por quanto tempo...
— Eu não vou deixar que faça uma besteira dessa, pois me importo contigo… Você mesmo disse que gostou de ter um pai. Sua mãe não está lhe dando os papéis para maior idade legal? Eu posso pedir a ela os papéis de adoção e ser seu pai de verdade… — Ele sorriu e a abraçou. Ela estava travada. — Você é preciosa demais para morrer assim.
— Você é alguém que eu prezo muito, Kyoko-chan! Eu não vou lhe deixar sozinha… — Disse Julie lhe abraçando também… — Fuwa Okami-san e Daruma Okami-san te trataram com filhas. Me permita também...
— Então aguente firme! Vamos sair dessa… Juntos — Disse Kuu apertando ainda mais ela no abraço dele. Julie apertou o abraço também. Kanae se tremia em uma fúria silenciosa em saber tudo o que sua melhor amiga havia vivido. Ela não merecia mais sofrer…
Não mais…
Chiori também estava se segurando para não chorar. Seria difícil largar tudo e ir a América, mas por Kyoko, ela faria isso. Ela não poderia deixar aquela que lhe ajudou a sair do buraco em que se encontrava, se afundar em um pior.
Se ela achava que a vida dela era horrível, a de Kyoko superou todas as marcas dela. Kyoko merecia ser feliz… Mas a pergunta que estava no grupo todo era…
Como?
— zzzzzzZZZZZZzzzzzzzZZZZZZ zzzzzZZZZZzzzzZZZZz
— Quem é o idiota que está ligando essa hora? — Esbravejou Kanae e atendeu o número.
— Esta é a agente da Kyoko-san? — Perguntou a voz de um homem.
— Não. Quem gostaria?
— Genro. Ela se encontra?
— Estamos no meio de um pequeno probleminha em casa. Ela no momento não pode atender.
— Ah, mas está tudo bem?
— Na medida do possível, gostaria de deixar recado?
— Pra falar a verdade queria que a Kyoko-chan estivesse aqui em 30 minutos.
— Um Job a esta hora da noite? — Kanae olhou o relógio, era quase uma da manhã.
— Job tem hora marcada? — riu Genro. — Por acaso ela poderia vir? Sabe me dizer?
— Eu acredito que não. Que tipo de Job seria?
— Só falando com a agente dela.
— Não, sou a irmã da Kyoko. Você pode me dizer.
— Ah! Bom, seria de fotografia.
— É eu acredito que… Ei! — começou Kanae e Julie havia pego o telefone no mesmo segundo.
— Hizuri Julie falando. Para que horas é o Job? — Disse Julie disfarçando a voz chorosa.
— Julie-chan!
— Genro?
— Sim! Ah! Me quebra esse galho? Preciso da Kyoko-chan aqui em 30 minutos! A atriz que viria fazer as fotos adoeceu, e eu só vejo a Kyoko fazendo estas fotos…
— Só teríamos um problema, ela teve um pequeno acidente de cozinha e está um pouco machucada.
— Está tudo bem?
— Graças a Deus sim, a faca escapou por milímetros de cortar mais fundo a garganta dela…
— MEU DEUS! QUE HORROR! Mas ela tá bem? Já foram no hospital?! Como aconteceu?!
— Ah! Ela escorregou carregando a faca enquanto fazia a comida, e a faca cortou um pouco da garganta dela, mas não fundo. Então ela está com um corte.
— Mas ela poderia vir? É profundo?
— Não. Daria para ela trabalhar, mas ela precisa esconder. É de que as fotos?
— Uma coleção dark gothic. O pescoço dela nem iria aparecer muito.
— Me dá 50 minutos e estaremos aí. Vou leva-la ao hospital e passamos por ai.
— Fechado. Aguardo vocês, e estou passando o endereço por mensagem. Obrigado Jul-chan — Ele desligou e Julie suspirou
— Cê tá maluca?— começou Kanae. — Foto? Esta hora? Depois desse estresse todo?!
— Vai fazer bem pra ela! Ela vai fazer algo que gosta.
— Eu sinceramente não sei por que ainda lhe escuto! Você está encarregada, eu preciso dormir! Se algo acontecer, você é a encarregada de dar um jeito de consertar! E não perca ela de vista! — Kanae estava realmente irritada… Ela se virou e saiu pro quarto.
— Eu irei com você, Julie-san,
— Obrigada Chiori-chan. Me ajude com Kyoko-chan.
— Vou preparar o carro. — Disse Kuu, pressionando um pano na mão.
Kyoko foi arrastada pelas meninas para se arrumar, mas ainda estava meio travada. Não queria trabalhar, queria morrer…
Talvez trabalhar seria uma boa opção…
Ela se deixou ser limpa e arrumada por Chiori e Julie, sinceramente estava pouco aí para qualquer coisa, até que Setsu veio átona.
Depois disso a mesma se arrumou, elas passaram rapidamente no hospital, onde Kuu e Kyoko precisaram de bandagem e pontos na mão e no pescoço e logo eles partiram até o trabalho inesperado...
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