Notas iniciais
Bem, já vou avisando, esse capítulo terá Style (StanxKyle) explícito, mas calma, pois o casal principal não deixa de ser Kyman (CartmanxKyle). Pode parecer um capítulo meloso, mas mais para frente, fará mais sentido, eu sei bem o que estou fazendo :3

Capítulo 4

24 de Fevereiro de 1940,

O inverno está realmente rigoroso, mas aconteceu algo tão mágico que esse detalhe passou despercebido, pelo menos até agora, quando meus ossos estão congelando. Minha cabeça está rodando até agora, mas eu finalmente supri aquela sensação, que eu disse há um ano, sobre como eu estava carente.

Bem, por onde devo começar? Sim, pelo rádio.

Era mais um dia comum, eu estava ao lado do rádio, mudando as estações, o Stanley estava ao meu lado lendo um livro, ele riu quando eu fiquei com raiva do rádio. Eu lhe lancei um olhar e uma careta, como quem dizia que não era nem um pouco engraçado. Mas ele não parou de rir.

-Por que você ainda está rindo? –Eu perguntei insatisfeito. Minha briga com o rádio não pode ser tão engraçado assim.

-É que é muito fofo te ver com essa careta. –Disse ele entre pausas, recuperava folego após a crise de riso, tomara que ele engasgue com a própria saliva.

Mas, meu rosto pareceu queimar com o que ele disse como sempre queimava quando ele ficava perto demais, como sempre queimava quando ele me tocava. Eu desviei o olhar, claramente envergonhado, mas ele não tirou os olhos de mim, ao contrário, deu um sorriso terno. Ah, como aquele sorriso é bonito.

Mandei-o calar a boca e vir me ajudar com o rádio. Ele riu mais até que finalmente se levantou e veio me ajudar. Ele começou a brincar com as antenas, enquanto eu trocava de estação. Mas parece que não tinha uma que não era estática. Stanley me disse que talvez seja porque a estação esteja congelada. Eu cruzei os braços e encolhi meus joelhos, automaticamente meu rosto emburrou. Eu odiava ficar sem ouvir rádio, pois era a única forma de me conectar com o mundo exterior, saber o que se passava. Sinceramente, dava-me agonia ficar dentro de casa sabendo que há uma guerra lá fora.

Stanley, porém, não desistiu, porque ele fazia o duro trabalho de mexer com as antenas e as estações ao mesmo tempo. Até que uma hora ele conseguiu achar uma estação que funcionasse, embora o áudio estivesse uma merda.

“Comunicado importante do governo alemão: Tiro de guerra obrigatória e alistamento não obrigatório para todos os homens, acima de oitenta quilogramas, mais de um metro e setenta, entre dezoito e vinte e sete anos. Sirva seu país.”

Eu olhei para Stanley, seus olhos brilhavam, foi quando eu me lembrei de que ele gostaria muito de ser da marinha alemã. Suspirei, eu não queria que ele passasse por isso, mas também tive o pensamento egoísta de que não queria que ele saísse do meu lado para servir o exército alemão a quem eu tanto odiava.

Ele sentou ao meu lado ainda atordoado com a notícia. Talvez estivesse se arrependendo de tudo que fez contra a pátria, talvez quisesse voltar no tempo e fazer tudo diferente apenas para ter essa chance de entrar para a marinha, não sei, talvez, não sei o que se passa na cabeça dele, gostaria de entender. Apenas não pude deixar de me sentir desconfortável por ter esse pensamento. Eu não quero que o Stanley se arrependa de nada, pois se ele não tivesse feito o que fez, ele não estaria aqui, ao meu lado. Eu não o conheceria, não conheceria a perfeição, pois Stanley era perfeito. Ai de mim por ter esses pensamentos egoístas, mas era o que eu sentia. E o que eu sentia era um tanto estranho, mas bom. Constrangedor, mas abundante. Uma série de antíteses que fazem minha cabeça direcionarem a uma única palavra: amor. Sim, amor.

Então seria isso? Eu estaria apaixonado pelo Stanley? Institivamente minha mão moveu-se para a dele, ele se assustou de princípio, mas logo sorriu pequeno, mas sorriu. Sua mão apertou contra a minha e eu só conseguia pensar que ele era o homem da minha vida.

xxxx

15 de Maio de 1940,

Eu sabia que estava tudo pacificado demais para ser verdade. O medo corre em minhas veias agora que estou escrevendo tão rapidamente e tremendo que minha letra parece estática. Stanley está me apertando contra seu peito e eu estou fazendo um esforço enorme para não chorar.

Há alguns meses, o Randy e a Sharon saíram para uma viagem até Berlim, nunca ficou claro o que eles foram fazer lá. Stanley, eu e Kenneth fizemos algumas especulações. Eu disse que eles só foram visitar parentes ou comprar mais mantimentos, eu era realmente muito inocente para pensar no pior. Ao contrário do Stanley e do Kenneth, realmente, se não fossem por eles, eu estaria tremendo de medo dos nazistas virem me buscar, mas como eles estão ali, tudo parece mais seguro. Stanley chutou que eles foram comprar armamentos de fogo e kits de sobrevivência caso descobrissem nosso lugar secreto, Randy até tinha feito uma espécie de caverna subterrânea cuja porta se camuflava entre o piso. Já Kenneth disse que eles faziam parte de algum tipo de resistência para retirar Hitler do poder. Eu realmente queria enfiar minha cabeça em um buraco perante aquelas sugestões, como diabos eu sou tão burro e ingênuo? E de onde eu tirei que eles foram visitar parentes?

A questão é que eles voltaram há algumas semanas, mas nunca nos disse o porquê da viagem e por que demorou tanto tempo. Eles estavam preocupados com uma coisa maior.

Eles nos disseram que conforme viajavam, viam milhares de pessoas sendo arrastadas em correntes e vagões, como aqueles que o Kenneth nos contara. Eu senti uma onda de náuseas me pegarem, mas fui forte o suficiente para engolir o possível vômito, até que Randy soltou aquela bomba: eles podem vir nos pegar.

Só sei que naquele instante eu comecei a tremer e chorar, os dois outros meninos apenas abaixavam a cabeça, claramente sérios. Por que raios eu sou assim? Por que eu tive que nascer tão covarde? Eu não queria que ninguém me protegesse, mas naquele momento eu precisava.

Então, cheguei ao dia de hoje quando soltados bateram à nossa porta. Minha primeira reação foi choque, eu não conseguia sair do lugar, até que Stanley agarrou a minha cintura e me levou para o esconderijo. Demorou alguns minutos até que os meninos achassem a porta, mas eu não parava de fitar a porta da frente, estava morrendo de medo. Quando eles abriram a porta, Stanley me empurrou tão forte que eu gemi com o impacto no chão e rapidamente tampei minha boca, com medo de que tivessem ouvido. Kenneth foi o último a entrar e fechou a porta. Randy e Sharon ficaram na casa, como um simples casal do campo.

EU ESTOU COM TANTO MEDO, ouço passos acima de mim e não paro de escrever. É tão idiota eu estar escrevendo nesse momento de pânico, mas é tão importante para mim. Eu quero registrar tudo.

Sinto o Stanley me abraçar agora e eu senti como se o mundo inteiro desaparecesse, eu encostei a cabeça no peito daquele que eu tanto amava. Ele ri quando eu usei suas coxas para apoiar meu caderno, ele queria espiar, mas eu não deixei, usei meus afros cabelos ruivos para tampar sua visão. Finalmente essa juba serviu para alguma coisa. Ele tentou espiar o diário por cima do meu cab...

...

Agora aconteceu a coisa mais estranha, vergonhosa e boa que já aconteceu em meus dezesseis anos de vida. Eu estava escrevendo quando eu senti mãos quentes segurarem meu rosto. Soltei o diário quase imediatamente quando encontrei os brilhantes olhos azuis do Stanley. Ele me olhou tão ternamente que não pude escapar um suspiro de paixão.

-Não precisa ficar com medo. –Sussurrou em meu ouvido, minha pele arrepiou tanto que eu dei um leve salto. Ele riu.

Talvez tenha lido a frase que eu escrevi maior e mais marcante no diário “eu estou com medo”, não sei bem, nem sei o que realmente aconteceu. Só sei que depois ele pressionou seus lábios aos meus. Sim, era um beijo. Eu não sabia nada sobre beijos, pois o máximo que eu já vi foi em filmes, mas nunca tive um contato real. Naquele momento meu coração pulou, eu não sabia o que fazer então eu deixei o Stanley no comando. Eu segurei seus braços quando suas mãos pousaram em minha cintura, ele mordeu de bem de leve meu lábio inferior, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, nossos olhos foram direcionados a Kenneth, ele nos olhava com a sobrancelha arqueada nós dois em uma posição um tanto constrangedora e lábios colados.

Agora que o Stanley soltou minha cintura, eu pude registrar esse momento no diário. Randy abriu a porta do esconderijo, ele disse que está tudo em paz e que poderíamos subir novamente. Ele notou o clima vergonhoso em nós três e perguntou o que havia acontecido. Nós nos entreolhamos e dissemos em uníssono.

“Nada”.

xxxx

29 de Setembro de 1940,

Pela primeira vez eu tive um aniversário de verdade, ouvi parabéns, teve até bolo. E eu estou realmente feliz com meus dezessete anos. Eu estava tão feliz que me esqueci dos problemas do mundo. Porém algo dentro do meu peito queimava, eu senti um mau pressentimento com esse dia, mas não sabia dizer o que.

Foi agora, quando eu estou escrevendo eu vi no céu o que parecia ser fumaça, mas estava muito longe, então não apresentava perigo. Mas eu comecei a chorar, chorei muito. Por quê? Até agora permanece um mistério.

As novidades é que depois daquele dia no esconderijo, as tropas alemãs revistavam mais constantemente nossa casa, mas nunca sequer suspeitaram da gente. Para dar um ar mais casual e não demonstrar a preocupação, Sharon convidava-os para um chá e eles ficavam lá a tarde inteira, o que era ruim, porque o esconderijo tinha muita poeira e eu estava ficando com alergia.

A notícia boa foi que também após aquele dia, eu e o Stan começamos a namorar às escondidas. Constantemente quando estamos sozinhos ou quando tínhamos a certeza que todos estão dormindo -Kenneth tem um sono muito pesado, diga-se de passagem- nós ficávamos horas namorando. Os beijos do Stan me faziam tão bem e eu fiquei muito mais experiente. Meu corpo e mente foi preenchida por algo que eu realmente nunca senti, mas estava adorado.

Debaixo dos cobertores, no escuro da noite, o constante perigo de sermos pegos, aquilo me excitava de certa forma. Fazia-me desejar por mais que o Stan tinha a oferecer. Acho que ele também sentia isso, pois suas mãos se engraçavam por todo o meu corpo. Mas sempre que chegava à zona de perigo, eu sentia um frio na espinha. Não estava preparado para isso ainda.

Eu só desejo ser assim para sempre. Eu só desejo ficar bem velhinho ao lado do meu amor.

Notas finais
Uma coisa que eu queria avisar, é que o aniversário do Kyle não é essa data, não sei qual é, pois não achei. Eu escolhi essa data, porque foi nesse dia que as tropas nazistas queimaram vivos mais de 50 mil judeus. Por isso o Kyle sentiu-se tão mal. Foi muito triste, realmente.
Então, obrigada por lerem!