Apenas mais Uma de Amor
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Desculpa a demora.
- É... antes de contar, promete que vai escutar até o final? – eu comecei e dentro de mim teve um leve arrependimento por querer contar o que aconteceu.
- Tô começando a achar que não vou gostar... – ela disse revirando os olhos
- Promete? – eu insisti, ela pensou um pouco e respondeu
- Sim.
- Tudo bem, então... Bom, hoje quando eu cheguei ao colégio de manhã, não tinha ninguém, quero dizer, ninguém do meu grupo de amizade, logo depois a Amanda chegou, conversamos e não demorou muito Pedro e Priscila chegaram também. De repente a Amanda me chamou para ir ao banheiro com ela – eu parei de relatar e estudei sua expressão, era apenas concentração e quando percebeu meu silêncio, ergueu as sobrancelhas em sinal de espera – quando chegamos ao banheiro, ela ficou se arrumando e depois veio pra cima de mim, me encostou na parede – nesse momento ela já tava arregalando os olhos – e...
- Mas você disse que você não ficou com ela! – ela disse me olhando com decepção
- E não fiquei mesmo! Posso terminar? – ela não respondeu e eu considerei um sim. – Ela disse que era difícil resistir à mim, mas que tinha falado que não ia me agarrar e não ia fazer isso! Ela não me beijou! E claro que eu não a beijei.
- Ah, sim, porque ela fez muito pouco, né?! – ela ironizou
- Eu achei melhor te contar, porque mesmo não tendo acontecido nada, me sentiria mal escondendo isso de você e eu não gosto de segredos! – eu disse explicando
- Não tendo acontecido nada? Como assim? A louca te coloca na parede e isso não é nada?! – ela disse com o tom de voz controlado
- Não foi isso que eu quis dizer, eu to querendo dizer que não houve envolvimento da minha parte!
- Mexeu com você? – ela perguntou me olhando fixamente
- O quê? – eu perguntei me fazendo de desentendida, ela olhou pro lado, pensou e virou para mim de novo.
- Daniela, você lembra o que eu te disse quando eu fui à sua casa um dia depois de você ter terminado comigo? – ela perguntou com uma voz calma e suave. Eu estava estranhando a Bruna tão calma depois do que eu contei, mas até preferi porque assim eu consigo conversar com ela com calma.
- Qual parte? – eu perguntei buscando na minha memória
- Quando eu falei do meu ciúme...
- Lembro... você disse que seu ciúmes de certa forma atrapalhava nossa relação e que mesmo sendo difícil você ia tentar se controlar mais! Foi isso, né?!
- Sim. Por isso eu to tentando me acalmar nesse momento, você não sabe o quão irritada eu estou, mas eu não vou brigar, nem gritar, mas eu quero ficar sozinha agora, eu preciso pensar.
- Pensar? Pensar sobre o quê? – eu perguntei engolindo seco
- Em algumas coisas. Eu não quero falar nada que eu possa me arrepender depois, então é melhor eu ir embora!
- Mas assim? Sem resolver nada?
- Eu prometo que depois te ligo pra gente se encontrar e conversar melhor, mas agora eu quero ficar sozinha. – ela repetiu
- Tudo bem. – eu disse respirando fundo – Se é isso que você quer. – eu me aproximei e dei um beijo no seu rosto, peguei minha mochila e saí do carro.
Quando eu cheguei em casa fui direto tomar banho e enquanto a água escorria era impossível controlar as lágrimas que insistiam em cair. “Será que fiz bem ao contar pra Bruna?” “O que ela quer pensar?”
Odeio ficar assim, ansiosa, e pior é que eu também tava confusa, ótima combinação: Ansiosa e Confusa!
Quando eu saí do banho escutei meu celular tocar e comecei a procurá-lo desesperadamente. Tava com tanta pressa que nem olhei, só fiz atender e pronto.
- Alô? Oi!
- Sou eu de novo, Dani! – Priscila disse
- Ah, oi. – eu disse totalmente desanimada
- Nossa! O que houve? Alguém morreu?
- Não. – eu continuava com o mesmo tom e fui pro meu quarto colocar uma roupa enquanto deixava o celular na cama com o viva-voz ligado.
- Daniela, eu conheço você! Me fala!
- Tem alguém com você aí?
- Éé... sim! – ela disse tentando disfarçar
- A Amanda?
- Nossa, exatamente! – ela disse ainda tentando disfarçar e se fosse em outra ocasião eu poderia até estar rindo dela.
- Tem como você vir pra cá? Dorme aqui em casa! – eu pedi
- Mas agora? Eu tenho que falar com a minha mãe.
- Tudo bem, então... – eu disse sentando na cama
- Tá, eu vou resolver isso! Já já te ligo! Beijos.
- Ok! – eu disse um pouco mais animada e ela nem esperou, já foi logo desligando.
Eu deitei na minha cama e não demorou muito pro meu celular tocar de novo. Dessa vez eu vi o número do celular da Priscila e atendi.
- Resolveu? – eu perguntei me apoiando no braço
- Sim. Tô indo! Daqui a pouco chego aí, tá?!
- Tá bom então! – eu disse agora melhor. É ótimo ter a Priscila pra conversar.
- Beijos.
- Beijos.
A Priscila não demorou muito pra chegar e assim que chegou, viu meus olhos inchados de chorar.
- Dani! Tá pior do que eu pensava! O que aconteceu? – ela perguntou me abraçando
- Eu contei pra Bruna!
- Contou o quê?
- Sobre a Amanda!
- Sério? Nossa, ela deve ter ficado uma fera, né?!
- Ela ficou chateada, mas não brigou comigo, não gritou, apenas disse que queria ficar sozinha pra pensar.
- Pensar no quê? – ela perguntou me puxando pela mão e me sentando no sofá
- Também não sei! Eu não sei nem o que pensar! – eu disse deixando mais lágrimas escorrerem pelo meu rosto
- Ah, Dani, calma! Você sabe que a Bruna é assim, daqui a pouco ela te liga e vocês resolvem tudo.
- Não, Pri, tem alguma coisa diferente! Eu sinto isso!
- Como assim? – ela perguntou passando o dedo no meu rosto e limpando as minhas lágrimas
- Eu não sei! Eu não consigo explicar!
- Ela disse pelo menos se vai ligar?
- Sim, disse que ligaria.
- Então, Dani, não fica assim. Ela vai ligar! – ela disse em tom confortante
Eu adorava quando a Priscila ficava comigo conversando, por um momento eu esquecia as coisas que me machucavam. Nós ficamos lanchando, jogando conversa fora, assistindo TV e nem percebemos o tempo passar, até que escutamos o barulho de alguém colocando a chave na fechadura, eu não me assustei em nada, pois já suspeitava que fosse minha mãe, só me espantei do tempo que ficamos conversando, enfim, quando escutamos esse barulho, Priscila agarrou no meu braço e de repente senti quando suas unhas cravaram no meu braço, ela escondeu a cabeça no meu ombro e começou a falar umas coisas sem sentido.
- Aaaí, meu braço! – eu disse ainda sentindo a unhas
- Ué, você ainda está acordada? Priscila? – minha mãe entrou toda confusa, e a Priscila? Bom, quando escutou a voz da minha mãe foi tirando o rosto de devagar do meu ombro, e quando ela realmente teve certeza de quem era se soltou.
- Desculpa. – ela sussurrou só pra mim
- Isso vai deixar marca! – eu disse repreendendo- a
- O que houve? – minha perguntou confusa
- A Priscila que viu filme de terror de mais e se assustou quando escutou o barulho da chave! Ainda fez o favor de cravar essas unhas de gato no meu braço!
- Sua filha é um pouco dramática, tia! Ah, aliás, boa noite! – ela disse sorrindo e se levantando pra falar com a minha mãe
- Eu sei que é! Boa noite! É melhor não querer abraçar alguém que acabou de chegar do hospital! – disse rindo
- É verdade, né?! – Priscila disse se afastando de brincadeira
- Vai “jantar”, mãe?
- Não filha, eu comi no hospital! Só vou tomar um banho! – ela disse jogando um beijo pra mim. – Priscila, depois a tia vem conversar melhor com você, aliás, você sumiu!
- Tá bom, tia! – Priscila disse voltando a sentar do meu lado no sofá
Assim que a minha mãe entrou, ela já foi falando:
- Daniela, há quanto eu não venho aqui?
- Como assim? – eu perguntei ainda olhando pra televisão
- Eu não vejo sua mãe tem um tempão, falando nisso, ela me parece abatida!
- É, eu sei, trabalhando muito! Mas eu já conversei com ela e ela me disse que falaria com o chefe!
- É, vai ser bom! – eu tava super concentrada em um filme quando a Priscila pulou do meu lado. – Nossa, já viu que horas são?
- Não. Mas sei que é tarde, senão minha mãe não teria chegado!
- Daniela, são 2:00.
- Nossa, tããão tarde! – eu disse sarcástica
- Pra mim, é tarde! Eu não durmo essa hora, por isso que eu to morrendo de sono! Você sempre dorme essa hora?
- Não. Mas eu também não durmo cedo.
- Amanhã tem aula!
- Eu sei.
- Eu vou dormir! – ela disse e minha mãe saiu do banheiro já de pijama
- Vocês não têm aula amanhã?
- Era exatamente o que eu estava falando pra Dani!
- Deixaremos nosso papo pra outro dia, então Pri! – minha mãe disse
- Sim tia, prometo aparecer aqui quando a senhora estiver!
- Tá bom, então! Vou esperar!
- Boa noite, tia! – Priscila disse levantando do sofá, deu um beijo no rosto da minha mãe e virou pra mim. – Você não vem?
- Assim que acabar esse filme! – eu disse apontando pra tela
- Não mesmo! Você vem agora! – ela disse pegando o controle e desligando a televisão, eu levei um susto por estar prestando atenção
- Mas como assim? Por que você fez isso? – eu perguntei indignada e elas já riam
- Porque HOJE você tem aula! – minha mãe disse
- Mas esse filme tava muito bom! – eu tentei argumentar
- Depois você vê, esses canais pagos estão sempre repetindo os filmes! Vamos! – ela disse apontando pra porta do meu quarto, eu bufei e levantei.
- Boa noite, mãe! – dei um abraço e fui pro meu quarto
- Boa noite, filha!
- Se eu apanhar, você vai ver! – Priscila disse deitando no meu lado na minha cama de casal
- Se você apanhar, acredite, vai ser de propósito! – eu disse virando pro outro lado
- Eu vou revidar! – ela disse em tom ameaçador
- Boa noite, Priscila!
- Nojenta! – e tudo ficou silencioso. E com a luz apagada, ficava um breu.
Eu peguei no sono rápido e devo ter tido um pesadelo, porque fui a primeira acordar, assustada e toda molhada de suor. Levantei rápido e olhei pro lado e vi que a minha amiga ainda estava ali. Fui à procura do meu celular pra ver a hora, abri a porta do quarto tentando fazer o menor barulho possível e o achei em cima da mesa da sala.
“Nossa, pra quem foi dormir às duas e pouco da manhã, acordar às 5:00 e ainda sem despertador é um milagre!”
E o mais estranho é que eu tava sem sono, devo ter tido um pesadelo mesmo! Já que eu não vou dormir mais, vou escovar meus dentes e tomar banho, e assim o fiz. Peguei minha toalha e fui tomar banho e escovar os dentes, quando voltei pro quarto a Priscila parecia um defunto, nem se mexia, não dava um sinal de vida, se eu não estivesse vendo o seu ritmo de respiração, podia jurar que estava mesmo morta.
Arrumei-me, até demorei já que estava bem adiantada, quando eu estava colocando o tênis me assustei com a música que invadiu o quarto. Eu olhei pro lado e vi que era o celular da Priscila que tava tocando “Tik Tok – Ke$ha” , pra despertar. Eu ri e deixei de propósito ele tocar. Até que não demorou muito e ela começou a se mexer e acho que tava meio sonâmbula, porque ela começou a tatear o celular, quando o sentiu deu um pulo.
- Tô atrasada! – ela disse me olhando já de pé
- Não tá... – eu comecei a falar e ela me interrompeu
- Então, por que você já tá pronta? – perguntou me olhando da cabeça aos pés
- Estou QUASE pronta e respondendo sua pergunta, acordei cedo demais! – ela ficou em silêncio e eu completei – você acordando é hilário! Tinha me esquecido o quão engraçado é! – eu disse rindo
- Bom dia pra você também! – ela disse rindo
- Vai logo tomar banho, senão daqui a pouco você realmente vai estar atrasada!
- Tá tá! Vai ter que me emprestar tudo!
- É, eu já imaginava! – quando terminei de emprestar tudo, fui pra cozinha comer alguma coisa, não demorou muito pra minha mãe aparecer
- Qual a alma que vai se salvar do purgatório hoje? – ela perguntou pegando um biscoito e debochando de mim
- Bom dia, mãe!
- Bom dia, filha! Teve insônia?
- Mais ou menos!
- Cadê a Pri?
- Tomando banho!
- É, vou começar a pegar minha roupa! Daqui a pouco eu venho pra tomar café!
A Priscila depois apareceu e foi tomar café, enquanto eu terminava de me arrumar, eu fui a primeira a terminar, claro e fiquei esperando as duas.
- Vamos? – minha mãe perguntou
- Sim. – eu disse levantando do sofá
- Pronto! – Priscila disse saindo do quarto
- Então, vamos!
Saímos de casa e a minha mãe se lembrou de um assunto que eu tentava evitar
- E aí, filha, como foi com a mãe da Bruna?
- Hum... acho que foi legal! – eu disse sem muito ânimo
- É verdade! Você se esqueceu me contar! – Priscila que estava atrás, disse chegando e ficando apoiada entre meu banco e o da minha mãe.
- Não tem muito que contar! – eu disse tentando despistar
- Claro que tem! Conta pra gente!
- Bom, acho que ela gostou de mim, mas ela me pareceu gostar até demais e depois ficou falando da viagem da Bruna, mas ela foi legal comigo!
- Como assim pareceu gostar demais? – minha mãe perguntou
- Ah, ela foi simpática demais!
- E qual o problema nisso? Eu não fui antipática com a Bruna também quando a conheci!
- É, isso é verdade!
- Eu fui antipática? – ela perguntou me olhando rápido e eu ri dela
- Não, mãe, não foi!
- Então pronto!
- Mas o que mais, Dani? – Priscila perguntou e por sorte chegamos no colégio
- Depois falamos mais sobre isso, vamos entrar! Beijos, mãe! Bom Trabalho! – eu disse beijando minha mãe
- Tchau, tia! Obrigada! – Priscila fez o mesmo
- Tchau! Vejo vocês depois!
Assim que chegamos, vimos a Amanda na porta de entrada conversando com o garoto de ontem, o tal de Carlos, quando ela nos viu parou de falar.
- Bom dia! – Priscila disse cumprimentando-os
- Bom dia! – eu disse sem tanta animação
- Ei, meninas! Tudo beleza? – ele disse dando beijo na gente
- Oi Pri! Oi Dani! – Amanda disse debochada
- Bom, a gente vai entrar, né Dani?! – Priscila perguntou e eu pensei na mesma hora “COM CERTEZA!”
- Vamos sim! A gente se vê!
Quando entramos no colégio procuramos um lugar pra sentar e eu achei o Pedro que estava conversando com uns amigos.
- Oi meninas! – ele disse sem muita animação
- Oi Pê! — eu disse
- Oi Pedro! – Priscila
Os meninos que conversavam com ele nos cumprimentaram também, e um deles ficou me encarando, mas eu nem dei bola, e o Pedro veio pra perto de mim e falou no meu ouvido
- Já viu com quem a Amanda tava conversando? – ele parecia irritado
- Sim. O novo amigo dela!
- Eu não to gostando desse cara! – ele disse olhando pra trás de mim e olhei também, quando me virei dei de cara com a Amanda e o Carlos, ela me olhou rápido e mais uma vez veio a cara de deboche, eu só levantei uma sobrancelha e voltei a olhar pro Pedro.
- Estão se dando bem! – só depois que eu disse isso me toquei
- Você acha? – ele perguntou todo preocupado agora
- Não... quero dizer... eu falei que... ah, Pedro eu só falei que eles estão conversando! – nem eu entendi minha resposta no meio dos gaguejos
- Eu vou falar com ela o mais rápido possível! – ele disse coçando a cabeça em sinal de nervosismo
- Falar o quê?
- Ora, Daniela, que eu to a fim dela! – ele disse falando mais baixo
- Ah tá! Boa sorte! – eu disse piscando e dizendo no mesmo tom
- Valeu! – e assim o sinal bateu pra subirmos
Quando chegamos na sala, o Pedro sentou no meu lugar de novo e eu sentei do lado da Priscila.
Não demorou muito pra Amanda aparecer na sala com um sorriso de deboche, que foi desfeito quando viu que eu estava do lado da Priscila. Ela veio andando, olhou de novo e falou uma coisa que eu não esperava
- Pedro, você pode trocar de lugar com a Daniela? É porque eu tenho que contar umas coisas pra ela! – ela disse e eu fiquei sem graça pelo Pedro, a Priscila apenas observou e o Pedro ficou sem graça, mas não se recusou, eu fiquei tão “sem graça” que nem percebi que ele estava em pé do meu lado esperando eu levantar, eu apenas levantei, sem dizer nada e me sentei do lado da Amanda, que assim que eu sentei abriu um sorriso
- Eu tenho uma coisa pra você! – ela disse no meu ouvido, me arrepiando
- Hum... – eu disse tentando fazer indiferença e tentando disfarçar, senão o Pedro podia perceber alguma coisa
- Perai... – ela disse abrindo a mochila e tirando um papel. – Não é nada demais, é só que quando eu escuto essa música, eu penso em você! – ela disse sorrindo sem graça e me entregando um papelzinho, eu fiquei com o papel na mão um tempo, me perguntando se realmente devia abrir, ela ficou esperando e quando falou de novo parecia triste: — Não vai abrir?
- É... vou sim! – disse já abrindo o papel no meu colo, pra ninguém ver.
Bilhete:
Saí de casa à procura de ilusões
Coincidências e confirmações
Alguém com seu nome, alguma lembrança
Alguma palavra, aquelas canções
O mundo assim parece tão pequeno
E eu continuo tendo visões
Depois que nos encontramos
Eu esqueço todo tempo que fiquei sem te ver
Fora tanto que eu me perco
Fora tudo mais que eu penso
Eu só penso em você
Só penso em você
Eu só penso em você
Só penso em você
Só penso em você
Só penso...
Fiquei em casa à espera de nada
Nenhuma visita, nenhuma chamada
Ninguém com seu nome, nem sua feição
Nenhuma esperança, nenhuma canção
O mundo assim parece tão imenso
E eu continuo vivendo em vão.
PS: Eu só penso em você, minha lindinha!
Eu confesso que um sorriso se formou no meu rosto, confesso que foi lindo, a música, a letra dela, e até o PS no final. Ela viu minha reação e pareceu ter gostado mais do que eu.
- Gostou? – ela perguntou sorrindo. Quando eu ia responder a Priscila e o Pedro viraram
- Gostou do quê? – Priscila perguntou. Nós ficamos sem reação, mas a Amanda pensou mais rápido
- Da minha unha! – ela disse mostrando a mão pra eles
- Nossa tá lindo! – Priscila disse pegando a mão dela, Amanda me deu uma olhada rápida e piscou.
A aula passou tranquilamente, os professores passaram revisão pras provas e tiraram dúvidas.
O intervalo chegou e a gente desceu.
Chegando lá embaixo...
- Oi Amandinha! – um menino atrás da gente falou, mas eu nem reconheci a voz e só me virei quando a Amanda respondeu
- Oi Carlinhos! – Nossa, mas quanta intimidade! Eu pensei e olhei pro Pedro que pela cara pensava a mesma coisa.
- Posso acompanhar vocês hoje? – ele perguntou olhando pra todos nós. Eu e Pedro trocamos um olhar rápido, mas deu pra ver no olhar dele que não, então resolvi ajudá-lo.
- Pode sim! Mas eu vou deixar vocês 3 aqui, porque eu preciso muuuito falar com o Pedro sobre a matéria de matemática que ele tá fera, sabe como é, amigo é pra essas coisas! – eu disse forçando um sorriso. – Vamos Pê?
- Vamos! – ele disse sério e saímos sem nem olhar pra eles
- Você precisa pelo menos disfarçar! – eu disse enquanto íamos em direção à quadra
- Eu sei! Mas eu não consigo! E sinceramente, Dani, já nem sei que eu disfarçar.
- Ai, Pedro, se é pra falar, fala de uma vez! – eu disse e ele parou pra me olhar
- Você acha? – “Droga! Mandá-lo fazer uma coisa que só vai machucá-lo é maldade! O que eu posso fazer?”
- Quero dizer, eu não sei, eu nunca me vi numa situação dessas!
- Mas se estivesse o que faria? – ele perguntou voltando a andar. Eu poderia beijar os pés de quem apareceu na hora e colocou a mão no meu ombro, atrapalhando a pergunta dele
- Oi Daniela! – Raquel me cumprimentou quando eu virei
- Eiii, você! – eu disse sorrindo
- Sim, eu!
- Como você tá? – eu perguntei e apontei pro seu rosto
- Bem melhor! Mas confesso que levei um susto! – ela disse sorrindo de lado e eu sorri de volta
- Fico feliz, então! Mas sim, você deu um baita susto, não só em mim, como nele também! – eu disse apontando pro Pedro que tava do meu lado só escutando
- Ah, olá! – ela disse pra ele
- Oi! Pedro. – ele disse estendendo a mão
- Raquel. – ela retribuiu o gesto apertando as mãos
- Quer ficar com a gente? – eu perguntei. Seria uma ótima oportunidade pro Pedro não tocar mais no assunto.
- Hum... claro! Deixa eu só falar com o pessoal ali.
- Tá bom! – e ela foi, mas não demorou nem 1 minuto e já voltou.
- Prontinho! Vocês estavam indo pra quadra?
- Sim. Vamos?
- Vamos sim.
Nós ficamos conversando durante todo o intervalo e o Pedro começou a participar dos assuntos, começou a interagir mesmo e eu fiquei feliz com isso. O sinal bateu e resolvemos voltar pra sala.
- Bom, acho que a gente vai pra nossa sala! – eu disse sorrindo
- Então, eu acho que eu vou pro mesmo lugar que vocês! – ela disse revirando os olhos e eu me lembrei que ela era da nossa sala
- É verdade! Nossa, mas eu sempre esqueço! – eu disse sem graça
- Tudo bem... vamos? – ela perguntou olhando pra nós dois
- Sim! – Pedro respondeu
Nós três entramos na sala rindo de uma coisa que a Raquel tinha falado e demos de cara com a Amanda e Priscila nos olhando. O olhar da Priscila era de curiosidade e o da Amanda era um pouco misterioso.
- Quer sentar com a gente? – eu perguntei só pra Raquel
- Bom, é que eu sempre sento ali com as minhas amigas! – ela disse e apontou, eu dei uma olhada rápida
- Então, é ali que você se esconde?
- Eu não me escondo! Você que não repara, mas eu to quase perto de você.
- É, mais ou menos! – nós paramos de conversar quando uma amiga dela a chamou e ela foi se sentar com elas
- Tchau, Dani! Depois a gente conversa melhor!
- Ok!
Eu e Priscila começamos a conversar do nada e o Pedro e a Amanda ficaram calados. Nós só paramos de conversar quando o professor entrou na sala já de mau humor.
O professor explicava pela milésima vez a matéria para uma aluna que não havia entendido quando a Amanda cutucou de leve meu braço, eu a olhei que continuava olhando pra frente, apenas me entregando uma folha de fichário.
Eu olhei pro professor antes e ele parecia empenhado em fazer a menina entender, então resolvi abrir e ler:
“Por que você não ficou com a gente no intervalo?”
Eu entendi que ela tava se comunicando assim pro professor não pegar a gente, já que o humor dele piorava a cada explicação não entendida. Peguei um lápis e respondi:
“Fui ajudar o Pedro.”
Entreguei pra ela, Amanda leu e voltou a escrever e me devolveu:
“Ajudar com a matéria? Era pra eu acreditar nisso?”
“Eu não disse que fui ajudar com a matéria!”
“Então foi ajudar com o quê?”
“Sério, Amanda, ele gosta mesmo de você!”
Quando eu mandei essa resposta ela demorou um pouco mais pra responder
“Eu sei. Eu não fiz nada pra machucá-lo!”
“Eu sei disso.”
“Você acha que eu devo conversar com ele?”
“Acho que não vai ser necessário, já que ele pretende fazer isso.”
“Sério?”
“Sim.”
“Você tem alguma coisa a ver com isso?”
“O que te faz pensar isso?”
“Me responde!”
“Eu apenas disse que ele tem que conversar de uma vez com você.”
“Por que fez isso?”
“Porque é o que eu realmente acho, oras”
“Sei sei... E por que você ficou tão amiga daquela menina de repente?”
“Não to tão amiga assim!”
“Ah, não?”
“Não!”
“Então por que ela não pára de olhar pra cá?”
Na mesma hora eu virei e olhei pra direção da Raquel que estava mesmo olhando, mas eu podia jurar que ela tava olhando pro Pedro e não pra mim.
“Acho que você enganada!”
“Como assim?”
“Ela me parece estar olhando pro Pedro”
“Pro Pedro?”
“Sim. Por quê?”
“Daqui parece que ela te olha.”
“Isso te incomoda?”
“O quê?”
“O fato de ela estar olhando pro Pedro?”
“Claro que não. Por quê?”
“Nada. Só perguntando...”
Paramos de nos comunicar quando o professor finalmente conseguiu fazer a menina entender a matéria e isso custou todo o tempo de aula.
Finalmente na hora de ir embora...
Quando eu estava conversando no pátio do colégio com a Amanda, Priscila e Pedro, meu celular toca, eu olho no visor e olho pra Priscila, ela rapidamente entende me lança um sorriso encorajador, eu saio de perto deles e atendo tentando parecer o menos nervosa possível
- Alô?
- Daniela? Você vai sair agora? – é só eu escutar essa voz maravilhosa que me bate saudade
- Vou sim. Já estou de saída. Vai lá em casa?
- Na verdade, estou aqui fora te esperando!
- Sério?
- Sim.
- Então eu estou indo, me espera!
- Tá bom!
Eu desliguei o celular e me despedi rápido dos meus amigos, assim que saí do colégio vi o seu carro estacionado com os vidros fechados na porta do colégio.
“É agora...”
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