Apenas mais Uma de Amor
34 Capítulo 34 - SEN.
- Por que não me ligou? – Priscila perguntou quando eu sentei ao seu lado no banco do pátio.
- Ih, desculpa, eu acabei esquecendo! – eu disse colocando a mão na testa
- Ok. – ela disse me analisando
- Você queria falar alguma coisa?
- Não, só liguei pra conversar mesmo. Dani, tá tudo bem?
- Não.
- Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou jogando a cabeça pro lado
- Tô com uma dor de cabeça dos infernos. – eu disse colocando a mão na cabeça
- É só isso mesmo?
- Sim, o que mais seria?
- Por que algo me diz que tem a ver com aquela pessoa que está vindo ali?! – ela disse apontando disfarçadamente pra entrada, antes de olhar eu já sabia quem era.
- Posso saber por que você acha que a Amanda tem alguma coisa com isso? – eu perguntei me virando pra ela de novo.
- Intuição. Mas é ou não? –ela perguntou
- Um pouco, depois eu conto melhor. – eu disse já sentindo a Amanda do meu lado no banco
- Conta o quê? – ela perguntou me dando um beijo no rosto e abrindo um sorriso pra Priscila.
- Nada de mais. – eu disse tentando disfarçar dando um sorriso de lado.
- Hum... sei. Mas Pri, você perdeu o filme, foi muito legal! — a Priscila me olhou mais um pouco e virou para ela.
- É? Que bom, depois a gente marca e vocês vão comigo de novo.
- Claro.
- Bom dia, meninas! – Pedro chegou já jogando a mochila em cima da gente e bufando
- Iiih, acordou bem hoje, hein?! – Priscila disse
- Como vocês podem ver... – ele disse ainda de cara fechada
- Aconteceu alguma coisa, Pê? – eu perguntei franzindo a testa quando senti uma pontada na minha cabeça
- Ah, eu briguei com a Raquel!
- Ué, mas por quê? – eu perguntei de novo
- Ciúmes da parte dela.
- Ciúmes de quem? – dessa vez a Priscila perguntou
Ele olhou pra nós três e de repente fixou o olhar na Amanda, como se isso fosse responder. Eu olhei pra Amanda e ela tava olhando pra unha sem graça.
- Ahhh, entendi. – eu e Priscila dissemos ao mesmo tempo.
- Pois é. PRONTO, VAI COMEÇAR TUDO DE NOVO!- disse ele bufando e olhando pro portão. Como se fosse combinado, nós três olhamos e a Raquel aparecia com cara de poucos amigos vendo onde Pedro estava. Ela apenas deu um sorriso fraco pra mim, o qual eu correspondi e seguiu até suas amigas.
- Vai falar com ela, Pedro. – eu disse olhando pra ele novamente
- Por que eu? Ela que tá arrumando idéia! – ele disse passando a mão no cabelo
- Você já sabe como ela é mesmo...
- Não sou obrigado a aturar essas crises dela! – ele disse parecendo irritado, mas ainda falando baixo
- Isso é por que ela gosta de você, Pedro.
- Quando você brigava com a Bruna por ciúmes dela que não tinha cabimento, você não ficava irritada? – eu parei de escutar quando ele disse “Bruna”. Eu senti o olhar da Amanda na mesma hora sobre mim. E eu fiquei lá parada lembrando do meu sonho.
- Daniela? – ele perguntou chegando pra frente
- Oi. – eu disse balançando a cabeça e olhando para ele.
- Você escutou o que eu disse?
- Sobre a Bruna? – eu disse franzindo a testa de novo com outra pontada
- É... você não ficava irritada?
- Sim.
- E o que você fazia?
- Eu... eu falava pra ela que não tinha motivos para ela sentir ciúmes, mas na verdade, não adiantava muito, ela era muito cabeça dura.
- Mas você a procurava?
- Primeiro eu a deixava esfriar a cabeça e depois tentava conversar, a não ser quando ela vinha pronta pra brigar, eu brigava também. – eu disse dando uma risadinha de lado lembrando das brigas.
- Você lembra bem das coisas, né?! – Amanda disse virando um pouco pra me olhar séria.
- Foi mais de um ano de namoro... – eu disse tentando explicar
- Aham, e guardou bem, né?! – eu olhei pro Pedro e ele tava tentando entender a Amanda.
- Agora não. – eu disse bem baixinho só pra ela ouvir
Ela ia falar alguma coisa, mas o sinal tocou e eu me levantei.
- Vamos, gente! – Priscila disse sentindo o clima.
Nós três subimos em silêncio e quando estávamos sentando:
- Amanda, você se importa se eu sentar com a Dani só hoje? Preciso dela pra aula de Química. – Pedro disse fazendo cara de pidão
- Não, fica aí. – ela disse indo sentar do lado da Priscila sem nem olhar pra nossa cara.
- Ela ficou com raiva?
- Quem? – eu perguntei me fazendo de besta
- A Amanda.
- Por que ficaria? – eu perguntei tentando disfarçar
-Sei lá, ela ficou estranha de repente.
- Impressão sua. – eu disse pegando meu caderno e olhando o professor entrar.
A aula de Química passou rápido devido ao trabalho que o professor passou em dupla. Eu podia sentir o olhar da Raquel sobre o Pedro e quando eu olhei uma vez, ela desviou.
Tivemos aula de Biologia e finalmente o intervalo.
- Eu sou a única que tá de bom humor, né?! – Priscila perguntou chegando do meu lado
- É o que parece...
- Amanda não gostou muito do jeito que você tava falando da Bruna.
- Que jeito? – eu perguntei
- Hum... tava nostálgica demais, entende? Parecia com saudades, não sei.
Eu apenas fiquei pensando no que ela disse e pouco depois a Amanda e o Pedro apareceram do nosso lado também.
- Pô, gente, vamos fazer alguma coisa depois da aula. – Pedro disse parecendo mais animado
- Eu não tô muito com... – ele me cortou
- Ah, para, Dani, há quanto você não se relaciona com alguém? Desde que a Bruna foi embora você não ficou com mais ninguém. – eu fiquei calada. O que eu poderia dizer? Contar que eu tava ficando com a Amanda pra ele assim, do nada, ele ia se assustar.
- Pedro, deixa de ser chato. Mas pensando bem, Dani, vamos sim! A gente pode ir ao cinema, já que a Amanda falou bem do filme, fiquei curiosa. – Priscila disse tentando disfarçar
- Ei, foram no cinema e nem me chamaram? – Pedro perguntou parando e olhando pra gente
- Pois é, foi decisão rápida. – eu disse passando a mão no cabelo
- E por que tu não foi? – ele perguntou pra Priscila
- Porque minha mãe queria que eu ficasse um pouco com ela, disse que eu não paro em casa. – ela disse fazendo bico
- Foram só vocês duas? – Pedro perguntou olhando pra mim e Amanda.
- Sim. – Amanda disse rápido. Ele ficou olhando pra gente e por um momento pareceu desconfiado.
- Na verdade, minha mãe também foi. – eu disse lembrando
- Ahhh. – ele desfez aquela cara. Aliás, por que teria alguma coisa entre a gente com a minha mãe indo junto?
- Mas então, vamos gente? – Priscila perguntou empolgada também.
- É, né?! Vamos. – eu disse dando ombros.
Assim que terminaram as aulas combinamos de nos encontrar no shopping às 15h.
- Oi mãe. – eu disse assim que coloquei os pés em casa.
- Oi minha linda. – ela disse aparecendo na porta da cozinha – Tá com fome, né?! O almoço já tá pronto.
- Eu vou só tomar um banho antes, mãe. – eu disse já indo pro meu quarto pegar minha roupa.
- Não demora. – ela disse antes de eu fechar a porta do banheiro.
Eu tomei um banho e fiquei com roupa de andar em casa mesmo, ainda são 13:30.
- Mãe, eu vou pro cinema com o pessoal, tá? – eu disse tomando um gole do meu suco
- Hum... agora? – ela disse antes de colocar a comida na boca.
- É... me leva? – eu pedi
- Levo sim. Quem vai?
- Só eu, a Pri, o Pedro e Amanda.
- Ah sim. Já tá de bem com ela?
- Ah, mais ou menos. Ainda não conversei com ela. Falta de oportunidade.
- Sei... mas você pensou?
- Sobre?
- Sobre os seus sentimentos.
- Eu ainda tô um pouco confusa e cheguei a conclusão de que eu não posso seguir adiante com a Amanda com essa confusão que tá na minha cabeça.
- Eu concordo plenamente. Mas o que você pretende falar pra ela?
- Bom, a verdade.
- E qual é a verdade?
- Que eu estou confusa e que não quero que isso atrapalhe o que a gente tem.
Ela ficou calada pensando e depois iniciamos outros assuntos, o final do ano tá chegando e a festa de formatura também, minha mãe quis saber dos detalhes. Quando terminamos de almoçar, eu fiquei com a louça, depois fui me arrumar.
- Tô pronta, mãe! – eu disse parando em sua frente
- Tá linda. Vamos. – ela disse levantando e pegando a chave do carro.
- Ih, mãe, perai, meu celular. – eu disse enquanto minha mãe saía. Fui até meu quarto e o encontrei em cima da cama com uma mensagem da Priscila.
“Tô saindo de casa, vê se não demora e não vai me deixar esperando, tá?! Te encontro lá. Beijos.”
A mensagem tinha chegado às 14:30 e são 14:40, ou seja, ela nem vai esperar muito.
Quando eu saí, pensei que encontraria minha mãe já no carro, mas não, ela continuava na porta com um buquê de flores vermelhas na mão.
- Agora você tem um admirador secreto, é?! – eu disse rindo
- Antes fosse, mas parece que esse admirador é seu. – ela disse me entregando
Eu fiquei olhando pro buquê, olhei pra minha mãe e finalmente peguei.
- Pra mim?
- Você é a única Daniela nessa casa. Abre logo, tem um bilhete. Deve ser da Amanda. – ela disse tudo de uma vez, enquanto eu equilibrava o buquê e abria o bilhete.
“Provavelmente você deve estar pensando quem sou eu, então, uma dica: Não tente adivinhar. Apenas deixa as coisas acontecerem, pode ser? Espero que goste das flores.
Beijos. “
- Então, são da Amanda? – minha mãe perguntou ansiosa
- Não.
- Não? Ué, de quem é então?
- Não sei. – eu disse olhando para ela
- Não sabe. Então é secreto mesmo? O que diz aí?
Eu li o bilhete novamente em voz alta para ela.
- Nossa, essa pessoa gosta de manter o suspense.
- Pois é. Lindas, né?! – eu disse olhando as flores
- Lindas, muito lindas. Venha, deixa comigo que quando eu voltar coloco na água. – minha mãe disse caminhando para o carro depois de trancar a porta.
- Mãe, quem entregou não disse nada?
- Não não. Você foi buscar seu celular e um rapaz apareceu dizendo ser uma entrega pra você, e acho que ele nem é entregador mesmo.
- Por quê?
- Não tinha cara. Parecia mais um “contratado”. – ela disse fazendo aspas com uma mão
- Estranho. – foi a única coisa que eu consegui dizer.
Eu fui o caminho todo olhando para as flores e lendo e relendo o bilhete. Eu já tinha até decorado.
- Gostou mesmo, hein?! – minha mãe disse parando em frente ao shopping
- Fiquei curiosa, só isso.
- Sei... acho melhor você ir logo, olha a cara da Priscila. – ela disse apontando pra porta do shopping onde a Priscila estava com uma cara de poucos amigos.
- Mas era pra ela esperar em frente ao cinema. – eu disse mais pra mim mesma. – Tchau, mãe. Obrigada. E ah, não esquece de colocar na água, por favor.
- Pode deixar. Se cuida, viu?! Quando terminar, me liga que eu venho te buscar.
- Tá bom. – eu disse fechando a porta do carro.
- Espero que o seu atraso tenha uma boa explicação. – Priscila disse já começando a andar.
- Ué, cadê a Amanda e o Pedro? – eu perguntei olhando para os lados e ignorando sua pergunta
- Estão lá dentro comprando os ingressos, eu vim pra cá, pra ver se você chegava. Brincadeira, hein?!
- Calma, desculpa. Ninguém vai morrer por causa disso. Aliás, eu tenho uma justificativa.
- Sou toda ouvidos.– ela disse enquanto subíamos pela escada rolante
- Recebi umas flores e um bilhete na hora que estava saindo de casa.
- Flores? Bilhete? De quem? Da Amanda? Mas ela não falou nada. – ela disse virando pra mim e depois voltando sua atenção à escada
- Acho que não foi ela, por que no bilhete não tinha nome.
- Hum.. tipo um admirador secreto?
- É, acho que é mais ou menos isso.
- Nossa, que legal!
- Legal? Eu fiquei curiosa.
- Essa é a graça. Se prepara, que pra ter deixado esse suspense, é porque vem mais por aí.
- Será? – eu disse avistando Amanda e Pedro conversando
- Claro, né?! Senão qual seria o intuito disso?
- É, acho que você tem razão.
- Sempre tenho. E ah, espera a Amanda ficar sabendo disso, aí mesmo que ela tem um treco.
- Por enquanto eu não vou falar nada, porque não deve ser nada de mais. Eu e ela já não estamos lá essas coisas.
- Você que sabe, eu nem vou comentar nada, fica tranqüila. Mas depois vai ter que me mostrar.
- Ok e Obrigada. – eu disse dando uma risada
- Finalmente a madame apareceu, né?! – Pedro disse levantando as mãos
- Desculpa, eu me enrolei um pouco. – eu olhei pra Amanda e sorri de lado e logo depois dei um “Olá”.
- Então, vamos? – Priscila perguntou
- Eu vou comprar um refrigerante e pipoca, mas podem ir na frente. – Amanda disse
- Eu fico com você. – eu disse
- Ok então, a gente se vê lá na porta da sala. – Pedro disse já levando a Priscila junto
A fila não tava cheia então logo chegou nossa vez.
- Daniela, tá tudo bem? – Amanda perguntou enquanto a gente ia pra sala do cinema
- Sim. Por quê?
- Nada, você tá com uma cara de mundo da lua.
- Impressão sua.
- Mesmo?
- Sim sim. Ali eles. – eu disse já caminhando com a Amanda ao meu lado em direção a sala.
Sentamos Pedro, Amanda, eu e Priscila.
- Ei, a Amanda já tá falando direito com você? – Priscila perguntou baixinho no meu ouvido
- Mais ou menos. Por quê?
- O jeito que ela tava no colégio, saiu sem falar nada. E o jeito que ela falou agora quando você chegou.
- Depois eu vou conversar com ela. Agora vamos ver o filme que vai começar. – eu disse bem baixinho e virando pra frente.
Durante o filme a Priscila dava altas risadas do meu lado, apesar de ser a segunda vez que eu e Amanda víamos, conseguíamos rir novamente, Pedro não ficava atrás, aliás, toda a sala do cinema ria e se divertia com o filme.
Amanda e eu não trocamos palavras, acho que ambas concordávamos de que não era o momento nem pra mandar “indiretas”.
- Porra, muito bom esse filme! – Pedro disse passando o braço no meu ombro.
- Aham. E olha que é a segunda vez que eu vejo, e dei boas risadas também. – eu disse passando o braço em sua cintura.
- E aí, vamos lanchar, né? Tô com mó fome! – ele disse olhando para as opções na praça de alimentação.
- Eu comi pipoca, mas ainda consigo comer mais um pouco. – Amanda disse arrancando risada da Priscila
- Nossa, Mandy, magra de ruim, né?!
- Estou em fase de crescimento. – rebateu Amanda arrancando risadas de nós.
- Ok, e aonde vocês pretendem ir? – Eu disse ainda rindo
- Bora no Subway? – Pedro disse olhando para o ambiente.
- Huum... eu topo! – eu disse gostando da idéia.
Amanda e Priscila toparam também e entramos no local. Cada um decidiu o que ia comer e fez seu pedido.
Lanchamos em um clima bem descontraído, conversando sobre o colégio e tudo o mais.
Quando terminamos de lanchar e de conversar eram 19 horas, dei uma ligada lá pra casa e pedi pra minha mãe ir me buscar, aproveitei também pra pedir carona pro pessoal, minha mãe não reclamou e disse que os levaria sim pra casa.
- Pô, nem falei pra vocês, tirei minha carteira de motorista! – Pedro disse animado enquanto caminhávamos em direção à saída do shopping.
- Sério? – nós três falamos ao mesmo tempo
- Sério! Finalmente, tava doido pra poder dirigir!
- E por que não veio de carro? – Priscila perguntou
- Porque eu não tenho! Por enquanto meu pai vai dividir o carro dele comigo, e agora ele tá trabalhando.
- Que legal, Pê! Eu também tô querendo tirar a minha! – eu disse pensando na idéia de finalmente poder dirigir.
- Tira sim, Dani, vai ser ótimo, a gente poder revezar quando a gente quiser sair!- ele disse animado
- Falando nisso, agora você vai levar a gente pra sair, né?! – Amanda disse alegre também.
- Claro que sim! Ou você acha que eu ia deixar minhas meninas andarem sozinhas por aí?! – ele disse sorrindo
- Acho bom mesmo. –Priscila disse dando tapinhas no ombro dele.
Depois de uns 10 minutos esperando a minha mãe, ela apareceu.
- Boa noite, tia! – Priscila disse, seguida por Pedro e Amanda.
- Oi meus queridos. Se divertiram?
- Bastante. O filme é bem engraçado. – Priscila disse toda sorridente
- Vocês foram ver aquele que nós vimos? – minha mãe perguntou olhando pra mim
- Sim. – eu respondi enquanto ligava o rádio bem baixinho.
- Esse filme é bem legal mesmo. – Daí em diante eles iniciaram uma conversa. A relação da minha mãe com os meus amigos é muito boa. Eles gostam muito dela e vice-versa.
Minha mãe deixou o Pedro primeiro em casa já que ele morava mais perto do shopping.
Depois deixou a Pri e depois fomos deixar a Amanda.
De repente começou a tocar “Me transformo em luar – Jorge Vercilo” no rádio, eu aumentei um pouco e comecei a cantar a música baixinho.
Investir o tempo em você
É um lucro absurdo de vida e prazer
Cultivar o brilho em seu olhar
É a coisa mais bela que eu posso querer
Me transformo em luar
Pra saber dos seus pensamentos na beira do mar
Eu não penso em mais ninguém
O seu beijo fica comigo, me faz seu refém
Nossas vidas vão seguir, eu sei
Nos sinais que a sua pele traz
Tem nome de estrelas e constelações
Sei de cor as marcas de um verão
Da saboneteira ao vale dos seios
Me transformo em luar
Pra saber dos seus pensamentos na beira do mar
Eu não penso em mais ninguém
O teu beijo fica comigo e me faz seu refém
Nossas vidas vão seguir, eu sei
Já desisti de pensar
Mas não consigo esquecer
Eu sem você já não há
É o que o amor quer dizer
Eu cantei a música todinha com a cabeça encostada no vidro do carro pensando e pensando. Até que percebi que tínhamos chegado.
- Tchau, tia. Obrigada! – Amanda disse pra minha mãe. Quando ela ia falar comigo, eu disse:
- Eu vou lá fora com você. – eu disse já abrindo a porta do carro. Olhei pra dentro do carro pela janela e disse pra minha mãe: — Já volto, tá?!
- Tudo bem. – ela disse piscando pra mim
Eu caminhei com a Amanda até a porta da sua casa, parando em sua frente.
- Então, só eu estou sentindo um clima estranho? – eu perguntei colocando as mãos nos bolsos de trás da calça.
- Você sabe que não. Mas eu ainda não entendi porque estamos assim.
- Tudo começou com aquele tal de Vinícius. – quando ela tentou me interromper, eu levantei uma mão pra que ela esperasse e voltei a falar: — Calma! Começou com isso e acredito que o fato de eu ter falado na Bruna também te incomodou, porque você tava mal me olhando depois do que eu falei.
- Eu só acho que você se empolgou demais falando dela!
- Entenda que eu não fiz por mal, tá?! O Pedro estava chateado com a Raquel e pediu minha opinião, porque ele conhece muito bem o temperamento da Bruna, eu apenas o fiz. Desculpa se eu exagerei ou disse alguma coisa que não te agradou.
- Ok, eu acho que entendo. E me desculpa também pelo Vinícius, ontem depois que você desligou, eu liguei pra ele, conversei com ele e pedi para que ele parasse com os depoimentos e mensagens. Eu o fiz prometer que não o faria mais. – ela disse dando um sorriso de lado.
- Muito obrigada pela consideração! – eu disse dando uma risadinha
- Acho que agora está tudo resolvido, certo? – ela disse levantando as sobrancelhas. Eu olhei um pouco pra ela, pensei e respondi.
- Sim. Tudo resolvido. – eu disse indo em sua direção pra dar um abraço.
- Eu senti sua falta hoje. – ela disse – Quero dizer, eu estava com você, ao seu lado, te vendo e tudo, mas não consegui ficar realmente perto de você. – ela disse fazendo carinho no meu cabelo.
- Eu sei. Eu também senti. – eu disse sincera, aliás, a presença da Amanda me faz muito bem. Eu não queria estragar o momento e contar sobre buquê, bilhete, sonhos e etc. Eu estava certa de que teria que abrir o jogo, mas agora não, e se eu falasse que queria conversar mais à frente com ela, tenho certeza que ela insistiria para eu falar logo, então, eu resolvi esperar um pouco, deixar ver no que vai dar esses meus pensamentos.
- É melhor você ir, sua mãe já deve estar impaciente! – ela disse dando uma olhada pra trás de mim. Eu acompanhei seu gesto e vi minha mãe olhando no celular. Provavelmente jogando.
- A gente se vê amanhã, linda! – eu disse dando um beijo rápido no seu rosto. Sim, eu ficava sem graça na frente da minha mãe, mesmo tendo quase certeza de que ela não está vendo. Eu nunca forcei nada com a minha mãe, pra não pesar muito na mente dela e a minha timidez também ajuda.
- É rápido. – ela disse se aproximando e me dando um selinho. Assim que ela desgrudou dos meus lábios, olhou pro carro de novo. – Fica tranqüila, ela está intacta olhando pro celular. – Amanda disse dando uma piscada e um sorriso lindo. A minha única reação foi sorrir também.
- Obrigada por ser quem você é. – eu disse abraçando-a de novo e virando indo em direção ao carro.
- Podemos ir? – minha mãe perguntou fechando o celular e ligando o carro.
- Sim sim. Obrigada por esperar, mãe!
- Nada. Pelo jeito se resolveram, né?!
- Pois é. Mas ainda não oficializamos nada.
- Hum... – foi a única coisa que ela disse.
Quando entramos em casa, tinha uma carta no chão, provavelmente tinha sido jogada por baixo da porta.
- Já estava aí? – eu perguntei pra minha mãe
- Não. – ela disse abaixando pra pegar. – Outra carta pra você. – ela disse me entregando após dar uma olhada no envelope.
- Mas... como assim? – eu disse olhando o envelope
- Abre!
- Vou tomar um banho antes! – eu disse indo pro meu quarto e deixando a carta em cima da cama.
Tomei um banho bem curiosa confesso, mas deixei a água um bom tempo caindo sobre meu corpo, fiquei pensando, aliás, é o que eu mais tenho feito hoje.
Quando saí coloquei um pijama e deitei na minha cama.
Fiquei olhando a carta um bom tempo nas minhas mãos, pensando se abria ou não. Eu rodava o envelope na minha mão e a única coisa que encontrava era: Para: Daniela.
E o mais estranho é como eu tô me sentindo olhando para ela, é uma sensação que eu não sei explicar muito bem, uma sensação de alívio, preocupação, tudo junto. Estranho, eu sei.
- Vou abrir logo. – eu disse começando a abrir o envelope.
“Eu ia esperar até me “comunicar” com você de novo, mas confesso que estou ansiosa demais. Eu sei, você que deveria estar ansiosa (ou não). Enfim, eu não vou contar quem sou ainda. Frustrante, pois é (ou não de novo rs). Não faço por maldade, ou suspense, talvez a parte do suspense seja um pouco verdade, bom o que quero dizer, é que quero sentir que você está preparada pra saber quem sou. Você pode pensar: “Mas como você vai saber disso?”Pois bem, eu sei mais do que você imagina, e sim, tenho como saber. Peço que não fique com medo, não vou fazer mal à você. Peço também paciência, pois sei que será preciso.
Então... é isso. Espero que tenha lido até aqui. Afinal, não é qualquer um que leria uma carta sem identificação e com uns dizeres tão sem nexo (por enquanto).
Beijos e Durma bem.
Ass: SEN. “
Uaaaau! Que coisa mais louca é essa? É um misto de sensações incrível.
A única coisa que não sinto é medo. É como se eu sentisse que essa pessoa realmente não quer meu mal. Se eu assistisse essa situação de fora, eu diria: Para de ficar presa nisso. Você nem sabe quem é. Tome cuidado, essa pessoa parece vigiar você.
Mas estando na situação, eu só consigo ficar confusa e mais confusa. Como essa pessoa pode falar com tanta certeza? Como pode pedir para eu não ter medo e fazer com que eu não tenha? Como tem certeza que não vou descobrir sua identidade? E o último e o mais importante, quem seria “SEN”?
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