Apenas Um Menino Luxembruguês
1 Apenas um menino curioso
Notas iniciais
Apenas um menino Luxemburguês
Maio de 1989.
Beto era um menino muito esperto que tinha seus 7 anos e morava numa pequena casa na rua Schulstrabe em Luxemburgo. Era numa cidadezinha no interior. Era longe de tudo, mercado, escola, da cidade. Morava com a mãe, Andrea, que se esforçava muito para cuidar de Beto. Aliás era mãe solteira, lavava e passada roupa para as madames para conseguir o sustento da casa.
Beto adorava brincar na rua com seu melhor amigo Fernando. Gostavam de aventura. Subir em árvores, cavar buracos, caçar insetos, pular muros. Todos os dias à tarde Beto voltava todo sujo e ralado para casa. E logo Adrea reclamava: “Todo dia é isso! Sou eu que lavo as suas roupas menino.”
Beto tinha uma vida normal de criança. Havia apenas uma coisa que ele não conseguia entender: “Por que só tinha mãe?”, “Por que Andreia não falava sobre o pai dele?” Só dizia que era mãe e pai dele ao mesmo tempo. Mas essa resposta não era o bastante para ele. Beto sempre foi de querer saber as verdades sobre tudo, era uma menino extremamente curioso e esperto. Porém sempre que perguntava sobre isso pra sua mãe ela agia estranho, muitas vezes mudava de assunto ou simplesmente não respondia. Isso deixava Beto ainda mais curioso. Mas já que sua mãe não falaria sobre seu pai, então Beto daria seu jeito de descobrir. Não sabia como e nem se daria certo, mas a sua curiosidade o consumia. Seu amigo Fernando que era amigo de todas as horas se juntou a ele nesse desejo de investigação. Beto lhe contou que sua mãe sempre recebia cartas que pareciam estranhas. As vezes ele observava quando sua mãe lia e de vez em quando ela sorria e outras vezes chorava. Mas ela não deixava que ele as abrisse e nem que lesse. Era um grande segredo. E Beto desconfiava de que essas cartas poderiam servir como pistas sobre seu pai. Talvez algumas daquelas cartas fossem de seu pai, talvez sua mãe tenho brigado muito feio com ele e por isso não gosta de falar nele. Ou então seu pai podia ter morrido, ou pior... Beto podia ser adotado. Tantos pensamentos borbulhavam na cabecinha de Beto. Não era simples a sua mãe lhe dar alguma resposta?
...
Beto gostava de desenhar e um dia ele fez um desenho, a forma que ele imaginava que seu pai era. Se olhou no espelho por alguns minutos, pois pensava que deveria se parecer com ele, porque ele não achava que se parecia nem um pouco com sua mãe. E então Beto começou a desenhá-lo. Depois de terminado o desenho, Beto ficou olhando e olhando... Sua mãe cozinhava, mas percebeu que Beto não tirava os olhos daquele desenho. Então lhe perguntou: “Que é isso que você tanto olha, meu filho?” Então Beto se aproximou e mostrou-lhe seu desenho e disse: “Tentei desenhar meu pai, se parece com ele?” — Nesse momento Andrea mudou subitamente seu semblante, não estava esperado. Ficou olhando pra ele em silêncio, tentando fugir da resposta, mas via no seu filho aquele olhar de ansiedade e inocência.
Beto: Mãe? Se parece ou não?
Dos olhos de Andreia escorreram finas lágrimas. Então teve um pequeno devaneio, mas logo voltou a realidade, mas não respondeu a pergunta de Beto.
Beto: Mãe por que está chorando?
Andreia: Me prometa que nunca mais você vai me perguntar sobre isso meu filho.
Beto: Mas por quê?
Andreia: Você não tem pai e pronto.
Beto: Mas eu os meus amiguinhos têm e por que eu não tenho?
“Eu sou sua mãe e seu pai e está encerrado o assunto.” — Disse Andrea com muita raiva que por uma momento Beto até pensou que fosse apanhar.
Beto ficou muito confuso. Não perguntou mais e foi direto para o seu quartinho e se escondeu debaixo da cama com muita raiva e começou a chorar alto e repetia: “Eu quero o meu pai!” — Beto gritou tantas vezes que irritou sua mãe profundamente. Ela apareceu no quarto o agarrou pelo braço e puxou. E lhe mandou que parasse de chorar, mas beto não obedecia. Então Andrea saiu do quarto e quando voltou tinha um cinto em suas mãos para bater em Beto. E Beto gritava: “Mas eu só quero o meu pai!” E Andrea tampou sua boca com uma das mãos e com a outra batia em suas pernas.
Beto jamais esqueceria esse dia. Nunca mais tocou no assunto.
O tempo passou. Beto ia crescendo e junto com ele ia crescendo e a curiosidade por saber sobre seu pai. Se sua mãe não iria lhe contar, então ele descobriria sozinho. Com certeza aquelas cartas seriam uma pista. Ele precisava lê-las, antes que toda essa ansiedade o matasse. Pela manhã, na escola, com seu amigo Fernando começou a bolar um grande plano...
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