Apenas mais Uma de Amor
37 Capítulo 37-Cedo ou tarde toda espera tem seu fim.
Notas iniciais
É isso, espero que ainda estejam lendo.
Obrigada pelos comentários.
O resto da semana passou normalmente, recebi cartas durante toda a semana, houve dias em que recebia duas. Essas cartas conseguiram me deixar intrigada, eu todo dia antes de dormir estava lendo- as, estranho meu comportamento, mas é como se algo me chamasse para elas.
Hoje é sábado de manhã, a festa da Letícia é às 21:00, e a Priscila vai mesmo comigo, já a Amanda não conseguiu de jeito nenhum fazer sua mãe mudar de idéia. Ela ficou me perguntando sobre a Letícia, mas depois desencanou, eu até brinquei sobre apresentar a Lê pra Priscila, quero dizer, apresentar de outra maneira e a Amanda ficou rindo, dizendo que gostou da idéia.
Eu ainda estou um pouco magoada pelo que aconteceu no colégio essa semana, na manhã seguinte que dormi na casa da Amanda. Nós combinamos de conversar com o Pedro e assim fizemos.
É óbvio que nós duas estávamos esperando uma reação não muito boa dele, compreensível, pode-se dizer, mas não esperava que ele fosse reagir tão mal.
FLASHBACK
__ Amanda, o Pedro já chegou, vamos conversar logo com ele? – eu perguntei andando mais devagar e olhando pro Pedro que conversava com uns garotos.
__ Não sei, não Dani. Acho melhor deixar pro final da aula, não acha?
__ Pode ser. – eu parei por um momento e ela vendo, parou também.
__ O que foi?
__ Será que ele vai parar de falar com a gente? – eu perguntei franzindo a testa
__ Eu não espero boas reações, mas não acho que ele vá ficar tão chateado assim.
__ Só vendo pra saber. – eu disse voltando a andar.
Nós passamos as aulas conversando, nós quatro, hoje estávamos mais falantes que nunca, os professores pediram várias vezes para calarmos a boca, mas acredito que essa coisa de final de ano, está nos deixando empolgados demais.
Assim que bateu o sinal, anunciando o fim da última aula, nos levantamos, e eu fui chamar o Pedro dizendo que queria falar com ele e ele topou na boa. Já havia falado pra Priscila na hora do intervalo, então ela já estava ciente. Chamei a Amanda e me despedi da Pri, dizendo que depois ligava pra ela.
Resolvemos ir pra quadra e ficamos pela arquibancada, havia poucas pessoas no local, conversavam também.
- E aí, o que as madames querem de mim? – ele disse sorrindo
Eu e Amanda nos entreolhamos e viramos nossos olhares para ele.
- Então, Pedro, na verdade queremos compartilhar uma coisa com você. – eu disse olhando nos seus olhos. Ele franziu um pouco a testa, mas ficou com um sorriso sarcástico no rosto.
- Compartilhem, então. – ele disse cruzando os braços e intercalando os olhares entre mim e a Amanda.
- Eu não sei bem como começar a te contar isso, mas eu queria dizer que tudo que anda acontecendo não foi planejado, ok?
- Ok, Daniela, você tá me deixando ansioso. Pode falar.
- Só me promete uma coisa antes? – eu disse pedindo com uma dor no coração, com medo de perdê-lo.
- Fala e depois eu vejo se posso prometer.
- Você vai me escutar até o final? – ele ficou me olhando um tempo, tentando buscar uma resposta, tentando saber se conseguiria prometer.
- Hum... ok, Dani. Prometo. Agora fala. – ele estava em pé na nossa frente, ainda de braços cruzados, e nós duas estávamos sentadas uma do lado da outra.
- Pedro, eu queria te contar, que eu e a Amanda estamos juntas. – eu soltei de uma vez, tirando um peso de mim. Ele ficou me olhando muito, mas muito sério, durante uns 10 segundos, logo depois mudou seu olhar pra Amanda.
- Isso é sério? – ele perguntou me olhando de novo.
- Sim, mas olha...
- Como você pôde Daniela? – ele perguntou chegando mais perto. Ele estava irritado, mas ele não estava gritando. Seus olhos pegavam fogo, enquanto ele me olhava.
- Pedro, como eu disse, não foi nada planejado, apenas aconteceu.
- Aconteceu? Como você tem essa cara de pau, Daniela? Você sabia que eu era afim dela. – ele disse passando a mão no cabelo.
- Pedro, olha só, não fica com raiva da Daniela, se quiser culpar alguém, apesar de eu achar que ninguém tem culpa, culpa a mim. – a Amanda disse e eu a olhei imediatamente, com um olhar tipo: “você não tem culpa de nada.”
- Amanda, não tem nada a ver com culpa, tem a ver com ela saber que eu gostava de você, eu contei pra ela, eu confiei nela, e olha o que ela fez, isso é traição. – ele disse alterado.
- Eu não traí você, Pedro, quando você me contou, eu e ela não tínhamos nada. Nós estamos ficando há um mês mais ou menos.
- Daniela, não interessa, aconteceu do mesmo jeito. Mas me diga uma coisa, ficou com saudades da Bruna e foi afogar as mágoas com ela? – disse com um humor negro.
- Pedro, eu entendo que você esteja chateado, mas acho melhor você pensar antes de falar. – Amanda disse falando num tom grave e sério.
- E você, Amanda? Rendeu-se aos cantos dela, foi? Aposto que ela ainda pensa na Bruna. – ele agora estava falando as coisas pra machucar.
- Pedro, chega, é melhor você ir pra casa. Quando você estiver mais calmo e quiser conversar, me fala, tá? – Eu pedi levantando.
- Conversar? Eu não nem quero mais olhar pra vocês. Que vocês sejam felizes. E nem pense em vir atrás de mim. – ele disse pegando a mochila dele e indo embora.
- Pedro, espe... – eu disse indo atrás dele, mas a Amanda me segurou.
- Calma, Daniela, deixa ele esfriar a cabeça, depois você tenta falar com ele. – ela disse limpando uma lágrima que começava a escorrer do meu rosto.
- Eu errei, Amanda, errei muito. Ele confiou em mim, eu amo meu amigo, ele sempre esteve comigo, não quero perder a amizade dele. – ela ficou me olhando e ficou fazendo carinho no meu rosto.
- Você não tem culpa de nada, simplesmente aconteceu. Mas... me desculpa por tá fazendo você passar por isso.
- Não, não diz isso, você não tem que se desculpar por nada. – eu disse abraçando-a
FLASHBACK FIM
Então desde aquele dia, eu não falo com o Pedro, ou melhor, ele não fala comigo. Ele nem me olha, ele fala com a Priscila na minha frente e não me olha, nada. Eu tentei conversar com ele, mas nada adiantou. Ele também evita ao máximo falar com a Amanda, o essencial pra ser mais exata, o negócio é comigo.
A Amanda dormiu na minha casa hoje, já que não vamos nos ver durante todo o dia, fomos dormir tarde, ficamos conversando tanto tempo que nem vimos a hora passar.
Agora pela manhã, eu estava vendo televisão na sala, junto com a minha mãe, quando ela apareceu de banho tomado.
- Bom dia! – ela disse um pouco sem graça.
- Oi linda! – eu disse batendo a mão no lugar do meu lado.
- Oi Amanda. Dormiu bem? – minha mãe perguntou sorrindo
- Sim, tia, obrigada. – ela disse simpática e fofa
- Você vai ter que ir agora? – eu perguntei baixinho no seu ouvido e segurando sua mão.
- Agooora agora, não. Por quê? – ela perguntou fazendo carinho na minha mão.
- Só pra saber quanto tempo eu ainda tenho com você. – eu disse arrancando um sorriso seu
- Tá de bom humor, é?!
- Eu sempre estou... não? – eu disse franzindo a sobrancelha
- Eu estava brincando, amor.
- Vamos no shopping? – eu perguntei de repente
- Agora? Que horas são? – ela perguntou olhando para os lados
- 13:30... vamos?
- Eu dormi isso tudo?
- Não tem problema, a gente foi dormir tarde mesmo.
- Mesmo assim, podia ter me acordado.
- Ah, não, tava linda dormindo, não quis acordar! – eu disse dando um beijinho no seu ombro.
- Nossa, o mel tá escorrendo pelo sofá todo... – minha mãe disse em tom de brincadeira
- Adoro seu sarcasmo, mãe! – falei virando para ela e rindo
- E eu não sabia que tinha uma filha tão melosinha!
- Hilária, mãe, hilária! – Amanda ficou nos olhando e rindo.
- Vão no shopping? – minha mãe perguntou
- Se a Amanda, topar, sim. Quer ir também?
- Vamos, ué, não tem nada pra fazer mesmo. Eu aproveito e pago um almoço pra nós três.
- Opa, agora mesmo que eu vou! – eu disse levantando. Olhei pra Amanda. – Vamos?
- Vamos, vamos. – ela disse levantando também.
- Não demorem, por favor. – minha mãe disse indo pro seu quarto se arrumar.
Entramos no quarto e começamos a procurar uma roupa pra nós duas. Enquanto eu terminava de pentear meu cabelo, a Amanda foi ligar pra mãe dela.
- Tá bom, amor? – eu perguntei virando pra ela. Ela fez um sinal de sim com a mão enquanto falava com a mãe. Eu cheguei perto e a abracei e fiquei dando beijos no seu rosto. Ela deu uma risadinha e respondeu a alguma coisa que sua mãe perguntou.
- Ela pediu pra eu voltar pra casa às 17 em ponto. – ela disse assim que desligou.
- Então é melhor nós irmos logo, né?! – eu disse virando, mas ela me segurou e colocou as mãos em volta do meu pescoço.
- Agora é minha vez. – ela disse dando um monte de beijo no meu rosto, até chegar na minha boca. Nossas bocas já se reconheciam com facilidade. Foi um beijo calmo, ficamos assim até minha mãe bater na porta dizendo que estava pronta.
Fomos o caminho conversando como sempre fazíamos, chegamos ao shopping pouco tempo depois e já nos dirigimos para a praça de alimentação.
Almoçamos conversando sobre diversas coisas, até minha mãe soltar uma:
- Ei, Dani, nem contei, né?! Eu conheci um rapaz e estamos quase namorando. – eu engasguei de leve e a Amanda deu uns tapinhas nas minhas costas. Eu fiquei olhando pra minha mãe esperando ela dizer “Calma, é só uma brincadeira!”, mas ela permaneceu séria me olhando. Eu senti a Amanda me olhando também.
- Namorando, mãe? Com quem? – eu perguntei olhando nos seus olhos
- Eu disse quase, filha.
- Enfim, com quem?
- Ele é novo no trabalho, quando voltei lá para ver quando minhas férias acabariam, ele estava lá, acabamos nos conhecendo e ficamos conversando um bom tempo, saímos ontem e ele me pediu em namoro, mas eu disse que queria um tempo pra pensar.
- Mas mãe, isso não foi muito rápido?
- Ora, Daniela, eu não sou nenhuma criança, filha.
- Eu sei disso, e você sabe que eu não tenho nenhum problema com a senhora ter um relacionamento, só acho que foi muito rápido.
- Por isso pedi um tempo pra pensar, afinal, não queria fazer nada sem falar com você antes.
- E por que não me contou antes?
- Porque eu não tinha certeza se ia dar certo. – eu fiquei pensando, olhei pra Amanda e ela deu sorrisinho me apoiando, eu olhei de novo pra minha mãe.
- Bom mãe, se a senhora está feliz, eu também estou. Mas digo logo, eu quero conhecê-lo mais rápido possível!
- Que ótimo, filha! Sabia que podia contar com você. E fique tranqüila que ele também quer conhecer você. Vamos marcar um almoço, tá? – ela disse animada
- Claro, mãe. – eu disse sorrindo
- Parabéns, tia! – Amanda disse dando um imenso sorriso
- Obrigada, linda! – minha mãe disse sorrindo para nós.
A nossa tarde foi bem tranqüila, andamos mais um pouco no shopping, até a Amanda ter que ir embora, a deixamos em casa e voltamos para nossa.
Assim como de costume, quando cheguei em casa, tinha uma carta no chão do lado de fora, ao lado da carta, tinha uma caixinha, tipo de música, mas era menor e não parecia ser de música, foi um pouco estranho, já que não tinha nenhuma chave para que eu pudesse abrir. Fiquei girando aquela caixa na minha cama e nada, não tinha como abrir. Que doideira! Resolvi partir pra carta, então...
“Eu conto os dias, conto as horas pra te ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você.
Só tenho uma coisa para dizer: espero-te ansiosamente.
Beijos.
SEN”
Eu realmente desisto de entender alguma coisa sobre essa pessoa. Li a carta mais uma vez e levantei para ligar pra Priscila.
Deu três toques antes de ela atender:
- Alô?
- Oi Pri.
- Oi Dani. Vai mesmo na sua amiga?
- Vamos, você quer dizer...
- É, serve isso também. – ela disse indiferente
- Credo, Priscila, que empolgação, hein?!
- Não Dani, fica tranqüila, vou me comportar, eu quero ir sim, não tenho mais nada pra fazer! – ela disse rindo
- Se tivesse, não ia comigo?
- Deixa ficar subentendido.
- Prefiro pensar que não. Mas me diz, passo aí ou você passa aqui?
- Eu passo aí. 20:30 tá bom?
- Tá. Que horas são?
- Agora? São 19:10.
- Então vou tomar banho, pra começar a me arrumar.
- Beleza, vou fazer a mesma coisa. Beijos e até daqui a pouco.
- Beijos. – e desliguei
Fui tomar um banho pra começar a me arrumar. Sabe quando você fica ansioso e eufórico ao mesmo tempo, mas sem nem saber o motivo? Pois então, estou assim nesse momento.
Saí do banho e enrolei a toalha na cabeça, abri meu armário e comecei a escolher qual roupa usaria.
Decidi por uma calça jeans skinny, uma sandália com salto, mas não muito alto e uma regata branca. Eu consegui escolher uma roupa boa, mas sem exagerar muito.
Tirei a toalha da cabeça e sequei meu cabelo, logo depois comecei a me vestir, próxima etapa era a maquiagem, assim como a roupa, fiz uma coisa que me agradou, mas sem exagerar, passei meu perfume e olhei no relógio. São 20:45, Priscila está atrasada, foi pensar nela que a campainha tocou, como sabia que minha mãe ia abrir, fiquei esperando-a no quarto mesmo.
- Tá pronta Dani?
- Você está atrasada! – eu disse me virando para ela
- Oi pra você também. Tá linda, hein?! – ela disse me olhando da cabeça aos pés.
- Você também tá! – eu disse dando uma piscada pra ela, que riu.
- A gente pode dar um tempo aqui, né?! Não precisamos ser as primeiras a chegar!
- Tá, eu aproveito e te mostro isso! – eu disse abrindo minha gaveta e pegando a carta.
- Outra? – ela perguntou pegando a carta e sentando na minha cama
- Aham. – eu disse sentando à sua frente
Ela terminou de ler a carta bem rápido.
- Tá mais próximo do que a gente imagina! – ela disse rindo
- É o que parece, né?! – eu disse rindo também
- Eu falei com o Pedro hoje. – ela disse parando de rir e me devolvendo a carta
- É? Ele falou alguma coisa de mim? – eu perguntei curiosa
- Sim. Ele disse que tá com saudade de você.
- Sério? Ahh, eu também tô com saudade dele! – eu disse sorrindo
- Mas ele disse que não pretende voltar a falar com você, pelo menos por enquanto.
- Suspeitei que não ia ser tão bom. Você acha que eu devo tentar falar com ele de novo?
- Acho que sim. Tenta pelo menos mais uma vez. Senão pode parecer que você não faz questão da amizade dele.
- Mas eu faço questão, faço muita questão.
- Tem que dizer isso pra ele e não pra mim. – ela disse sorrindo
- É, eu vou fazer isso. – eu disse sorrindo também.
- Que horas são? – ela perguntou
- São... – olhei no meu celular- 20:53, quer ir?
- Ela mora longe?
- Mais ou menos. Uns 20, 25 minutos daqui até lá.
- Ah, então vamos. – ela disse levantando
Encontrei minha mãe na sala falando no telefone com um sorriso enorme. Assim que me viu, se apressou em desligar o telefone.
- Seu namorado? – eu perguntei sorrindo
- Sim. Ele ficou feliz de eu ter contado pra você, marcamos um almoço amanhã pra nós 4. – ela disse animada
- 4? – eu perguntei
- Sim. Eu, você, ele e Amanda.
- Ah, sim, claro. Ok, então.
- Tá namorando, tia? – Priscila perguntou sentando de frente pra minha mãe toda empolgada
- Sim, Pri.
- Mentiira, me conta isso direito!
- Ele é do meu trabalho e é muito charmoso!
- Sério, tia? Que legal! Eu também quero conhecer.
- Meu Deus, já vi que vou assustá-lo aparecendo com esse bando de menina, eu disse pra ele que só tinha uma filha. – minha mãe disse rindo
- Mas eu também sou quase uma filha sua tia, ou não? – Priscila disse fazendo cara de choro
- Claro que é, meu amor. Eu levo você também.
- Agoora sim, tia!
- Você é muito intrometida! – eu disse rindo pra Priscila
- Vamos logo, fala menos e age mais. – Priscila disse levantando
- Mãe, nós vamos indo, tá? Você vai sair, né?!
- Vou sim. Marquei com o Paulo às 22.
- Ok, então, vamos pegar um táxi.
- Tá bom, filha, qualquer coisa me liga. E deixa o celular ligado.
- Ok, mãe. Tá aqui dentro da bolsa já.
- Tchau, tia. – Priscila disse e deu um beijo em cada bochecha da minha mãe
- Tchau e divirtam-se.
- Tchau, mãe. – eu fiz a mesma coisa que a Priscila e saímos.
Pegamos um táxi era 21:10, ainda demorei um pouco pra lembrar onde a Letícia morava, mas lembrei, quando deu 21:35 nós chegamos na casa dela.
Eu tava com uma sensação de estar sendo observada, então olhei pra janela do quarto lá do segundo andar, mas não vi nada.
- Daniela, você tem certeza que tá na casa certa? Isso aqui tá muito parado pra ser festa. – É verdade, não tava com movimento lá dentro, por um momento até pensei estar enganada.
- Estranho, né!? Mas eu lembro que é aqui sim. Vamos tocar e confirmar.
- Quero ver se você entendeu a hora errada, e chegamos cedo demais. – caminhamos até a porta e eu toquei a campainha. Não demorou muito para a Letícia aparecer na porta toda arrumada. Eu já tinha até me esquecido de como a Letícia era bonitinha. Ela nos recebeu com um enorme sorriso.
- Daaaani! Que saudade! – ela disse me apertando forte num abraço
- Pois é, eu também tava com saudades! – eu disse abraçando-a
- Sumiu e esqueceu de mim, né?! Tudo bem, eu vou perdoar. – ela disse sorrindo e virou seu olhar pra Priscila. – Nos conhecemos, não? – ela perguntou sorrindo ainda mais pra Priscila
- É... sim sim. – Priscila disse sem graça
- Eu nunca esqueço um rosto que me agrada! – ela disse olhando nos olhos da Priscila. Eu virei meu olhar pra Priscila que estava da cor do cabelo dela. Eu achei muito engraçado.
- Então... é... vamos ficar aqui? – Priscila perguntou em tom sarcástico tentando mudar de assunto
- Então, meninas, mudança de planos, a festa vai rolar na casa do meu primo, é aqui perto, na rua de trás. Aí, nós vamos pra lá. Com essa loucura toda, acabei esquecendo de avisar você, desculpa.
- Que isso, não tem problema não. – eu disse sorrindo
- Vamos, então? – ela perguntou saindo mais
- Vamos. – eu e Priscila falamos ao mesmo tempo.
Ela tava trancando a porta, quando colocou a mão na cabeça.
- Ai, que droga! Não acredito!
- Que foi? Esqueceu alguma coisa? – Priscila perguntou
-Sim. O André, meu primo, pediu para eu levar um porta-CD que tava com outras músicas, na pressa de abrir a porta acabei esquecendo o porta-CD no meu quarto. Dani, você vai lá em cima e pega pra mim, por favor? – ela pediu passando a mão no cabelo
- Claro. Onde ele está?
- No meu quarto. Em cima da mesa do computador. Ainda lembra onde é meu quarto?
- Acho que sim. Eu vou lembrando aos poucos.
- Ah, beleza, então. A gente te espera aqui!
- Tá, não demoro. – eu disse entrando na casa. Somente a luz da sala estava acesa. Olhei para o lado e avistei a escada. Subi os degraus de dois em dois. Quando cheguei no corredor, escutei uma música de fundo, e a luz do quarto que eu lembrava ser da Letícia não estava totalmente apagada, havia algo ligado. Comecei a andar mais devagar e vi que a porta estava encostada.
Havia um bilhete na porta em formato de coração e estava escrito: Senti tanto a sua falta...
Quando eu li o bilhete meu coração acelerou na mesma hora, meus batimentos devem ter ido à 400, fiquei parada na porta olhando aquele bilhete.
Mas quando a música ficou um pouco mais alta e eu reconheci a música, eu comecei a abrir a porta aos poucos.
Quando eu entrei no quarto, ele estava todo decorado, além de ele ser enorme, tava lindo. Tinha até mesa com pratos no canto. A cama estava decorada com vários tipos de pétalas, e apenas a luz do abajur iluminava o ambiente. Mas não havia ninguém...
Lancei meu olhar para o rádio e começou a música que...
- Eu tava com saudades! – disse uma voz. Mas não uma voz qualquer. Eu reconheceria aquela voz se mil pessoas estivessem gritando ao mesmo tempo. Minhas pernas tremeram, meu coração acelerou mais ainda, minhas mãos suavam, e eu não conseguia me mexer, não conseguia virar. – Ei, calma, meu amor. Escute, está escutando? É a nossa música...
You're the sky that I fell through
(Você é o céu pelo qual eu caí)
And I remember the view
(E eu me lembro da visão)
Whenever I'm holding you
(Sempre que estou te abraçando)
The sun hung from a string
(O sol pendurado por uma corda)
Looking down on the world as it warms over everything
(Olhando para o mundo à medida que ele aquece tudo)
Chills run down my spine
(Arrepios correm pela minha espinha)
As our fingers entwine
(Quando nossos dedos se entrelaçam)
And your sighs harmonise with mine
(E seus suspiros se harmonizam com os meus)
Unmistakably, I can still feel your heart beat fast when you dance with me
(Inequivocamente, eu ainda posso sentir seu coração bater rápido quando você dança comigo)
Se meu coração tava acelerado antes, agora tava mais que disparado, Bruna me abraçou por trás e cantou baixinho no meu ouvido o refrão da música:
Circle me, and the needle moves gracefully
(Circule-me e a agulha se move graciosamente)
Back and forth, if my heart was a compass you'd be North
(Para a frente e para trás, se meu coração fosse uma bússola, você seria meu Norte)
Risk it all cause I'll catch you if you fall
(Arrisque tudo, porque vou te segurar se você cair)
Wherever you go, If my heart was a house you'd be home
(Onde quer que você vá, se meu coração fosse um lar, você estaria em casa)
Eu tava ficando arrepiada só de escutá-la cantar no meu ouvido. Sentir seu cheiro, seu toque, coisas que eu pensava que nunca mais ia sentir. É incrível como meu corpo reage tão rápido à ela.
A música continuou rolando, e ela perguntou:
- Amor, vai ficar virada mesmo? – eu podia ver o sorriso que se desenhava em sua boca antes mesmo de virar. Respirei fundo e me virei lentamente. Exatamente como imaginei. LINDA, PERFEITA. Sem palavras para descrever o que eu senti, minha cabeça girou e girou. O sorriso que eu fantasiei antes de virar estava ali.
- Oi amor. – ela disse sorrindo mais ainda
Eu tava ofegante, tava que nem uma idiota na sua frente, sem falar nada.
- Dani, fala alguma coisa? Tô com saudades da sua voz. Tudo bem que eu escutei no celular, mas... – nesse momento eu despertei
- No celular? Como assim?
- Essas são suas primeiras palavras? – ela perguntou sorrindo. Como eu não sorri e nem respondi, ela continuou: — É, no celular, enquanto você falava com a Letícia.
- Então foi tudo combinado entre vocês?
- Sim, claro, afinal eu precisava de alguém pra me ajudar. E como a gente se conheceu na casa da Lê, nada mais justo do que eu fazer algo aqui.
Eu fiquei olhando para seu rosto um tempo, ela mantinha aquele sorriso doce, seu cabelo estava mais claro que o normal, e estava mais picotado, simplesmente linda.
- Temos muito que conversar, não? – ela perguntou
Quando ela falou isso, eu me lembrei da última vez que a vi, do que ela me falou e de como eu fiquei quando ela foi embora. Nessa hora meu coração abriu espaço pra mágoas, tristeza e até mesmo raiva.
- Eu vou embora! – eu disse caminhando em direção à porta
- Ei, Daniela, calma. – ela disse vindo atrás e colocando a mão de leve no meu braço
- Bruna, eu quero ir embora. – eu disse sem olhá-la nos olhos.
- Quer mesmo? Olha pra mim, então...
- O que você quer voltando aqui? Falar mais alguma coisa que você pensa de mim? Jogar na minha cara como foi um erro você se apaixonar por mim! – eu disse puxando meu braço de uma vez e aumentando a voz.
- Olha, eu sei que errei, mas a gente precisa conversar, vamos sentar e conversar numa boa, sem brigas. – ela disse calma
- Eu não quero conversar, Bruna. Eu já sofri demais com as suas palavras me atormentando, eu não preciso ouvir mais nada.
- Você fala como se só você sofresse!
- E não foi? Você que decidiu ir embora, você que cuspiu na minha cara todas aquelas palavras, se você realmente estivesse sofrendo não teria nem saído daqui.
- Por favor, Daniela, você não imagina o quanto eu sofri longe de você. Eu preciso te explicar algumas coisas. Mas eu quero que você se acalme primeiro.
- Eu não quero escutar, Bruna. – eu disse virando o rosto
- Por favor, eu preciso que você me escute! – ela disse chegando perto e tocando meu rosto com a mão, fazendo com que eu a olhasse. Ela chegou mais perto e quase não tenho forças para dizer:
- Então, começa logo! – eu disse me afastando e indo em direção a cama, me sentando.
Ela ficou me olhando um tempo, então, foi em direção ao rádio e o desligou, acendeu a luz e parou na minha frente:
- Você acabou com o clima! – ela disse fazendo uma carinha de triste que quase me levantei e fui abraçá-la, mas me segurei e continuei olhando em seus olhos verdes:
- Vai falar ou não?
- Não quer comer antes? – ela disse apontando para a mesa
- Estou sem fome. – eu disse curta e grossa, o que estava me matando por dentro.
- Olha – ela disse sentando na minha frente e segurando minha mão, quando tentei tirar, ela não deixou, então não insisti – eu sei que é difícil lidar com isso, mas tente relaxar, eu quero fazer desse momento especial. Eu tava com tanta saudade, você não estava? – ela perguntou fazendo carinho na minha mão e olhando nos meus olhos.
Eu não respondi, mas uma lágrima escorreu pelo meu rosto, ela rapidamente secou e me abraçou, aí que eu desabei e comecei a chorar, eu comecei a puxá-la pra mim, querendo fazer seu corpo grudar no meu, sentir seu cheiro.
- Isso, linda, deixa as coisas acontecerem como têm que acontecer. – ela disse fazendo carinho no meu cabelo
- Por que você foi embora e me deixou aqui assim? Por que você fez parecer que eu não signifiquei nada pra você? – eu perguntava entre soluços.
- Eu sinto muito, amor. Você significa tanto pra mim, é meu único amor. Meu amor verdadeiro, puro. A essência do amor eu descobri com você, só com você, ouviu? Meu coração sempre pertenceu à você. E eu vou contar tudo o que você quiser saber, mas antes, vamos comer, você se acalma e depois eu te conto, pode ser? – ela disse se separando de mim e secando minhas lágrimas com a mão. Era tão bom escutar aquilo dela, mesmo ela tendo dito tantas coisas ruins naquele dia, eu sentia sinceridade na sua voz, no seu olhar. Eu concordei com a cabeça.
Sentamo-nos a mesa e começamos a comer. Nenhuma de nós disse nada, mas às vezes trocávamos olhares, às vezes ela fazia carinho na minha mão por cima da mesa e até dava beijos no meu rosto.
Terminamos de comer e eu tirei meu salto e deitei encostada na cabeceira da cama, ela sentou com as pernas pra cima na minha frente.
- Então antes de começar... feliz aniversário atrasado! – ela disse sorrindo
- Obrigada! – eu disse dando um sorriso de lado.
- Seu presente já foi entregue! – ela disse dando um enorme sorriso
- Como assim? – eu perguntei franzindo a sobrancelha
- Daqui a pouco você descobre. – ela disse piscando. – Então, por onde você quer começar?
- Do começo, obviamente...
- Hum.. ok, então. Vou contar o que aconteceu depois que saí àquele dia na sua casa, ok?
- Sim. – eu disse me ajeitando na cama.
- Foi o seguinte: quando eu saí da sua casa àquele dia, minha cabeça tava à mil, eu comecei a chorar e andar de carro que nem uma louca sem nem saber pra onde ir, minha mãe me ligou várias e várias vezes, mas eu não atendi, quando voltei pra casa naquele dia eram 22:30 da noite e minha mãe tava na minha casa, me esperando. Ela brigou comigo por não atender o celular e começou a chorar. Eu fiquei totalmente perdida e sem entender nada, então ela disse que meu pai tinha infartado. Você não imagina como eu fiquei, a única coisa que eu queria fazer era poder estar com você e chorar no teu ombro, mas eu sabia que eu tinha te magoado e você não queria me ver nem pintada de ouro, então eu decidi não te incomodar, eu sei que naquela noite eu não dormi, minha mãe disse que já tinha comprado as nossas passagens e que no dia seguinte iríamos viajar, eu fiquei louca, porque por um lado eu precisava viajar de qualquer jeito, eu precisava ver meu pai e por outro lado eu queria falar com você antes, eu não queria ir embora sem falar com você, eu queria voltar com você, então como nós íamos viajar às 14 horas, eu passei no seu colégio na hora da sua saída e fiquei te esperando, você não me viu, mas eu te vi, e quando eu ia falar com você, neste exato momento, você abraçou a Amanda, aquilo me consumiu de tal maneira que eu fiquei com muita raiva e resolvi ir embora sem nem falar com você antes. No avião eu chorava e chorava, e minha mãe dizia que era pra eu esquecer você, que isso que eu estava sentindo passaria, e eu só fazia chorar, quando cheguei lá, meu pai estava no hospital, mas graças a Deus, tinha ido pro quarto, mas devido ao que aconteceu ele ficou com seqüelas, no andar, no falar. Eu fiquei tão desesperada ao vê-lo daquele jeito, eu queria poder te ligar e dizer o que estava acontecendo, mas meu orgulho falava mais alto. Os meses foram passando e meu pai teve que começar a fazer fisioterapia e uma fonoaudióloga começou a acompanhá-lo em casa. Ele pedia constantemente que eu ficasse lá e não voltasse pra cá, ele precisava de mim, afinal é meu pai, toda vez que eu pensava em te ligar ou mandar um e-mail, a cena de você abraçando a Amanda vinha na minha cabeça. Agora vendo desse jeito, eu consigo ver como fui infantil ao fazer isso, eu poderia ter consertado as coisas antes e elas não teriam chegado à esse ponto. Minha mãe falava todo dia no meu ouvido que eu tinha que te esquecer e que eu deveria me preocupar com meu pai. E Deus sabe, amor, como eu cuidei do meu pai, eu sempre estava disposta a ajudá-lo, e me sentia muito bem por fazer isso por ele. Até que um dia eu estava sentada ao lado dele enquanto ele dormia, e eu lembrei de você como sempre, então comecei a chorar, nisso meu pai acordou e perguntou por que eu estava chorando e eu disse que não queria preocupá-lo com meus problemas, mas ele insistiu e eu contei, eu lembro como se fosse ontem o que ele me disse: “Não espere que as coisas aconteçam por si só, corra atrás, faça por merecer, faça acontecer, se é isso mesmo que você quer, volte lá e pegue o que é seu”. Então eu esperei até o tratamento da fonoaudióloga acabar pra vir cá, pegar o que é meu e fazer acontecer.
UAAAU! Eu nunca ia imaginar que ela tinha passado por isso, ela tava tão emocionada contando do pai, com lágrimas nos olhos. E eu lembro das noites que eu pensava que ela devia estar beijando outra garota, fazendo acontecer lá nos EUA.
Eu me aproximei e a abracei bem forte.
- Eu sei que não justifica o que eu fiz, o que eu falei, eu sei disso, e por isso eu peço perdão. Perdoa-me por não ter sido uma namorada boa pra você. Desculpa se eu fui muito insegura, mas esse tempo fora também me fez ver que eu preciso deixar meu ciúmes.
- Shh, não precisa dizer nada. Eu perdôo você. E me perdoa também por ter deixado as coisas tomarem tal proporção.
- Eu tava com tanta saudade! Eu te amo tanto!
- Meu Deus, que saudade de ouvir sua voz dizendo isso! – eu disse pensando alto
- É? – ela perguntou se separando e sorrindo pra mim.
- Sim.
- Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo! – ela disse sorrindo e veio aos poucos me beijar, mas eu me afastei. – Que foi? – ela perguntou me olhando confusa
- Eu também preciso te contar uma coisa! – eu disse chegando pra trás e encostando na cabeceira de novo.
- Conta, então... – ela disse se ajeitando na cama
- Bom, eu vou direto ao ponto... eu e a Amanda acabamos nos envolvendo. – ela ficou me olhando um tempo, olhou pra baixo e disse calma:
- Você se apaixonou por ela? – ela perguntou ainda olhando pra baixo
- Sim, de certa forma, sim. – eu disse sincera. Ela fez uma expressão de dor
- E como nós ficamos? – ela me olhou, mas sua expressão ainda era calma
- Não sei, Bruna. A Amanda me faz bem, me trata bem, e eu gosto de estar com ela,conversar com ela, mas de repente você aparece e faz a minha cabeça girar. Eu preciso de um tempo pra pensar.
- Ok. Claro que precisa, tudo bem. Mas me diz uma coisa?
- Sim.
- Você ainda me ama? – ela perguntou olhando nos meus olhos, com um olhar tão profundo.
- Sim. – eu disse com a mesma intensidade de olhar. Ela sorriu.
- A Priscila deve estar louca atrás de você! – ela disse rindo
- Meu Deus, a Priscila! – eu disse arregalando os olhos
- Calma, a Lê ficou de falar com ela, fica tranqüila!
- Quer dizer, que não tinha festa nenhuma?
- Na verdade, a festa deve estar rolando ainda! – ela olhou no relógio do seu pulso
- Melhor a gente ir pra lá, não?!
- Se você quer, podemos ir...
- Que horas são? – eu perguntei
- 23:50.
- Nossa, passou muito rápido!
- O tempo comigo sempre voa! – ela disse sorrindo
- Convencida sempre, né?! – eu disse dando um tapinha no seu braço
- Que isso, amor, nunca, humildade sempre. – ela disse sorrindo
- Sei...
- Vamos? – ela perguntou levantando
- Vamos! – eu disse e comecei a colocar meu sapato enquanto ela levava as coisas pra cozinha. Terminei de colocar minha sandália e fui ajudá-la.
Terminamos de arrumar o quarto da Letícia e saímos.
- Vai deixar a porta aberta? – eu perguntei olhando pra porta
- Ih, é... – ela colocou a mão no bolso da calça e tirou uma chave, trancou a porta e caminhou pro meu lado.
- Sabe onde é? – eu perguntei começando a andar
- Sei sim, ela me falou onde é. Quer ir de carro? – ela perguntou parando
- Pra mim tanto faz, mas é perto, não?
- Sim, mas e na volta? É melhor ir de carro, pra depois te levar em casa.
- Não, se for por isso, não precisa, a gente pode ir a pé mesmo. – eu disse voltando a andar.
Ela não me respondeu e eu continuei andando, quando olhei pro lado, ela não estava mais, então escutei barulho de porta de carro fechando, pra logo depois vê-la ligar o carro e pará-lo do meu lado.
-Vamos? – ela perguntou sorrindo e abrindo a porta pra mim.
Eu olhei pro lado, deixei meus ombros caírem em sinal de desistência e entrei no carro.
- Parece até que somos sedentárias!
- Não tem a ver com isso, simplesmente não vou deixar você ir sozinha pra casa tarde!
- Mas eu vou com a Priscila e de táxi.
- Mesmo assim... não teima, não vai me fazer mudar de idéia. – ela disse sorrindo
- É... Bruna, e seu pai? Como ele está agora? – eu a olhei e vi que ela ficou tensa, continuou olhando pra frente e depois lançou seu olhar rapidamente pra mim.
- Tá melhor, Dani. A fono o ajudou bastante. Mas o médico disse que algumas seqüelas podem ser pra sempre.
- Como o quê, por exemplo? – eu perguntei tirando meu cinto ao perceber que tínhamos chegado.
- Como eu disse o andar, às vezes ele fica tonto, não chega a cair, mas uma vez ele caiu, tivemos que levá-lo de volta pro hospital. Enfim, a fala dele tem dias que parece que tá embolada também. – ela fechou as janelas e tirou o cinto.
- Mas no geral ele está bem, né?! – eu disse sorrindo
- Sim, graças a Deus. Por isso eu vim também. Eu sabia que ele ia agüentar. – ela disse sorrindo e mostrando seus lindos dentes.
- Que bom! Parece que a festa tá boa, né?! – eu indaguei olhando pra casa que estava agitada.
- Sim. Apesar de eu achar que ficaria melhor se fôssemos só nós duas. – eu fiquei olhando para ela e pensei na Amanda. Eu não vou ficar com a Bruna, eu não vou ficar com a Bruna. Eu não posso magoar uma pessoa que tem se mostrado maravilhosa.
- Vamos. – eu disse já abrindo a porta do carro
Eu fiquei parada esperando-a, tinha gente do lado de fora da casa, conversando, bebendo. Tinha até gente que eu conhecia, mas não via fazia anos.
Nós entramos e a casa estava lotada, cheio de gente dançando no que devia ser a sala.
- Onde será que elas estão? – eu perguntei no ouvido da Bruna por causa da música
- Não sei. Vamos procurar! – ela disse pegando na minha mão.
Depois de andar no meio daquela gente, encontramos a Letícia conversando, falando no ouvido de uma garota. Ela sorria pra menina e a mesma retribuía, quando ela nos viu, sorriu para nós também.
- Pensei que não vinham! – ela disse me abraçando
- Quer dizer, que foi tudo combinado, né?! – eu disse dando um sorriso super sem graça
- Deu certo todo o trabalho? – ela perguntou olhando pra Bruna
- Quase. – Bruna disse olhando pra mim e sorrindo carinhosamente
- Sério? Poooxa.
- Calma, Lê, eu tenho todo tempo do mundo. – Bruna disse fazendo Letícia rir
- Você não faz idéia de como essa garota me perturbou esses dias todos! Por favor, faça toda minha paciência valer a pena! – eu tive que rir
- Não exagera, Letícia! – Bruna disse rindo
- Foi sim, Daniela, tinha que ver como ela estava agitada! Eeei, falando em agitada, sua amiga tá desesperada atrás de você! Eu conversei com ela, que ela não precisava ficar preocupada, mas não contei nada, acho que ela está achando que eu fiz alguma coisa com você, então é melhor você ir atrás dela!
- Meu Deus, a Priscila! Onde ela está? – eu perguntei
- Hum... a última vez que a vi, ela estava na parte de trás da casa com uma outra amiga sua! – ela disse olhando pra trás de mim. Outra amiga minha?
Quando eu me virei vi Priscila vindo em minha direção e quando olhei para seu lado... Meu Deus! Não vai dar certo! A Amanda veio!
Eu comecei a ficar inquieta, mais inquieta ainda quando a Amanda viu a Bruna e ficou sem entender nada, olhei pra Bruna e ela mantinha seu olhar em mim. Priscila não percebeu nada e continuou vindo.
- Daniela! Eu pensei que ela tinha te seqüestrado! Ela me arrastou pra cá e... – quando ela olhou pro meu lado e viu a Bruna, parou de falar e ficou olhando a Bruna um tempo.
- Eu estou bem, Pri! Oi Amanda! – eu disse sorrindo pra Amanda, que apenas me olhou.
- Bruna? O que você tá fazendo aqui? Você tava viajando? É por isso que você demorou? – Priscila saiu falando que nem uma desesperada
- Oi Priscila! É bom te ver de novo também. – Bruna disse sorrindo simpaticamente. – É... olá Amanda! – ela disse olhando pra Amanda.
- Oi Bruna. Ninguém me contou que você tinha voltado! – ela disse isso me olhando muito sério
- Na verdade, ninguém estava sabendo, foi uma surpresa mesmo. – Bruna disse ainda olhando fixamente para Amanda.
- Ei, Priscila, tô morrendo de sede, onde estão as cervejas? – eu perguntei pra Priscila que ficou me olhando prendendo um riso.
- É pra lá! – ela disse apontando. – Quer que eu te leve lá?
- Por favor... – eu disse começando a andar, quando senti uma mão na minha me segurando
- Você vai voltar? – olhei pra Bruna que me olhava com tristeza.
- Nós vamos voltar sim. Amanda, você vem? – me virei pra Amanda
- Sim. – ela só disse isso e pegou minha mão. Ai, tô muito ferrada!
Eu nem quis olhar pra trás pra ver a cara da Bruna vendo isso.
- Priscila, você se importa de pegar a cerveja pra ela, enquanto a Daniela vai no banheiro comigo? – Amanda perguntou
- Não não, Mandy, vai lá!
- Valeu, Pri! – Amanda não disse nada, só me puxou em direção a uma porta que devia ser o banheiro. Ela já até conhecia a casa.
Nós entramos no banheiro e eu fiquei encostada na porta, ela parou um pouco mais a frente e me olhou:
- O que tá acontecendo aqui? – ela perguntou me olhando bem nos olhos.
- Amanda, eu só quero que você saiba, que eu não sabia que ela tinha voltado, eu fiquei tão surpresa quanto você. A Priscila te contou o que aconteceu?
- Sim. Ela disse que você foi buscar um porta-CD pra Letícia, e essa menina disse que era pra elas virem que você ia demorar. A Priscila disse que ainda te chamou, mas você não respondeu. – ela disse franzindo a testa
- Deve ter sido por causa da música! – eu disse mais pra mim mesma, mas ela escutou.
- Que música? – ela perguntou cruzando os braços.
- A Bruna fez uma surpresa pra mim. Ela arrumou o quarto da Letícia e colocou umas músicas. Mas deixa eu dizer que nada aconteceu entre a gente.
- Sério? Posso confiar em você? – ela perguntou seriamente
- Sim.Eu disse que ficaria comportada não disse?! Aliás, eu não faria isso, sabendo que te magoaria. – eu disse sorrindo de lado.
- E como você está agora? – ela perguntou chegando mais perto e me abraçando pela cintura
- Confusa, Amanda, eu confesso que estou muito confusa.
- Ela ainda mexe com você, né?! – ela perguntou olhando pro lado
- Eu não vou mentir, mexe sim. Mas como eu disse pra ela, eu estou apaixonada por você e não sei o que fazer, eu só quero um tempo pra pensar nisso tudo.
- Você disse pra ela que está apaixonada por mim? – ela perguntou sorrindo
- Sim. – eu disse dando uma risadinha
- Nossa! Ela não ficou com raiva?
- Na verdade, ela me parece estar diferente. Ela disse que tudo bem e que espera meu tempo.
- Hum...
- Ela passou uma barra, Amanda.
- Como assim? – ela perguntou colocando a cabeça de lado
- O pai dela enfartou, por isso, ela viajou tão rápido.
- Eita, que ruim. Mas ele está bem?
- Sim sim. Que bom, né?!
- Claro! – ela disse sorrindo
- Vamos voltar? – eu perguntei
- Sim, mas antes me dá um beijinho... – ela disse e veio me beijar, e eu deixei, mas eu admito que ainda estou um pouco tensa. Pensar que a Bruna está ali fora e eu aqui com a Amanda, sei lá, é estranho.
- Você não me falou como veio parar aqui. – eu perguntei assim que me afastei
- Ah, acabou que a mulher do chefe da minha mãe ficou doente, aí ele cancelou, aí eu resolvi vir pra cá. Liguei pro seu celular e a Priscila atendeu, ela me disse que não sabia onde você estava, eu já fiquei preocupada, aí pedi o endereço e vim pra cá. Já tava ficando nervosa te esperando. – ela disse rindo
- Linda! – eu disse sorrindo
- São seus olhos. – ela disse sorrindo também
Eu dei um selinho rápido nela e abri a porta. Tinha gente esperando pra ir no banheiro, quando a menina viu a gente saindo, ficou rindo. Eu nem liguei, olhei pro lado e vi a Priscila conversando com a Bruna, na mesma hora a Amanda pegou na minha mão. Olhei para ela e ela sorriu pra mim, eu apenas dei um sorriso sem graça. Nos aproximamos das meninas:
- Danii! Sua bebida! – Priscila disse me entregando uma latinha
Dei um gole na minha cerveja e meu olhar foi pra Bruna, que olhava pra minha mão entrelaçada com a da Amanda, o que me deixou super desconfortável.
- Então, Bruna, me conta como foi de viagem? – Amanda perguntou
- Já passei por coisas melhores, Amanda. Mas confesso que me fez bem também!
- Tenho certeza que sim. – Amanda disse
Nós ficamos conversando um tempo, o clima era desconfortável, mas dava pra levar, a Priscila era a única que tava bem ali.
Depois de um tempo conversando, uma menina veio falar com a Bruna, trocaram beijos no rosto e a Bruna pediu licença:
- É, depois eu volto, essas pessoas estavam com saudades! – Bruna disse fazendo a menina rir e a segurar pelo pescoço e a arrastar pra uma roda. A menina que a levou estava visivelmente bêbada.
Continuamos nós três conversando, e às vezes eu olhava pra onde a Bruna estava, não acreditando que ela tinha voltado. A menina continuava com o braços em volta do seu pescoço, mas a Bruna parecia ignorar tal fato. Sim, isso me incomodou.
Acho que a Amanda percebeu, pois ela pediu pra irmos embora:
- Vamos, gente? Já não tem mais nada pra fazer! – ela disse nos olhando
- Ah, a festa tá boa! – Priscila disse se mexendo de acordo com a música.
- Dani? – ela me olhou. É, a festa tinha acabado pra mim também, se não fosse a situação, com certeza ficaríamos ali bastante tempo, mas a situação tomou conta da minha mente que tava ficando cansada.
- Vamos, então.
- Ihh, que malas! – Priscila disse
- Quer ficar, Pri? Não tem problema, eu falo com a Lê!
- Ah, não, vou pra sua casa mesmo! – ela disse rindo
- Ok, então! – eu disse sorrindo – Só vou me despedir da Letícia!
Nós começamos a procurar a Letícia, eu vi na hora que a Bruna levantou e veio até nós:
- Já vão? – ela perguntou me olhando
- Sim. – eu disse olhando pro seu rosto
- Eu vou levar vocês! – ela disse olhando só pra mim
- Não precisa, Bruna, obrigada! – eu disse
- É, Bruna, pode deixar que a gente chega bem. — Amanda disse
- Desculpa Amanda, mas eu disse que ia levar a Daniela, e eu vou fazer isso. Espero que não se importe! – Bruna disse finalmente direcionando seu olhar pra Amanda
- Bom, Bruna, já que você insiste! – Amanda disse sem dar um sorriso
- Eu insisto! Você vai falar com a Lê? – Bruna me olhou de novo
- Sim. Sabe onde ela está? – eu perguntei
- Aham. Ela está na sala dançando. Eu te levo lá. – ela disse chegando mais perto, quando ela ameaçou pegar minha mão, Amanda me puxou pela cintura pra mais perto. Bruna ficou sem graça e olhou pra Amanda:
- Vem vocês também! – Bruna disse e saiu andando
Chegamos na sala e a Letícia estava se acabando de dançar, eu cheguei até ela e me despedi:
- Lê, tô indo, tá?
- Já, amiga?
- Sim. Mas olha, Feliz aniversário!
- Obrigada, amor. – ela disse me abraçando – Dani, não deixe o mesmo erro acontecer pela segunda vez, eu sei que você sabe a resposta disso tudo. Apenas pense nisso! – ela disse isso e me deu um beijo. Deixou-me mais confusa ainda, vou dar um desconto porque ela já está bêbada.
Nós fomos em direção ao carro e eu não sabia se ia na frente, se ia atrás.
- Eu vou na frente! – Priscila disse parecendo adivinhar meus pensamentos. Eu sorri pra ela em agradecimento.
Nós entramos no carro, a Bruna me olhou pelo retrovisor e começou a andar com o carro. Eu e Amanda estávamos de mãos dadas e ela tinha deitado a cabeça no meu ombro. Eu vi na hora que a Bruna ficou olhando pra gente e franziu a testa e voltou a dirigir.
- Amanda, você mora perto da Dani, né?!
- Sim, Bruna, mas pode me deixar lá na casa dela que eu vou dormir lá.
- Vai dormir lá? – Bruna perguntou
- Sim. – Amanda respondeu e deitou a cabeça no meu ombro novamente
- Eu vou também! – Priscila disse tentando amenizar a situação
- Ah, sim! – Bruna pareceu mais aliviada, ainda tensa, mas um pouco mais aliviada.
Quando nós chegamos a Amanda agradeceu e já foi saindo do carro, a Priscila ainda deu um beijo na Bruna e deu um abraço.
- Obrigada, Bruna! É... até qualquer hora. – eu disse ameaçando sair
- Ei, Daniela, perai. – ela disse me chamando — Vem cá! – ela pediu. Eu fiquei receosa, mas cheguei mais perto.
- Fala.
- Toma. Seu presente de aniversário. – ela disse me entregando uma chave bem pequena, parecia chave de diário. Eu fiquei olhando pra chave e olhei pra ela
- É, bom, obrigada.
- Você não consegue entender? – ela perguntou sorrindo
- O quê?
- Essa é a chave que vai abrir seu presente. – ela disse sorrindo. MEU DEUS! A caixinha que eu ganhei hoje. Então era Bruna o tempo todo.
- Mas, mas, você é a pessoa que tava mandando aquelas coisas? – eu perguntei confusa
- Sim. – ela disse sorrindo. – Espero que goste do presente. Foi com muito carinho.
- Bruna, o que quer dizer “SEN”? – eu perguntei antes de sair
- É o que eu vou sempre ser pra você...
- Me diz, por favor... – eu pedi quase implorando
- Sua Eterna Namorada.
Notas finais
Beijos.
Fale com o autor