Notas iniciais
Muito obrigada pelos comentários! :D
Espero que gostem desse capítulo também.

- Nossa, Dani, que cara é essa? – Priscila perguntou assim que me viu quando eu entrei na sala de aula atrasada.

- Podemos conversar sobre isso depois?- eu perguntei me sentando ao lado de Amanda, que pelo visto não havia comentado nada. Priscila respeitou meu silêncio, mas ficou com a cara de que tava sabendo o que tava acontecendo, talvez por me conhecer bem.

- Você tá melhor? – Amanda perguntou baixinho quando eu me ajeitei na cadeira.

- É, tanto faz. – eu disse dando ombros e um sorriso horrível. Ela apenas franziu a testa preocupada, mas também nada falou.

Eu nem fiz questão de prestar atenção na aula, eu apenas abaixei a cabeça e me deixei levar por pensamentos e logo depois um sono chato devido à outra noite sem dormir direito.

Fui levantando minha cabeça devagar quando escutei uma movimentação, olhei para o lado e vi as pessoas levantando, alguém tocou meu braço e olhei:

- Vamos? – Priscila perguntou me esperando. Eu apenas levantei sem dizer enquanto era acompanhada pela Amanda e Priscila, até então, talvez pela minha distração, não havia notado que Pedro não estava ali. Achei um pouco difícil ele faltar, já que ele tinha combinado de conversar com a Amanda, logo vi que ele não perderia a chance quando o avistei vindo em nossa direção, assim que chegamos lá embaixo.

- Oi minhas princesas! – ele disse dando um beijo em cada uma, mas a única que ele abraçou foi a Amanda. Quando ele me olhou de novo, me analisou e ergueu uma sobrancelha. – Eu conheço essa cara! – ele disse apontando pra mim e se aproximando.

- Pedro... – Amanda tentou falar alguma coisa que o fizesse parar, mas ele a ignorou por um momento.

- Dani, brigou com a Bruna?

- Ela terminou comigo. – eu disse virando o rosto

- Daniela, por que você não me contou antes? – Priscila disse vindo me abraçar, logo depois Pedro se juntou ao abraço.

- Eu ia contar, mas...– eu respirei fundo e ela foi mais rápida

- Tudo bem, não precisa falar nada agora. – ela disse se soltando do abraço me lançando um sorriso amigo, o Pedro fez o mesmo.

- Mas me diz uma coisa? – ele perguntou secando uma lágrima que sem querer escorreu pela minha face.

- Fala.

- Por que ela terminou com você? – eu congelei por um momento e olhei pra Amanda que retribuía com um olhar um pouco assustado. Eu não podia dizer sobre a Amanda, então falei a primeira coisa que me veio à cabeça que não era mentira.

- É... ela vai viajar! – eu disse tentando soar convincente

- Mas eu pensei que ela quisesse continuar com você! – ele disse um pouco confuso

- Parece que você não foi o único que pensou isso, Pê! Mas deixa pra lá, é melhor eu tentar esquecer isso agora, como ela mesma falou, foi um erro ela ter se apaixonado por mim. – eu disse respirando fundo.

- Ela disse isso? – Amanda disse chegando mais perto e me olhando com... raiva? Acho que sim, parecia um pontada de raiva.

- Uhum. – eu disse apenas e confirmando com a cabeça.

Eu percebi pela cara da Priscila que também não tinha gostado do que a Bruna falou, mas ela talvez tenha preferido ficar em silêncio.

A Amanda pronunciou alguma coisa bem baixinho, inaudível pra qualquer um de nós, e balançou a cabeça em desaprovação.

- Vamos comer alguma coisa? – Priscila perguntou pra mim e eu fiz cara de enjôo.

- Não, Pri. Sem fome. – eu disse já descartando a idéia

- Então eu vou comprar alguma coisa pra mim, vocês vão sentando em algum lugar! – ela disse praticamente ordenando.

Eu caminhei em direção à uma mesa qualquer e percebi que era acompanhada por Pedro e Amanda que conversavam.

- A gente pode conversar depois, né?! – Pedro perguntou baixinho pra Amanda assim que a gente sentou, mas com um pouco de ouvido bom, eu consegui escutar. Amanda imediatamente lançou um olhar pra mim, pra conferir se eu havia escutado, eu desviei o rosto na mesma hora com medo de deixá-la constrangida.

- Ok. – ela disse até mais baixo que ele, e num tom não grosso, mas que colocasse um ponto final no assunto.

Passamos o intervalo conversando sobre diversas coisas, quer dizer, eles falavam e eu apenas concordava com a cabeça e quando era pra eu falar, falava apenas o necessário.

O sinal tocou anunciando o término do intervalo, mais uma vez as aulas passaram devagar quase parando, a Raquel veio falar com a gente, o que deixou a Amanda meio na defensiva, mas quando ela percebeu o olhar da menina para o Pedro, ela sossegou, porém Pedro ficou sem graça, talvez por pensar que Raquel poderia estragar seus planos com Amanda.

- Finalmente terminou. – eu disse murmurando pra mim mesma quando o sinal tocou.

- Dani, você não vai poder ficar com essa cara pra sempre, amiga. Por mais que seja difícil você tem que tentar viver.

- Eu to vivendo, Pri! Só que não é fácil assim, demora um pouco. Mas eu vou ficar bem. – eu disse tentando acreditar nas minhas palavras, e pela cara de Priscila, ela fazia o mesmo.

- Espero. Quer ir lá pra casa agora? Melhor do que ficar sozinha em casa. – ela disse dando um sorriso empolgado.

- É...

- Ah, vai, Dani, é bom que a gente conversa e você desabafa. – ela disse fazendo cara de dengo.

- Tá bom. – eu disse dando um sorriso de lado

- Posso chamar a Amanda, né?! – ela perguntou no meu ouvido e depois olhando pra trás, vendo se a mesma tinha escutado, mas como a Amanda conversava com Pedro não escutou nada.

- Claro, né Pri?! A casa é sua e a Amanda é nossa amiga.

- Eu sei, mas eu pensei que você pudesse ficar incomodada de contar alguma coisa na frente dela.

- Não, por mim tudo bem. – eu disse pensando agora que poderia acontecer isso mesmo.

- Então eu vou chamá-la, perai. – quando ela virou deu de cara com Pedro e Amanda

- Que foi? – ele perguntou dando um enorme sorriso

- É... eu queria falar com a Amanda. – ela disse olhando pra Amanda e depois pro Pedro que mantinha um lindo sorriso no rosto.

- Ah, tá. Entendi. É... eu espero. – ele disse dando mais um sorriso e vindo em minha direção e começamos a caminhar. – Ei, Dani. – ele falou baixinho e com a voz feliz, fazendo-me olhá-lo

- Sim? – eu disse dando um sorriso amarelo

- Eu vou falar com a Amanda daqui a pouco. – ele disse cheio de expectativa

- Ah, é?! Que legal, Pê! – eu disse tentando incentivá-lo, mas com um pouco de dó.

- É... eu não acho que ela GOOSTE de mim, mas eu acho que ela pode dar uma chance e quem sabe mais pra frente gostar como eu gosto?!

- Claro claro. – eu disse um pouco distraída

- Aí, foi mal, Dani! – ele disse colocando a mão na testa

- Pelo quê? – eu perguntei franzindo a testa e voltando a encará-lo

- Eu aqui falando todo empolgado sobre a Amanda sabendo que você tá mal por causa da Bruna! Mas olha, você é linda, Dani, logo logo encontra alguém que mereça você. – ele disse passando a mão pelo meu ombro e eu coloquei a mão na sua cintura em forma de agradecimento.

- Obrigada, Pê! Você também merece alguém muito especial. – eu disse sorrindo agora de verdade.

- Espero que esse alguém especial seja essa menina linda aqui atrás! – ele disse realmente parecendo apaixonado. Logo ELE foi se apaixonar pela Amanda?

Logo fomos cortados pelas meninas que chegaram empolgadas.

- Dani, vamos esperar a Amanda lá fora? – Priscila perguntou apressada

- Claro! – eu disse sorrindo e percebi os olhares de Amanda e Pedro sobre mim.

- Tchau, Dani! Deseje-me sorte! – ele disse baixinho quando se aproximou pra me dar um beijo no rosto.

- Boa sorte, Pê! – eu disse engolindo seco pelas minhas próprias palavras. Nem tive coragem de olhar pra Amanda de novo, só me virei e fui até a Priscila que me esperava na porta do colégio.

Nem cheguei perto direito da Priscila e ela já foi me puxando pra sentar na calçada e começou a falar:

- Sabia que o Pedro tá a fim da Amanda? – ela perguntou apressada

- É... bom... – será que era pra falar?

- Vai dizer que você é a única que não percebeu? – ela perguntou fazendo cara de impaciência

- Sabia.

- Como? – ela perguntou curiosa

- Aonde você quer chegar? – eu perguntei mudando o rumo

- Eles vão conversar... – ela disse me olhando nos olhos

- Hum...

- Que foi? – ela perguntou jogando a cabeça pro lado

- Nada. – eu disse olhando pra frente

- Tá com ciúmes? – ela perguntou arregalando os olhos

- Não. – E eu acho que nem tava mesmo, só sentia uma coisa me incomodar, mas nada grande, pensei que devia ser fome, ou curiosidade. Será?

- Você tá com ciúmes da Amanda? – ela perguntou colocando a mão na boca em sinal de espanto

- Ih, Priscila, deixa de ser doida! Mas afinal, por que estamos aqui? Ela vai pra sua casa também? – eu perguntei tropeçando nas palavras

- Sim. Mas se bem que se ela aceitar ficar com ele, talvez demore pra ela voltar. – ela disse pensativa

- Ela não vai ficar com ele. – eu disse com uma pontada de raiva, mas mesmo assim firme

- Ah, é?! E posso saber por quê? Porque pelo que eu saiba a Amanda é livre, leve e solta.

- Você já tá começando a me irritar! – eu disse bufando

- Mas eu me mordo de ciúúúúmees! – ela começou a cantar e isso só aumentou minha raiva, conseqüentemente ela começou a rir.

- Será que ela vai demorar? – eu perguntei olhando a hora no relógio. – Tô com fome.

- Vixi, eu também to! – Priscila disse parando de cantar e colocando a mão na barriga

- Demorei? – uma voz atrás da gente perguntou

- JÁ? – Priscila perguntou estranhando a rapidez

- Sim. – Amanda disse só isso, e parecia que umas lágrimas haviam passado pelos seus olhos.

- Cadê o Pê? – Priscila perguntou

- Bom... ele disse que ia ficar mais um pouco com uns amigos. – ela disse explicando de cabeça baixa

- Hum... eu vou rapidinho falar com ele e já volto! – Priscila disse indo rápido

- Mas... – eu tentei protestar, mas ela já tinha ido, me deixando com uma Amanda ainda de cabeça baixa. – Ei, Amanda, que houve? – eu disse chegando perto e abaixando um pouco a cabeça pra tentar encará-la

- Dani, ele é meu amigo! Ele tava tão empolgado, tão gentil! – ela disse querendo chorar de novo e finalmente me olhando.

- Ah, meu amor, calma. Ele sabe que você não fez por mal. – eu disse abraçando-a amigavelmente

- Eu sei, mas do mesmo jeito é ruim vê-lo assim por minha causa. – ela disse se apertando em mim.

- Eu entendo. Mas não fica assim. – eu disse fazendo carinho no seu cabelo.

- VAMOS GENTE? –Priscila perguntou meio que gritando e quando nos viu daquele jeito franziu a testa, mas depois imaginou o que devia ser.

- Obrigada. – Amanda disse no meu ouvido e me deu um beijo no rosto. Eu sorri para ela e olhei pra Priscila.

- Vamos.

Nós fomos o caminho todo, que não era longe, praticamente em silêncio. Priscila falava poucas vezes também, talvez por medo de irritar alguém.

Quando chegamos na sua casa, sua mãe nos esperava alegremente, quando viu nossas caras desanimou.

- Minhas queridas, aconteceu alguma coisa? – ela perguntou preocupada

- Não tia, tá tudo bem! – eu disse tentando o meu melhor sorriso e indo abraçá-la

- Tem certeza?

- Sim.

- E você, Amandinha? – ela perguntou olhando pra Amanda que se encontrava atrás de mim

- É, eu to bem também! – ela fez o mesmo que eu e depois de todos cumprimentados, fomos almoçar.

Assim que terminamos de almoçar e de ajudar a tia Lúcia com a louça, subimos pro quarto da Pri, a nossa intimidade já é tanta que eu já entrei deitando na cama.

- Chega pra lá, folgada! – ela disse deitando do meu lado. – Deita aqui com a gente, Amanda!- Priscila chamou batendo no meio de nós duas

- Mas...

- Vem logo, menina! – ela disse de novo

Eu me coloquei de lado pra aumentar o espaço, mesmo a cama da Pri sendo de casal. Eu senti mais alguém na cama, mas eu continuei virada.

- Amanda? – Priscila chamou

- Eu.

- O que o Pedro te falou? – Priscila não conseguia conter a curiosidade

- Que gostava de mim.

- Tá, só isso? – Priscila insistiu

- Ele disse que não sabia qual era a minha posição quanto a isso, mas que estava disposto a me conquistar.

- E o que você disse? –eu perguntei me virando e vi que ela encarava o teto de barriga pra cima.

- É... que era melhor ele não fazer isso, porque não queria machucá-lo.

- Quando eu fui vê-lo, ele parecia bem pra baixo.

- Priscila! – eu repreendi

- Desculpa, saiu!

- Não, Dani, tudo bem, eu sei que ele tava triste. Se eu estou...

- Amanda, se você não gostasse da Daniela, você ficaria com ele? – Priscila perguntou nos deixando sem graça, eu apenas olhei pra Amanda que sorriu tipo: “Ela não toma jeito!”

- Não sei, Pri. – Amanda disse ainda sem graça

- Ai gente, quero comer brigadeiro! – Priscila falou pulando da cama

- Ótima idéia! Quer ajuda? – eu perguntei

- Não, não precisa. Eu sou melhor sozinha. – ela disse saindo do quarto e me deixando sozinha com a Amanda, eu me perguntei se ela tinha noção do quão desconfortável era aquela situação.

Eu olhei pra Amanda que quando sentiu meus olhos, ficou de lado me olhando.

- Você é linda, sabia?! – ela disse sorrindo e começando a fazer carinho no meu cabelo

- Você é bem mais! – eu disse de repente, e me assustei, não que não fosse verdade, mas saiu sem querer. Ela sorriu mais ainda ao ouvir isso.

- Acho isso praticamente impossível! – ela disse arrancando uma risada minha

A Amanda quando queria tinha uma ousadia louca, eu comprovei isso quando ela começou a cantar suavemente olhando dentro dos meus olhos.

\"Quis evitar teus olhos
Mas não pude reagir
Fico à vontade então
Acho que é bobagem
A mania de fingir
Negando a intenção

E quando um certo alguém
Cruzou o teu caminho
E te mudou a direção

E quando um certo alguém
Desperta o sentimento
É melhor não resistir
E se entregar... \"

“Meu Deus, a Amanda canta beeem! Que voz linda!” eu pensei enquanto sorria a cada palavra que ela colocava pra fora. Quando ela parou de cantar, sorriu timidamente.

- Não sabia que você cantava.

- Bom, acho que tem muita coisa sobre mim que você não sabe. – ela disse chegando mais perto

- Ah, é?! – eu perguntei congelando com a aproximação, ela apenas concordou com a cabeça. Quando tava pertinho de mim ela parou de novo e me olhou mais um pouco.

- Eu adoraria cantar pra você qualquer dia, decentemente, claro! – ela disse rindo baixinho

- Melhor que isso, praticamente impossível! – eu disse imitando sua frase, o que a fez rir.

- Sabia que eu simplesmente adoro sua boca? – ela disse me deixando super sem graça, mais ainda eu fiquei quando ela contornou meus lábios com o dedo.

- A-a-acho que sim! – eu diss gaguejando um pouco

- Eu digo de novo. Eu adoro essa boquinha linda! – ela disse ainda com os dedos nos meus lábios.

- E o que têm de mais neles? – eu perguntei franzindo a testa

- Bom... – ela disse sorrindo – Eles são vermelhinhos naturalmente, seus lábios são finos, mas muito bem desenhados, parece até boca de boneca, sua boca não é muito grande, mas ao mesmo tempo é super convidativa e pra completar super macia.

- Meu Deus! Quantos detalhes. – eu disse mais sem graça do que antes. É estranho saber que ela reparava assim nos detalhes.

- Te deixei sem graça? – ela perguntou rindo

- Sim. – eu disse revirando os olhos.

- Não foi minha intenção. Me diz uma coisa?

- Fala. – eu disse curiosa

- Será que eu tenho alguma chance de provar desses lábios? – ela disse totalmente corajosa, sem sinal de timidez, eu acho que fiquei sem graça por mim e por ela. Mas era impossível falar alguma coisa com ela me olhando com essa cara de cachorro sem dono, quando eu ia responder, Priscila voltou, automaticamente nos afastamos, enquanto ela pedia espaço e dessa vez sentava no nosso meio.

- Vamos comer e ver alguma coisa que preste! – ela disse enquanto ligava a televisão sem dar sinal de ter percebido alguma coisa. Eu fiquei meio perdida em pensamentos e confusa pelo que tinha acontecido ali, e algo me dizia que eu não era a única pensativa no quarto.

Notas finais
Beijos e desculpem pela demora.