Apenas mas uma de amor

70 Renesmee- Cuide dele por mim


Notas iniciais
Ainda não posso responder aos comentários mas estarei atualizando " Herdeiros da máfia " amanhã.


Tom puxou Ryan para mais perto, o menino tremendo e soluçando baixinho. Meu coração estava em pedaços ao vê-lo naquela situação, mas eu sabia que precisava manter a calma.

– Aurora – chamei com a voz mais firme que consegui. – Pegue Hope e leve-a para o carro. Fique lá com sua irmã, não importa o que aconteça.

Aurora assentiu, os olhos arregalados de medo. Pegou Hope no colo, que ainda soluçava, e correu para fora do galpão sem olhar para trás.

– Está vendo? – disse a Tom, tentando manter a voz controlada. – Já fiz o que pediu. Deixe Ryan ir. Ele não tem nada a ver com isso.

Tom riu, um som que me deu arrepios.

– Ah, Nessie. Sempre tão ingênua. Você acha que eu confio em você? Não. Renata, jogue a arma no chão e se aproxime. Agora!

Renata hesitou por um momento, mas quando olhou para Ryan, algo em seu rosto mudou.


– Tudo bem, Tom. Vou fazer o que você quer – ela disse, abaixando-se lentamente e colocando a arma no chão.


Eu vi Tom relaxar, um sorriso satisfeito aparecendo em seu rosto.


– Muito bem. Finalmente alguém que sabe obedecer.


Mas antes que ele pudesse reagir, Renata avançou sobre ele com uma força e coragem que me deixou sem palavras.


– Ryan, corra! – ela gritou enquanto lutava para desarmá-lo.


Ryan não pensou duas vezes e correu para os meus braços. Eu o agarrei com força, o coração acelerado de alívio e terror ao mesmo tempo.


Foi então que ouvi o disparo.

O disparo atravessou o ar e atingiu Renata, que caiu ao chão com um gemido de dor. O sangue escorria de seu abdômen, tingindo sua roupa de vermelho.

– Renata! – gritei, o coração batendo freneticamente.

Ryan correu para os meus braços, soluçando sem parar, enquanto eu tentava proteger a ele e a mim do caos ao nosso redor.

Tom, vendo-se encurralado, olhou ao redor como um animal acuado. Seus olhos fixaram-se nos tambores de combustível espalhados pelo galpão.

– Se eu não posso ter o que quero, ninguém terá! – ele gritou, disparando contra os líquidos inflamáveis.

O fogo se espalhou rapidamente, consumindo o local. O calor era sufocante, e o cheiro de queimado tomava conta de tudo.

– Nessie, vá embora! – Renata pediu, a voz fraca pela dor. – Cuide do Ryan, por favor!

– Eu não vou te deixar aqui! – retruquei, ajoelhando-me ao lado dela.

Antes que pudesse pensar em algo, Jacob apareceu. Ele parecia uma força da natureza, movendo-se com rapidez e determinação. Seus olhos passaram de Renata para mim, depois para as crianças, antes de pousarem em Tom, que fugia pelas sombras.

– Pegue Ryan e vá! – ele ordenou, a voz grave e cheia de autoridade.

Sem outra escolha, peguei Ryan nos braços e corri para fora com Aurora e Hope me seguindo. Quando finalmente saímos em segurança, o ar fresco foi um alívio momentâneo. A explosão atrás de nós sacudiu o chão, e meu coração parecia que ia parar.

Jacob surgiu logo depois, carregando Renata nos braços. Ele a colocou no chão, onde os paramédicos imediatamente começaram a atendê-la.

Olhei para ele, tentando dizer algo, mas fui cortada pela fúria em seus olhos.

– Você tem ideia do que fez, Renesmee? – ele começou, a voz firme e repleta de emoção. – Como você pôde arriscar sua vida e a vida das crianças dessa forma?

– Eu não podia esperar, Jacob. Ele ia machucar as crianças! – tentei argumentar, a voz embargada.

– E se você não tivesse saído viva? E se ele tivesse te matado? – ele continuou, o rosto marcado pelo medo e pela frustração.

As palavras dele me atingiram como um golpe. Eu sabia que ele estava certo, mas antes que eu pudesse responder, ele deu um passo à frente e me puxou para um abraço apertado.

– Não faz isso de novo – ele murmurou, a voz falhando enquanto ele apertava as meninas e a mim ao mesmo tempo. – Eu achei que tinha perdido vocês.

Hope soluçou em seus braços, e Aurora o abraçou com força. Ryan, ainda tremendo, se aninhou em mim.

Eu fechei os olhos, permitindo-me sentir o alívio de estarmos vivos. Apesar do medo, do caos e da dor, estávamos juntos. Era tudo o que importava naquele momento.


Ao entrar em casa com as crianças, o peso da noite caiu sobre mim como uma tonelada de tijolos. Rachel e Rebecca nos esperavam na sala, seus rostos cheios de alívio e preocupação ao nos verem entrar.

– Graças a Deus vocês estão bem! – Rebecca exclamou, vindo rapidamente nos abraçar.

Rachel logo a seguiu, mas antes de qualquer palavra, seus olhos pousaram em Ryan, que segurava minha mão com força e tinha o rosto banhado em lágrimas.

– O que aconteceu? Onde está Renata? – Rachel perguntou, sua voz repleta de tensão.

Engoli em seco, tentando parecer forte.

– Renata foi ferida… Jacob ficou com ela no hospital – respondi, minha voz falhando no final.

Ryan sentou no sofá, abraçando os joelhos e começando a chorar novamente. Aproximei-me dele e me ajoelhei para ficar na sua altura, segurando delicadamente seu rosto.

– Ei, Ryan, olha pra mim – murmurei, tentando controlar minha própria voz trêmula. – Sua mãe é forte, ok? Ela vai ficar bem.

Mas, por dentro, eu sabia que não tinha certeza disso.

Ryan assentiu lentamente, mas continuou soluçando. Eu o abracei, sentindo sua dor como se fosse minha.

– Querido, por que você não deita um pouco? – sugeriu Rebecca, sua voz gentil.

Ryan balançou a cabeça. – Quero minha mãe.

– Eu sei – sussurrei. – Mas por agora, é melhor descansar. Eu prometo que vou te contar assim que souber de qualquer notícia.

Ele hesitou, mas finalmente cedeu. Depois de mais uma hora tentando confortar Aurora e Hope, consegui colocá-las na cama. Aurora parecia mais tranquila, mas Hope demorou a fechar os olhos, segurando minha mão como se temesse que eu também desaparecesse.

Ryan, porém, continuava inquieto. Ele fez perguntas sobre Renata, insistindo em saber quando ela voltaria. Fiz o possível para tranquilizá-lo, mas sua ansiedade era palpável. Quando ele finalmente adormeceu, exausto de tanto chorar, deixei o quarto em silêncio e fui para a sala.

Rachel e Rebecca estavam sentadas, suas expressões sérias. Elas me olharam quando entrei e me sentei com um suspiro.

– Nessie, você está bem? – Rachel perguntou, rompendo o silêncio.

– Não sei, Rachel – confessei, passando as mãos pelos cabelos. – Ainda não sei o que aconteceu com Tom... ou com Renata.

Rebecca colocou uma mão no meu ombro. – Você fez o que precisava para proteger as crianças. Ninguém pode te culpar por isso.

Antes que pudesse responder, meu telefone vibrou no bolso. Peguei-o rapidamente, vendo o nome de Jacob na tela. Meu coração deu um salto, e atendi com pressa.

– Jacob? – minha voz saiu baixa, quase um sussurro.

Ele demorou um segundo para responder, mas seu tom era pesado e grave.

– Renesmee... Renata não resistiu.

As palavras pareciam irreais. Um silêncio sufocante tomou conta do ambiente enquanto eu processava o que ele havia dito.

– Não… – sussurrei, minha voz quebrando.

– Ela lutou, mas o ferimento era muito grave. Sinto muito.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, e eu mal conseguia segurar o telefone. Rebecca se levantou e sentou-se ao meu lado, segurando minha mão enquanto eu soluçava.

– Eu deveria ter feito mais – murmurei, incapaz de conter a culpa que me dominava.

– Não diga isso – Jacob respondeu do outro lado da linha, firme. – Você fez o que pôde, Nessie. Você salvou as crianças. Renata sabia dos riscos, e ela escolheu proteger vocês.

Mas nada do que ele dizia parecia suficiente para aliviar a dor. Tudo o que eu conseguia pensar era no olhar de Ryan, na esperança que ele tinha de que sua mãe voltasse.

Desliguei o telefone depois de murmurar algo incompreensível e me deixei cair no sofá. Rachel e Rebecca ficaram ao meu lado, me consolando em silêncio. Renata se foi, mas suas últimas palavras ecoavam na minha mente: "Cuide dele por mim." Eu sabia que nunca poderia falhar com essa promessa.