As contrações eram como ondas violentas, arrastando-me para um mar de dor do qual parecia impossível escapar. Cada uma vinha mais forte que a anterior, arrancando-me o ar e deixando meus músculos tensos como cordas prestes a se romper. Meu corpo parecia lutar contra si mesmo, e o medo de tudo que estava por vir tornava tudo ainda mais intenso.

Bella segurava minha mão, apertando com firmeza e sussurrando palavras de encorajamento, mas eu mal conseguia ouvir. Meu coração estava acelerado, não apenas pelo esforço físico, mas pelo turbilhão de emoções que me dominava. Como seria essa criança? E se ela tivesse o rosto de Tom? O que eu faria?

A médica obstetra entrou na sala com uma expressão calma e profissional.

— Renesmee, precisamos que você respire fundo. Concentre-se na sua respiração. Isso vai ajudar tanto você quanto o bebê — ela disse, olhando-me com gentileza.

— Eu... eu não consigo! — gemi, sentindo uma nova contração que parecia me rasgar por dentro.

— Consegue, sim. Eu sei que é difícil, mas você é mais forte do que imagina. Quando a próxima contração vier, segure a respiração, empurre com força, e solte o ar devagar. Está bem?

Assenti, mesmo que o pânico ainda dominasse minha mente. Bella apertou minha mão ainda mais forte.

— Você está indo muito bem, Nessie. Estou tão orgulhosa de você — disse ela, com lágrimas nos olhos.

A dor voltou com força total, e segui as instruções da médica. Empurrei com tudo que tinha, gritando de dor e esforço.

— Isso mesmo, está quase lá! Mais uma vez, Renesmee! — incentivou a médica.

Com uma última força desesperada, senti uma liberação súbita, como se meu corpo finalmente se rendesse. O som que veio em seguida era ao mesmo tempo assustador e milagroso: o choro de um bebê.

Meu corpo desabou na cama, exausto. As lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu ouvia o som da vida que tinha acabado de trazer ao mundo.

Mas quando a médica colocou a criança nos braços de Bella, eu virei o rosto, recusando-me a olhar.

— Tire ela daqui... por favor, tire ela daqui! — implorei, soluçando.

Bella, no entanto, ignorou meu pedido.

— Nessie, olhe para ela — disse, a voz cheia de emoção.

— Não! Eu não posso!

— Por favor, só uma vez. Ela é tão perfeita... tem os cabelos ruivos, como os seus, e esses olhos castanhos que me lembram tanto o Jacob.

Meu coração acelerou ao ouvir isso. Meu peito parecia apertado, e minha mente girava.

— O quê? — perguntei, finalmente virando o rosto para olhar.

Bella estava segurando um pequeno embrulho rosado, com olhos curiosos e cabelos acobreados em cachos leves. Minha respiração ficou presa na garganta. A semelhança era inegável.

— Ela tem o nariz dele, Nessie. E esse jeitinho tranquilo... é tão Jacob.

Minhas mãos tremiam enquanto eu estendia os braços.

— Me... me dá ela. Por favor, me dá minha filha.

Bella sorriu com lágrimas nos olhos e colocou a menina nos meus braços. Assim que a segurei, o mundo pareceu parar. Todo o medo, a dor e a dúvida desapareceram.

— Oi, meu amor — sussurrei, as lágrimas caindo livremente. — Mamãe está aqui.

Ela abriu os olhos e olhou para mim com tanta inocência e pureza que meu coração parecia explodir. Tinha o mesmo olhar que Jacob. Naquele momento, percebi que, independentemente de tudo, eu jamais a deixaria ir. Ela era minha. E eu era dela.

...

Com a bebê aconchegada em meus braços, tudo ao meu redor parecia desaparecer. Ela sugava o leite com tanta delicadeza, e seus olhinhos se fechavam lentamente, como se aquele momento fosse o mais seguro e tranquilo de sua curta existência. Acariciei suas bochechas redondas, tão macias que pareciam feitas de veludo. Não havia dúvidas, ela era a cópia perfeita de Jacob. Os cabelos levemente ondulados, a pele morena que parecia ter sido beijada pelo sol, e agora, enquanto a segurava perto de mim, notei um pequeno sinal próximo à sua orelha direita. O mesmo sinal que Jacob tinha.

O sorriso que surgiu em meus lábios era uma mistura de amor e nostalgia. Não pude evitar. Ela era uma parte dele que agora fazia parte de mim, e isso era tão doloroso quanto reconfortante.

Alice entrou no quarto radiante, segurando sacolas coloridas nas mãos, seguida por Rosalie, que carregava outras tantas.

— Hora de transformar este quarto no paraíso de um bebê! — Alice anunciou, colocando as sacolas no chão com um sorriso animado.

Rosalie revirou os olhos, mas seu sorriso denunciava que estava igualmente empolgada.

— Nessie, você não se preocupou com o enxoval, então nós assumimos essa responsabilidade. E devo dizer, foi o dia de compras mais divertido que tive em meses! — disse Rosalie, sentando-se na beira da cama e olhando para a bebê.

— Ela é perfeita, Nessie. Olhe essas bochechas! — Alice exclamou, inclinando-se para admirar a pequena. — E essa pele bronzeada? Parece que ela nasceu na praia!

Ri baixinho, olhando para minha filha, que ainda estava aninhada ao meu peito.

— Ela tem o sinal próximo à orelha, igual ao... Jacob. — Minha voz falhou um pouco ao mencionar o nome dele, mas a felicidade de tê-la comigo me manteve firme.

Bella, que estava sentada perto de mim, estendeu a mão para tocar a cabecinha da bebê com delicadeza.

— É incrível como ela se parece com ele. Mas também tem tanto de você, Nessie. Ela é uma mistura perfeita.

O quarto estava cheio de sorrisos e amor. Alice já começava a abrir as sacolas, tirando roupinhas e acessórios minúsculos enquanto Rosalie pegava uma manta e a dobrava com cuidado.

Antes que eu pudesse responder, Edward entrou no quarto, com uma expressão séria, mas não ameaçadora.

— Nessie, a assistente social está aqui. Ela gostaria de falar com você.

Senti o ar escapar dos meus pulmões por um momento. Olhei para minha filha, ainda aconchegada em meu peito, e depois para minha mãe, que segurou minha mão com firmeza.

— Você não está sozinha, Nessie. Estamos aqui para o que precisar — Bella disse, com determinação.

Assenti, sentindo o peso da situação me atingir novamente. Aquela era a próxima decisão importante que precisava enfrentar. E, pela primeira vez, eu sabia o que queria.

A assistente social, uma mulher de olhos claros e sorriso gentil chamada Lotte Van Dijk, entrou no quarto com uma prancheta nas mãos e uma expressão acolhedora. Apesar de sua presença calma, meu coração batia como se fosse sair do peito. Eu sabia que esta conversa seria definitiva.

Lotte sentou-se em uma poltrona próxima, observando minha filha nos meus braços com uma expressão serena.

— Senhorita Cullen, como você está se sentindo? — ela perguntou em um tom suave, mas profissional.

— Cansada — respondi honestamente, enquanto acariciava os cabelos finos da bebê. — Mas... decidida.

Ela ergueu uma sobrancelha com curiosidade, inclinando-se ligeiramente para frente.

— Decidida?

Engoli em seco, sentindo o peso das palavras que estava prestes a dizer.

— Não vou entregar minha filha para adoção.

Por um momento, o silêncio se instalou no quarto, quebrado apenas pelo som leve da respiração da minha bebê. Lotte sorriu, um sorriso genuíno que me pegou de surpresa.

— Essa é uma decisão muito importante, senhorita Cullen — disse ela. — E, pessoalmente, fico muito feliz em ouvir isso. Desde o momento em que entrei nesta casa, vi o quanto você e sua família estão dispostos a oferecer a esta pequena um ambiente saudável e feliz.

Senti um nó na garganta, mas consegui esboçar um pequeno sorriso.

— Ela é tudo para mim agora — confessei. — Não importa o que tenha acontecido antes... ninguém vai separá-la de mim.

Lotte assentiu, levantando-se com a mesma gentileza com que havia chegado.

— Eu realmente acredito que vocês duas terão uma vida maravilhosa juntas. Desejo a você e sua filha muita felicidade. E, se precisar de algo, não hesite em me procurar.

Ela se despediu e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Por um instante, fiquei ali parada, ainda segurando minha filha e tentando processar tudo. Finalmente, suspirei profundamente, sentindo uma mistura de alívio e determinação.

Olhei para minha bebê, que agora parecia completamente tranquila em meus braços, e sussurrei com a voz embargada:

— Ninguém jamais vai nos separar. Prometo isso a você.

Ela se mexeu levemente, como se entendesse o que eu havia dito, e um pequeno sorriso surgiu em seu rostinho adormecido. Aquele momento me encheu de forças. Não havia mais espaço para dúvidas ou arrependimentos. Eu era mãe, e faria de tudo para protegê-la.

Eu terminei de vestir a Aurora, cuidadosamente ajustando o vestido branco que parecia feito sob medida para ela. Era tão pequeno e delicado, como ela. Bella me ajudava, colocando as bolsas, e quando olhou para minha filha, sorriu com aquele sorriso que eu tanto amava.

— Olha só, ela está linda... quase uma cópia de você, Nessie. — Bella comentou, com a voz suave, enquanto observava Aurora em seu vestidinho branquíssimo. O vestido de Aurora era da mesma cor do meu, um tom suave de azul claro. Fiquei tocada ao ver minha filha tão perfeita, tão pequena, tão minha.

— Acho que ela herdou meu gosto para roupas... — Brinquei, tentando afastar um pouco a tensão que ainda pesava no meu coração. A realidade de ser mãe era esmagadora, mas, ao mesmo tempo, encantadora.

Depois de sair do quarto, caminhamos pelos corredores do hospital. O dia estava claro, e a luz suave da manhã entrava pelas janelas, iluminando tudo ao nosso redor. Cada passo que dávamos parecia me afastar um pouco do medo, da dúvida, de tudo o que havia acontecido. Ao chegar à recepção, vi meu pai, Edward, esperando por nós com aquele sorriso caloroso, típico dele.

Ele veio até nós, estendeu os braços para pegar a Aurora, e disse suavemente:

— Vamos para casa, minha filha.

Aquelas palavras, simples, mas cheias de significado, trouxeram um alívio ao meu coração. Meu pai estava ali, forte como sempre, pronto para apoiar a mim e à minha filha. Eu poderia não ter todas as respostas, mas sabia que estava cercada de amor e apoio.

Chegamos em casa mais tarde, e logo a porta se abriu. A casa estava cheia de vida e risadas. Emmett, sempre o palhaço da família, fez uma entrada dramática, como sempre fazia.

— O que temos aqui? A estrela do dia? Preparados para ver uma lenda nascer? — Ele disse com sua típica teatralidade, fazendo todos rirem. Ele me fez sorrir também, aliviando um pouco a tensão.

Esme, com aquele olhar carinhoso que só ela tem, se aproximou.

— Deixe-me segurar essa pequena. — Ela disse, estendendo os braços com um sorriso cheio de amor.

Eu, sem hesitar, entreguei a Aurora a ela. Ver minha mãe, a avó dela, segurando minha filha foi um momento de puro amor. Eu sabia que Aurora seria amada por todos ali.

Esme a olhou com carinho e perguntou:

— Qual é o nome dela?

Todos os olhos se voltaram para mim, e o silêncio tomou conta da sala. Eu respirei fundo, sorrindo para a minha filha, e então, com o coração cheio de uma felicidade indescritível, respondi:

— Ela se chama Aurora.

O nome pareceu ecoar no ambiente, e todos, por um momento, ficaram em silêncio, absorvendo a beleza daquele nome, como se soubessem que ele significava um novo começo para todos nós. Bella, com os olhos cheios de emoção, sorriu.

— Aurora... É perfeito. — Ela disse, e eu sabia que todos ali, na nossa família, concordavam.

— A princesa da Disney— brincou tio Emmett. Todos riram e tia Rose deu um tapa no braço dele.

Emmett fez uma careta engraçada, e logo todos estavam ao redor de Esme, admirando Aurora. Eu fiquei ali, observando, sentindo um amor profundo e imenso, mas, acima de tudo, uma paz que eu não sentia há meses. Eu sabia que Aurora agora tinha um lar, cheio de amor, e eu faria qualquer coisa para que ela tivesse o melhor que o mundo poderia oferecer.

Enquanto observava minha filha em seus braços, a certeza tomou conta de mim. Nenhum obstáculo, nenhuma dúvida poderia nos separar agora. Eu estava pronta para ser a mãe que Aurora merecia.


Notas finais
Aqui encerra a primeira fase da história.