- Huuum... Tem alguém de bom humor hoje! — a minha mãe disse assim que eu apareci na sala, dando um grande \"Bom dia\".

- Sim, acordei super bem. — eu disse sentando no sofá e olhando pra televisão

- E por quê algo me diz que esse bom humor têm dois olhos, duas pernas, dois braços e têm até um nome, que seria.. — ela fez uma pausa pra fazer cara de pensativa. — Ah, Bruna! Acho que é isso. — ela disse divertida me fazendo dar uma gargalhada

- Esse bom humor tem um nome muito bonito. — eu disse fazendo com que ela gargalhasse também

- Então, tudo se resolveu? — ela perguntou

Sim. — eu disse dando um enorme sorriso

- Que bom, então!

- Aliás, eu vou sair com ela mais tarde, às 20h, tá bom?

- E vocês vão pra onde? — ela perguntou olhando pra tv

- Ela tem uns amigos que tocam e eles vão tocar lá em uma praia do Leblon.

- Toma cuidado, hein?!

- Pode deixar.

- Vai trabalhar hoje? — eu perguntei

- Não. Hoje eu vou descansar. Hoje eu cheguei em casa 4:30.

- Nossa! Eu não escutei a senhora chegar.

- Só tomei banho e me joguei na cama.

O telefone tocou e eu fui atender

- Alô?

- Então, como foi ontem? Eu já sei que ela te levou em casa, agora me conta, rolou alguma coisa? — Priscila perguntou ansiosa

- Como você sabe? Ah, Amanda. — eu mesma respondi quando me toquei

- Ai, não entra nesses detalhes e vai direto ao assunto.

Eu contei tudo pra ela, desde a hora que chegamos até a hora em que eu voltei pra casa.

- No carro? Sério? — ela perguntou alto e rindo

- Sim. — eu respondi tímida

- Foi bom? — eu fiquei muda com a pergunta. — Daniela? — ela insistiu

- Só você mesmo pra me perguntar uma coisa dessas... foi muito bom! — eu respondi rápido

- Ah, deve ter saído do carro com asfixia... — ela disse entre risos

- Eu realmente fiquei com falta de ar, mas não por estar presa no carro.

- Às vezes é melhor ser surdo mesmo! — ela disse rindo mais ainda

- Ei, você falou com o Pedro? Ele ligou quando eu tava com a Bruna!

- Ele só liga em hora errada, eu já falei isso pra ele. Mas sim, eu falei e ele me contou que você desligou na cara dele e ele ficou sem entender nada.

- Foi por puro instinto. — eu respondi

- Imagino. — ela disse

Depois de conversar sobre a minha noite, ela contou a dela também nos detalhes, até sobre ter dormido na mesa enquanto estavam todos da família conversando.

Quando deu 19h eu me arrumei e esperei a Bruna chegar.

A campainha tocou e eu fui atender.

- Você tá linda ! — eu disse abrindo a porta pra ela entrar, ela riu baixinho

- Você também. — ela disse me dando um beijo na bochecha

- Oi Bruna! — minha mãe disse saindo do quarto e aparecendo na sala sorrindo, eu podia ver que minha mãe gostava da Bruna.

- Oi Cláudia. — ela disse indo abraçar minha mãe

- Vai cuidar bem da minha filha, né?!

- Claro. — ela disse sorrindo

- Tá bonita! — ela disse pra Bruna

- Obrigada! — a Bruna agradeceu ainda sorrindo.

- Vamos? — eu perguntei

- Vamos. — ela respondeu

- Tchau, mãe. — eu me aproximei e dei dois beijos na minha mãe

- Tchau, filha. Tchau, Bruna!

- Tchau. — Bruna respondeu também dando beijo na minha mãe

Quando chegamos no carro, ela colocou o cinto e me puxou e me beijou com carinho.

- Opa, e meu presente? — ela perguntou de repente curiosa e animada

- Ainda não. Mais tarde.

- Por que tanto mistério?

- Não é mistério, eu só quero fazer surpresa.

- Não é mais surpresa já que eu sei. — ela observou

- Você entendeu.

- Tá bom, tá bom. — ela disse cedendo e virando pra ligar o carro

- Sabe quem me ligou? — eu perguntei

- Quem? — ela perguntou também

- O Frodo. Ele disse que está com saudades da irmã dele. — eu disse sorrindo de orelha a orelha, ela riu

- De onde você tirou isso? — ela perguntou entre risos

- Do tamanho dela, óbvio.

- Também não é assim, ela deve ter... — eu a interrompi

- 1,30, se der mole ela tem 1,20

- Claro que não! — ela disse divertida

- Você já perguntou?

- Não. Mas ela deve ter 1, 60, por aí...

- Aham e eu tenho 1,90. — eu disse sarcástica

- Mas ela não é feia... — ela comentou

- Dá pro gasto. — eu respondi indiferente

- Eu falei com ela hoje... — ela começou

- E aí?! — eu perguntei séria e curiosa

- Ela não gostou muito, na verdade, não gostou nada. Ela disse que eu sou maluca e me xingou de mais algumas coisas também.

- Sério? — eu perguntei incrédula

- Uhum. — ela fez um afirmativo com a cabeça

- Você tava com ela desde do dia que a gente brigou?

- Não. Eu tava com ela há 2 semanas.

- E ela já tava assim?

- Assim como? — ela perguntou

- Assim... desesperada por você. — eu questionei fazendo-a rir

- Sei lá. Ela só disse que eu não sei o quero da vida. — ela disse ainda rindo

- Mas já deu um fim, né?! — eu perguntei conferindo, e ela me olhou, com um sorriso convencido

- Sim. — ela disse finalmente

Quando chegamos, nós fomos pro local onde ia acontecer o show, e na verdade, já tinha começado.

- São eles? — eu perguntei

- Sim.

Nós assistimos as 5 músicas que eles tocaram e fomos andar pela praia, que não tava muito cheia do outro lado.

Nós paramos e sentamos na areia e eu percebi que tava com frio, quando eu me tremi ela colocou as mãos em volta de mim, e eu me senti mais aquecida e confortável.

- Eu não perguntei... como é ter 19 anos? — eu perguntei

- Normal, me sinto a mesma. Acho que depois dos 18 perde aquela ansiedade e passa a ser só mais um ano. — ela respondeu

- Falando nisso, eu vou dar meu presente agora. — eu disse colocando a mão no bolso da calça e tateando até achar um saquinho de loja. — Fecha os olhos. — eu disse com o saquinho ainda atrás de mim. — ela soltou os braços de mim e fechou os olhos. Eu peguei a sua mão e coloquei-o nela. Ela abriu os olhos e olhou para ele, olhou pra mim e então abriu, dentro tinha um cordão de ouro que eu comprei pra ela de aniversário.

- Que lindo! — ela disse olhando pra ele e repetiu em voz alta as palavras escritas. — PARA SEMPRE! — ela leu e abriu um sorriso enorme, ela me abraçou e me deu vários beijos

- Acho que então você gostou, né?! — eu perguntei pegando o cordão e colocando no seu pescoço

- Eu amei. — ela disse ainda sorrindo e olhando o cordão agora no seu pescoço. — Obrigada!

- Que bom que você gostou. Feliz aniversário. — eu disse sorrindo

- Eu amo você! — ela disse me abraçando. — Para sempre! — ela disse repetindo as palavras do cordão.

- Eu também. — eu disse enquanto a abraçava

Ela pegou meu rosto entre as mãos e começou a me beijar, depois de um tempo eu estava sem ar. Nos separamos aos poucos e a nossa respiração foi voltando ao normal.

Ela voltou a me abraçar para eu não sentir frio e ficamos olhando o mar durante um tempo.

- Tô com fome. — ela disse

- É, eu também tô. — eu concordei

- E aí, alguma idéia?

- Huum... eu comeria um cachorro-quente.

- Imaginei. — ela disse levantando e me dando a mão pra levantar.

Nós já conhecíamos um lugar perto da casa dela, então fomos pra lá.

Quando nós chegamos lá, eu vi na hora que tinha um grupo de três garotas em uma mesa, umas das meninas pulou o olho em cima da Bruna, no começo eu até achei engraçado, ela simplesmente paralisou, mas quando a Bruna levantou e foi fazer os pedidos ela foi acompanhando com o olhar, aquilo me deixou incomodada, mas como eu nunca fui de fazer cena por ciúmes, fiquei na minha.

- Toma. — Bruna disse me entregando o meu e sentando do meu lado.

- Obrigada. — eu disse dando uma mordida

- Depois vamos lá pra casa, eu peguei um filme na locadora e tô doida pra ver. — ela disse parecendo animada

- Claro. Qual o filme? — eu perguntei

- The Runaways. É biográfico. — ela disse

- Sim, eu conheço.

- Ah, é?! Já ouviu falar da banda?

- Na verdade, só conheço porque a Kristen Stewart tá nele. — eu confessei

- É, ela tá. E eu acho que ela curte a fruta, hein?! — ela disse rindo e me fazendo rir também

- Eu já percebi há muito tempo, aliás ela tá me devendo um gaydar novo, porque o meu quebrou de tanto apitar quando a vi no trailer desse filme.

- Você acha ela bonita, né?! — ela me perguntou

- Eu acho. Muuuito bonita. Se eu não fosse comprometida e ela estivesse por perto... — eu deixei a frase incompleta e ela riu

- Obrigada pela consideração. — ela disse me dando um beijo na bochecha

- De nada! — eu disse rindo

Assim que terminamos, levantamos, eu vi quando a menina ficou olhando de novo enquanto ela jogava as latinhas de refrigerante no lixo, ela olhava pra Bruna com um desejo, eu até vi na hora que as outras garotas viram que ela tava olhando pra minha namorada e olharam pra ela também, rindo e fazendo cara de que tinham gostado do que viram.

\"Eu também não sou de ferro\" eu pensei quando eu vi a cena, quando a Bruna voltou eu coloquei minhas mãos em volta do seu pescoço e a beijei com vontade, pra ninguém colocar defeito e ela correspondeu com as mãos na minha cintura. Eu olhei pra trás da Bruna e sorri com todo o deboche possível pra ela, que tava muito supresa e ficou muito sem graça quando percebeu que eu tava vendo tudo desde o início, as amigas dela começaram a rir e ela fechou a cara na hora.

- Que foi? — a Bruna perguntou olhando pra trás rápido e me levando até o carro

- Não viu nada? — eu perguntei ainda rindo da cena

- Não. O quê? — ela perguntou sem entender

- Uma das meninas daquela mesa tava te secando!

- Sério? Eu nem vi nada! — ela disse ligando o carro e dando partida. — Por isso aquele beijo do nada? — ela perguntou rindo

- Também. Eu tava com vontade mesmo. — eu disse sorrindo

Eu resolvi pegar meu celular que eu tinha deixado dentro do carro. \" 10 ligações perdidas\".

- Nossa!

- Que foi? Bruna perguntou

- 10 ligações não atendidas.

- Sua mãe?

- Não. — eu disse olhando pro celular estranhando o número, até que o celular tocou de novo.

- Alô? — eu disse, de repente uma voz chorosa e desesperada tomou conta dos meus ouvidos. — ELA O QUÊ? — eu perguntei gritando.