Apenas mais Uma de Amor
23 Ah, se a Bruna soubesse disso...
-Então, amanhã eu busco você no colégio, aí você almoça com a gente, pode ser? – Bruna perguntou enquanto eu fazia um dever de matemática
- Eu tenho outra opção? – eu perguntei saindo dos cálculos e batendo a ponta no lápis no caderno
- Ué, tem! Se você não quiser, não precisa. Mas eu não entendo esse medo da minha mãe!
- Não é medo! – eu retruquei
- Então...
- Ah, eu só acho que ela não tem uma boa impressão sobre mim!
- Aí, Daniela, não fala besteira. A minha mãe só ouviu coisas boas sobre você e ela mesma pediu pra te convidar, então não precisa ficar assim.
- É, você tem razão. Tá bom, então, amanhã eu almoço com vocês.
- Sério? Que ótimo! Você vai ver que isso tudo é coisa da sua cabeça!
- Espero que sim. Agora me deixe sofrer mais um pouco com as minhas contas aqui! – eu falei fazendo- a rir
- Tá bom, Dani. Beijos, amor.
- Beijos! – eu disse desligando
“Eu realmente espero que seja tudo coisa da minha cabeça, e que minha “sogrinha” goste de mim!” eu pensei voltando pro caderno, quando eu finalmente tava conseguindo me concentrar minha entra no quarto
- Oi filha!
- Mããe! Que bom que chegou. – eu disse largando o lápis em cima da mesinha do quarto e me levantando indo em sua direção abraçando-a
- Sim, filha! Estava com saudades!
- Eu também! – eu disse me soltando para olhar sua face
- Eu sei, eu sei! – ela disse levantando as mãos como se em redenção – Eu preciso de férias!
- Urgente mãe! E eu quero que a senhora veja logo essas férias com seu chefe. Isso não tá certo, isso faz mal, mãe! E eu não vou deixar alguma coisa acontecer com você. – o meu tom de voz era de ordenança, o qual fazia eu parecer ser a mãe.
- Ok, mãe! – ela disse sorrindo deixando algumas olheiras à mostra
- Agora vai tomar banho que eu vou ver sua janta! – eu disse virando-a pra fora do quarto e indo pra cozinha
Ver a minha mãe cansada daquele jeito acabava comigo. Mas é muito teimosa, aí não dá pra resolver nada, mas ela sabe que se ela não fizer nada, eu vou tomar uma iniciativa.
Minha mãe jantou e logo foi descansar um pouco, me pediu desculpa de novo por não passar mais tempo comigo, e eu disse que para não se preocupar comigo.
Mais uma vez eu tentei voltar pro caderno, quando eu toquei a ponta do lápis no caderno o celular tocou invadindo o quarto.
- Oi Pedro! – eu disse atendendo assim que vi seu nome no visor
- Oi Dani! E aí, como você tá, minha linda?
- Bem e você?
- Eu tô ótimo!
- Que bom! E o que você deseja às 22:00 da noite?
- Como assim o que eu desejo? Não posso ligar mais pra minha amiga linda? – eu sabia que era pra outra coisa
- Bom, é sobre a Amanda?
- Sim, Dani. E aí, conseguiu alguma coisa? – ele perguntou em um tom próximo ao desespero
- Nossa, Pê! Tá malz, hein?! – eu perguntei rindo
- Ah, pára com esse suspense, Daniela! Fala logo!
- Falar o quê? – eu perguntei encostando na cadeira e começando a girar nela
- Quer dizer que você não conseguiu nada? – ele perguntou mudando do desespero pro desânimo
- Na verdade, não! – eu disse me sentindo mal por dentro
- Mas Dani, você acha que ela tá a fim de alguém? – ele perguntou voltando a ficar esperançoso
- Ah, Pê, isso você tem que conversar com ela! Ela melhor que ninguém vai poder responder isso. – eu disse colocando uma perna pra cima e parando de girar
- Ou seja, você acha que eu devo contar pra ela? – “Droga! O que eu falo agora?”
- Sim. – eu disse em um impulso
- Sabe, Dani, você tem razão, é melhor eu contar logo tudo, assim eu vejo se tenho ou não chances! — ele me pareceu bem animado
- Isso aí, Pedro! – eu disse incentivando-o
- Agora é só esperar o melhor momento. – ele disse parecendo pensativo
- Sim. Mas agora se você não se incomodar, eu tenho que terminar esse dever de matemática!
- Ih, o dever de matemática! – ele lembrou
- Sim.
- Aí, Dani, você me dá amanhã?
- Mas como assim seu sem vergonha?!
- Sabe o que é, eu acabei de ver aqui meu MSN e adivinha quem tá on?
- Hum... o Sunda que não é, né?! – eu perguntei o fazendo rir
- O Sunda me bloqueou!
- Por quê? – eu perguntei entrando na brincadeira
- Ah, nem queira saber porque o SUNDA me bloqueou! – ele disse rindo e enfatizando a palavra “Sunda”
- Mas como é ridículo! – eu disse rindo. – Mas sim, quem é? – eu perguntei já sabendo a resposta
- A Amanda. E você acha mesmo que eu vou deixar de falar com ela pra fazer dever da doida da Vanda? – ele perguntou com um tom de óbvio demais
- É, acho que nem preciso responder. Ok, ok! Fica conversando com sua Lady, que eu te empresto amanhã!
- Valeu, Dani! Te adoro!
- Também, seu aproveitador! – eu disse irônica
- Beijos. – ele disse rindo de leve
- Beijos.
Mas que furada! Agora eu não sei se fiz bem ao “empurrar” o Pedro pra Amanda, se ela souber disso, acho que ela me mata.
- Mas que cacete! – eu disse respirando fundo ao sentir a mesa vibrar anunciando agora uma mensagem no meu celular. – Todo mundo resolveu lembrar de mim agora! Daqui a pouco eu paro com esse dever. – eu disse abrindo o celular e olhando no visor o nome: Amanda. Deu até um arrepio no corpo e uma curiosidade estranha me invadiu...
“Era tão estranho
Te olhar dentro dos olhos
E ver na minha frente
Tudo que eu sempre quis...”
Eu li a mensagem NO MÍNIMO umas 3 vezes, e eu não pude deixar de sorrir em todas elas. “Mas o que é isso, Daniela?” Eu rapidamente fechei o celular e tentei me concentrar no dever de novo. Eu só fiquei no tentar, porque me concentrar depois disso, tava sinistro. Mas até que eu consegui terminar esse bendito dever, depois de muito esforço e dedicação, eu terminei.
Deitei pra dormir era 23:20. E não sei quanto tempo exatamente fiquei pensando antes de finalmente pegar no sono.
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Acordei com o som do meu despertador tocando no meu ouvido, eu tateei até achá-lo, pra olhar pro visor com o cabelo na cara e ver a hora. Eram 6:00, ou seja, hora de levantar.
- Bom dia, mãe! – eu disse pra minha mãe que passava pela sala na mesma hora que eu, só que ela já estava pronta e ia tomar café, eu ia tomar banho.
- Bom dia, filha! Vá tomar seu banho, pra gente não se atrasar. – eu entrei no banheiro passando a mão no rosto, tirei a roupa e entrei no Box, deixando a água morna cair sobre meu corpo.
Depois do banho fui me arrumar, tomar café, escovar os dentes e me maquiar de leve, como sempre.
- Pronta? – minha me perguntou assim que saí do quarto com a mochila na mão
- Uhum. Vamos.
Assim que entramos no carro, contei pra minha mãe
- Ei, mãe te contei que a Bruna vai viajar? – eu perguntei olhando pra fora da janela com um ar triste
- Viajar? É uma coisa definitiva? – ela perguntou parando no semáforo e senti quando ela colocou os olhos em mim
- Sim.
- Mas como assim? Do nada? Pra onde ela vai? Quando?
- Calma, mãe, uma coisa de cada vez.
- Sim, mas fale.
- Então, foi mais ou menos do nada. Os pais dela cismaram de levá-la pros EUA pra estudar, trabalhar e ficar com eles lá. Eu ainda não sei quando ela vai, mas eu não quero...
- Claro que não quer, filha! Mas veja bem, querendo ou não isso fará bem pra ela.
- Eu sei, mãe. Por isso eu aceitei isso.
- Que bom que você entende isso, filha. Exige maturidade e eu sei que você o tem pra tomar uma decisão dessas. Abrir mão dela vai ser difícil, mas você deve sempre pensar que foi pro futuro dela.
- É, mas o que adianta se eu não vou estar nele?
- Filha, você é nova! Não vai ser porque a Bruninha vai viajar que sua vida vai acabar.
- Mas ela vai levar parte de mim com ela. – eu disse corando ao perceber o que disse
- É difícil como eu disse, mas tente entender. E vocês sempre poderão se falar. – ela disse piscando pra mim e parando o carro em frente ao colégio
- Obrigada mãe! – eu disse dando um sorriso leve e um beijo em sua bochecha
- Depois conversamos melhor sobre isso, tá? – eu apenas acenei uma vez com a cabeça. Quando eu estava saindo me lembrei
- Ah, mãe... vou almoçar na casa da Bruna hoje, parece que a mãe dela quer me conhecer!
- Ok, filha. Boa sorte lá! E depois quero saber como foi.
- Tá. Beijos.
- Beijos.
Eu entrei no colégio e não vi nenhum dos meus amigos, olhei a hora no celular: 7:20, não cheguei tão cedo assim.
Sentei-me na mesa vaga e olhei ao redor, o colégio não tava tão vazio assim.
- Bom dia! – uma voz disse no meu ouvido, respirando devagar nele, fazendo me arrepiar e por um momento me perder no perfume que acompanhava.
- Bom dia, Amanda! – eu disse ficando sem graça quando ela se sentou à minha frente.
- Tudo bem? – ela perguntou
- Sim e você?
- Ótima!
- Perfume novo? – eu não pude deixar de perguntar, quando senti mais uma vez o cheiro entrando pelo meu nariz
- Sim. – ela disse com um enorme sorriso. – Gostou?
- Sim. – eu disse sorrindo de lado
- Recebeu minha mensagem? – A Amanda tá bem direta
- Recebi. – eu disse olhando pras minhas mãos.
- É uma música bonita, né?! – ela indagou me fazendo olhá-la
- Aham. Muito bonita.
- Bom dia, minhas princesas! – Pedro disse se aproximando, me dando um beijo no rosto, pra depois ir na Amanda e fazer o mesmo, só que o beijo foi mais demorado, fazendo a Amanda ficar sem jeito, logo sentou-se ao lado dela.
- Acordou de bom humor, é? – eu perguntei sorrindo para ele
- Muito bom humor. – ele disse sorrindo e depois olhando pra Amanda. – Que cheirosa!
- Obrigada. – Amanda disse sorrindo mais uma vez sem graça e me olhando logo em seguida
- Aí, que trânsito infernal! – Priscila disse já jogando a mochila na mesa e sentando do meu lado
- Bom dia pra você também, Pri! – Pedro disse sarcástico
- Ai, poupe-me dos seus sarcasmos hoje! Acordei com a corda toda!
- Percebe-se. – eu disse rindo
- Daniela, vamos ao banheiro? – Amanda perguntou de repente, quando a olhei, ela dava um sorriso amarelo
- Agora? – eu olhei para os seus olhos e me perdi neles
- É. – ela disse levantando e eu a acompanhei
Quando entramos havia duas garotas retocando a maquiagem, mas logo saíram.
A Amanda foi fazer o mesmo, ficou em frente ao espelho e eu encostei na parede esperando-a. Eu vi quando ela parou de se arrumar e me encarou pelo espelho.
- Você tá linda! – ela disse sorrindo “Cara, mas que sorriso é esse? O sorriso da Amanda é simplesmente lindo!”
- Obrigada! – eu disse abaixando a cabeça sem graça
Eu senti sua aproximação e meu coração disparou, eu simplesmente travei ali, parecia que tinha um peso em cima do meu pé, me impedindo de sair. Quando levantei os olhos lentamente para encará-la, ela ainda sorria, mas seus olhos mostravam seriedade.
- É melhor a gente voltar, né?! – eu disse olhando nos seus olhos
- É melhor! – ela concordou se aproximando mais e colando o corpo no meu. “Respira! Respira! Respira!” eu tava tentando me concentrar. Ela colocou uma mão na parede, e a outra foi fazendo todo o contorno do meu rosto. Ela só de sacanagem respirava no meu rosto, eu sentia o perfume cada vez mais próximo, ela foi chegando o rosto mais perto do meu e quando ficou pertinho da minha boca, passou a língua nos próprios lábios, e eu acompanhei o movimento com atenção, eu juro que pensei que ela ia me beijar, mas quando ficou mais próximo ainda, ela desviou o caminho e foi pra me orelha, minha respiração tava mais pesada.
- Linda! Linda! Irresistível com essa boca, mas eu disse que não iria ficar te agarrando! Quem sabe na próxima vez? – ela disse se afastando e dando um sorriso malicioso
Eu apenas a olhava sem ter noção da minha expressão, mas eu acho que eu devia estar com cara de assustada porque ela me olhou e riu.
- Daniela? – ela disse passando a mão na frente do meu rosto
- Hãm? – eu disse acordando do meu devaneio
- Vamos voltar? – ela disse ainda rindo. Ela com certeza adorou o efeito que causou em mim
- Sim. – eu disse apressada e me virando pra sair do banheiro, quando ela me segurou de novo. Eu fiquei de costas pra ela, a Amanda simplesmente me abraçou, tirou meu cabelo do caminho e beijou bem devagar e maravilhosamente minha nuca. Eu respirei fundo, uma coisa que eu podia controlar era meu suspiro, mas o arrepio que causou em mim, foi inevitável e ela viu meus pêlos do braço reagindo a isso, o que a agradou mais ainda.
- Só pra não perder o costume! Vamos. – ela disse pegando minha mão e saindo do banheiro. Quando chegamos lá fora os alunos já tinham subido, então logo subimos, quando chegue à porta da sala percebi que ainda estava de mãos dadas com ela, imediatamente tirei, o que a fez olhar pra mim confusa, mas pra logo depois rir baixinho e piscar pra mim. Bateu duas vezes antes de entrar.
- Professora, podemos? – ela perguntou pra professora de matemática que já havia começado a aula
- Sim, mas da próxima vez não quero atraso! – nós apenas acenamos uma vez com a cabeça e nos juntamos ao Pedro e Priscila. Eu notei que a minha mochila tava no lugar onde o Pedro sempre sentava e o mesmo sentava no meu lugar, ou seja, ele deve ter trocado pra ficar do lado da Amanda. Eu vi quando a Amanda deu uma olhada pras mochilas e franziu a testa, confesso que isso me fez esboçar um sorriso irônico. Mas que logo se desfez ao olhar pra Priscila que me encarava com um ponto de interrogação bem no meio da cara. “É hoje!”. Eu pensei antes de me sentar.
Notas finais
Será que a Dani conta?
E a Amanda tá fogo puro!
Beijos. (comentem)
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