Apenas mais Uma de Amor
5 Capítulo 5
Quando despertei da minha viagem, o sinal já tinha tocado para a volta dos alunos pras salas. A professora de matemática subiu pouco tempo depois do sinal e Priscila e Pedro logo em seguida da professora, eles olharam pra sala me procurando e quando me viram vieram pra perto
- Por quê você subiu? — priscila perguntou
- Por quê vocês me deixaram sozinha com a Camila? — eu perguntei também levantando as sobrancelhas
- Ah, porque parecia que ela queria ficar a sós com você! — Pedro respondeu por Priscila que só confirmava com a cabeça
- E eu parecia querer ficar a sós com ela? — eu perguntei
- Vamos sentar, gente! — a professora falou quando ele ia responder, então eles logo sentaram onde nós estávamos antes. — Aqui é a turma 3001, né?! — a professora perguntou recebendo um sim coletivo como resposta.
- Então turma, nós vamos fazer um trabalho rápido, em dupla! E as duplas podem começar a se dividir agora mesmo, enquanto eu vou lá embaixo pegar os trabalhos que deixei na xerox! — ela anunciou e foi saindo de sala.
Eu olhei e o Pedro e Priscila me olhavam apontando pra menina nova, então eu levantei da mesa e fui até ela.
-Ei, posso fazer com você? — eu perguntei meio sem graça de chegar assim na garota mesmo que fosse só pra fazer trabalho
- Claro! — ela respondeu sorrindo, ela parecia estar sendo sincera
- Perai que eu vou pegar uma caneta. — eu disse indo até minha mesa
Quando voltei um garoto tinha sentado do lado dela e ela apontava pra mim e consegui escutar quando ela disse: \"Já tenho dupla\". O garoto não parecia conformado e continuou insistindo, então eu me aproximei e falei:
- Olha, se você quiser fazer com ele, tudo bem. — eu disse com uma vez calma, eu apenas olhava pra ela, mesmo sabendo que ele me olhava também. Ela ficou me olhando e finalmente disse:
- Mas eu falei que ia fazer com você... — ela disse e depois virando pra ele. — Quem sabe da próxima vez?!- ela disse com um sorriso simpático, mas deixando entrelinhas que não teria próxima vez. Eu não pude me conter de pressionar meus lábios pra não rir da cara dele quando levantou e foi pro seu lugar.
- Sério, você não precisava ter tirado ele daqui, eu poderia fazer com outra pessoa. — eu comecei
- Não, tá tudo bem! Eu não queria fazer com ele mesmo.
- Então, eu fui só uma desculpa? — eu perguntei irônica
- Mais ou menos. Eu já ia te chamar mesmo. — ela disse sorrindo
- E aí, todos já formaram duplas? — a professora já entrou perguntando.
- SIIIM! — um coro de vozes repondeu
-Então, vamos começar. — Ela distribuiu uma folha pra cada dupla, a matéria era fácil e a Amanda também sacava de matemática, então foi fácil, terminamos em 15 minutos, já que tinha que passar pra caneta e fazer muita conta. Eu levantei e entreguei a professora.
- Vocês podem descer! Mas quando o sinal tocar pro outro tempo vocês sobem.
- Pode descer. — disse baixo pra Amanda.
- Ah, beleza então. — ela disse levantando
Eu saí da sala e a Amanda logo saiu também. Descesmos as escadas juntas, mas sem conversar. Cheguei no pátio e vejo quem? Sim, a Camila! Assim que eu desci ela me olhou, me olhou e virou o rosto, devia estar com raiva por causa da hora do intervalo. Eu sentei em um dos bancos do pátio e a Amanda sentou comigo. Eu percebi que quando ela sentou do meu lado, a Camila ficou olhando.
- Você tem quantos anos? — a Amanda me perguntou me tirando dos meus pensamentos
- 17 e você? — eu perguntei também
- 18. E... — ela ia perguntar alguma coisa quando ela viu algo atrás de mim, me fazendo virar pra olhar, a Camila tava vindo, toda séria, eu estava pronta pra dar um fora nela, quando ela disse com um tom de voz doce, mas apressado:
- Posso falar com você? — ela disse me olhando e depois olhando pra Amanda
- Agora? — eu perguntei
- Sim, agora. — ela respondeu
Então, me virei pra Amanda e disse
- Licença. Já volto.
- Tá bom. — ela confirmou com a cabeça.
Eu acompanhei a Camila até perto da quadra, onde tinha apenas um casal e um grupo de amigos conversando. Ela virou pra mim, séria e calma.
- Quem é aquela menina? — ela me perguntou me fazendo ficar de boca aberta.
- Como assim? Ô, Camila, você realmente acha que tem alguma coisa com a minha vida?
- Calma, Daniela! — ela disse ainda calma, mesmo eu teno perguntando grosseiramente. — Eu só quero saber, porque eu quero te dizer uma coisa. Ela alguma coisa sua?
- Não. — eu disse secamente.
- Olha, eu não queroa ficar com a \"fama\" da garota chata que vive correndo atrás de você, que você apenas quer evitar e que fez de tudo pra acabar com seu namoro.
- Ah, não?! — eu perguntei sarcástica.
- Não.
- Então... ? — eu deixei ela completar
- Eu quero que você saiba que eu realmente gosto de você. E não quero dizer isso da boca pra fora, mas de verdade. Gosto mesmo. Eu nunca me dispus a namorar alguém, mas eu sei que namoraria fácil você. Desde que eu conversei com você pela primeira vez eu fiquei a fim de você, mas tinha a Bruna, e teve uma hora que pra mim realmente não importava a Bruna, eu só queria saber de conquistar você, foi quando eu caí na besteira de tentar te beijar, eu sei que foi errado, mas não me arrependo porque foi o que eu quis fazer, eu peço desculpas por isso ter te magoado, mas eu sei que se eu não fizesse aquilo naquele momento eu não me perdoaria depois. A Bruna me detesta, isso eu sei também, e esse foi um dos motivos pelo qual você se afastou de mim, e não vou ser hipócrita de dizer que gosto dela, porque você sabe que não e até certo ponto não discordo com ela, se eu tivesse uma namorada e outra garota tentasse tirar ela de mim, eu viraria o bicho, mas eu não pensei em nada disso e não penso até hoje. Eu só penso que eu quero que você me dê uma chance de provar que eu sou capaz sim de fazer você feliz. — As palavras fluíam da boca dela e eu podia ver a sinceridade nelas, cada palavra me tocou profundamente, eu não sabia nem o que falar.
- Camila... — eu tentava arranjar palavras certas pra falar. — Eu não quero machucar você, eu nunca quis isso, talvez seja por isso que eu sempre evitei tanto essa conversa.
- Eu não tenho medo de me machucar. Eu quero correr o risco. — ela afirmava segura de suas palavras
- Mas eu não. Você não faz idéia do quanto seria difícil pra mim te ver sofrer.
- O que te faz pensar que eu sofreria? Você nunca pensou que eu sou capaz de fazer você feliz?
- Na verdade, não. Não duvido que você seja capaz de fazer alguém feliz, só acho que você escolheu a pessoa errada pra tentar isso.
- Como você tem tanta certeza, Daniela? Você nunca, NUNCA me deu uma chance!
- Camila... — eu tentava argumentar, mas ela era forte
- Não, Daniela, não. No fundo você sabe que eu estou certa. Agora que não tem mais a Bruna o que te impede?
- Eu ainda gosto da Bruna. — eu disse encarando seu olhos, eu sabia que essas palavras a machucariam, mas eu tinha que ser sincera
- Eu posso fazer você esquecê-la. — ela disse com uma voz firme
- Não é assim.
- Então, é como? Você diz que tem medo de me machucar, mas fazer isso me machuca também.
- Acredite, nada comparado a dor de perder alguém que a gente gosta.
- Deixa eu ter certeza disso. Eu quero aprender.
- Mas eu não quero te ensinar. Não quero ser eu a te machucar.
- Você não gosta nem um pouco de mim? — ela perguntava triste
- É claro que eu gosto de você. Mas não desse jeito.
- Um beijo? Um beijo e você me diz se não sentiu nada.
Dessa vez ela me fez dar uma gargalhada
- Como assim? Agora é tudo ou nada? — eu perguntei sorrindo
- Pode chamar como quiser. — Nessa hora eu percebi que estávamos sozinhas e que todos haviam saído dali. Ela se aproximou de mim, colocando a mão na minha cintura e uma no meu queixo me fazendo olhá-la, que eu abaixei quando ela se aproximou, eu a olhei nos olhos e eles eram doces e gentis, ela estava me mostrando um lado dela que nunca havia conhecido, ela gentilmente colocou meu cabelo pra trás da orelha e colou seu corpo no meu, ela levou sua boca até meu ouvido e disse:
- É sério, Daniela. Eu gosto de você. — quando ela disse isso, eu sorri, e percebi que eu queria beijá-la também. Quando sua boca colou na minha eu já a estava esperando, sua língua quente e doce \"navegava\" na minha boca, ela me puxava com as duas mãos pela cintura contra ela com vontade e eu segurava em seus braços com a mesma vontade, ela parecia disposta a provar qualquer coisa pra mim, ela agora beijava meu pescoço, me fazendo arrepiar, quando sua boca encontrou a minha de novo, ela deu uma mordida de leve no meu lábio e me beijando de novo. A Camila realmente beijava bem, tanto que eu fiquei sem fôlego e tive que me afastar dos seus lábios mas antes, eu segurei seu rosto com as minhas mãos e dei um beijo delicado em sua boca e quando me afastei estava ofegante.
Ela estava sorrindo pra mim, mas não me soltou, apenas repousava suas mãos na minha cintura.
- Doeu? — ela perguntou irônica
- Bastante. — eu disse rindo também
- Ah, fala sério! Você gostou, que eu sei.
- Eu disse que não? — essa pergunta a fez sorrir — Mas..
- Sabia, tava bom demais pra ser verdade! — ela disse bufando, me soltando e se apoiando na parede. — O que foi?
- Eu terminei ontem com a Bruna e eu me sinto horrível ficando com você já hoje. Tá muuuuito recente!
- Você quer um tempo, é isso? — ela perguntava esperançosa
- Eu não sei se estou pronta pra isso agora. Não sei nem se a gente devia ter ficado agora.
- Deixa de ser chata, Daniela. Vem cá! — ela disse me puxando pela cintura e me beijando. — Eu não parei, não tinha por quê parar, mas eu sabia que fazendo isso estaria machucando-a mais ainda.
- Ei.. — eu disse me soltando do beijo. — Eu tenho que ir pra sala, a professora só liberou esse tempo!
- Depois você vai! — ela disse me dando um selinho
- Já quer me levar pro mal caminho?
- Eu sempre quis te levar pro mal caminho. — ela disse rindo, me fazendo dar um tapa de leve no seu braço
- É sério, eu tenho que ir! A gente se vê depois.
- Tá, tá bom então.. até. — ela disse me dando um beijo na bochecha. — Boa aula pra você.
- Obrigada! — eu agradeci enquanto virava pra voltar pra sala.
Na minha cabeça só ecoava as consequências do meu ato. Eu também pensava no que a Bruna acharia disso e pra falar a verdade, me arrepiei quando pensei
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