Apenas Um Olhar
1 Único.
Por Lily Luna Potter
Dizem que a pessoa amada nós conhecemos com um olhar. Mas tem vezes em que outros sentimentos atrapalham o que o olhar transmitiu. O ódio. Rancor. Desprezo. Nojo...
Minha mãe, Ginevra Weasley, amou dês de que era pequena um único homem, meu pai, Harry Potter. Bom, pelo menos é o que todos acham, mas em seus últimos dias de vida, ela me confessou ter amado um sonserino, loiro, irritante e acima de tudo um Malfoy, mas não é qualquer Malfoy, ela amou Draco Malfoy.
Tudo começou antes da batalha final, naquela época minha mãe ainda se achava apaixonada pelo meu pai. Naquela época, meu pai e meus tios Rony e Hermione haviam feito uma viajem, uma viajem que mudaria o mundo bruxo para sempre, mas eu não sei muito sobre isso, meus pais nunca entraram em muitos detalhes, e eu também não quis saber.
Mas como eu ia dizendo, quando meu pai e maus tios viajaram minha mãe voltou para Hogwarts, a contragosto da minha avó, é claro. Quando completou um mês dês de que voltara para a escola minha mãe se sentia muito só, tudo bem que meus padrinhos Neville e Luna estavam sempre com ela, mas ela sentia um vazio no peito, como se estivesse incompleta... E foi em uma noite em que tudo começou...
Ela andava pelos corredores da escola a noite, não estava se importando com o fato de que toda a sonserina havia tomado conta de todo o castelo, ela só queria andar, fazer a dor diminuir, ficar sozinha...
Mas sua solidão não durou muito, pois logo uma voz arrastada a parou.
- O que faz fora da cama Weasley?
Ela se virou, sem medo nenhum, e encarou o dono da voz, Draco Malfoy, um sonserino loiro de olhos num cinza intenço. O loiro tinha um sorriso cinico na face, pelo que ela me disse, era totalmente cinico, sabem como é né? Sangue Weasley correndo nas veias...
- Sabe doninha, acho que isso não lhe interessa, então vá procurar a sua turminha ridícula e me deixe em paz. — respondeu
Ele a pegou pelo braço, com os olhos exalando fúria. Lembrou que quando minha mãe contou-me essa história, ela me disse que pela primeira vez na vida, sentiu medo. Mas não foi dele e sim da sensação de ser tocada por ele.
- Você não manda em mim, Weasley. – ele disse irritado, apertando o braço dela.
- Está me machucando, Malfoy. – ela avisou.
- Por que não esta na cama? – ele perguntou enfurecido. – Pensando no Santo Potter?
- E SE FOR? – ela gritou, seu braço doía agora. – Você não tem nada haver com isso. – completou com lagrimas nos olhos.
Ele apenas encarou os olhos cor de chocolate, molhados. Ela não entendera, pois ele afrouxou o seu braço sem soltá-la, mas devolveu o olhar. Foi tudo para eles, com apenas um olhar tudo aconteceu.
Draco deu um passo em direção a pequena ruiva, e lhe acariciou o rosto com a outra mão. Este ato só a fez ficar mais confusa, mas não contestou, ela pode sentir suas preocupações irem embora com o toque do loiro.
Mamãe me disse que só se lembrava de estar perdida no mar cinza que eram os olhos de Draco Malfoy, mas no segundo seguinte os dois estavam trocando um beijo. Mas não foi qualquer beijo, foi diferente de todos que eles já haviam provado. Tinhas algo especial.
Separaram-se ofegantes e não disseram nada apenas se encararam, olho no olho, chocolate no gelo, a confusão no nervosismo.
Um olhar mistério para minha mãe, que muito confusa saiu correndo.
***
O tempo passou e meus avós proibiram minha mãe de voltar para Hogwarts, por causa da guerra, mas isso não a impediu de voltar e lutar ao lado de sua familia.
Ela duelava com um comensal e não viu que outro ia atacá-la por tras, quando...
- Estuperfaça. – gritou uma voz, apos ela conseguir imobilizar o comensal, olhou para onde partira o feitiço, e não acreditou no que seus olhos viram...
Ele estava ali, com os cabelos platinados bagunçado, e os olhos cinza turvos. Ele parecia preocupado, e a olhava com igual sentimento.
- Draco... – ela murmurou com lagrimas nos olhos.
Ele nada disse, apenas correu ate ela e a abraçou, um misto de tudo a invadiu; lembrou dos olhos de minha mãe – meus olhos-, terem se enchido de lagrimas ao me contar isso. O castelo podia estar explodindo, mas eles não se desgrudaram.
Draco se separou do abraço e a encarou nos olhos.
- Vamos. – ele disse.
- Para onde? – ela perguntou confusa.
- Sair daqui. – respondeu, depois de uma explosão.
- Não. – falou exasperada. – Não posso deixar minha família.
- Não seja teimosa, Ginevra. — Draco a repreendeu, ele realmente não a conhecia.
- Vou ficar e lutar, — ela disse entre dentes. — se for preciso morrer para salvar quem amo.
- Nunca mais repita isso. – vociferou desesperado.
- Desculpe Malfoy, — ela disse cuspindo o nome dele – mas eu não vou a lugar nenhum!
Depois disso eles nunca mais se falaram, a guerra acabara — meu pai vencera. — Mas perdemos muitas pessoas preciosas, Lupin, Tonks, Tio Fred, pessoas que eu cresci ouvindo dizer que eram heróis.
***
Bom, um dia minha mãe saiu para fazer compras, já havia se passado dois anos após a guerra, ela acabara de se formar e voltara a namorar meu pai. Como eu ia dizendo ela estava fazendo compras, olhava uma vitrine no Beco Diagonal, quando...
- Continua linda, Ginevra. – murmurou uma voz em seu ouvido que a fez se arrepiar.
- Malfoy. – murmurou se controlando, virando para encará-lo.
Ele estava sorrindo, mas não era aquele sorriso arrogante ao debochado que ele costumava dar, pelo que ela me disse, era um sorriso feliz, sincero.
- Por que do sorriso? – perguntou irritada.
- Feliz em te ver. – o queixo dela caiu — afinal Draco Malfoy acabara de dizer que estava feliz em vê-la. – Posso te pagar um café?
- Não. – respondeu cortante.
- Um suco?
- Não.
- Um chá?
- Não.
- Uma água?
- Não.
Ela não entendia o porquê dele continuar sorrindo, afinal ela acabara de negar muita coisa.
- Nem uma torta de amora da confeitaria ali da esquina, que eu sei que você adora? – ele perguntou, ela mordeu o lábio inferior.
- Como sabe disso? – perguntou num murmurinho.
- Sei de varias coisas, você nem imagina quantas. — respondeu.
- Está bem. – ela enfim cedeu e o sorrio de Draco se alargou.
Por mais que Dona Gina negasse, ela se sentia bem ao lado do Sonserino, ela tentou não dar muito papo, mas foi em vão, tudo nele a acalmava, hipnotizava: cabelos, olhos, boca.
Ela não soube me dizer como ela havia chegado ao apartamento dele. Num momento eles estavam conversando, e no outro se beijando. Ambos já estavam na cama, sem camisa, quando sua sanidade voltou.
- Não. – ela disse o empurrando para longe e se levantando.
- O que foi, Ginevra? – Draco perguntou confuso.
- Não posso. – respondeu mais para si mesma, recolocando sua blusa.
- Gina. – ele a chama, pegando em seu braço delicadamente.
- Não encoste em mim! – mandou a ruiva com os olhos cheios d’água, quando ele a soltou, ela aparatou.
***
Uns meses se passaram, e minha mãe conseguiu um emprego no Ministério da Magia. Ela andava pelos corredores Ministeriais parando abruptamente ao ver uma cabeleira platinada, Draco também parou e a encarou. Ficaram se encarando, quando uma voz interrompeu o contato visual.
- Gina, amor, ai esta você. – disse. Sim, era meu pai, seus olhos verdes sempre cintilando ao olhar para a pequena dona de cabelos flamejantes.
- Harry. – ela murmurou depois que ele lhe deu um selinho.
Meu pai começou a falar sobre o casamento deles, mas minha mãe não ouvia, ela tinha ciência da presença de Draco ali, e isso a deixou desconfortável.
***
Um dia quando minha mãe estava de folga, ela teve que ir ao Ministério, pois meu avô esquecera uns papeis. Ela andava distraída, quando uma porta se abriu e uma mão a puxou para dentro da sala.
- O que...? – ela se calou ao ver que era Draco Malfoy seu sequestrador.
- Oi, Ginevra. – ele murmurou.
- O que pensa que esta fazendo? – ela perguntou irritada.
- Temos que conversar. – ele disse de um jeito possesso.
- Eu não tenho nada para falar com você, Malfoy. – ela disse com firmeza.
- Você não pode se casar com ele. – ele falou enraivecido.
- Ah é? E por que não? – ela não tinha medo dele. Nem nunca teria.
- Porque você é minha! – mamãe estremeceu ao me contar que seu tom beirava a insanidade.
- Eu não tenho dono, Malfoy. – falou sendo totalmente fria.
- Por que você fica fugindo de mim? – ele perguntou, mudando o tom para o desespero.
- Escute aqui, Malfoy, você não é nada para mim. Eu não lhe devo satisfações de nada que eu faço. E saiba você que semana que vem, quando eu entrar naquela igreja eu vou dizer “Aceito” – ela explodiu e se retirou correndo da sala.
***
Era véspera do casamento de meus pais; minha mãe estava parada encarando seu vestido branco – sentada em seu apartamento – quando bateram na porta. Ela se levantou e foi atendê-la. Ao abri-la se chocou com o que viu.
Draco estava com uma aparência devastada, as roupas, estavam sujas, os cabelos desalinhados e os olhos estavam vermelhos – parecia ter chorado.
- Malfoy...- disse vacilante.
- Gi...Ginevra. – disse cambaleante.
- O que houve com você? Está um trapo! – indagou ajudando-o a entrar em seu apartamento, depois o sentando no sofá. – Você bebeu. – afirmou sentindo cheiro de Whisky.
- Talvez um ou dois copos. – murmurou.
- Talvez uma ou duas garrafas.- rebateu.
Mamãe me disse que um silencio se estalou entre eles. Draco não sabia o que dizer e minha mãe não sabia o que fazer.
- Vai mesmo fazer isso? – ele perguntou, quebrando o silencio.
- Vou sim. – respondeu firme.
- Por favor, não faça, eu te imploro. – ele disse desesperado ajoelhando-se a sua frente.
- Draco, levante-se. – pediu, por incrível que pareça ele obedeceu.
- Não faça isso comigo. – ele pediu uma novamente, começando a chorar. Minha mãe ficou sem ação.
- Draco, eu não te entendo. – murmurou confusa. – Ou você me faz te odiar, ou você me deixa confusa.
- Ainda não entendeu Virginia? – ele perguntou limpando suas lágrimas. – Eu te amo.
Ela ficou estarrecida. Encarando os olhos vermelhos dele.
- Draco, eu amo o Harry. – disse medindo as palavras. – Mas... Também te amo.
O rosto dele se iluminou; se aproximando dela ele lhe acariciou o rosto.
- Fique comigo esta noite. Seja minha somente esta noite. – pediu em completo desespero, agarrando-lhe o rosto com as duas mãos. – Por favor, antes que eu enlouqueça.
Ela agarrou uma de suas mãos e a apertou com força.
- Sou totalmente sua. Por esta noite sou sua, completamente sua.
Foi o que bastou. Draco a beijou com fervor, nunca antes utilizado, levando-a para o quarto em quanto se despiam. Sem perceber, eles derrubaram o vestido de noiva no chão. Deitados na cama, se amando.
Ao me contar esta história minha mãe tinha um brilho diferente no olhar. Ao descrever sua noite ela disse que foi a melhor de sua vida.
Mas no dia seguinte acordou sozinha, ao seu lado apenas um pergaminho pequeno dobrado. Abriu-o e o leu, lá continha apenas uma pequena frase:
“Te amarei pela eternidade. Com apenas um olhar.”
Depois disso ela se casou com meu pai e no ano seguinte teve seu primeiro filho: James Sirius. O casamento estava ótimo e minha mãe começou a trabalhar no Profeta Diário e meu pai se tornou chefe dos Auror’s. Já no ano seguinte nasceu o segundo filho: Albus Severo. Mas quando ele tinha dois anos nossos pais tiveram uma briga feia, com direito a meu pai sair de casa.
Mas como todo bom casal que briga tem sua reconciliação. E o resultado fui eu: Lily Luna.
Um casal pode ter suas diferenças, mas os sentimentos no olhar não podem ser ocultados.
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