Jacob


Assim que Renesmee saiu da minha sala, respirei fundo e apertei o botão do interfone.

— Molly, reserve uma mesa no Canlis para esta noite, às 21h. Preciso que seja o melhor lugar disponível.

— Claro, senhor Black — respondeu ela. — Algo mais?

— Sim. Reagende os compromissos do final do dia. Não estarei disponível.

— Entendido.

Desliguei o interfone, peguei meu paletó e saí do tribunal. Minhas emoções estavam um caos, algo que eu não sentia havia anos. Renesmee estava de volta, e tudo o que eu pensava era no porquê de sua visita e no que aquilo significava.

Dirigindo pela cidade, tentando organizar minha mente, meu celular tocou no viva-voz. Olhei rapidamente para o painel: Mãe. Suspirei antes de atender.

— Oi, mãe.

— Jacob, querido, você está bem? — A voz suave de Sarah estava carregada de preocupação.

— Estou, mãe. Por que a pergunta?

— Porque Rachel me ligou — disse ela, direta. — Ela mencionou que alguém está de volta.

— Rachel é uma fofoqueira de primeira.

— Ela está preocupada com você, Jake, e eu também. Renesmee sempre foi a mulher da sua vida.

Engoli em seco, meus dedos apertando o volante.

— Isso foi no passado, mãe. As coisas mudaram.

— Você pode dizer isso para mim, mas não está se convencendo — retrucou Sarah, com sua típica sabedoria maternal. — Jacob, não há problema em sentir. Você passou muito tempo fingindo que não.

— Não estou fingindo nada. Renesmee fez suas escolhas, e eu fiz as minhas.

Sarah ficou em silêncio por um momento, e então suspirou.

— Só quero que você seja feliz, Jacob. Não deixe o passado prender você, mas também não ignore o que seu coração está dizendo.

— Eu vou ficar bem, mãe.

— Espero que sim. Cuide-se, meu filho.

— Obrigado, mãe.

Desliguei a ligação e soltei um longo suspiro. Sarah sempre soube como ver através de mim, mesmo quando eu tentava esconder o que sentia. Ver Renesmee hoje trouxe à tona algo que eu havia enterrado há muito tempo: sentimentos que, até agora, estavam adormecidos.

Enquanto dirigia para casa, minha mente não parava de girar em torno da mesma pergunta: o que Renesmee queria me dizer?

Passei mais tempo do que o normal ajustando a camisa e a gravata. Era absurdo, eu sabia disso, mas me sentia como um adolescente indo ao primeiro encontro. Depois de uma última olhada no espelho, peguei as chaves do carro e saí do apartamento.

Ao chegar ao hotel, fui até a recepção.

— Boa noite, estou aqui para buscar Renesmee Cullen.

A recepcionista sorriu educadamente.

— Um momento, senhor. Vou avisá-la.

Assenti, agradecendo, e caminhei até uma das poltronas da recepção. Meus dedos tamborilavam no braço da cadeira enquanto tentava controlar o nervosismo. Por que estou tão inquieto? pensei.

Alguns minutos depois, o som do elevador chamou minha atenção. Levantei o olhar, e lá estava ela.

Renesmee saiu do elevador como uma visão. O vestido azul que usava era ajustado às suas curvas, terminando um pouco acima dos joelhos, seus cabelos estavam soltos, brilhantes, e a maquiagem acentuava seus olhos. Ela estava deslumbrante, e eu percebi imediatamente os olhares que outros homens lançavam em sua direção. Meu peito se apertou com algo que eu não queria nomear.

Levantei-me e fui até ela.

— Você está... linda — falei, minha voz saindo rouca apesar de mim.

Ela sorriu, com um leve rubor nas bochechas.

— Obrigada, Jacob. Você também está muito bem.

— Obrigado.

Por um momento, ficamos em silêncio, e então fiz um gesto para a porta.

— Vamos?

— Claro.

Caminhamos juntos até o carro. Abri a porta do passageiro para ela, e Renesmee entrou com graça. Depois de fechar a porta, contornei o veículo e entrei no lado do motorista.

Enquanto ajustava o cinto de segurança, lancei um olhar discreto a ela. Renesmee estava olhando pela janela, mas o leve sorriso em seu rosto parecia iluminar o espaço.

O restaurante era um dos mais sofisticados de Seattle, localizado em um andar alto com uma vista deslumbrante para as luzes da cidade. O ambiente era elegante, com mesas decoradas com toalhas de linho branco, velas acesas e arranjos florais discretos. O som suave de um piano ao fundo completava o cenário refinado.

Fomos conduzidos a uma mesa próxima à grande janela panorâmica. O brilho das luzes da cidade refletia no vidro, criando uma atmosfera quase mágica. Depois que nos sentamos, observei Renesmee enquanto ela olhava ao redor, claramente impressionada.

Eu a encarei por um momento antes de falar.

— Não vou mentir, Nessie. Não esperava estar aqui, sentado com você. Não esperava que você voltasse.

Ela desviou os olhos para a taça de água à sua frente, os dedos brincando com o pé do copo.

— Eu deveria ter te procurado antes, Jacob... mas eu não tive coragem.

Havia algo na maneira como ela disse isso, um peso em sua voz.

— Não te julgo — respondi, sincero. — Muitas coisas aconteceram com você. Mas por que você me procurou agora?

Antes que ela pudesse responder, o garçom se aproximou, trazendo uma garrafa de vinho. Ele abriu a garrafa com destreza e serviu nossas taças.

— Obrigado — agradeci, pegando minha taça e tomando um gole.

Renesmee fez o mesmo, mas seu olhar parecia distante, como se estivesse reunindo forças.

— É difícil, Jacob... o que eu tenho para te dizer... talvez você me odeie por isso.

Coloquei minha taça sobre a mesa e a encarei.

— Jamais poderia te odiar, Nessie.

Ela respirou fundo, pegando a taça novamente e tomando outro gole antes de começar:

— Jacob, eu estava...

Antes que pudesse terminar, uma voz alta interrompeu.

— Agora entendo porque você estava estranho, Jacob. Você tem outra.

Ergui os olhos e, ao lado da nossa mesa, estava Renata, com uma expressão de fúria e mágoa.

Renesmee parecia confusa, mas eu só conseguia encarar Renata, percebendo o quanto essa situação estava prestes a desmoronar.

— Renata, pare com isso! — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, mas o olhar curioso das pessoas ao redor me deixou sem escolha. — Você é minha ex-noiva, e isso não é lugar para escândalos.

Renata cruzou os braços, desafiadora, ignorando meu tom.

— Ex-noiva ou não, eu tenho o direito de saber o que está acontecendo aqui, Jacob!

Renesmee, que até então estava visivelmente desconfortável, ergueu o olhar para mim, irritada.

— Quer saber? Melhor você resolver isso com sua ex-noiva. Terminamos essa conversa depois. — Sua voz carregava uma ironia que me atingiu como um soco.

— Nessie, espere. — Me virei para ela, tentando acalmar a situação, mas o tom ríspido dela me cortou.

Renata, ainda ao lado, arregalou os olhos ao ouvir o nome de Renesmee.

— Espera... você é a Nessie? — A surpresa em sua voz foi instantânea, seguida por uma expressão amarga. — Agora tudo faz sentido!

Antes que eu pudesse responder, Renesmee empurrou a cadeira para trás e saiu apressada, sem olhar para trás.

— Nessie! — Chamei, seguindo-a até a saída, mas ela já estava entrando em um táxi.

Fiquei parado na calçada, observando o carro sumir na esquina, quando ouvi a voz de Renata atrás de mim.

— Vai correr atrás dela agora, Jacob?

Me virei, frustrado.

— Renata, o que você está fazendo aqui? Como soube onde eu estava?

Ela hesitou por um momento, mas logo ergueu o queixo, desafiadora.

— Eu te segui.

Minha paciência, que já estava no limite, se esgotou de vez.

— Você me seguiu? Renata, você terminou comigo, lembra? Colocou a aliança sobre a mesa e saiu!

— Eu recebi as flores, Jacob. Achei que...

— Que o quê? Que as flores anulavam o fato de você ter terminado tudo? Já deu, Renata. Agora sou eu quem não quer mais.

Ela ficou em silêncio por um momento, os olhos se enchendo de lágrimas.

— Entendi. — Sua voz falhou. — Entendi por que não me quer mais. Ela voltou, não é? A mulher da sua vida.

Não respondi. Não tinha o que dizer. Ela deu uma risada amarga, virou-se e entrou em seu carro, partindo sem olhar para trás.

Passei as mãos pelos cabelos, tentando organizar meus pensamentos, mas era inútil.

Renesmee.

Ela queria me dizer algo importante, algo que a fez vir até mim depois de tantos anos. E eu não terminaria essa noite sem saber o que era.