Apenas a minha complicada vida de adolescente.
3 Conhecendo o Garoto- part. 2
Notas iniciais
Na sexta quando deram sete horas da manhã, o Andy chegou e tocou a campainha, iríamos eu, ele, a Bru, e o Sr. E a Sra. Julians. A cabana era linda, tinha dois quartos, a sala tinha uma mesa com duas cadeiras ao lado da janela, duas poltronas perto da porta, o quarto onde iríamos ficar tinha três camas uma ao lado direito da porta, uma no lado esquerdo e uma no centro embaixo da janela, fiquei com a cama do meio, tinha uma cômoda no canto da porta. Coloquei a mochila encima da cama e deitei com certo pesar por ter deixado o Dan sozinho em casa com o Bruno.
–Hey, eu estou indo para a praia Anna, quer ir comigo?- A Bru perguntou com um longo sorriso no rosto e eu apenas olhei para ela.
–O Andy não vai com você?- perguntei curiosamente.
–Não, mas você com toda a certeza vêm- ela falou me puxando e me obrigando a colocar a roupa de banho.
Eu não estava muito a fim de ir para a praia, abri a porta de cabana e sem brincadeira a praia era a 15 passos da cabana. A areia quente me fez pensar em tudo o que era perfeito na vida, e o tempo que passei cuidando da casa, coloquei a toalha no chão e me deitei, a Bru foi logo para a água, a paisagem era linda: o céu estava totalmente azul, e a água clara. Ao longe tinham algumas pessoas jogando vôlei, fiquei de brusos para me bronzear melhor e acabei levando uma bela de uma bolada na cabeça, mas fiquei curiosa com o motivo da bola ter batido em mim se eu estava longe do local.
–Moça, você está bem?- uma voz masculina falou calmamente comigo.
–Hãn... Acho que sim- respondi virando para frente com a mão na nuca.
–Anna?!- o menino pareceu assustado ao me reconhecer, mas ele me conhecia de ontem.
Olhei normalmente e percebi que era o menino do sonho que havia me dito o “para sempre” que ecoava na minha mente quase que 24 horas por dia.
–Sim, mas como você sabe o meu nome?- perguntei curiosa.
–Trabalho em tempo integral na secretaria da escola- ele hesitou em falar isso.
–Entendo- menti.
–Hãn... Tenho que ir.
Não me despedi, vi que a Bruna estava saindo da água e me levantei, pois estava com vontade de entrar na água. A água era um calmante natural que me fazia se sentir bem com tudo e com todos. Caminhamos até a cabana, tomei um banho para tirar a areia e o sal do meu corpo, e sentei na cama e fiquei olhando o Andy entrar e sair do quarto, o que me deixou muito ocupada por um bom tempo que eu acabei dormindo.
Eu estava sentada em uma pedra próximo a um rio com águas turbulentas e traiçoeiras, havia começado a chover e trovejava quando um pequeno nevoeiro saia do meio do rio, mas eu não estava com medo. Eu coloquei o pé na água e ela foi se acalmando, nadei um pouco quase sendo levada pela correnteza até o centro e logo a água se acalmou, uma voz como de alguém na beira ficava ecoando o “para sempre” e eu acabei sendo afogada.
Quando eu acordei estava com os pés molhados o que me deixou curiosa demais, a Bruna estava dormindo e o Andy estava sentado na mesa olhando para a janela enquanto via a tempestade cair, sentei ao lado dele, ele estava com uma xícara de café, e eu preparei uma para mim depois voltei a ficar do lado dele.
–O que foi Andy?- perguntei vendo a expressão triste no rosto dele.
–Eu estou bem, mas a Bruna não- ele falou olhando em direção ao quarto.
–O que aconteceu com ela?- perguntei nervosa.
–Você vai saber com o tempo- ele falou enigmático.
O que ele queria dizer com aquilo? Eu não sabia
–Brincadeira, ela ta com um pouco de febre.
Fiquei olhando para ele que estava rindo da mina cara, continuei sentada vendo a tempestade. O que será que o garoto do meu sonho estava justamente na praia? O que será que significava o “para sempre”? O que ele estava fazendo nos meus sonhos?
–Andy, posso te contar uma coisa?- perguntei apreensiva, mas eu tinha que contar para alguém.
–Claro- ele respondeu com um sorriso encantador.
–Eu tive um sonho no qual sou morta- eu falei ainda olhando para ele- e o estranho é que antes de morrer, apareceu um garoto que me disse “para sempre”.
–O que exatamente tem de estranho você sonhar com um menino?- ele perguntou para mim enquanto arqueava uma sobrancelha- eu sonho com uma menina a toda hora, e apenas ela.
–Na verdade nada, mas o problema é que esse garoto trabalha na secretaria da escola, sabe meu nome e isso é o estranho porque eu nunca vi aquele menino.
–Ele trabalha na secretaria de escola, certo? Então ele vê as fichas e pode ter visto a sua- ele falou rindo.
–Voltando ao assunto do sonho.
–Eu já disse que não tem nada de estranho.
–Não é sobre isso- eu falei rindo e ele ficou me olhando apenas parado e com a xícara na mão- Você sonha com uma menina, certo? Posso saber quem é a menina? A nossa vencedora? Ou é apenas alguma atriz pornô?
–Não vou dizer, e não ela não é uma atriz pornô, Anna- ele falou rindo muito.
Eu adorava ter conversas como aquela com o Andy, mas continuei cismada. O sábado passou rápido e eu não tive pesadelos.
(p.o.v Andy)
Ela não fazia nem idéia de que a garota que eu sonhava era ela, eu senti muita vontade de beijar ela naquele momento, mas eu não podia, mesmo que eu quisesse, eu não podia. Ela acabou dormindo, levei-a no braço até a cama, a coloquei lá e fiquei sentado na minha cama olhando para ela. No sábado, ela estava com a típica roupa de banho dela que ela dizia que repelia homens, mas ela não sabia que atraía eles a todo instante, ou pelo menos me atraia. Fiquei sentado na areia da praia ao lado da Bruna, ela estava me olhando estranho, a Anna estava na água.
–Está bem, fale o que você tanto quer falar, Bruna.
–Você está caidinho por ela, estou certa?
–Não- eu falei vendo a expressão dela- Na verdade sim, eu estou caidinho por ela.
–Então por qual motivo você não conta para ela?
–Não vai dar certo, ela só e vê como amigo, e acho que vai ser sempre assim.
–Não.
–Não conta para ninguém, por favor?
Ela concordou e também foi para a água me deixando sozinho, o que me relaxou um pouco, eu não confiava muito na Bru porem sabia que se ela contasse: eu saberia.
(p.o.v Anna)
O sábado passou rápido e por sorte não tive nenhum pesadelo, no domingo de manhã arrumei as coisas e não hesitei em nada. A viagem foi calma e eu estava cansada, cheguei na casa e fui direto falar com o Bruno, o maximo que tinha acontecido foi que o encontro tinha dado certo e que eles comeram apenas comida japonesa, depois ele continuou tomando o wiski ou sei lá o que era aquilo. A garota com que meu tio estava saindo se chamava Mary Lancaster, tinha 23 anos, cabelos ruivos, olhos pretos e algumas sardas no rosto, a Mary tinha um sobrinho que deveria ter a minha idade ou era um ano mais velho, o nome dele era David Lancaster, e ele viria jantar conosco junto com ela.
Eu teria que ficar bem arrumada, bom ainda estava chovendo, logo depois que anoiteceu, coloquei um vestido lilás claro e deixei meu cabelo solto. Tocaram a campainha e eu fui atender, era a Mary e o sobrinho dela, eles colocaram os casacos ensopados e as sobrinhas na entrada. Percebi que David era o garoto do sonho e o mesmo da praia, o universo ou Deus só podiam estar brincando comigo para fazer aquilo. O jantar foi calmo, no fim do jantar tive que sentar na varanda de casa e fiquei olhando a rua, escutei passos atrás de mim, mas os passos eram abafados e lentos que mal davam para se escutar, olhei para trás e vi o David, ele me olhou e sorriu, desviei o olhar dele e voltei a encarar a rua.
–Hãn... Oi- ele falou arrastado e monótono que me fez rir por segundos.
–Oi- falei ficando séria novamente.
–Você esta fugindo?
–“fugindo’ do que exatamente?
–Da louça- ele falou rindo- Você não quer fazer as coisas de casa.
–Você não sabe de nada, então não deveria falar nada.
Levantei e subi para o meu quarto deixando ele sozinho, eu era assim: explodia por qualquer coisa e não chorava por pouca coisa, a vida é cruel, ela me ensinou a ser assim, ela não dá tempo para você chorar, você tem que lutar, fiquei deitada por um bom tempo o que me acalmou um pouco, quando eles foram embora desci e peguei um copo de água.
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