- Nibbler... posso te contar uma coisa? – perguntou Leela, fazendo uma pequena pausa enquanto escovava meu cabelo.

— Claro Leela, o que foi? – respondeu Nibbler, dirigindo o olhar para Leela.

“Ontem eu e Amy estávamos conversando na Planet Express, e combinamos de fazer uma festa do pijama. Então eu comprei alguns doces, pipoca e refrigerante Slurm. Como não tinha pijama, fui à loja de roupas e comprei um bem simples, uma camiseta branca e uma bermuda preta, bem simples mesmo. Então fui à casa de Amy.

— Amy, sou eu, Leela, cheguei.

— Ah, Leela, ainda bem que você chegou, poderia me ajudar com a decoração?

— Claro Amy, o que você quer que eu faça?

— Só me ajude a colocar essa faixa enorme aqui.

— Ok Amy, só não entendi o porquê de tanta decoração, a festa é só para nós duas mesmo.

— Não sei.

Amy estava estranha, ela me olhava fixamente. Eu, sutilmente, mudei de assunto.

— H-hum, Amy – eu não fazia ideia do que falar – hum, olha, eu comprei um pijama novo. Gostou? – mas o que diabos eu acabei de falar?-.

— Ah, hum, eu amei amiga! É lindo!

— Hum, mas, ele é tão simples.

— Eu tenho certeza de que vai ficar lindo em você. – Amy me olhou com uma cara agradável, como se estivesse aprovando o pijama, pelo menos foi isso que eu entendi.

— Hum, então, tem mais alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?

— Tem sim, hum, ah claro, você pode cuidar dos bolinhos que estão no forno?

— Bolinhos? Ah, claro – cuidar de bolinhos não é tão difícil assim.

Quando entrei na cozinha, vi o bendito forno com os tais bolinhos dentro. Eles pareciam ótimos, então eu... peguei um e comi. Estava delicioso! Incrível como a Amy conseguiu cozinhar sozinha!

— Amy! Seus bolinhos estão prontos!

— Oh, hum, Leela, poderia tirá-los do forno para mim?

— Claro Amy.

Retirei os bolinhos do forno e peguei mais um para mim. Amy entrou na cozinha e me viu comendo o bolinho.

— Leela? Está com tanta fome assim?

— N-não! É que estão realmente gostosos.

— Ok, ok, bem, me ajude a decorá-los.

Decoramos os bolinhos, essa era a última coisa a fazer. Colocamos nossos pijamas e a festa começou. Parecíamos idiotas, dançando de um lado para o outro. Cansamos de dançar e começamos a comer os bolinhos, marshmallows que eu havia comprado, tomamos refrigerante.

— Amy, que tal irmos a uma padaria tomar um café?

— Por que Leela? Temos café aqui.

— É muito mais legal ir a uma padaria, cheia de gente suando, falando alto, bebês chorando.

— Ah, sim, é verdade.

Saímos da casa de Amy. Como não estava tão frio assim, nem levamos casaco. E como não parecia que ia chover, também não levamos guarda-chuvas. Quando chegamos à padaria, pedimos um café expresso enorme para cada, alguns pretzels, torradas e também um marshmallow rosa gigante. Fui ao banheiro e fiquei por lá uns cinco minutos, mais ou menos.

Quando voltei...

— Amy! Você comeu tudo! Podia pelo menos ter deixado alguns pretzels e um pouco do meu café também!

— Desculpe-me Leela, mas foi mais forte que eu. Que tal voltarmos para casa agora?

— Não, não e não, eu vim aqui para tomar um Super café expresso e não saio daqui sem ele.

— Ok, então pegue um e levamos para casa.

— Por que você quer tanto ir para casa?

— Porque é mais divertido.

— Tá, tá bom então, vamos para sua casa já que é mais divertido.

Após eu ter falado isso, começou a chover loucamente, eu e Amy nos olhamos.

— O-ou! — dissemos juntas – como iremos para casa nessa chuva?

Pedimos um guarda-chuva para o dono da padaria, mas ele não tinha nenhum.

— Como iremos para sua casa agora?

— Sei lá, que tal esperarmos aqui?

— E se começar a chover mais forte?

— Hum, verdade, eu não pensei nisso.

— Temos de ir agora, senão vamos ficar a noite toda aqui.

Saímos de lá e começamos a correr rápido, muito rápido. Nos molhamos demais. Estávamos quase perto da casa de Amy quando uma nave passou lavando a rua e nos molhou mais ainda.

— Oh! Ei, seu imbecil! Está chovendo, você não viu não? Por que passar por aqui lavando a rua, idiota!

— Leela, controle-se, já estamos molhadas mesmo, quando chegarmos em casa tomamos um banho. Melhor irmos logo, senão vamos pegar um resfriado.

Começamos a correr novamente. Em poucos minutos já estávamos na frente da casa de Amy.

— Olha só! Estamos muito molhadas.

— Sim, sim Leela. Venha, vamos tomar um banho.

— Mas eu não trouxe toalha, nem roupas.

— Ora, eu lhe empresto as minhas.

— Ah, okay. Vamos então.

Amy pegou duas toalhas, duas camisolas e pantufas.

— Que tal tomarmos banho juntas?

— O quê? Tomar banho com você? No mesmo box? Mas o que você está pensando?

— Não estou pensando nada, apenas sugeri tomarmos banho juntas, você que tem uma mente maliciosa.

— Okay, tomaremos banho juntas então. Mas não toque em mim, em lugar nenhum!

— O quê? Acha que eu sou pervertida?

— Não, apenas estou avisando que quando era criança fiz karatê no orfanato e sei me defender de qualquer abuso.

Tiramos nossas roupas e ficamos apenas com as roupas íntimas, claro. Entramos no box, ligamos o chuveiro. Cada uma pegou um sabonete.

— Hum, Leela, poderia esfregar minhas costas?

— Hum, claro, por que não? – comecei a esfregar as costas de Amy com uma esponja. Quando terminei percebi que... meus dedos tinham começado a enrugar!

— Amy, meus dedos começaram a enrugar! Parece a pele do professor!

— Ha ha, verdade. Isso acontece quando você fica muito tempo debaixo da água.

— Vamos sair, eu não quero rugas tão cedo! Ainda sou muito jovem!

— Ok. Estou com fome, e você? Acho que ainda tem uns cupcakes você não comeu.

— Nem comi tantos assim, e também não tenho culpa se eles estão gostosos. Ainda mais os de chocolate.

— Diga isso ao padeiro, foi ele que fez, eu só coloquei no forno.

— Poxa, eu pensei, realmente, que você tinha feito. Mas eu direi ao padeiro que os cupcakes estavam ótimos, e que ele faz um trabalho realmente muito bom e...

Eu estava tagarelando e fui surpreendida por um beijo que Amy roubou.”

— E o que aconteceu depois Leela?

— Calma Nibbler, eu já vou continuar.

— Já estou ficando impaciente e com fome. Pode trazer algo para eu comer?

— Ah, claro. O que quer que eu traga? Que tal um cavalo?

— Apenas alguns salgadinhos já são o suficiente, mas obrigado pela oferta generosa. Agora continua aí sua historinha, vai.

— Pronto, aqui está. Bem, onde eu estava mesmo?

— Na parte do beijo.

— Ah, sim, certo. Então, continuando...

“Eu não gostei, mas quanto mais eu lutava mais ela me beijava. Quando vi, estávamos deitadas na cama. Ela estava em cima de mim. Eu tentava fugir, mas Amy não deixava. Não sabia que ela era tão forte.

— Amy! O que está fazendo? Deixe-me sair!

— Não! Finalmente você está onde eu queria, não vou deixa-la fugir assim, tão facilmente. Você será minha Leela, apenas minha.

— Quê?! Que história é essa? Somos apenas amigas Amy!

— Sério? Você nunca percebeu? Eu sempre tive olhos para você Leela, sempre senti ciúmes quando o Fry chegava perto de você. Sempre gostei de você Leela, desde o primeiro dia que chegou à Planet Express. Você nunca percebeu, ou só disfarçava? Diga Leela! Você é sempre tão tagarela, e agora que estou pedindo que você fale você fica calada?

— Desculpe-me Amy, mas ainda não entendi muito bem... Você g-gosta de mim? É isso?

— Sim idiota! É isso mesmo! Eu te amo, e você é a única que não percebe.

— Por que não me falou antes Amy? Eu teria entendido, afinal...

— Huh?

Dei as costas à Amy e comecei a andar em círculos infinitos, pois, naquela hora, ela já havia me soltado.

— Eu, hã, como dizer isso? É tão difícil, mas... Eu te amo, Amy. Sempre te amei. Saía com Fry apenas para te deixar com ciúmes. E sim, nos últimos tempos tenho percebido um tipo de interesse seu por mim. Mas nunca imaginei isso. Só aceitei vir a essa festa do pijama, que, aliás, era muito suspeita, pra te dizer isso. Achei que já era hora de me declarar. Você acha que era fácil esconder esse sentimento por tanto tempo? Pois vou te dizer uma coisa, não era não. Cada dia que eu escondia isso de você sentia que morria por dentro. Pouco a pouco. Entende agora, Amy? Amy? Está me ouvindo?

Virei para a cama, onde Amy estava sentada. Pelo menos estava da última vez que a vi. Agora ela estava deitada, dormindo.

— Estava falando sozinha, muito legal. Ah, eu não a culpo, também estou com muito sono. O ideal seria dormir. Mas eu não sei onde. Então... hum, acho que terei que dormir com Amy, na cama.

Peguei algumas cobertas, empurrei Amy para o outro lado da cama, arrumei-a. Deitei e nos cobri. Demorei um pouquinho até pegar no sono, pensando no que havia falado antes. Tipo um sonho muito estranho. Uma sensação de alguém me abraçando... Não acho que a Amy... hum é, eu acho que foi isso mesmo que você está pensando.”

— Então quer dizer que você e Amy gostavam uma da outra, mas nunca tiveram coragem de contar? Interessante.

— Só isso? Interessante? Acho que é um pouco mais do que apenas “interessante” Nibbler. É um tanto quanto intrigante. Uma história de amor perfeita. Não acha, Nibbler?

Leela virou para onde Nibbler estava sentado, ouvindo sua história “interessante” e o surpreendeu dormindo.

— Ótimo, de tanto tagarelar fiz outra pessoa dormir. Se bem que Nibbler não é bem uma pessoa. Mas tudo bem, eu suporto isso.

— Olá Leela. Então, está de pé o cinema hoje?

Leela ouviu a voz e pensou que era Amy, olhou para trás e viu nada mais nada menos que... Fry.

— Ah, Fry. Desculpa, pensei que era outra pessoa. E desculpa de novo, não poderei ir ao cinema com você.

— Ah, tudo bem. Outro dia, que tal?

— É, quem sabe?

Fry vai embora, enquanto isso Leela tira um bilhete de seu bolso, dizendo: “Que tal um cineminha hoje? – Amy.”

— Claro Amy, claro que sim, meu amor...

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