Apenas mas uma de amor
34 Renesmee- Aurora
As contrações eram como ondas violentas, arrastando-me para um mar de dor do qual parecia impossível escapar. Cada uma vinha mais forte que a anterior, arrancando-me o ar e deixando meus músculos tensos como cordas prestes a se romper. Meu corpo parecia lutar contra si mesmo, e o medo de tudo que estava por vir tornava tudo ainda mais intenso.
Bella segurava minha mão, apertando com firmeza e sussurrando palavras de encorajamento, mas eu mal conseguia ouvir. Meu coração estava acelerado, não apenas pelo esforço físico, mas pelo turbilhão de emoções que me dominava. Como seria essa criança? E se ela tivesse o rosto de Tom? O que eu faria?
A médica obstetra entrou na sala com uma expressão calma e profissional.
— Renesmee, precisamos que você respire fundo. Concentre-se na sua respiração. Isso vai ajudar tanto você quanto o bebê — ela disse, olhando-me com gentileza.
— Eu... eu não consigo! — gemi, sentindo uma nova contração que parecia me rasgar por dentro.
— Consegue, sim. Eu sei que é difícil, mas você é mais forte do que imagina. Quando a próxima contração vier, segure a respiração, empurre com força, e solte o ar devagar. Está bem?
Assenti, mesmo que o pânico ainda dominasse minha mente. Bella apertou minha mão ainda mais forte.
— Você está indo muito bem, Nessie. Estou tão orgulhosa de você — disse ela, com lágrimas nos olhos.
A dor voltou com força total, e segui as instruções da médica. Empurrei com tudo que tinha, gritando de dor e esforço.
— Isso mesmo, está quase lá! Mais uma vez, Renesmee! — incentivou a médica.
Com uma última força desesperada, senti uma liberação súbita, como se meu corpo finalmente se rendesse. O som que veio em seguida era ao mesmo tempo assustador e milagroso: o choro de um bebê.
Meu corpo desabou na cama, exausto. As lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu ouvia o som da vida que tinha acabado de trazer ao mundo.
Mas quando a médica colocou a criança nos braços de Bella, eu virei o rosto, recusando-me a olhar.
— Tire ela daqui... por favor, tire ela daqui! — implorei, soluçando.
Bella, no entanto, ignorou meu pedido.
— Nessie, olhe para ela — disse, a voz cheia de emoção.
— Não! Eu não posso!
— Por favor, só uma vez. Ela é tão perfeita... tem os cabelos ruivos, como os seus, e esses olhos castanhos que me lembram tanto o Jacob.
Meu coração acelerou ao ouvir isso. Meu peito parecia apertado, e minha mente girava.
— O quê? — perguntei, finalmente virando o rosto para olhar.
Bella estava segurando um pequeno embrulho rosado, com olhos curiosos e cabelos acobreados em cachos leves. Minha respiração ficou presa na garganta. A semelhança era inegável.
— Ela tem o nariz dele, Nessie. E esse jeitinho tranquilo... é tão Jacob.
Minhas mãos tremiam enquanto eu estendia os braços.
— Me... me dá ela. Por favor, me dá minha filha.
Bella sorriu com lágrimas nos olhos e colocou a menina nos meus braços. Assim que a segurei, o mundo pareceu parar. Todo o medo, a dor e a dúvida desapareceram.
— Oi, meu amor — sussurrei, as lágrimas caindo livremente. — Mamãe está aqui.
Ela abriu os olhos e olhou para mim com tanta inocência e pureza que meu coração parecia explodir. Tinha o mesmo olhar que Jacob. Naquele momento, percebi que, independentemente de tudo, eu jamais a deixaria ir. Ela era minha. E eu era dela.
...
Com a bebê aconchegada em meus braços, tudo ao meu redor parecia desaparecer. Ela sugava o leite com tanta delicadeza, e seus olhinhos se fechavam lentamente, como se aquele momento fosse o mais seguro e tranquilo de sua curta existência. Acariciei suas bochechas redondas, tão macias que pareciam feitas de veludo. Não havia dúvidas, ela era a cópia perfeita de Jacob. Os cabelos levemente ondulados, a pele morena que parecia ter sido beijada pelo sol, e agora, enquanto a segurava perto de mim, notei um pequeno sinal próximo à sua orelha direita. O mesmo sinal que Jacob tinha.
O sorriso que surgiu em meus lábios era uma mistura de amor e nostalgia. Não pude evitar. Ela era uma parte dele que agora fazia parte de mim, e isso era tão doloroso quanto reconfortante.
Alice entrou no quarto radiante, segurando sacolas coloridas nas mãos, seguida por Rosalie, que carregava outras tantas.
— Hora de transformar este quarto no paraíso de um bebê! — Alice anunciou, colocando as sacolas no chão com um sorriso animado.
Rosalie revirou os olhos, mas seu sorriso denunciava que estava igualmente empolgada.
— Nessie, você não se preocupou com o enxoval, então nós assumimos essa responsabilidade. E devo dizer, foi o dia de compras mais divertido que tive em meses! — disse Rosalie, sentando-se na beira da cama e olhando para a bebê.
— Ela é perfeita, Nessie. Olhe essas bochechas! — Alice exclamou, inclinando-se para admirar a pequena. — E essa pele bronzeada? Parece que ela nasceu na praia!
Ri baixinho, olhando para minha filha, que ainda estava aninhada ao meu peito.
— Ela tem o sinal próximo à orelha, igual ao... Jacob. — Minha voz falhou um pouco ao mencionar o nome dele, mas a felicidade de tê-la comigo me manteve firme.
Bella, que estava sentada perto de mim, estendeu a mão para tocar a cabecinha da bebê com delicadeza.
— É incrível como ela se parece com ele. Mas também tem tanto de você, Nessie. Ela é uma mistura perfeita.
O quarto estava cheio de sorrisos e amor. Alice já começava a abrir as sacolas, tirando roupinhas e acessórios minúsculos enquanto Rosalie pegava uma manta e a dobrava com cuidado.
Antes que eu pudesse responder, Edward entrou no quarto, com uma expressão séria, mas não ameaçadora.
— Nessie, a assistente social está aqui. Ela gostaria de falar com você.
Senti o ar escapar dos meus pulmões por um momento. Olhei para minha filha, ainda aconchegada em meu peito, e depois para minha mãe, que segurou minha mão com firmeza.
— Você não está sozinha, Nessie. Estamos aqui para o que precisar — Bella disse, com determinação.
Assenti, sentindo o peso da situação me atingir novamente. Aquela era a próxima decisão importante que precisava enfrentar. E, pela primeira vez, eu sabia o que queria.
A assistente social, uma mulher de olhos claros e sorriso gentil chamada Lotte Van Dijk, entrou no quarto com uma prancheta nas mãos e uma expressão acolhedora. Apesar de sua presença calma, meu coração batia como se fosse sair do peito. Eu sabia que esta conversa seria definitiva.
Lotte sentou-se em uma poltrona próxima, observando minha filha nos meus braços com uma expressão serena.
— Senhorita Cullen, como você está se sentindo? — ela perguntou em um tom suave, mas profissional.
— Cansada — respondi honestamente, enquanto acariciava os cabelos finos da bebê. — Mas... decidida.
Ela ergueu uma sobrancelha com curiosidade, inclinando-se ligeiramente para frente.
— Decidida?
Engoli em seco, sentindo o peso das palavras que estava prestes a dizer.
— Não vou entregar minha filha para adoção.
Por um momento, o silêncio se instalou no quarto, quebrado apenas pelo som leve da respiração da minha bebê. Lotte sorriu, um sorriso genuíno que me pegou de surpresa.
— Essa é uma decisão muito importante, senhorita Cullen — disse ela. — E, pessoalmente, fico muito feliz em ouvir isso. Desde o momento em que entrei nesta casa, vi o quanto você e sua família estão dispostos a oferecer a esta pequena um ambiente saudável e feliz.
Senti um nó na garganta, mas consegui esboçar um pequeno sorriso.
— Ela é tudo para mim agora — confessei. — Não importa o que tenha acontecido antes... ninguém vai separá-la de mim.
Lotte assentiu, levantando-se com a mesma gentileza com que havia chegado.
— Eu realmente acredito que vocês duas terão uma vida maravilhosa juntas. Desejo a você e sua filha muita felicidade. E, se precisar de algo, não hesite em me procurar.
Ela se despediu e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Por um instante, fiquei ali parada, ainda segurando minha filha e tentando processar tudo. Finalmente, suspirei profundamente, sentindo uma mistura de alívio e determinação.
Olhei para minha bebê, que agora parecia completamente tranquila em meus braços, e sussurrei com a voz embargada:
— Ninguém jamais vai nos separar. Prometo isso a você.
Ela se mexeu levemente, como se entendesse o que eu havia dito, e um pequeno sorriso surgiu em seu rostinho adormecido. Aquele momento me encheu de forças. Não havia mais espaço para dúvidas ou arrependimentos. Eu era mãe, e faria de tudo para protegê-la.
Eu terminei de vestir a Aurora, cuidadosamente ajustando o vestido branco que parecia feito sob medida para ela. Era tão pequeno e delicado, como ela. Bella me ajudava, colocando as bolsas, e quando olhou para minha filha, sorriu com aquele sorriso que eu tanto amava.
— Olha só, ela está linda... quase uma cópia de você, Nessie. — Bella comentou, com a voz suave, enquanto observava Aurora em seu vestidinho branquíssimo. O vestido de Aurora era da mesma cor do meu, um tom suave de azul claro. Fiquei tocada ao ver minha filha tão perfeita, tão pequena, tão minha.
— Acho que ela herdou meu gosto para roupas... — Brinquei, tentando afastar um pouco a tensão que ainda pesava no meu coração. A realidade de ser mãe era esmagadora, mas, ao mesmo tempo, encantadora.
Depois de sair do quarto, caminhamos pelos corredores do hospital. O dia estava claro, e a luz suave da manhã entrava pelas janelas, iluminando tudo ao nosso redor. Cada passo que dávamos parecia me afastar um pouco do medo, da dúvida, de tudo o que havia acontecido. Ao chegar à recepção, vi meu pai, Edward, esperando por nós com aquele sorriso caloroso, típico dele.
Ele veio até nós, estendeu os braços para pegar a Aurora, e disse suavemente:
— Vamos para casa, minha filha.
Aquelas palavras, simples, mas cheias de significado, trouxeram um alívio ao meu coração. Meu pai estava ali, forte como sempre, pronto para apoiar a mim e à minha filha. Eu poderia não ter todas as respostas, mas sabia que estava cercada de amor e apoio.
Chegamos em casa mais tarde, e logo a porta se abriu. A casa estava cheia de vida e risadas. Emmett, sempre o palhaço da família, fez uma entrada dramática, como sempre fazia.
— O que temos aqui? A estrela do dia? Preparados para ver uma lenda nascer? — Ele disse com sua típica teatralidade, fazendo todos rirem. Ele me fez sorrir também, aliviando um pouco a tensão.
Esme, com aquele olhar carinhoso que só ela tem, se aproximou.
— Deixe-me segurar essa pequena. — Ela disse, estendendo os braços com um sorriso cheio de amor.
Eu, sem hesitar, entreguei a Aurora a ela. Ver minha mãe, a avó dela, segurando minha filha foi um momento de puro amor. Eu sabia que Aurora seria amada por todos ali.
Esme a olhou com carinho e perguntou:
— Qual é o nome dela?
Todos os olhos se voltaram para mim, e o silêncio tomou conta da sala. Eu respirei fundo, sorrindo para a minha filha, e então, com o coração cheio de uma felicidade indescritível, respondi:
— Ela se chama Aurora.
O nome pareceu ecoar no ambiente, e todos, por um momento, ficaram em silêncio, absorvendo a beleza daquele nome, como se soubessem que ele significava um novo começo para todos nós. Bella, com os olhos cheios de emoção, sorriu.
— Aurora... É perfeito. — Ela disse, e eu sabia que todos ali, na nossa família, concordavam.
— A princesa da Disney— brincou tio Emmett. Todos riram e tia Rose deu um tapa no braço dele.
Emmett fez uma careta engraçada, e logo todos estavam ao redor de Esme, admirando Aurora. Eu fiquei ali, observando, sentindo um amor profundo e imenso, mas, acima de tudo, uma paz que eu não sentia há meses. Eu sabia que Aurora agora tinha um lar, cheio de amor, e eu faria qualquer coisa para que ela tivesse o melhor que o mundo poderia oferecer.
Enquanto observava minha filha em seus braços, a certeza tomou conta de mim. Nenhum obstáculo, nenhuma dúvida poderia nos separar agora. Eu estava pronta para ser a mãe que Aurora merecia.
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