Notas iniciais
:D

Eu acordei com o meu celular “gritando”, a Priscila se mexeu e murmurou alguma coisa que eu nem entendi, a Amanda se mexeu, mas não falou nada, eu tive que levantar, né?! Odeio acordar pra ter que atender ligação. Mas logo me toquei que devia ser minha mãe reclamando que eu não liguei. Confirmei quando olhei no visor.

- Oi mãe. – eu atendi com voz de sono

- Daniela, cadê você? Por que não me ligou? – ela nem me deu bom dia. Bom dia? Já devia ser tarde.

- Calma, mãe, eu tô na casa da Amanda. Eu só não liguei porque chegamos tarde. – eu respondi naquela lerdeza

- Sei. Vem pra casa. – ela disse rígida

- Vou sim. Só vou me despedir das meninas, tá bom? – eu disse calmamente

- Tá bom, mas não demora, pra mamãe não ficar preocupada, tá? – ela voltou ao tom normal

- Pode deixar, mãe. – eu disse olhando pras meninas ainda dormindo

- Beijos.

- Beijos, mãe. – e assim eu desliguei

Coloquei meu celular no bolso da calça e fui em direção às meninas. Olhei e elas pareciam estar mortas. Se não fosse a respiração denunciando, eu juro que pensaria que estavam.

Eu escutei um barulho ao longe e imaginei que a mãe da Amanda estivesse acordada. Quando tava com a mão na maçaneta, escutei:

- Ei, já acordou? Que horas são? – Amanda perguntou levantando a cabeça, com aquela carinha de sono, e um pouco de cabelo na cara. Nem parecia que tava naquele sono todo.

- Já. Nem sei que horas são, acabei esquecendo de olhar. – eu disse prendendo o cabelo em um coque.

Eu fiquei olhando pra ela mais um pouco e ela também ficou me olhando. Eu lembrei das últimas palavras que escutei antes de dormir, e por um momento achei que fosse sonho. Será?

- É... eu acho que vou levantar também! – ela disse tirando o lençol e levantando

- Eu espero você. – eu disse indo sentar na cama

- Tá. Eu vou escovar os dentes. – ela disse indo direto pro banheiro do quarto

Sentei na cama e depois de uns 5 minutos ela voltou. Sorriu discretamente pra mim.

- Olha... – ela começou mordendo o cantinho da boca, em sinal de nervosismo. – Desculpa se eu reagi mal ontem, tá?! É só que... poxa, tenta ver meu lado, sabe? Eu me senti mal escutando aquilo, é, eu sei que não devia ter descontado minha chateação em você, mas foi involuntário.

- Tudo bem, Amanda, eu entendo. Não precisa se preocupar. – eu disse sorrindo sinceramente

Ela tava vindo na minha direção quando meu celular apitou de novo. Com certeza minha mãe pra saber se eu já tô indo. Pedi pra ela pegar pra mim e nisso que ela puxou o celular do bolso, caiu um papel, confesso que na hora nem me liguei o que era.

- Alô? – eu disse atendendo

- Já saiu? – parecia que ela tava comendo alguma coisa

- Ainda não, mãe. Já tô indo.

- Mas como não? Já são duas horas da tarde. Vem logo que eu fiz um bolo pra gente. – ela disse animada

- Oba! Beleza, tô indo já já.

- Tá, mas vem agora! Beijos. – ela disse já desligando

Quando me virei a Amanda olhava pro guardanapo franzindo a testa.

- Que foi? – eu perguntei chegando mais perto

- Quem é “Manu”? – ela perguntou me olhando e fazendo aspas com uma mão.

- Manu? – eu forcei um pouco minha mente e lembrei. – Ah, sim, Manuela! Ela tava na boate ontem!

- E por que o número dela e esse recado estão aqui? – ela perguntou em tom de descontentamento

- Bom... a gente conversou. Mas foi só isso. Foi na hora que você tava com aquela mulher lá. – eu disse revirando os olhos ao me referir à mulher.

- Sim, sei... e por que aqui diz: Eu sei que você adoraria ter minha presença de novo. Me liga, tá?! – ela colocou o número e continou – PS: Liga mesmo, linda! Beijos.

Eu ri do bilhete e lembrei da “piadinha” que a Manuela fez. Quando olhei de novo pra Amanda ela tava com cara de “Tô esperando...”

- Pois é, é isso, não tem nada de mais, Amanda. Ela só brincou comigo, conversamos, ela teve que sair do nada e me deu esse bilhete, mas nada rolou, a Pri até tava, quero dizer, antes de ser agarrada. – eu disse rindo de novo lembrando da Priscila.

- Você vai ligar? – ela perguntou me entregando o bilhete

- Não sei, talvez. – eu disse brincando com ela, mas mantive minha cara séria, enquanto tirava o pijama e colocava minha calça.

- Hum... ela é bonita? – ela perguntou sentando na cama de frente pra mim

- Sim. – eu respondi sinceramente colocando o papel de qualquer jeito no bolso da calça.

- Mais que eu? – ela perguntou olhando pra baixo.

“Ai, não resisto a essa cara de cachorrinho sem dono!” – eu pensei

- Own, claro que não, meu amor. Você é muito, mas muito mais linda! – eu disse segurando seu rosto com as mãos e dando vários selinhos.

- Você vai mesmo ligar pra ela? – ela disse me ignorando

- Não, boba, não vou. Só tava brincando com você. – eu disse dando um último selinho

- Que bom! – ela disse sorrindo

- Pô, depois eu sou a mal educada que fala enquanto os outros dormem. – Priscila disse sentando na cama, com o cabelo todo na cara. Eu tive que rir.

- Pra você ver como é bom. – eu disse dando um sorriso de deboche

- E ainda acordar com a crise de ciúmes da Amanda! Aliás, Amanda, a garota era bonita sim! – ela disse deitando de novo. Isso foi pra provocar a Amanda que me olhou na hora.

- Ela quer te irritar! – eu disse baixinho

- Irritar eu quero, mas admita que a menina é bonita, Daniela! – Priscila disse ainda deitada. “É muito nojenta, sério!”

- Gente, eu tenho que ir, daqui a pouco minha mãe me liga de novo. Vou aproveitar o dia com a minha mãe hoje, ela tá de férias e eu nem tô ficando com ela, tadinha. – eu disse colocando minha blusa

- A gente não se vê mais tarde, então?! – Amanda perguntou torcendo a boca

- Não sei, talvez. Vou ver, ok?! – eu disse já me preparando pra sair

- Ai, vai ver a cara da Daniela amanhã de novo no colégio, não enjoa da cara dela não?! – Priscila de novo

- Priscila, cacete, eu vou enfiar esse celular no teu rabo se tu não calar a boca! – eu disse indo em sua direção

- Ih, coitada, a única coisa que tu sabe enfiar, é dedo, isso se sabe mesmo! – ela disse rindo. Acabou que a Amanda riu também. Olhei pras duas e rebati.

- Eu posso te mostrar, se você quiser, afinal, ontem você me pareceu bem interessada em saber, né Pri?! – eu disse seu nome com muito deboche. Na hora ela se calou e virou de costas pra mim.

- É... me perdi agora! – Amanda disse olhando pra mim

- Nem queira saber! – eu disse indo pra porta

- Calma, vou te levar! – ela disse levantando.

Nós nos beijamos no caminho, mas paramos antes da mãe da Amanda ver, ela sabia que a Amanda ficava com garotas, mas uma coisa é ela saber e outra é ela ficar vendo.

- Tchau, linda! – ela disse me dando um último selinho na porta

- Tchau! Eu te ligo! – eu disse sorrindo e virando, já indo pra minha casa.

No meio do caminho minha mãe ligou de novo me apressando. “Tá com saudades!” eu pensei rindo.

- Finalmente, né?! Não tem casa mais não?! – ela perguntou assim que eu pisei em casa

- Oi pra senhora também, mãe! – eu disse indo sentar do seu lado no sofá.

- Não te vejo desde o seu aniversário, Daniela! Que filha, hein?! – ela disse me abraçando

- Desculpa, mãe. Eu saí com as meninas e perdi a noção.

- Sei...

- Maaas, hoje eu sou toda sua! – eu disse sorrindo

- Duvido muito, espera alguém te ligar! – ela disse voltando a olhar pra TV

- Que horror, mãe! Nem parece que eu te amo! – eu disse cruzando os braços

- Ainda bem que você reconhece. – ela disse rindo

- Ok, vou ignorar esse comentário. Mas me diz, quer fazer o quê? Afinal, temos que aproveitar suas férias! – eu disse animada

- Verdade. Eu quero ir ao cinema. Há quanto tempo que eu não vou ao cinema? – ela disse pensativa

- Beleza, então! Eu vou tomar um banho e depois a gente resolve melhor, pode ser? – eu disse levantando

- Pode. – quando eu tava saindo ela me chamou de novo. – Depois eu tenho que dar meu presente! - ela disse sorrindo

- Ah, é?!

- Sim.

- Adoro presente! – eu disse sorrindo

- Eu sei.Se tivesse vindo pra casa antes...

- Vou ganhar de qualquer jeito mesmo. Vou tomar banho! – eu dei um sorriso e fui. Tomei um banho bem demorado, pra refrescar mesmo, mó calor e nada como tomar banho geladinho.

Aproveitei pra escovar meus dentes, pentear cabelo e passar hidratante.

- Demorou,hein?! Se afogou? – ela perguntou

- A água tava muito boa! – eu disse sentando no sofá de novo

- Fica aqui e me espera! – ela disse levantando

Não demorou muito ela voltou com uma sacola de uma loja de sapatos na mão. Meus olhos brilharam só de olhar pra sacola.

- Feliz aniversário! – ela disse me entregando

Eu abri a sacola e tirei da caixa o sapato. Era o sapato que eu tinha gostado! Muito lindo!

- Obrigada, mãe! – eu disse pulando no seu pescoço

- Sabia que você ia gostar! – ela disse toda convencida

- Amei! Eu tava doida por ele! – eu disse olhando e colocando no pé.

Depois de apreciar meu presente e agradecer muito, minha mãe falou:

- O que é isso? – perguntou tirando meu cabelo que caía no rosto e olhou meu pescoço

- O quê? – eu disse tocando onde ela colocou a mão

- Isso é um chupão, Daniela? – ela perguntou olhando no fundo dos meus olhos

- É... – eu comecei a pensar no que falar, ela logo percebeu

- Quem fez isso? Foi na festa? Você tá namorando? - ela me olhava desconfiada

- Sabe o que é mãe... – eu comecei a passar a mão na nuca

- Hum... – ela tava apertando os olhos

- Eu não tô namorando... – eu finalmente disse

- Então quem fez isso? – ela insistiu

- Foi a Amanda! – eu disse suspirando

- Amanda? Amanda sua amiga? – ela perguntou erguendo a sobrancelha

- Sim. – eu tava tentando bolar uma coisa melhor.

- Mas por que ela fez isso? – ela perguntou inocente

Ah, eu vou contar, não escondo da minha mãe mesmo:

- Nós estamos ficando! – eu disse dando um sorriso sem graça

- Mas vocês são amigas! – ela disse agora afirmando

- E somos mesmo. Até demais! – eu disse bem baixinho

- Desde quando? – ela perguntou querendo saber mais

- Desde a minha festa de aniversário.

- Então não tem muito tempo...

- Não.

- E já estão assim?

- Assim como?

- Daniela, tem uma mancha bem roxa no seu pescoço. Já estão nessa intimidade?!

- Ela não deve ter imaginado que fosse ficar marca!

- Ah, é, nessa sua pele branca qualquer coisinha aparece, minha filha! – ela disse olhando a mancha de novo

- Isso é.

- E você gosta dela?

- Sim.

- Ela gosta de você?

- Me parece que sim. – eu disse lembrando da noite passada

- Bom, espero que dê certo, então. Ela sempre foi muito educada.

- Então ela está aprovada?

- Claro. – ela disse sorrindo amigavelmente

- Depois conversamos mais sobre isso. Vamos nos arrumar, são 16h! – eu disse olhando no celular.

- Vou tomar banho. Vai se arrumando enquanto isso.

Ela tomou banho e eu comecei a me arrumar. Quando tava colocando uma maquiagem de leve, ela apareceu na porta do quarto.

- Quer chamar suas amigas? – ela disse encostando-se à porta

- Não, mãe, hoje pode ser só a gente.

- Sério, chame-as, vai ser legal sair com elas. É bom que eu conheço mais um pouco da minha nora. – ela disse rindo

- Ela não é minha namorada! – eu disse rindo também

- Ok. Futura, pode ser?

- Bom, quem sabe, né?! – eu disse sorrindo

- Então liga logo pra elas.

- Tem certeza?

- Tenho sim. Fala que nós passamos na casa de cada em uma hora. – ela disse saindo

Eu fui pegar meu celular e quando eu ia ligar, chegou uma mensagem da Amanda:

Olhe bem no fundo dos meus olhos

E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar O universo conspira a nosso favor A conseqüência do destino é o amor... Te amo! =) “Que linda, meu Deus! Então noite passada ela disse mesmo que me amava! Não sei se estou pronta pra dizer o mesmo!” eu pensei olhando pro celular Eu disquei o número e ela atendeu no terceiro toque. - Oi. - Oi. Amei a mensagem. - Isso é bom. – ela disse dando uma risadinha - Então, tenho um convite. – eu comecei - Hum... sou toda ouvidos. - Quer ir ao cinema? Minha mãe chamou vocês. - Pensei que ia ser um dia de mãe e filha. - Seria. Mas ela insistiu para que eu chamasse vocês. - Eu aceito. Deixa eu ver com essa mala aqui. - Priscila ainda tá aí? – eu questionei - Sim. – ela respondeu e pareceu sumir. Não demorou muito, ela voltou. – Ela disse que nem pode ir, a mãe dela tá falando que ela não vai mais pra casa. - Só mudam de endereço, a minha falou a mesma coisa. - Pois é. - Pergunta se ela tem certeza. Fala que eu falo com a mãe dela. - Ok, perai. – mais um tempo e ela volta. – Ela disse que é melhor não. – ela parou de falar e eu escutei alguém gritando ao longe, provavelmente a Priscila. – Ok, Priscila. Daniela, ela pediu pra dizer que sabe que você morre de saudades. - É uma besta. Coloca no viva-voz. – eu pedi - Pronto! – Amanda falou - Priscila? - Não, a Beyoncé. – disse com o deboche de sempre - Você não quer ir mesmo? – eu perguntei ignorando a piadinha - Nem vou. Minha mãe daqui a pouco aparece aqui pra me buscar. Vou deixar a Amanda conhecer mais a sogra. – ela disse rindo e provavelmente deixando a Amanda sem graça - Ai, não dá pra conversar sério com você. Passa pra Amanda. - Amanda, a sapatão quer falar com você. – eu revirei os olhos - Oi amor. – Amanda disse - Vamos com a gente, então? – eu disse sorrindo pra mim mesma - Vamos sim. Vocês vêm aqui ou eu vou aí? - A gente vai te buscar em uma hora. - Então tá bom. Vou me arrumar. Beijos. - Beijos, amor. Ah... – eu disse antes que ela desligasse - Fale. - A minha mãe tá sabendo sobre a gente. – eu disse rindo por dentro, é pra provocar mesmo que eu tô contando. - Mas, como assim? – ela disse e eu senti um pouco de desespero - É isso aí. Então, a gente se vê daqui a pouco. Beijos. - Dani... – eu desliguei morrendo de rir da voz dela, tadinha. Vai ficar toda sem graça na frente da minha mãe agora. Terminei de me arrumar e fui pra sala. - Chamou as meninas? – minha mãe perguntou - Chamei. Mas só a Amanda vai poder ir. - Por quê? - Parece que a mãe da Pri falou que ela não para em casa. - Igual a alguém que eu conheço. – ela disse mandando indireta - Mãe, a Amanda vai ficar sem graça. - Oras, mas por quê? Ela já me conhece. - Eu contei pra ela que a senhora já sabe da gente. - Vixi, ela ficou como? - Um pouco assustada. Mas nem a deixei falar muito. - Pode deixar que eu não vou deixá-la mais sem graça ainda. - Obrigada! Mas ver a Amanda sem graça é muito engraçado. – eu disse rindo - Tadinha da menina. - Que nada, ela fica linda! – eu disse encostando a cabeça na parede - Ok. Deixa dessa melação. Vamos? – ela disse olhando no relógio que estava em seu pulso. - Vamos. – eu disse acordando dos meus pensamentos. Eu comi um pedaço do bolo que ela tinha feito e saímos de casa. Chegamos na Amanda bem rápido. Eu mandei uma mensagem dizendo que estávamos esperando. Ela demorou uns 2 minutos e veio toda tímida. Entrou no carro. - Oi tia. Boa noite. O-oi, Dani. – ela disse nitidamente sem graça - Oi Amanda. – eu disse sorrindo pelo retrovisor - Oi meu amor, tudo bem? – minha mãe respondeu super simpática e já arrancando com o carro - Tudo sim e com a senhora? - Ótima. Mas não precisa me chamar de senhora, ok? Estamos em família. – minha mãe disse de sacanagem, tenho certeza. - Ah, sim, claro. – Amanda disse dando uma risadinha sem graça e eu pressionei os lábios pra não rir. Mas não me contive em olhar pra trás e encontrar o olhar fuzilante da Amanda, tipo: “Como você faz isso comigo?!” - Relaxa! – eu disse sem emitir som, apenas pra ela entender com leitura labial Ela revirou os olhos, mas acabou dando um sorrisinho. - Então, qual o filme que vocês querem ver? – minha mãe perguntou animada.
Notas finais
Obrigada pelos comentários! :D