Apenas mas uma de amor
41 Jacob- O Jantar
Jacob
Assim que Renesmee saiu da minha sala, respirei fundo e apertei o botão do interfone.
— Molly, reserve uma mesa no Canlis para esta noite, às 21h. Preciso que seja o melhor lugar disponível.
— Claro, senhor Black — respondeu ela. — Algo mais?
— Sim. Reagende os compromissos do final do dia. Não estarei disponível.
— Entendido.
Desliguei o interfone, peguei meu paletó e saí do tribunal. Minhas emoções estavam um caos, algo que eu não sentia havia anos. Renesmee estava de volta, e tudo o que eu pensava era no porquê de sua visita e no que aquilo significava.
Dirigindo pela cidade, tentando organizar minha mente, meu celular tocou no viva-voz. Olhei rapidamente para o painel: Mãe. Suspirei antes de atender.
— Oi, mãe.
— Jacob, querido, você está bem? — A voz suave de Sarah estava carregada de preocupação.
— Estou, mãe. Por que a pergunta?
— Porque Rachel me ligou — disse ela, direta. — Ela mencionou que alguém está de volta.
— Rachel é uma fofoqueira de primeira.
— Ela está preocupada com você, Jake, e eu também. Renesmee sempre foi a mulher da sua vida.
Engoli em seco, meus dedos apertando o volante.
— Isso foi no passado, mãe. As coisas mudaram.
— Você pode dizer isso para mim, mas não está se convencendo — retrucou Sarah, com sua típica sabedoria maternal. — Jacob, não há problema em sentir. Você passou muito tempo fingindo que não.
— Não estou fingindo nada. Renesmee fez suas escolhas, e eu fiz as minhas.
Sarah ficou em silêncio por um momento, e então suspirou.
— Só quero que você seja feliz, Jacob. Não deixe o passado prender você, mas também não ignore o que seu coração está dizendo.
— Eu vou ficar bem, mãe.
— Espero que sim. Cuide-se, meu filho.
— Obrigado, mãe.
Desliguei a ligação e soltei um longo suspiro. Sarah sempre soube como ver através de mim, mesmo quando eu tentava esconder o que sentia. Ver Renesmee hoje trouxe à tona algo que eu havia enterrado há muito tempo: sentimentos que, até agora, estavam adormecidos.
Enquanto dirigia para casa, minha mente não parava de girar em torno da mesma pergunta: o que Renesmee queria me dizer?
Passei mais tempo do que o normal ajustando a camisa e a gravata. Era absurdo, eu sabia disso, mas me sentia como um adolescente indo ao primeiro encontro. Depois de uma última olhada no espelho, peguei as chaves do carro e saí do apartamento.
Ao chegar ao hotel, fui até a recepção.
— Boa noite, estou aqui para buscar Renesmee Cullen.
A recepcionista sorriu educadamente.
— Um momento, senhor. Vou avisá-la.
Assenti, agradecendo, e caminhei até uma das poltronas da recepção. Meus dedos tamborilavam no braço da cadeira enquanto tentava controlar o nervosismo. Por que estou tão inquieto? pensei.
Alguns minutos depois, o som do elevador chamou minha atenção. Levantei o olhar, e lá estava ela.
Renesmee saiu do elevador como uma visão. O vestido azul que usava era ajustado às suas curvas, terminando um pouco acima dos joelhos, seus cabelos estavam soltos, brilhantes, e a maquiagem acentuava seus olhos. Ela estava deslumbrante, e eu percebi imediatamente os olhares que outros homens lançavam em sua direção. Meu peito se apertou com algo que eu não queria nomear.
Levantei-me e fui até ela.
— Você está... linda — falei, minha voz saindo rouca apesar de mim.
Ela sorriu, com um leve rubor nas bochechas.
— Obrigada, Jacob. Você também está muito bem.
— Obrigado.
Por um momento, ficamos em silêncio, e então fiz um gesto para a porta.
— Vamos?
— Claro.
Caminhamos juntos até o carro. Abri a porta do passageiro para ela, e Renesmee entrou com graça. Depois de fechar a porta, contornei o veículo e entrei no lado do motorista.
Enquanto ajustava o cinto de segurança, lancei um olhar discreto a ela. Renesmee estava olhando pela janela, mas o leve sorriso em seu rosto parecia iluminar o espaço.
O restaurante era um dos mais sofisticados de Seattle, localizado em um andar alto com uma vista deslumbrante para as luzes da cidade. O ambiente era elegante, com mesas decoradas com toalhas de linho branco, velas acesas e arranjos florais discretos. O som suave de um piano ao fundo completava o cenário refinado.
Fomos conduzidos a uma mesa próxima à grande janela panorâmica. O brilho das luzes da cidade refletia no vidro, criando uma atmosfera quase mágica. Depois que nos sentamos, observei Renesmee enquanto ela olhava ao redor, claramente impressionada.
Eu a encarei por um momento antes de falar.
— Não vou mentir, Nessie. Não esperava estar aqui, sentado com você. Não esperava que você voltasse.
Ela desviou os olhos para a taça de água à sua frente, os dedos brincando com o pé do copo.
— Eu deveria ter te procurado antes, Jacob... mas eu não tive coragem.
Havia algo na maneira como ela disse isso, um peso em sua voz.
— Não te julgo — respondi, sincero. — Muitas coisas aconteceram com você. Mas por que você me procurou agora?
Antes que ela pudesse responder, o garçom se aproximou, trazendo uma garrafa de vinho. Ele abriu a garrafa com destreza e serviu nossas taças.
— Obrigado — agradeci, pegando minha taça e tomando um gole.
Renesmee fez o mesmo, mas seu olhar parecia distante, como se estivesse reunindo forças.
— É difícil, Jacob... o que eu tenho para te dizer... talvez você me odeie por isso.
Coloquei minha taça sobre a mesa e a encarei.
— Jamais poderia te odiar, Nessie.
Ela respirou fundo, pegando a taça novamente e tomando outro gole antes de começar:
— Jacob, eu estava...
Antes que pudesse terminar, uma voz alta interrompeu.
— Agora entendo porque você estava estranho, Jacob. Você tem outra.
Ergui os olhos e, ao lado da nossa mesa, estava Renata, com uma expressão de fúria e mágoa.
Renesmee parecia confusa, mas eu só conseguia encarar Renata, percebendo o quanto essa situação estava prestes a desmoronar.
— Renata, pare com isso! — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, mas o olhar curioso das pessoas ao redor me deixou sem escolha. — Você é minha ex-noiva, e isso não é lugar para escândalos.
Renata cruzou os braços, desafiadora, ignorando meu tom.
— Ex-noiva ou não, eu tenho o direito de saber o que está acontecendo aqui, Jacob!
Renesmee, que até então estava visivelmente desconfortável, ergueu o olhar para mim, irritada.
— Quer saber? Melhor você resolver isso com sua ex-noiva. Terminamos essa conversa depois. — Sua voz carregava uma ironia que me atingiu como um soco.
— Nessie, espere. — Me virei para ela, tentando acalmar a situação, mas o tom ríspido dela me cortou.
Renata, ainda ao lado, arregalou os olhos ao ouvir o nome de Renesmee.
— Espera... você é a Nessie? — A surpresa em sua voz foi instantânea, seguida por uma expressão amarga. — Agora tudo faz sentido!
Antes que eu pudesse responder, Renesmee empurrou a cadeira para trás e saiu apressada, sem olhar para trás.
— Nessie! — Chamei, seguindo-a até a saída, mas ela já estava entrando em um táxi.
Fiquei parado na calçada, observando o carro sumir na esquina, quando ouvi a voz de Renata atrás de mim.
— Vai correr atrás dela agora, Jacob?
Me virei, frustrado.
— Renata, o que você está fazendo aqui? Como soube onde eu estava?
Ela hesitou por um momento, mas logo ergueu o queixo, desafiadora.
— Eu te segui.
Minha paciência, que já estava no limite, se esgotou de vez.
— Você me seguiu? Renata, você terminou comigo, lembra? Colocou a aliança sobre a mesa e saiu!
— Eu recebi as flores, Jacob. Achei que...
— Que o quê? Que as flores anulavam o fato de você ter terminado tudo? Já deu, Renata. Agora sou eu quem não quer mais.
Ela ficou em silêncio por um momento, os olhos se enchendo de lágrimas.
— Entendi. — Sua voz falhou. — Entendi por que não me quer mais. Ela voltou, não é? A mulher da sua vida.
Não respondi. Não tinha o que dizer. Ela deu uma risada amarga, virou-se e entrou em seu carro, partindo sem olhar para trás.
Passei as mãos pelos cabelos, tentando organizar meus pensamentos, mas era inútil.
Renesmee.
Ela queria me dizer algo importante, algo que a fez vir até mim depois de tantos anos. E eu não terminaria essa noite sem saber o que era.
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