Apenas Uma Boneca

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Essa é a primeira vez que posto alguma coisa nesse site, então, desculpe qualquer coisa.

"Bonecas não estão vivas. Bonecas não respiram. Bonecas não têm sentimentos. Não choram, são apenas enfeites. Não servem para nada." Ela queria que isso fosse verdade. Quem dera, era isso que sempre pensava. Quem dera ela não tivesse sentimentos, que fosse um inútil enfeite. Quem dera não respirar, não viver.

Todos os dias ela levantava da cama e escutava o problema dos outros. Todos os dias as pessoas viam aquela boneca de pano, mas nunca a enchergavam como nada mais que uma boneca. Nunca imaginavam, que, apesar da aparência frágil e infantilmente ingênua, aquela boneca via um mundo completamente diferente. Um mundo onde seus problemas eram muito mais obscuros da menina que lamentava o término do namorico. O seu mundo era cinza, era escuro e úmido, regado por lágrimas de sangue.

Todos os dias ela chegava em casa e derramava suas lágrimas. "Bonecas não choram", era isso que as pessoas lhe diziam. Bem, aquela boneca chorava. Chorava por ser apenas uma boneca, vista pela sociedade como um simples objeto descartável. Seus problemas de boneca não eram fúteis o suficiente para merecerem tal atenção.

Não, seus pensamentos também não eram fúteis. Ela chorava todas as noites. Chorava pois não havia ninguém que entendesse seus problemas de boneca. Aquele que um dia já entendera a connfusa mente da boneca já partira há muito tempo, estava longe demais para enchugar suas lágrimas de boneca.

Não fazia mal, ela mesma secava suas lágrimas agora.

Assim que recompunha sua postura de boneca, tão amável e linda, ela sentava-se em frente à janela — uma vã tentativa de mostrar ao mundo a verdadeira boneca que ela era — e com uma pequena tesoura cortava sua pele alva de boneca.

Ficava ali, paralisada, admirando o líquido rubro que escorria até o assoalho. Seus olhos de botões observavam atentamente, como se visse a imagem mais bela de sua vida de boneca. Assim que sentia-se satisfeita com o tanto de sangue que havia sido derramado, pegava linha e agulha e costurava o corte.

Afinal, ela era uma boneca de pano. As pessoas costuravam as feridas das bonecas, e logo esqueciam que algum dia elas existiram.

Não essa boneca. Ela sempre lembrava.

Notas finais
Meio obscuro, eu sei. Mas comentem o que acharam, por favor. Vocês não fazem ideia do quanto isso me faria feliz. Aceito críticas abertamente. Mas críticas CONSTRUTIVAS, por favor.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!