Apenas mas uma de amor
15 Jacob- Conversa Definitiva
Acordei antes do sol nascer, uma mistura de ansiedade e entusiasmo. Nessie chegaria em algumas horas, e a ideia de tê-la na fazenda dos Black pela primeira vez me deixava nervoso. Após me vestir rapidamente, fui para a cozinha. O cheiro de café e panquecas invadia o ar, sinal de que minha mãe já estava ativa, como sempre.
Ao entrar, encontrei Rachel e Rebecca sentadas à mesa, rindo de algo, enquanto minha mãe organizava uma bandeja de frutas. Meu pai estava na sala, com os olhos grudados na TV, assistindo a um noticiário.
— Olha só, o grande anfitrião finalmente apareceu! — provocou Rachel, cruzando os braços com um sorriso malicioso.
Rebecca riu, empurrando uma xícara de café para mim. — Aposto que ele passou a noite pensando em como impressionar a Nessie.
— Vocês não têm mais nada pra fazer, não? — retruquei, tentando parecer indiferente, mas o sorriso no canto da minha boca me denunciou.
Minha mãe olhou para mim com um olhar brincalhão. — Deixe seus nervos no quarto, Jacob. Tenho certeza de que Nessie vai adorar estar aqui.
— Só espero que ele não esqueça como se fala — brincou meu pai, rindo sem tirar os olhos da TV.
— Muito engraçado, velho — respondi, jogando uma torrada na direção dele, o que fez minhas irmãs rirem ainda mais.
Enquanto todos estavam descontraídos, Leah entrou na cozinha. Ela puxou uma cadeira e sentou-se à mesa, sem se preocupar em disfarçar sua expressão irritada.
— Então, o grande Jacob Black vai trazer a princesa pra conhecer sua "humilde" fazenda? — disse Leah, com sarcasmo escorrendo de cada palavra. — Espero que ela não fique traumatizada com o cheiro de vaca.
Rachel olhou para ela, franzindo a testa. — Leah, pega leve.
— O que foi? Só tô dizendo o óbvio. Não quero atrapalhar o romance dele — continuou Leah, pegando um pedaço de torrada sem olhar para ninguém.
Minha mãe suspirou, cansada. — Leah, se não consegue contribuir com algo positivo, talvez seja melhor você sair.
Leah levantou-se bruscamente, empurrando a cadeira. — Não se preocupe, Sarah. Já estou indo.
Ela saiu da cozinha, e o silêncio que ficou era quase palpável. Minha mãe balançou a cabeça e virou-se para mim.
— Jacob, termine seu café e me encontre no escritório do seu pai. Precisamos conversar.
Depois de comer, fui até o escritório de Billy. Minha mãe já estava lá, sentada atrás da mesa, com os braços cruzados. Assim que entrei, ela fez sinal para eu fechar a porta.
— O que foi, mãe? — perguntei, sentando-me na cadeira em frente a ela.
Ela suspirou, olhando diretamente para mim. — Jacob, precisamos falar sobre Leah.
Franzi a testa. — O que tem a Leah?
— Eu sei o que aconteceu entre vocês — ela disse, sem rodeios.
Corei imediatamente e desviei o olhar. — Mãe, isso foi coisa de momento. Não significa nada.
— Para você, talvez — ela rebateu, sua voz calma, mas firme. — Mas para Leah, significa. Ela perdeu muito nos últimos anos. Primeiro o pai, depois a mãe... E agora ela está perdida, Jacob. Você sabe o quanto isso é difícil para ela.
Suspirei, esfregando a nuca. — Eu sei, mãe. Mas o que você quer que eu faça?
— Resolva isso. Converse com ela. Faça com que ela entenda o que aconteceu e, mais importante, o que não vai acontecer.
Fiquei em silêncio por um momento, pensando. Ela tinha razão. Leah estava lidando com muito, e eu não ajudaria ignorando o assunto.
Saí do escritório sentindo o peso da conversa com minha mãe ainda sobre os ombros. No corredor, encontrei Rachel, que estava ajeitando algo no balcão perto da sala.
— Rachel, você viu a Leah? — perguntei, tentando soar casual.
Ela ergueu os olhos e arqueou uma sobrancelha, curiosa. — Vi, sim. Acho que ela foi para o jardim. Por quê?
— Preciso falar com ela. Obrigado.
Rachel me lançou um olhar desconfiado, mas não disse mais nada. Enquanto caminhava para o jardim, puxei meu celular do bolso e vi uma mensagem nova. Era de Nessie.
"Estou a caminho Jake!"
Sorri imediatamente e respondi: "Estou a sua espera."
Guardei o celular e suspirei. Era incrível como apenas uma mensagem dela podia me tirar de um humor ruim, mesmo que por alguns segundos.
Quando cheguei ao jardim, avistei Leah sentada no balanço de madeira que meu pai havia instalado anos atrás. Ela estava balançando levemente, com os olhos fixos no horizonte.
— Leah — chamei, me aproximando devagar.
Ela não respondeu, mas sabia que eu estava ali.
— A gente precisa conversar — continuei, parando a poucos passos de distância.
— Conversar? — disse ela, finalmente olhando para mim, com um sorriso amargo. — Depois de tudo, agora você quer conversar?
Suspirei, cruzando os braços. — Eu sei que as coisas ficaram... complicadas entre a gente.
— Complicadas? — Leah riu, mas não havia humor em seu riso. — Você me usou, Jacob. Só fui uma distração pra você.
— Isso não é verdade — respondi, firme. — Eu gosto de você, Leah. Sempre gostei.
— Mas não o suficiente, certo? — ela rebateu, se levantando do balanço. — Porque, no final, seu coração sempre esteve com ela.
Engoli em seco, desviando o olhar. — Não vou mentir pra você. Sim, meu coração sempre pertenceu a outra pessoa.
Leah riu de novo, balançando a cabeça. — Claro. E eu fui só um passatempo até você finalmente ter coragem de admitir isso.
— Não é assim, Leah! — falei, tentando me explicar.
— Não importa mais, Jacob — ela disse, com ironia. — Vá atrás da sua princesinha. Ela deve estar chegando, não é?
Antes que eu pudesse responder, Leah deu as costas e começou a se afastar.
— Leah, espera! — chamei, indo atrás dela.
— Pra quê? — ela se virou, com raiva nos olhos. — Pra você me dar mais uma desculpa? Ou quer que eu aceite ser a segunda opção?
— Você não entende! — retruquei, já perdendo a paciência. — Eu nunca quis te magoar. Mas eu não posso controlar o que sinto.
— E eu não posso controlar o que sinto, Jacob! — ela gritou, os olhos brilhando com lágrimas que ela se recusava a derramar.
Ficamos ali, encarando um ao outro por alguns segundos. Então, sem dizer mais nada, Leah virou-se e foi embora, deixando-me sozinho no meio do jardim.
Passei a mão pelo cabelo, frustrado, e comecei a andar pela fazenda. Precisava esfriar a cabeça, e a melhor maneira de fazer isso era me afastar.
Enquanto caminhava em direção à entrada da fazenda, algo chamou minha atenção. Um veículo estava estacionado ali, e meu coração deu um salto ao reconhecer o carro.
Nessie estava ali, parada ao lado do carro, com um sorriso tímido no rosto.
— Você esta linda Nessie.
Um grande sorriso se espalhou pelo meu rosto. Por um momento, todo o peso que eu sentia desapareceu. Nessie estava aqui, e isso era tudo o que eu precisava.
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