Apenas Semideuses.
6 Ryder.
Notas iniciais
Cupido volta a rir da minha expressão.
-Ah, Nico, você é tão engraçado!- Ele cria asas e começa a voar a minha volta.
Olho nervosamente para Allie que parece dormir. Desejo que continue assim.
-Oh, Allie!- Cupido exclama. –Que menina mais linda!
De fato, Allie é muito bonita e não é legal um deus, especialmente Cupido, observa-la.
-Então, Cupido. Hã, e sobre a parte de fazer da minha vida um inferno?- Tento desviar sua atenção de Allie, mas ele continua voando á sua volta.
-Linda! Quero você só para mim!- Seus olhos se transformam em corações. A expressão séria que tinha já era, ele se tornou um predador.
Lentamente, Cupido arma uma flecha do amor em seu arco e aponta para Allie.
-Não!- berro e puxo seu braço.
Na mesma hora, Cupido volta seus olhos castanhos avermelhados para mim. Estou morto.
-Nico! Acorde!- Allie está sacudindo meu braço. — Já amanheceu.
Preferia continuar dormindo. Parece que adormeci apenas alguns minutos atrás e já estou sendo acordado.
-Você tem cinco minutos para se arrumar ou então vou cortar sua garganta com minha flecha- diz Allie saindo do chalé e batendo a porta ameaçadoramente.
Droga. Levanto correndo para o banheiro. Depois de alguns minutos estou tomado banho. Espero que Allie não esteja falando sério sobre minha garganta, porque ainda não me arrumei. Minhas roupas sujas ainda estão espalhadas pelo banheiro, mas não posso vesti-las neste estado de calamidade pública e muito menos sair lá fora com o pijama. Corro para fora do banheiro lembrando que Allie havia dito que minhas roupas estariam no guarda-roupa. Pego as primeiras que vejo e volto correndo para o banheiro.
Verifico o que consegui. Uma camiseta com um crânio estampado com os dizeres acima: “Acampamento Meio-Sangue Brasileiro”. E abaixo da caveira com letras menores dizia: “Nico di Angelo, filho de Hades, campista”. Não havia percebido esta camiseta nos outros campistas. Alguns minutos depois estou pronto, com a camiseta, um short e um all star simples.
-Oi- digo com um sorrisinho ao sair do chalé e encontrar Allie me esperando.
-Nossa, que rápido você foi- diz ela sorrindo. Usa praticamente a mesma roupa que eu, com os cabelos preto, lisos e repicados presos em um rabo alto.
-Venha- Ela começa a correr em direção á floresta- Preciso te apresentar á alguém!
Enquanto tento acompanhar Allie percebo que a maioria dos campistas já está de pé, limpando calmamente seus chalés. Cada chalé tem um símbolo diferente.
Allie para de repente e eu trombo com ela, caindo de bunda no chão.
-Cuidado!- adverte ela. –Você irá assusta-lo.
Levanto desajeitadamente.
Estamos novamente na floresta. Minha irmã olha por entre as árvores enquanto me levanto.
-Ryder?- ela chama. – Pode vir, garoto. Nico não é do mal.
Dois enormes olhos vermelhos sangue surgem em meio ás árvores. Trata-se de um enorme lobo cinzento. Caio novamente de susto.
-Ryder!- Allie corre para afagar o pelo do animal medonho.
-Deuses, Allie! Você tem um lobo de estimação?- exclamo ainda em estado de choque.
Ryder mostra os enormes dentes para mim.
-Ele não é um lobo- diz ela fechando a cara para mim e acalmando Ryder. –Ele é um transfigurador. Resgatei-o no caminha para cá, quando era apenas um filhotinho.
Levanto-me lentamente. Está óbvio que Allie ama Ryder, o transfigurador, e ele ama ela.
De repente Allie pula em uma árvore alta.
-Vem, Nico- chama ela. –Os brasileiros são ótimos em escalar. Será que os americanos são bons?
-É um desafio, Parker?- rio e lanço-me na árvore ao lado.
-Sim, é um desafio, di Angelo!- diz e escala a árvore desaparecendo de vista.
Tento acompanha-la, mas não treinamos isto no Acampamento Meio-Sangue. Allie continua escalando, porém para ao perceber o quão lerdo eu sou.
-Você é uma vergonha para a natureza, di Angelo- ri ela.
-Pode debochar, Parker- ofego ao chegar perto de onde parou.
Um curioso macaquinho de pelos ruivos nos observa em uma árvore muito próxima á nossa. É tão lindinho.
-Boa, Ryder. Não vai encontrar este em nenhum outro lugar, Nico- diz Allie.
-E o que é?
-Mico Leão Dourado, ameaçado de extinção, infelizmente- responde a garota com mágoa na voz.
-Póoo!
Droga. A galinha abaixo de nós solta um cacarejo assustando-me e fazendo-me cair de bunda da árvore.
-Calma, é apenas uma galinha que deve ter fugido das cozinhas- diz Allie ajudando-me a me levantar.
Como Allie pode ser tão rápida? Rapidamente tira uma flecha da aljava e atira na cabeça da galinha manchada.
-Por que você fez isto?- exclamo.
-Pare de ser tão sensível, nós vamos comer ela- reponde ao retirar a flecha da cabeça da galinha morte, guarda-la e pegar a galinha pelo pescoço.
-Você vem, Nico-Que-Tem-Medo-De-Galinhas?- zomba.
Hesito, mas depois a sigo para as cozinhas.
-Não conte para ninguém- digo.
Ela ri.
-É sério, Parker.
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