Apenas Um Olhar

24 Uma segunda chance.


É isso mesmo. Exatamente o que vocês estão pensando. Nós fizemos sexo. Sexo casual. E foi intenso! Nenhum homem — apesar de eu não ter muitas experiências — me tocou daquela forma. Eu era um tanto suspeita para dizer, afinal só me deitei com um homem em toda minha vida, mas com o Rodrigo foi.... Diferente.

Eu me senti desejada, especial, completa, amada, querida depois de tanto tempo. Não foi só sexo. Foi amor. E nós nem éramos namorados! Algo que eu já nem tinha mais esperanças de sentir outra vez. Não depois de ter estado tão perto da morte pelas mãos do meu próprio marido.

Acordei no outro dia me sentindo muito assustada. E como a cama era pequena, uma cama de solteiro, nós ainda estávamos muito próximos. Praticamente entrelaçados. E nus!

Levantei-me tentando ao máximo não fazer movimentos bruscos para não acordá-lo. Ele era fofo até mesmo dormindo. Peguei minhas roupas jogadas no chão e me vesti o mais depressa possível. Eu me sentia uma criminosa, saindo assim de fininho.

Para minha infelicidade acabei me esbarrando com a Vanessa. Ela estava subindo distraidamente, com seu pijaminha indecente e um xicara de café em mãos. E eu estava descendo as pressas.

— Pelo visto vocês aproveitaram bem a noite. – ela comentou sarcasticamente, me analisando de baixo pra cima.

— Olha, me desculpe. Mas eu tenho mesmo que ir agora. Estou com pressa! – tentei passar por ela, mas ela me impediu projetando seu corpo rígido em frente ao meu.

Vanessa até que era bem bonitinha. Um pouco mais alta do que eu, o corpo magro como a de uma modelo, olhos castanho-claros, algumas sardas pelo rosto e cabelos loiros quase branco.

— Eu sugiro que você caia fora do nosso caminho antes que eu seja obrigada a interferir de outra forma. E você não vai gostar nadinha. – ela estava mesmo me desafiando? — Você não ama o Rodrigo. Eu sim o amo, ele só não sabe ainda. Eu sei que ele é bonito, forte, inteligente, bonzinho e jovem. Mas olha só para você! Você é velha, gorda e já tem até filhos. Ele só quer sexo com você.

Eu estava prestes a dar um soco na cara dela — porque não permitiria de jeito nenhum que outra vaca me passasse para trás — quando o Rodrigo apareceu no alto da escada, usando apenas um short e deixando o abdômen completamente a mostra.

— Mel, você já vai?

— Eu tenho que ir. Tenho compromisso. Lembra?

— Ah, sim. Então tudo bem. Já ia te convidar pra tomar café-da-manhâ comigo. – ele sorrio. — Nos vemos mais tarde?

— É, pode ser.

Ainda era cedo. Mas não pude evitar de me encontrar com a minha mãe esperando por mim do outro lado da rua. Me senti como uma adolescente, ainda mais quando ela me olhou de forma reprovadora, com os braços cruzados e a cara feia.

— Você se esqueceu que seus filhos têm aula hoje?

— Ai, meu Deus! Que horas são?

— Não se preocupe. Sua irmã já levou eles para a escola.

Entrei em casa me sentindo péssima. Por sorte ela não me fez perguntas. Imagine o constrangimento! Fui direto tomar banho. Enquanto a água quente escorria por meu corpo, não consegui pensar em outra coisa a não ser na noite passada.

A audiência seria as onze horas. Papai, eu e Augusto saímos de carro as dez horas em ponto. Eu não me sentia nenhum pouco preparada. Mas confesso que a noite de ontem me distraiu ao longo de todo o caminho. Eu só conseguia pensar nele!

Chegamos cedo demais e ficamos esperando até eu ser chamada. A primeira pessoa a me cumprimentar foi o advogado do Carlos, o doutor Roberto. Trocamos algumas palavras e então tivemos que entrar para dar início a audiência.

Meu pai e meu irmão ficaram esperando lá fora. Minha advogada, Judith, que era advogada da minha família a anos conduziu praticamente todo o processo. Carlos e seu advogado estavam sentados logo em frente e abriam a boca sempre que era preciso. Eu tremia muito, mas tentava disfarçar.

Além de não ter olhado para ele nem por um momento, eu quase não ouvi nada. Apenas assinei alguns papéis que a advogada pediu e só. Aquilo era torturante e demorado.

Algum tempo depois, eu finalmente era uma mulher divorciada e sem nenhum direito. Não que eu fizesse questão. Só estava preocupada com os meus filhos, que a partir de agora começariam a receber uma pensão. Eu não queria nada daquele homem! Mas todo mundo sabia que era preciso.

Além de ser um direito dos meus filhos.

Mesmo contra minha vontade, foi combinando também que o Carlos poderia ver os garotos de quinze em quinze dias.

Pelo jeito, eu nunca me veria livre daquele homem monstruoso. Era uma pena que meus filhos tivessem um pai como ele. Mas eu, como mãe, jamais colocaria eles contra o próprio pai. Não era justo. Aquilo era entre mim e ele. Apenas.

Ao final de tudo fui me encontrar com meu pai e meu irmão lá fora. Ainda estava friozinho. Eu estava pronta para ir embora.

— Pelo jeito você não mudou nadinha. – ouvi o Carlos dizer as minhas costas. Virei-me de frente para ele, o encarando pela primeira vez em muito tempo. Ele continuava igual: completamente desprezível. — Continua sendo ridiculamente patética.

— Cala a boca, seu animal. – em segundos meu irmão se projetou em minha frente, como um escudo. Augusto cerrou os punhos e olhava para o Carlos com muita fúria. — Não ouse a dirigir a palavra a minha irmã outra vez ou eu acabo com você.

Carlos riu, desafiador.

— Vamos embora, Roberto.

E finalmente ele se foi.

Em casa, durante o almoço, todos se reuniram a mesa para me ouvir falar como havia sido a audiência. Assim como eu, ninguém gostou de saber que o Carlos iria vir buscar os gêmeos pelo menos quinze em quinze dias. Ninguém queria ele por perto! Pelo menos seria bom para os meninos terem o pai de volta em suas vidas.

Passei o resto do dia ajudando na pousada. Não voltei a ver o Rodrigo. À noite, depois que ajudei os gêmeos a terminar o dever de casa, eu contei a novidade a eles.

— Oba! Estou morrendo de saudade do papai. – disse o Gustavo sorrindo largamente. Parecia ansioso.

— Mamãe, eu não quero ir. – Vinicius ficou triste de repente. Parecia muito aborrecido. — Quero ficar aqui com você, com o Rodrigo, com a vovó e o vovô e a titia e o titio.

— Querido, você não tem que ir se não quiser. Mas seu pai sente a sua falta. Não seria legal vê-lo outra vez?

— Eu acho que não, mãe. Você nem vai estar lá.

Então era isso.

— Filho, a mamãe e o papai não estão mais juntos. Mas eu sempre serei sua mamãe e ele sempre será o seu papai.

— Mas porque vocês não estão mais juntos? – foi o Gustavo que perguntou.

— Porque a gente não se ama mais. E as pessoas não são obrigadas a ficarem juntas se não se gostam mais. Mas nós dois amamos muito vocês. Vocês sabem disso, não sabem?

Eles assentiram.

— Mãe, você ama o tio Rodrigo?

Apesar da pergunta do Vinicius ter sido totalmente inocente, eu fiquei muito chocada.

— A mamãe ama sim o tio Rodrigo, mas só como amigo. = expliquei.

— Ele é um bom amigo, não é? – ele insistiu, sorrindo.

— Eu não acho! Ainda não confio nele. – Gustavo interviu.

E por incrível que pareça que eu ri.

— Está tarde. Vamos guardar as coisas e dormir?

Como sempre, eles logo pegaram no sono. Eu só precisava ler uma historinha ou cantar alguma coisa. Já eu custei a dormir.

Tinha um milhão de coisas na cabeça.

Na sexta-feira à tarde, assim que saiu do trabalho, Alícia veio almoçar na pousada. E eu me sentei com ela, apesar de estar no meio do meu expediente. Eu estava com saudade!

Vivíamos muito ocupadas.

— Me encontrei com a sua irmã ontem e ela me contou o que anda rolando entre você e o seu vizinho-barra-enfermeiro.

— O quê? Mas não tá rolando nada entre nós. – eu estava sendo sincera. Depois daquela noite nós nunca mais nos vimos ou nos falamos. — Você sabe que a Ju adora inventar histórias.

— E você sabe que pode contar comigo, não sabe? Afinal, eu sou sua melhor amiga. Você pode me contar qualquer coisa.

Eu queria muito contar, mas não tinha muita certeza.

— Eu não vou te julgar nem nada.

— Não é isso...

— Então você admite? Ta rolando mesmo algo?

— Nem adianta sorrir assim. Não tá rolando nada, já disse.

— Ah, que pena. Ele é bem bonitinho mesmo.

— Mas como você sabe?

Virei-me para trás com tudo e olhei na mesma direção em que ela estava olhando. E lá estava ele. Rodrigo estava saindo de casa naquele exato momento. Deveria estar indo para o trabalho.

— E ele é oito anos mais novo!

— E daí, Mel? Que eu saiba você é uma mulher super bem resolvida. Ou será que eu estou enganada?

— Não, não está. Mas a mamãe não pensa assim.

— Ela só está insegurança. Ela não quer que aconteça a mesma coisa que aconteceu da outra vez. Ninguém quer! Mas você merece ser feliz. Merecer se dar outra chance!

— É, talvez.... Mas vamos trocar de assunto.

— Ta bom. – ela voltou a comer e ficou calada por um bom tempo. Enquanto eu refletia muitas coisas. — Ah, lembrei. Eu tenho uma mega novidade para você. Você não vai acreditar!

— Fala logo, Alícia.

Alícia não mudou nadinha. Ela continuava linda, como uma bonequinha de porcelana. Os cabelos chanel e negros ainda mais curtos agora, em contraste com sua pele pálida.

— A diretora da escolinha quer falar com você na segunda-feira. As oito e meia da manhã em ponto. E nada de atrasos!

— Você tá brincando!?

— É, sério. Pode apostar.

Acordei na manhã do dia seguinte mais cedo que o normal. E hoje era meu dia de folga. A mamãe queria que eu passasse mais tempo com os gêmeos, já que eles não tinham aula nos finais de semana.

O problema é que eu fiquei pensando a noite toda. Ansiosa e na expectativa para segunda-feira. O que será que a diretora da escola dos meus filhos queria conversar comigo? Seria alguma coisa a ver com eles? Ou uma nova proposta de emprego?

Como eu estava agitada demais para voltar a dormir até a hora dos gêmeos acordarem, resolvi colocar uma roupa mais leve e ir correr. Fazia uma semana que eu não corria!

O céu lá fora já estava muito claro. Ainda era cedo para dizer, mas parecia que finalmente o sol iria aparecer.

Corri pelo quarteirão inteiro. Na volta para casa acabei dando de cara com o Rodrigo. Ele também estava correndo.

— Faz tempo que a gente não se encontra para nossas corridas matinais. – ele observou, sorridente.

Eu não sabia muito o que dizer.

— Olha, Rodrigo, sobre aquela noite...

— Mel, a gente não tem que falar sobre isso. – ele afagou a minha bochecha gelada. — Tá afim de fazer um piquenique hoje? Você pode levar os gêmeos. Seria divertido!

Os gêmeos pularam ao saberem da novidade. Mas ao contrário do eu esperava, as coisas não sairiam exatamente como eu havia imaginado. Quando estávamos prontos para sair de casa e nos encontrarmos com o Rodrigo, o Carlos apareceu.

— O que você quer?

— Eu vim buscar os meninos para passar um final de semana comigo. – ele sorria de forma debochada. Eu queria soca-lo bem no meio do nariz. — Onde eles estão? Estou morrendo de saudade!

— Quase dois meses depois você se lembra que tem filhos e agora quer bancar o pai do ano. Você é ridículo, sabia?

Ele riu.

— Para de ser engraçadinha Melissa e vai logo chamar eles. Eu estou esperando. – além de tudo era folgado. — Eu tenho muitos planos para esse final de semana. Eles vão adorar!

Suspirei e voltei lá para dentro para chamar os meninos e dizer que os planos para hoje foram cancelados.

— Algum problema, Mel? Quer que eu resolva? – meu irmão estufou o peito. Parecia determinado a destruir algo.

— Não, tudo bem, Guto. Ele só veio buscar os filhos.

Subi correndo para quarto.

— O papai chegou? – Gustavo abriu um grande sorriso.

— Sim e vocês vão com ele.

— Eu não quero ir! – Vinicius protestou, chateado.

— Querido, por favor, não complique as coisas. Seu pai está bastante animado para vê-los. Vocês voltam amanhã! Vamos lá. Mude essa carinha. Vai ser divertido!

Rapidamente fiz duas mochilas com coisas para eles levarem.

— Tchau, anjinhos. Eu amo vocês! – dei um abraço apertado em cada um deles e um grande beijo.

— Aquele era o seu ex-marido? – levei um grande susto. Não tinha percebido que o Rodrigo estava ali.

— Infelizmente, sim. Ele veio buscar os meninos.

— Que pena! Mas o piquenique ainda está de pé, né?

Rodrigo já havia preparado tudo. Não tinha como recusar. Pegamos um ônibus e em alguns minutos nós chegamos ao Parque Prefeito Ferraz. Um parque com muito verde e um grande lago.

Como era sábado o parque já estava cheio. Mas foi fácil encontrarmos um lugarzinho mais afastados entre as árvores. Assim que nos sentamos na grama, Rodrigo tirou a mochila das contas. Ali dentro ele tinha trazido tudo que precisávamos: água e suco, alguns sanduiches, frutas, biscoitos, balas e um livro.

Tive uma tarde prazerosa. Quem visse de fora pensaria que nós éramos namorados. O clima estava muito gostoso. O sol finalmente tinha dado as caras. O céu estava azul, mas não estava tão quente assim. E tivemos muito tempo para conversar e comer.

No domingo não tive muitos planos. Fiquei o dia inteiro na casa da minha irmã, ajudando-a com as crianças enquanto ela fazia faxina e o Igor tinha saído para jogar bola com os amigos. Eu não vi o Rodrigo durante todo o dia. A noite o Carlos chegou com os gêmeos e eles vieram correndo me abraçar.

Para minha felicidade, o Carlos não ficou nem dois minutos ali e logo se mandou.

— Mãe, você não vai acreditar! – disse o Gustavo todo empolgado, enquanto caminhávamos até em casa, passando pela lateral da pousada para chegarmos nos fundos. — O papai nos levou ao parque de diversão mais legal do mundo.

Tentei ficar feliz por eles.

— E você, Vini? Você gostou do parque? – entramos em casa e o Gustavo foi correndo contar as boas notícias aos avós.

— Foi legal. – disse ele, mas não parecia muito animado. Nós subimos para levarmos as mochilas para o quarto. — Mas eu não gostei muito. O Gustavo não largava o papai.

— Ele sente falta do pai, querido. – abri as mochilas, peguei tudo que estava dentro e guardei no guarda-roupas ou joguei no cesto de roupa suja. — Você também não sente?

— Não muito. – ele olhou para mim com os olhinhos brilhando de alegria. Enfim um sorriso verdadeiro. — Eu prefiro ficar aqui com você. Mas acho que o Gustavo prefere ir morar com o papai.

— Ele disse isso? – perguntei preocupada, mas aos mesmo tempo feliz por tudo que tinha acabado de ouvir.

— Ele não disse ainda. Mas eu tenho quase certeza que sim.

Não teve outra, passei o resto da noite pensando naquilo. Não queria me separar dos meus filhos. Nunca! Mas se o Gustavo preferia o pai eu não tinha o que fazer. Ele estava crescendo e não demoraria muito para decidir as coisas por si próprio.

Na segunda-feira acordei mais feliz, pois teria uma conversa com a diretora da escola onde eu trabalhei e que atualmente é onde meus filhos estudam com os primos.

Assim que deixei eles na porta da sala junto da professora, fui para a sala da diretora. A secretaria pediu para eu esperar um pouco, pois ela ainda não tinha chegado. Esperei meia hora, sem conseguir acalmar as minhas pernas que balançavam muito.

— Olá, Melissa. – ela enfim tinha chegado. Parecia muito bem-humorada. — Vamos entrar na minha sala?

Concordei e fui logo atrás dela.

Ela parecia muito misteriosa e todo aquele suspense estava me deixando ainda mais nervosa. A diretora, a dona Beatriz, primeiro guardou sua bolsa em seu armário e depois pediu para a secretaria trazer dois cafés antes de darmos início a nossa tão esperada conversa. Por fim, ela se sentou em minha frente.

— Desculpe ter te chamar aqui tão cedo, Melissa. Mas eu estava mesmo precisando falar com você. Não se preocupe, não tem nada a ver com os gêmeos. Eles são ótimos alunos! O Vinicius é mais compenetrado. O Gustavo é mais agitado, mas estão se saindo muito bem, do jeito deles, é claro. Na verdade, eu tenho uma proposta para você. Está pronta para ouvir?

Assenti, sorrindo nervosamente.

Meu coração estava aos pulos.

Assim que ela abriu a boca, alguém bateu a porta. Era a secretaria com nossos cafés. Logo atrás dela estava a Alícia.

— Oi. Queria estar ao seu lado nesse momento. – ela sentou-se na cadeira vazia ao meu lado e pegou a minha mão.

— Mas você não deveria estar em sala dando aula?

— As crianças estão tomando o café-da-manhã.

— Melissa – Beatriz voltou a falar, tendo minha total atenção agora. Eu estava me sentindo um pouquinho melhor agora, tendo a Alícia ao meu lado, segurando a minha mão. — É com grande honra e prazer que te proponho a voltar a dar aula aqui no colégio. Você topa? Não sei por tudo que você passou nesses últimos anos e também sei que isso não é da minha conta. Sei também que faz tempo que você não pisa dentro de uma sala de aula, mas eu sempre gostei e confiei no seu trabalho. E aí, o que você me diz?

Voltei para casa sem acreditar no que estava acontecendo comigo. A vida estava me dando uma segunda chance. Não estava sendo fácil, algumas vezes antes de dormir eu pensava nas minhas dificuldades e sentia uma grande dor no peito. Mas essa era a minha chance de recomeçar e mostrar que eu era sim uma mulher forte e que não se abalava facilmente por causa de um homem monstruoso.

— Melissa! – alguém gritou por mim quando eu estava prestes a chegar em casa. Rodrigo corria em minha direção. — Oi. – disse ele, ofegante. — Estou indo para o trabalh... Que carinha é essa?

— Eu consegui. Eu consegui! – não sei o que deu em mim, só sei que dei um pulo diretamente nos braços dele. Rodrigo me segurou a tempo, abraçando-me apertado, mesmo sem entender que loucura era essa. — Lembra que eu disse a você no parque que teria uma conversa com a diretora da escola onde eu trabalhava?

Ele assentiu, sorrindo largamente.

— Hoje mais cedo ela me propôs voltar a dar aula. Isso não é um máximo? – mais louco é que eu ainda estava pendurada nos braços dele. E olha que eu não era nada leve e mesmo assim ele me segurava com firmeza. — Eu consegui! Vou voltar a dar aula.

— Mel, isso é maravilhoso! – ele estava mesmo feliz por mim, eu consegui ver isso através de seus olhos. — Eu sempre soube que você conseguiria. Você é incrível! Você é a melhor pessoa que eu já conheci. Estou tão orgulhoso!

E para minha surpresa, ele me beijou.

Eu me senti tão calma e tão em paz, como se pertencesse àquele lugar. Como se eu estivesse em casa. Como se nenhum presente fosse melhor que esse. E então, quando ele me colocou no chão, segurando meu rosto com aquele sorriso, eu soube. Eu estava perdidamente apaixonada.

Ai droga!

De novo não.