Apenas Uma História De Amor
18 Capítulo 18
Estamos agora em uma vã do exército alemão, mas nós não fomos capturados ou algo assim. Foi mais ou menos assim:
Nós estávamos andando pelas estradas de pedra, dessa vez era a minha vez de carregar o Tweek. Eu já estava meio cansado, mas não queria parar por nada, pois agora que estávamos sem automóvel, com certeza iremos demorar mais para chegar e eu não quero pensar que chegaremos tarde demais.
Mas nós chegamos à beira de um rio, logo quanto eu notei a vã do exército, eu me escondi atrás de uma árvore, mas o Kenny continuou andando, eu achei que ele estava louco, mas não podia gritar para não chamar atenção do soldado.
Surpreendentemente, o Kenny sacou uma arma de dentro do casaco, o que eu me surpreendi, porque eu não sabia que havia trazido esse revolver. Ele colocou o cano na mira da cabeça do homem e, friamente, atirou, tal ato me fez gritar. O corpo do homem, ou o que sobrou, tombou para frente e o sangue escorreu até o lago, que acompanhou a correnteza.
-Eu não sabia que você tinha trago essa arma. –Eu disse tentando não gaguejar, ele usou uma toalha que trouxemos conosco para limpar o sangue que foi em seu rosto, eu me aproximei dele.
-Nós estamos em uma guerra, Kyle. –Disse ele simplesmente, guardando a arma depois que ela esfriou e foi andando até a vã, entrando nela. –Não seja ingênuo. –Completou com um tom mais descontraído, piscando para mim.
Eu engoli em seco e fui atrás dele. E aqui estamos; ele está dirigindo e eu estou na parte de trás da vã cuidando do Tweek, ele já não gemia muito de dor, mas estava ficando difícil evitar uma infecção, já que os ferimentos eram muito grandes.
-Kyle... –Eu ouvi sua voz me chamar em um tom suave, por isso achei que era alguma coisa boa, mas eu estava enganado. –Eu não estou enxergando.
Estranhei e passei a mão em seus olhos e estranhamente meus dedos ficaram roxos, não do tipo quando o sangue não está circulando, mas era um tipo de pó roxo que não era visível em seus olhos, mas quando eu passava alguma coisa sobre eles, esse pós ficava impregnado.
-Kenny. –Eu chamei uma vez, tentando manter a calma, mas não consegui e chamei de novo. –Kenny.
-O que foi? –Ele perguntou ao perceber o tom preocupado em minha voz, olhou no espelho retrovisor como se tivesse dizendo que estava prestando atenção.
-Eu acho que o Tweek foi envenenado.
A única coisa que eu senti foi o Kenny frear bruscamente, eu quase fui parar lá na frente da vã se não tivesse segurado no banco. Ele soltou o cinto de segurança e veio até nós, sentando ao lado de Tweek.
-Como você descobriu isso?
-Olhe. –Eu segurei a mão de Kenny e a passei sobre os olhos de Tweek. Kenny virou a ponta dos seus dedos para ver o mesmo pó roxo. Ele aproximou o pó das narinas e cheirou, em seguida fez uma careta séria.
-É, isso é veneno.
Nesse exato momento eu entrei em desespero. Eles haviam envenenado o Tweek para que ele morresse lentamente? Até onde a crueldade desses homens vai? Eu sabia que estávamos de mãos atadas.
-Kyle, se não fizermos alguma coisa ele vai morrer. Aliás, já está morrendo. –Decretou Kenny para o meu maior desespero.
-Mas o que podemos fazer? –Eu perguntei tentando controlar a ansiedade dentro de mim.
-Sabe quando eu te falei que meus pais eram de um grupo de comunistas? –Ele perguntou e eu apenas assenti com a cabeça, nervoso demais para falar sem gaguejar. –Então, lá deve ter alguns médicos, eu te deixo no campo de concentração e vou até a cidade com ele. –Apontou para Tweek.
Eu aceitei no mesmo instante, eu sabia que seria muito mais difícil para mim se eu fosse sozinho, mas realmente não tinha outra escolha. Estavamos entre a cruz e a espada.
Kenny voltou para o volante, dessa vez ele foi mais rápido, ultrapassando até o limite de velocidade, realmente nós estamos lutando contra o tempo. Eu não tinha outra coisa para fazer a não ser deitar ao lado de Tweek e tentar dormir um pouco, pois a noite eu não consegui dormir nenhum minuto.
~*~
Eu acordei com o Kenny me sacudindo de leve, abri os olhos lentamente e olhei para ele que sussurrava que já havíamos chegado. Levantei o meu corpo e olhei para Tweek imóvel ao meu lado, eu desesperei e comecei a sacudi-lo.
Ele apenas deu um gemido de reprovação, meio grogue e eu suspirei aliviado ao saber que ele estava apenas dormindo, mas mesmo assim eu ainda insisti em acordá-lo.
-Não durma, Tweek. –Falei com uma voz mansa, balançando-o pelo ombro levemente. –Vamos, fique comigo.
Ele abriu os olhos e eu me assustei, pois seus olhos estavam muito vermelhos, ele estava mais pálido do que realmente é e eu percebi nesse momento que o veneno estava agindo rapidamente em seu corpo, eu engoli em seco e passei a mão em seus cabelos loiros para confortá-lo.
-Cuida dele, Kenny, por favor. –Embora eu tenha me referido ao Kenny, eu falei olhando protetoramente para Tweek, acariciando os seus cabelos.
Eu só ouvi o Kenny sussurrar um “eu prometo” e eu saí da vã, olhando para o cenário que se tornou o campo de concentração. Era macabro, estava exatamente como quando eu o deixei, mas eu podia sentir algo no ar, aquilo não era normal. Eu ouvi Kenny me chamar.
Virei para ele, para saber o que ele queria e ele simplesmente me jogou a arma, eu me assustei e o peguei no ar.
-Você vai precisar disso. –Eu não tive tempo de responder, pois imediatamente ele entrou de volta na vã e a ligou, saindo dali. Acho que ele sabia que eu ia recusar, eu olhei para a arma era a primeira vez que eu segurava uma arma de fogo e sinceramente, era muito pesada.
Nesse momento eu fiquei muito confuso, pois não sabia onde guardar aquela arma? Na cintura? Mas e se ela disparasse? Eu não sei como travar o gatilho. Depois de muito pensar o que eu faria com aquilo, eu resolvi apenas leva-la na mão mesmo.
Andei pelos arredores do local, estranhamente não tinha nenhum soldado, isso me deu um arrepio na espinha. A porta de metal estava aperta e eu não tive problema em entrar, o que me deixou ainda mais desconfiado. Será que os soviéticos já haviam chegado? Enquanto eu ficava pensando nisso, eu tropecei em uma pedra e caí.
Eu levei um tempo para me recuperar, quando eu o fiz, eu vi exatamente onde tinha caído. Eu passei a mão no lugar onde eu estava deitado apenas para sentir a textura macia e um pouco áspera. Virei o rosto, mesmo sabendo o que eu ia ver.
Eu gritei. Gritei mais alto que pude, gritei como nunca havia gritado. Eu tentava me levantar, mas eu mal conseguia me mexer de tanto que eu comecei a tremer. Estava deitando em cima de um monte de corpos. Eu comecei a chorar instantaneamente e gritava ainda mais alto do que antes. Quando eu finalmente consegui sair do inferno onde eu estava deitado, eu passei a mão por todo o meu corpo, como se quisesse limpar, eu não sei do quê? Eu chorava de berrar.
Acho que só me dei conta quando um alarme começou a soar e ouvi as vozes de um monte de soldados, eu me assustei, não podia ser pego e morrer a essa altura do campeonato. Eu peguei o revolver no chão e saí correndo o mais rápido que pude, apenas procurando um lugar para eu me esconder.
Eu olhava ao redor, podia ouvir as vozes dos soldados cada vez mais perto, de repente senti meu tornozelo sendo puxado e caí em um buraco, quando eu me virei para ver quem havia me puxado, eu dei de cara com o Craig... Ou o que restou dele.
Ele estava com diversas queimaduras de terceiro grau pelo corpo, que também estava pintado de sangue, seu rosto era praticamente irreconhecível, devido aos hematomas de socos e pancadas que ele levou.
-Kyle... É você, achei que estivesse morto. –Ele disse com uma voz extremamente fraca, parecia que sentia dor apenas por forçar as cordas vocais.
-Eu... Encontrei o Tweek no caminho para cá. –Eu tratei de mudar logo de assunto, pois não queria que ele se esforçasse tanto.
-Como ele está.
-Meu amigo está fazendo de tudo para salvá-lo. –Eu tentei ser o mais franco possível, realmente, não queria dar-lhe esperanças para depois vir com uma péssima notícia caso Kenny não conseguisse.
Ficamos alguns minutos em silêncio, ele só pensava e eu relato tudo que estou passando em meu diário. Parece burrice, à beira da provável morte e eu escrevendo. Mas acho que esse seria o momento mais apropriado para escrever, relatar tudo que eu tenho passado e que vou passar.
De repente eu ouvi um dos soldados gritar “soviéticos” em um tom desespero e depois foi uma sessão de tiroteio inacabável. Craig me segurou e abaixou o meu corpo, como se me protegesse de alguma bala perdida. Coloquei minhas mãos sobre os ouvidos, pois o barulho era ensurdecedor.
Eu não podia esperar que eles acabassem com todos para eu ir salvar o Cartman, pois se o achassem, com certeza irá matá-lo. Quando eu me levantei, senti a mão de Craig segurar o meu pulso, muito fraco, eu estava com muita pena dele.
Então eu expliquei a ele o que eu vim fazer ali e por mais que eu insistisse que ele devia ficar ali até um soldado russo acha-lo, mas ele insistiu que iria comigo. Ele disse que seu fim estava próximo de qualquer jeito e se fosse para morrer, que seja fazendo o que ele sempre amou fazer: lutar. Aquilo me emocionou muito, parecia o fim do pesadelo, mas ainda tinha muito inferno a ser percorrido.
Tive que ajuda-lo a se levantar, pois nem isso ele fazia bem, eu realmente tentei mais uma vez insisti-lo a ficar ali, mas era inútil. Cautelosamente, a gente entrou em uma das casas de ferro do campo, geralmente onde ficavam as salas de interrogatórios.
Andamos pelo corredor, havia sangue fresco nas paredes e no chão, eu segurava firme a mão de Craig, para ter certeza que ele não iria desmaiar e ia ficar comigo o tempo inteiro. Eu só parei quando ouvi um grito.
-Ei, vocês! –Eu me assustei e apontei a arma para a pessoa, dando diversos tiros. O homem caiu morto no chão e eu imediatamente me arrependi do que fiz, Craig soltou um som de surpresa, mas não olhei para a feição dele, caminhei lentamente até o corpo, até tomar um grande susto. Era o Stan.
Meu Deus! Eu matei o Stan. Eu engoli em seco, me sentia tão arrependido por fazer aquilo, mas ao mesmo tempo tão satisfeito, não sabia que a vingança era tão boa, mesmo sendo tão cruel.
-Kyle! –Meus pensamentos foram interrompidos quando alguém me chamou e eu reconhecia aquela voz.
Era o Cartman.
Continua...
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