Apenas mas uma de amor

72 Renesmee- Apenas mais uma de amor


Notas iniciais
Demorei porque tive um bloqueio , mas consegui finalizar a história. Tentarei finalizar as outras, obrigada a todos que não desistiram de mim kkk


Dois anos se passaram desde que deixamos Seattle. Haarlem nos acolheu como se sempre tivesse sido o nosso lar. A cidade era tranquila, com ruas arborizadas, canais serenos e uma luz suave que entrava pelas janelas todas as manhãs. Ainda me emociono com a paz que encontramos aqui.

Eu trabalho como pediatra no hospital local, e embora os plantões sejam intensos, nada se compara ao desafio de conciliar a rotina profissional com os cuidados de três filhos que crescem rápido demais. Aurora agora tem treze anos e já começa a se interessar por livros de medicina — diz que quer ser como a mãe. Hope está com oito, cheia de energia e sempre com um sorriso fácil. E Ryan... meu doce Ryan, com nove anos, é um menino gentil e curioso. Ele carrega consigo as marcas do passado, mas também uma força admirável.

Jacob se tornou um dos juízes mais respeitados de Haarlem. O senso de justiça que sempre o guiou o transformou em uma referência aqui. Sempre que o vejo de terno, concentrado nos documentos, lembro do homem que arriscou tudo para nos salvar. E sinto orgulho — tanto quanto amor.

Era sábado, e estávamos todos reunidos na sala de jantar. A mesa estava cheia: pão fresco, queijos holandeses, ovos mexidos, frutas e suco natural. Um típico almoço de fim de semana na nossa casa.

— Mãe, a gente pode colocar aquele banner enorme pro papai? — perguntou Hope, animada, com a boca ainda cheia de morango.

— Pode, mas só se prometer que vai esperar a hora certa — respondi, rindo.

— Eu fiz um cartaz também! — disse Ryan, mostrando o desenho colorido com letras tortas: “Feliz Aniversário, Jacob!”

Aurora olhou por cima dos óculos e fez careta.

— Vai ter discurso? Porque se tiver, eu preparei um — disse, com toda a seriedade de uma pré-adolescente estudiosa.

— Discursos são ótimos, filha — respondi, servindo suco para todos — desde que o aniversariante não desmaie de emoção.

Jacob entrou na sala nesse instante, despretensiosamente, e parou ao ver a mesa cheia e os três sorrindo para ele como cúmplices de uma conspiração.

— O que vocês estão aprontando? — ele perguntou, com um olhar desconfiado.

Hope saltou da cadeira e correu até ele.

— Nada! — disse, tentando esconder o sorrisinho. — A gente tá só... almoçando!

Jacob riu, levantou a filha no colo e beijou sua bochecha.

— Se isso for só um almoço, estou com medo do jantar.

Eu o observei abraçar as crianças, um a um, antes de se sentar ao meu lado. Seus dedos tocaram os meus sob a mesa, discretamente. E naquele instante, entre o riso leve das crianças e o aroma de pão fresco, eu soube que o amor mora nos detalhes.

E que, mesmo depois de tudo, nós vencemos. Juntos.


...


A sala estava repleta de balões dourados e azuis, o cheiro de bolo de chocolate com cereja se misturava ao som suave da playlist que Aurora havia escolhido com todo carinho. Hope corria de um lado para o outro com uma coroa de papel na cabeça, enquanto Ryan ajudava Emmett a carregar os pacotes de presentes até a mesa decorada. A festa de aniversário de Jacob estava prestes a começar, e tudo estava perfeito.

— Ele vai chorar, né? — cochichou Aurora para Alice, que apenas sorriu com aquele olhar misterioso que sempre me deixava curiosa.

— Vai sim — Alice respondeu, piscando o olho. — Eu vi.

Quando a campainha tocou, Hope correu para abrir a porta e, num instante, a surpresa tomou conta do ambiente.

— Vovô Billy! — ela gritou, correndo para os braços do avô.

Billy Black entrou com um sorriso emocionado, sendo empurrado em sua cadeira de rodas por Rachel. Rebecca veio logo atrás com um bolo de mirtilo nas mãos e Sarah, elegantemente vestida, segurava um embrulho com laço vermelho.

— Feliz aniversário, meu filho — disse Sarah, com os olhos marejados ao ver Jacob parado, sem conseguir se mover, ao ver todos eles ali.

Jacob ficou sem fala por um instante. Depois caminhou até Billy e o abraçou com força, os olhos marejados.

— Pai... você veio.

— Claro que sim. Você é o motivo do nosso orgulho — Billy respondeu, apertando a mão do filho.

Rachel e Rebecca se juntaram ao abraço, e por um momento, foi como se o tempo parasse para registrar aquela cena de amor e reencontro.

Minha família estava por toda parte, rindo, conversando, tornando o ambiente ainda mais vivo. Carlisle e Esme trouxeram uma garrafa de vinho especial, Bella organizava os pratos com Alice, e Edward me lançou um olhar cúmplice, como quem dizia “vocês merecem isso”.

Rosalie brincava com o cabelo de Hope, e Jasper ajudava Ryan a montar um jogo de cartas. Emmett, claro, tentava desafiar Aurora para um concurso de quem comia mais brigadeiros. Ela aceitou. Ele perdeu.

Mas o momento mais bonito da noite foi quando Jacob sentou-se no sofá com Ryan de um lado e Hope do outro, enquanto Aurora se encolhia ao seu lado fingindo que não queria carinho. Jacob os puxou para perto, beijou o topo da cabeça de cada um e disse:

— Vocês são o meu maior presente.

Hope encostou a cabeça no ombro dele e disse baixinho:

— A gente também te ama, papai.

Eu observei tudo da cozinha, com um sorriso largo, o coração tão cheio que parecia explodir. Aquela imagem... Jacob com as crianças, rindo, feliz, cercado de todos que amava... Era a recompensa por tudo que havíamos passado. Pela dor, pela luta, pelas noites em claro.

Me senti, sem exageros, a mulher mais feliz do mundo.


Depois do jantar, quando as crianças estavam entretidas com os presentes e a casa estava cheia de risos e calor humano, Jacob se aproximou de mim com aquele olhar calmo e intenso que sempre fez meu coração bater mais rápido.

— Vem comigo — ele disse, estendendo a mão. — Só nós dois, por um tempinho.

Olhei para o caos encantador da sala — Hope no colo de Esme, Aurora discutindo moda com Alice, Ryan ensinando Billy a jogar videogame com a ajuda de Emmett — e sorri.

— Vai dar tudo certo, Nessie — Sarah disse, percebendo minha hesitação. — Aproveitem. As crianças estão em boas mãos.

Assenti, entrelacei meus dedos aos de Jacob e saímos. O ar de Haarlem naquela noite era fresco e perfumado pelas flores de primavera. Jacob dirigiu em silêncio, com um pequeno sorriso nos lábios, até estacionar perto de uma das joias da cidade: o Haarlemmerhout, um dos parques mais antigos da Holanda.

A brisa dançava entre as árvores altas, e as luzes tênues dos postes criavam sombras suaves sobre a trilha de pedras. Caminhamos por entre os arbustos floridos até chegarmos a um pequeno lago. As águas espelhavam a lua cheia, e o som distante de um violinista de rua completava a magia da noite.

Jacob me puxou para perto e me envolveu em um abraço apertado.

— Eu sonhei tanto com isso, Ness. Com paz, com amor, com a nossa família segura... E agora que tenho, prometo que nunca mais vou soltar.

— Eu também sonhei — sussurrei, encostando minha testa na dele. — E mesmo nos momentos mais escuros... você foi a luz que me guiou de volta.

Ele pegou minhas mãos e olhou fundo nos meus olhos.

— Eu vou te amar até o fim dos meus dias. Em cada batida do meu coração, em cada amanhecer, em cada passo que dermos juntos.

— Eu prometo o mesmo, Jake. Não importa onde estivermos, ou o que vier, sempre seremos nós. Um lar um no outro.

Nos beijamos ali, sob a luz da lua, com o lago refletindo a eternidade daquele momento. Era como se o mundo tivesse parado só para nos ver amar.

Naquela noite, não havia mais dor. Só esperança. Só amor.

E aquela foi apenas mais uma de amor.


Fim

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