Notas iniciais
O que você faria se visse um mundo podre, ofuscado pela violência e preconceito? Um mundo onde os negligentes não se calam, e os puros não se pronunciam? Um mundo governado por líderes corruptos? O que você faria se vivesse nesse mundo? Se você fizesse algo a respeito, se tentasse mudar ou morrer tentando, sinta-se honrado. Você é diferente.

"Huh!?" — Diego havia se assustado com tamanho lugar. Num piscar de olhos, acordou em uma área gigantesca, com apenas um longo e extenso branco, colorindo as paredes, teto e chão. Sentado, ele se viu perdido, coçando a cabeça. Levantou, e percebeu que uma pequena faixa, longa e cinza, se estabelecia no chão, estando ele no meio dessa faixa, que mais parecia asfalto, uma rua.

"Mas que merda é essa?" — Questionou-se, enquanto coçava seus olhos, tentando descobrir se era um sonho ou não. Com um olhar sério, encarou o lugar. O tamanho parecia ser, sem exageros, infinito. Uma longa distância era vista por Diego, ele agora começava a dar seus primeiros passos, tentando descobrir o que era tudo aquilo.

A faixa cinza causava um barulho de passos, feitos por Diego. Barulhos que se lembravam muito bem de sapatos se chocando contra uma madeira rústica. Ele estava impressionado, porém calmo, sabendo que até lá, nada tinha acontecido.

Já tinha andando por algum tempo, quando lentamente as paredes começaram a ficar num tom cinza. As paredes estavam muito longe de Diego, dando uma impressão do infinito. Do nada. Ao seu redor, o tom cinza escuro finalmente se estabeleceu, não mudando por um bom período de tempo.

Olhara para seu relógio, mas os pequenos ponteiros não se mexiam. Porém, Diego tinha certeza absoluta de que tinha andado um bocado, e estava cansado. "Quero água..." — Disse ele, já se sentando no chão cinza, onde planejara descansar por alguns instantes.

Porém, ele rapidamente se levantou ao tocar uma pequena parte de seu corpo no chão, sentindo uma dor aguda na mesma região. Ele se virou e olhou para o chão, que ainda se apresentava cinzento. Com um olhar de dúvida, continuou a andar no mesmo rumo, sabendo que era a única estranha alternativa.

Seus olhos levemente caíam, numa impressão de sono profundo, mas de fato era o cansaço intenso que sentia. Não caia suor de sua pele, por algum milagre, mas sentia cansaço. "Onde será que está Rufus, meu cachorro?" — Perguntou ele para o nada, pensando consigo mesmo onde estara o cachorro que se perdeu poucos dias de sua casa.

Aos lados da estrada cinzenta, que tinha um tom mais escuro que o chão, brotava árvores sem folhas, que se estendiam e cresciam rapidamente, como num passe de mágica. Entretando, Diego continuava a andar, olhando para o chão, ao mesmo tempo que via um pouco da longa estrada. Ele suspirava com um pouco de cansaço e irritação, mas sem prestar atenção no ambiente a sua volta que estava mudando, ele continuava a caminhada.

Pássaros num canto melancólico, que mais pareciam estar sofrendo, apareciam junto com as árvores, lá encostados nos velhos troncos. Folhas soltas, mortas e sem nenhuma coloração, começavam a aparecer no caminho de Diego, que não se importava, apenas andava.

"Tenho muitas contas pra pagar também..." — Dizia, enquanto colocava sua mão no queixo, e continuava a andar, agora olhando diretamente para baixo, observando seus pés se moverem.

Um barulho de trovão, seguidamente de um breve e rápido clarão, foi estabelecido agressivamente, enquanto Diego andava rumo ao nada. Sons leves e tocantes, que de alguma forma mostrava agonia e sofrimento, preenchia o que antes era o vazio, o silêncio. Ouvia o som de um piano, ritmado em longas distâncias a cada som, assim como um repetido violino, que apresentava um som melancólico, um som agudo e baixo.

"Esse som está me atrapalhando, francamente" — Pensou Diego, enquanto pensava sobre outras coisas de sua vida. Subitamente, aparece uma senhora, uma velhinha, com dificuldades ao andar. Ela anda no sentido da esquerda para direita, na visão de Diego, tentando atravessar a rua.

Diego apenas observava discretamente, quando a velhinha caiu e morreu. Sangue foi espalhado pela área em que ela havia morrido. De cinza escuro, o tom da rua, ou estrada, passou a ser uma cor de vinho, uma cor forte e intensa, que lembrava o sangue vermelho.

"Huh" — Pensou Diego, andando por cima da velhinha que havia morrido. Ele sempre foi um homem que não se importava com as coisas, um adulto como os outros, que possuem problemas demais.

Continuando o andar ritmado, ele olhou discretamente, um homem e uma mulher, que surgiam em sua esquerda. O homem tentava tirar a blusa da mulher, enquanto ela gritava por socorro. Aquele homem misterioso ria incessantemente, enquanto agora tentava tirar o sutiã da mulher, enquanto ela tentava o afastar de perto.

"Tsc, que merda" — Disse Diego, enquanto direcionava seu olhar novamente para o chão. "Como vou conseguir dinheiro?" — Questionava-se, ainda relacionando as dívidas. Os gritos da mulher eram mais intensos, porém Diego continuava seu caminho, um caminho que ele não sabia para onde ia.

Um pouco mais para frente, já com os gritos da mulher silenciados, ele avistou um homem magro, sem camisa, segurando uma pistola famosa em seu país, direcionando tal arma para um homem, que se sentava, implorando por sua vida. "Eu sou inocente, não fiz nada!!" — Gritava o homem que estava vestindo terno e gravata, pedindo perdão pelo que nada fez. Seus gritos de melancolia foram cessados quando foi atingido por um disparo certeiro no rosto, deformando sua face inteira.

"Porra... Não consigo pensar com esse barulho" — Pensou Diego, se referindo ao disparo, e aos sons, que para ele eram irritantes, do piano e violino, que vinham do nada. Aumentando a velocidade dos passos, um pouco apenas, Diego continuava a andar.

Andando, num rápido caminhar, encontrou soldados, usando uniformes iguais, mirando armas para uma única pessoa que estava amarrada a um pedaço de madeira, posto no chão. Todos atiraram incessantemente no homem, que foi totalmente deformado pelos tiros, causando um som irritante e incessante.

"Eu quero pensar mas não consigo!" — Concluiu Diego — "Vou andar mais rápido..." — Disse, enquanto aumentava a velocidade de seus passos, meio andando, meio correndo. O ambiente, antes com uma cor de vinho, agora possuía um tom preto, escuro, com pouca iluminação. Na sua direita, viu um menino magro, que mais parecia um esqueleto, passando fome, estendendo a mão para Diego.

Caminhando, Diego viu a sua esquerda, soldados atirando em rebeldes, e rebeldes atirando em soldados, em um confronto de vida ou morte. À sua direita, ele via dois homens fumando e bebendo, enquanto mencionavam assuntos fúteis.

"Tsc!" — O som reproduzido pela boca de Diego causava irritação, irritação até para ele mesmo. Começou a caminhar mais rapidamente, num correr lento, enquanto tentava sair daquele lugar que ocupava seus pensamentos.

Um prédio apareceu um pouco a frente, na sua esquerda, pegando fogo. Pessoas caíam dele, se jogavam para se salvar. Pedaços de membros se espatifavam no chão, enquanto o prédio ia caindo, impedindo a passagem na estrada.

Diego não suportou e começou a correr, passando o prédio, como se ele nunca estivesse lá, como se fosse transparente. Corria mais, quando via imagens que ocupava todo aquele lugar.

Na sua direita, via políticos fazendo discursos e prometendo pedidos, mantendo a palavra apenas naquele instante. No outro lado, via o que parecia ser execuções feitas por rebeldes. Corria o máximo possível, enquanto ainda conseguia ver um menino brigando com sua mãe e batendo no rosto dela.

À sua esquerda, via mulheres nuas sendo vistas por uma multidão de homens, enquanto dançavam e exibiam suas partes íntimas sem hesitar.

Ao mesmo tempo, a estrada estava se fechando lentamente, quase se tornando um risco. A impressão de infinito começou a se dissipar, quando ele viu uma pequena luz branca, a uma distância pouco longe dele. Ele correu mais ainda ao saber da luz. Antes de chegar naquela fonte de iluminação, sentiu uma dor aguda, e caiu no chão.

"Ah!!" — Gritou, enquanto acordava em sua cama, antes deitado, agora sentado nela. Suspirava com angústia e susto, enquanto percebia que tudo foi um sonho. "Ah... Foi apenas um pesadelo..." — Disse ele, enquanto colocava a mão em sua cabeça, tentando se acalmar.

Seu quarto era relativamente pequeno, quarto de apartamento. Lá, a TV de 29 polegadas, estava ligada, mostrando um incidente num prédio que acabara de cair. "Ai ai... Vou levantar e fazer um café" — Disse Diego para si mesmo, enquanto tirava o cobertor de cima dele e calçava seus chinelos.

"Hoje, 26 pessoas morreram em Fukushima, no Japão. Tal acidente, foi causado por uma usina nuc--" — A reportagem foi interrompida pelo simples desligar de TV de Diego, que se dirigia à cozinha. "Que sonho maluco" — Pensava Diego, enquanto colocava leite em sua caneca, logo, misturando com chocolate.

Sentou-se na mesinha da cozinha, e ligou o rádio. Tomava seu café, enquanto ouvia o transmitir do aparelho: "O estuprador conhecido como "John O Impiedoso", foi encontrado nessa manhã em seu esconderijo, perto de sua própria casa. Foi acusado de estuprar mais de 5 meninas com a idade aproximada de 14 anos. A polícia suspeita qu--". Novamente, o aparelho foi interrompido por Diego, que o desligara, apertando um simples botão.

Foi até a pia, e lá colocou a caneca, preenchendo-a de água em seguida. "Onde já se viu passar por cima de uma velhinha? Nunca faria isso" — Disse, enquanto ia para o banheiro, escovar os dentes e se trocar.

Feito isso, ele foi até a sala, onde lá abriu a porta, e foi para fora. Seu objetivo era ir pro trabalho, já que acordara de manhã. Passou por seu cachorro, que lhe dava a patinha e lhe trazia o pote de comida vazio em sua boca. "Eu nunca deixaria um menino passando fome, como eu fiz no sonho" — Disse, pegando a chave de seu bolso, em seguida ligando o carro, ignorando o cachorro que pedia por comida.

Colocou sua mão esquerda no volante, enquanto a direita selecionava a estação de rádio. "Um idoso foi encontrado morto noite passada, com um tiro no rosto. A polícia encontrou o assassino, ele fazia parte da polícia e--" — Mais uma vez, a voz da notícia foi interrompida, pelo mudar de estação que Diego fizera, colocando em músicas calmas e tranquilas.

"Isso me lembra aquele violino e piano que passou no meu sonho" — Disse sozinho, enquanto olhava para o rádio. Então, ele mudou para uma outra estação, que passava músicas que ele considerava alegres, como Samba. Finalmente, colocou as duas mãos no volante, abriu o portão com o controle, e saiu de casa, fechando o portão em seguida.

"Ainda bem que foi um sonho. Huh..." — Pensou, tendo certeza de que se comportaria diferente na vida real. Mas estaria Diego errado? Ou estaria ele certo? Afinal de contas, o que é sonho, e o que é vida, se não temos certeza de nada?

Será que aquilo realmente foi...

Apenas um Sonho?

Notas finais
Obrigado por ler, foi meu primeiro conto em One-Shot! Não esqueçam de comentar, por favor. Suas opiniões são muito importantes para mim. Espero que tenham gostado, obrigado novamente!
Snarkii.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!