- Ela? Ela quem? Não tô entendendo nada... — falou Amanda com um tom de confusão

- A namo... quer dizer, a ex namorada dela, a Bruna. Nós já te contamos, lembra?! — Priscila respondia com pouca paciência

- Aaaah, sim, lembro sim! Ela foi assaltada, Dani? — ela perguntava agora pra mim

- Sim. — eu respondi ainda meio aérea

- Só uma dúvida... como você vai fazer pra sair? — Pedro perguntava me lembrando da parte que eu tinha esquecido

Nós ficamos em silêncio, mas a Amanda foi mais rápida quebrando- o

- Isso é fácil, gente.

- Ah, é?! — Priscila perguntou duvidando

- Sim, é. Eu fazia isso quando eu queria sair com o meu ex namorado. — ela disse explicando

- Nossa, que lindo isso, hein?! — Priscila debochou

- Tá bom. E como seria isso? — eu perguntei apressada

- Eu estou dizendo, seu Francisco... olha a carinha dela, tá pálida! — Amanda dizia ao porteiro

- Eu não posso deixá-la sair, primeiro passe na secretaria, ligue pra casa e consiga autorização

- Mas mãe dela não está em casa... o senhor vai deixar a bichinha assim? — ela perguntava com tom manhoso e fazendo carinho na minha cabeça

Seu Francisco estudou minha aparência, eu estava com um casaco em volta dos meus braços, apesar do calor insuportável, eles tiveram a idéia de simular o suor no meu rosto.

- Nossa, você tá passando mal mesmo... — ele parou e pensou. — Saia e vá direto pra casa, tá ouvindo? Eu posso ser demitido por fazer isso, ainda mais porque você não está em condições de andar por aí sozinha. — ele abriu o portão e eu saí o mais rápido possível, mas ainda me virei e vi a Amanda acenando com tristeza pra disfarçar e depois virando para ele agradecendo com um abraço, pegando-o de surpresa.

Assim eu que eu saí, eu fui para a praça que tinha atrás do colégio, tirando o casaco e passando a mão no rosto pra tirar os pingos de água que ainda ficaram.

Quando eu me virei, eu vi um Gol vermelho se aproximar e estacionar, no mesmo instante meu coração disparou, e não sei como, mas parou quando aquela criatura linda saía do carro e vinha em minha direção, meu único instinto foi correr para seus braços, que já estavam abertos pra mim. Eu a segurava com todas as minhas forças, fazendo com que de alguma maneira pudesse se sentir segura comigo, uma das minhas mãos estava enterrada em seus cabelos e a outra estava colada em sua cintura puxando-a para mim, as suas mãos estava amarradas nas minhas costas e eu podia sentir todo calor que o seu corpo emitia e eu podia sentir também em meu corpo toda a reação que o seu toque causava. Eu me separei aos poucos para encará-la e no seu rosto eu via olhos ainda inchados das lágrimas que passaram por ali.

- Tá mais calma? — eu perguntei finalmente

- Um pouco. Eu pensei que eles iam fazer alguma coisa comigo. — ela disse lembrando

- Era mais de um? — eu perguntei assustada por ela

- Sim. Eram três. E os três estavam armados e... — ela pausou deixando cair uma lágrima.

- Shhh. Não, não pensa mais nisso, agora já passou. — eu disse abraçando-a de novo.

Eu me soltei e a levei até um banco onde a sentei e fiquei em pé observando-a se recompor.

- Você estava tendo aula de quê? — ela perguntou me olhando de baixo pra cima e analisando minha roupa, me fazendo lembrar que eu ainda estava coma roupa da Ed.física. Eu estava com um short de ginástica que deixava minha coxa à amostra, uma blusa sem manga que batia um pouco depois da barriga, estava de cabelo preso que já estava batendo quase no bumbum e tênis.

- Ed. física. — eu respondi

- Huuum... — ela parecia pensativa , fazendo mais uma vez uma análise da minha roupa. — Eu já tinha me esquecido que tem aula de Ed.física. Mas eu gostei da roupa. — ela disse dando um meio sorriso

- Obrigada. — eu disse ficando um pouco sem graça

- Desculpa te ligar assim, eu estava muito nervosa e não sabia pra quem ligar, não queria te causar problemas na escola.

- Fica tranquila, não causou.

- E como você fez pra sair? — ela perguntou curiosa

- Ah, digamos que eu fiquei doente por uns minutos. — eu disse dando uma risadinha lembrando, ela apenas sorriu. — Você sumiu. — eu disse com um tom triste, ela demorou um pouco pra responder

- Sim. É, só colocando as idéias no lugar.

- E colocou? — eu perguntei séria agora

- Mais ou menos. — ela respondeu

- Eu senti sua falta. — eu confessei abaixando a cabeça

- Eu também. — ela disse me fazendo olhá-la. — É melhor eu levar você pra casa. — ela disse tentando mudar de assunto, eu não consegui disfarçar a tristeza em pensar ficar longe dela.

- Não precisa. — eu disse. — Você precisa descansar.

- Deixa de ser boba. Eu te levo, é caminho e eu que fiz você sair cedo, é mais que minha obrigação. — ela disse levantando e pegando minha mochila e indo em direção ao carro, eu fiquei parada olhando enquanto ela entrava, ela abriu o vidro e chegou perto da janela do carona. — Você não vem?

Então eu fui até o carro e entrei, quando eu entrei eu podia sentir o seu cheiro no ambiente, um cheiro gostoso, do qual eu sentia falta.

- Então, quais são as novidades? — ela me perguntou ligando o carro e dando partida

- Tudo velho, tudo velho. — eu respondi. — E você?

Ela pensou antes de responder

- Eu estou saindo com uma pessoa. — quando ela disse isso a minha vontade foi de sair correndo do carro, mas a raiva e curiosidade falaram mais alto, me segurei e respirei fundo, quando ela percebeu minha demora, ela se virou rápido para me olhar

- Ah, é? E eu conheço? — eu perguntei como se tivesse algo na boca, me impedindo de falar

- Sim. É a Sabrina, amiga do Flávio, lembra?

- Sim, eu lembro. E lembro também que ela já era interessada em você. — ela deu uma risadinha

- Pois é. Eu resolvi tentar, né?!

Eu nada respondi até chegar em casa, quando ela estacionou na minha porta, ela continuou

- Amanhã é meu aniversário. — ela disse

- Eu sei. Parabéns adiantado. — eu disse sorrindo forçado

- Obrigada. Então, vai lá em casa amanhã, eu vou reunir um pessoal e gostaria que você fosse também. Vai ser às 20h.

- Ok! Eu vou, sim.

- Pode levar quem você quiser também. — ela disse, eu senti que ela tava querendo saber alguma coisa

- Ah, tá. Pode deixar. — eu respondi também sem negar que poderia existir alguém.

- Obrigada e desculpa mais uma vez por agora. — ela disse quando eu toquei para abrir a porta

- De nada. Sempre que precisar, você pode me ligar... — eu disse sorrindo sincero agora

Ela se aproximou e me deu um abraço mais demorado, eu senti a sua respiração no meu pescoço e eu pude perceber que ela respirava nele, tentando sentir alguma coisa, aquilo me arrepiou, então ela me deu um beijo na bochecha, um beijo carinhoso e macio, e depois se afastou de novo.

Ela sorriu mais uma vez, mas um sorriso como se quisesse falar alguma coisa e então eu sorri também e saí do carro, pensando que eu iria sim naquela festa, e me roendo de raiva por dentro por ter acontecido o que eu mais temia, o tempo que eu dei, a fez conhecer outra pessoa...