Apenas O Tempo Falará...
8 Rhaegar
Notas iniciais
Os Lannister se concentravam ali, onde Rhaegar nasceu e cresceu, e mesmo tendo uma péssima aparência, Porto Real era um lugar interessante para pessoas que gostavam de coisas novas, assim como ele. Desde pequeno gostava do mercado de especiarias e insistia em ir até lá escondido já que o pai não o deixava sair para lugares populares como o mercado. Ele se fantasiava todo, muitas vezes conseguia escapar mas outras... o seu pai era louco, todos sabiam. Mas também gostava de Rhaegar embora seu afeto fosse um tanto quanto diferente, bastante rigoroso, Aerys queria ver o filho como o melhor espadachim de Westeros, preparando-se para ser seu sucessor.
Seu pai enlouqueceu e sua família fora completamente assassinada enquanto dormia.
Isso enchia-lhe de fúria e agradecia todo o tempo por ter colocado a sua Lyanna em um local isolado com seus três melhores amigos, os melhores guerreiros de Westeros. Confiando a vida dela nas mãos dele, após um juramento, deixou-a junto com o dragão que estava em formação. Ele sorriu internamente, ela tinha certeza que seria menino e que o nome era Jon. Tudo dependia dele, vencendo a guerra, teria-a... mesmo tendo que massacrar o Norte. Se sentia culpado pois ao mesmo tempo que sua família fora morta pelos Lannister, Rhaegar poderia matar a de quem ela mais ama. Ter a família morta já é ruim, então o próprio Rhaegar acabar com o Norte também acabaria o valente coraçãozinho de sua amada. Talvez Rhaegar chegasse em um acordo com o Norte mas havia um detalhe: Robert Baratheon.
Ele tinhar que vencer o filho da puta que era um pretendente de sua pequena. Era.
– Coloque fogo naquela muralha – ele apontou para um canto esquerdo da muralha de Porto Real, estavam longe mas já planejavam como entrar ali sem danificar a cidade... ou melhor, parte dela – Os ratos Lannister correrão para o porto e deixarão as muralhas desprotegidas. Faça com que parte dos nossos soldados entrem sorrateiramente, escalando os muros e se misturando na multidão. Cavalos só deverão ser utilizados depois da abertura dos portões da cidade, que será feita pelos nossos infiltrados. Ah, prepare o fogo, farei os Lannister queimarem como se estivessem no inferno, na base do fogo e sangue.
O homem era alto e forte, tinha as características de um guerreiro de Dorne: pele dourada e olhos verdes. Esguio e e rápido de pensamento, Oberyn era o irmão de Elia e que tudo que queria no mundo era massacrar os Lannister. Todos sabiam de Lyanna e Dorne teve que fazer uma escolha dolorosa, mas era inútil tentar escolher. Os Targaryen e os Martell eram ligados por gerações e com certeza seriam entrelaçadas novamente pelo herdeiro do Trono de Ferro.
Foi este o combinado.
– Vossa Graça, peço permissão para os meus homens adentrarem Porto Real pelo mar – falou Oberyn, sua voz dera firme e extremamente masculina. Ele era a personificação do modelo de beleza de Dorne e obviamente estranhou a escolha do Rei por uma menina-loba que ‘gostava de se congelar’ – Seremos discretos, não faremos bagunça. Apenas quero a permissão para que eu possa agir por Dorne.
Rhaegar assentiu com firmeza, analisando as muralha de Porto Real de longe. Quanto mais rápido ele terminar com isso, melhor seria para todos.
– Apenas deixe Tywin Lannister por minha conta, falando nisso, onde está a cabeça apodrecida do Regicida? – Ele sabia que estava sendo mórbido, mas tudo que queria era esfregar a cabeça do irmão preferido do maldito Lannister em aua própria cara. Rhaegar sabia que guerras pedem crueldade e ele poderia dá-la a qualquer um dos seus regimentos por pura vingança. Na base do fogo e sangue.
Oberyn observou as muralhas junto à ele. A Víbora tinha um orgulho dornense e a sua família era o seu coração, atingi-la era o mesmo que alguém o ameaçar de morte. No final, ele e Oberyn eram muito parecidos, o que os diferenciava era que Rhaegar sabia amar plenamente apenas uma mulher, ele já era um homem de muitas mulheres.
Lyanna é a minha mulher.
– Bem conservada, Vossa Graça.
Vingança.
– Dizem que a pior coisa que tem para um pai é ver o mais querido dos filhos morrer... – começou, divagando sobre os seus sentimentos em relação aos filhos. Seu coração apertava toda vez que imaginava Rhaenys e Aegon sendo mortos enquanto dormiam e, consequentemente, acordava o dragão — ...não duvido disto.
– Nunca tive filhos, apenas filhas e todas elas são mais machos que muito homem por aí que se diz guerreiro – comentou Oberyn, orgulhoso de suas façanhas. A primeira bastarda dele nasceu quando o mesmo só tinha treze anos, sendo a primeira de várias e várias – Minha primogênita está muito valente, sabe matar como ninguém.
Rhaegar assentiu novamente, se Lyanna estivesse errada e fosse uma menina... ele a educaria do mesmo jeito que Oberyn educava as suas: espadas, armaduras e muito fogo.
– Quantos anos ela tem hoje, Oberyn? – perguntou-o curioso, eles não era tão novos assim, Rhaegar tinha uma família mas não se casou tão cedo e Oberyn saía distribuindo sua semente em todos os lugares que ia.
– Catorze anos, Vossa Graça, ela é uma linda assassina – respondeu orgulhoso da sua prole.
Rhaegar sorriu internamente. O mais importante era proteger a família, independente de quem era ou o que fazia.
– Sei que será duro para você casá-la – comentou distraído enquanto via todo o regimento preparar as tochas que seriam usadas nas muralhas, aproveitando da sujeiras que ali acumulava.
Ele deu de ombros, sorrindo.
– Isso se ela quiser casar.
Rhaegar sorriu de lado.
– Seja assim com ela, Oberyn – Rhaegar lembrou da sua pequena loba – Trate-as como se tratam os homens, é sempre bom deixá-las armadas.
– É o que eu penso, Vossa Graça – concordou sorrindo, já reconhecendo o semblante do Rei. Eles se conheciam há um bom tempo para saberem quando um estava perturbado ou não – A Rainha deve ser uma mulher e tanto para causar tanto estrago.
Agora sim Rhaegar sorriu abertamente. Ele tinha orgulho da sua loba, mesmo ela sendo o principal motivo da guerra.
– É uma lobinha selvagem de quinze anos, pequena mas feroz... – descreveu-a, sentindo a saudade apertar em seu peito. A barriga dela já deve estar enorme– ...mas sei que ela não concordará com a proposta de fazer um casamento com uma mulher ou homem de Dorne. Ela vai querer que o próprio filho escolha sua esposa.
Oberyn analisou-o sabiamente.
– Acredite em mim, duvido que o próprio herdeiro do Trono de Ferro irá aceitar isto, afinal, tal pai, tal filho.
Rhaegar assentiu, o seu sorriso ainda persistia.
Será um menino.
– Mudando de assunto, Oberyn, — começou o Rei, já pensando no que ouvira falar nos últimos dias. Aquilo estava fazendo-o pensar tanto que começava a dar dor de cabeça, afinal, eles já estavam a caminho de Pentos – será que meus irmãos já chegaram em Pentos?
Taí outro motivo para tomar Westeros.
– O seu irmão, Viserys, e a sua irmã recém-nascida, Daenerys, ficarão em Pentos por algum tempo, o Magíster irá abrigá-los – respondeu prestativamente, como sempre – Varys está fazendo um ótimo trabalho, presumo que ele que irá te ajudar a entrar na Fortaleza Vermelha.
– Varys abrirá meus caminhos e assim eu abrirei os caminhos dele até as Cidades Livres, ali ele irá atrás dos meus irmãos e os trará de volta. – Era assim que as coisas funcionariam com ele a partir do momento que sentar no Trono de Ferro, ele é um Targaryen legítimo e sabe muito bem como um pulso firme faz falta. Não haveria nenhuma mão para controlar o seu reino, haveria o seu pulso de ferro, o seu trono e... a sua família – Se meu herdeiro for realmente um homem, Daenerys será a sua tia e perfeitos para um casamento Targaryen, mas não vou forçá-los. Lyanna também não permitiria um incesto, mesmo sendo parte de uma família Targaryen. O que significa que não planejarei casamento algum, ela que decida o que quer, Oberyn.
Ele assentiu, concordando com o seu ponto de vista.
– Mulheres devem ser educadas para pegar em armas caso aconteça uma instabilidade, e não casar apenas por alianças. Estamos em uma nova geração de mulheres, a Rainha, por exemplo, foi vista no Tridente.
Rhaegar assustou-se, encarando-o imediatamente. Seu pulso ficou acelerado, não tinha como Lyanna atravessar Westeros... os seus melhores amigos estão com ela, protegendo-a. Não havia jeito algum dela sair grávida e com três cavaleiros com o manto branco por aí, aliás, porque ela estaria ali?
Não, peraí... talvez não seja o que eu esteja pensando.
O Rei ficou tenso, sem se preocupar de demonstrar ou não o que estava sentindo. Ele não tinha concentração para mais nada depois daquilo.
– O que quer dizer??? – perguntou aflito.
Oberyn observou-o cautelosamente, ele percebeu que Rhaegar virava um assassino quando se falava do sua menina-loba.
– Ela foi vista com Arthur, Gerald e Oswell, duas criadas os seguiam e pareciam ter pressa, segundo meus batedores – respondeu de mansinho, esperando que Rhaegar não jogasse a fúria para cima dele, ou melhor, Oberyn estava fazendo de tudo para não sobrar para ele – Antes que o Rei argumente algo, recebemos uma carta de Eddard Stark há poucos minutos e o selo do lobo-gigante foi uma surpresa para todos nós.
Lyanna... o que você fez?
Ele estava desesperado para colocar as mãos na carta, estava desesperado para saber o que ela fez e o que falou para que os seus melhores amigos a seguissem.
Ela é a Rainha agora, eles tem que fazer o que ela manda. Mas eles fizeram um juramento que protegeriam a vida dela com as próprias, mas não falei que eles deveriam vigiá-la e guardá-la na Torre da Alegria, eu apenas... eu... como?!
O coração aflito de Rhaegar batia enlouquecido e não suportou a impaciência e o desespero de alguém buscar a carta. Ele mesmo foi atrás, empurrando o menino para o lado para que o que estava atrás dele, com a carta em mãos, o olhasse como se tivesse visto um dragão. Rhaegar era o último dragão. O regimento estava surpreso, geralmente o Rei era extremamente frio e contido e não demonstrava qualquer sinal dos seus sentimentos por Lyanna, embora todos soubessem o que tinha acontecido e que ele guardava a menina-loba a sete chaves. Tenso e com a mandíbula quase que travada, Rhaegar tirou a carta das mãos do menino rapidamente, deixando o menino verde um tanto quanto assustado. Era nítido o pensamento de arrependimento dele que havia informado sobre a carta.
O coração de Rhaegar batia cada vez mais rápido enquanto rompia o lacre azul acinzentado dos Stark, sem se importar em ler no meio do regimento. Obviamente, era observado com curiosidade já que um Targaryen não se manifestava assim. Era bonito, o Rei se apaixonando por um menina-loba e fazendo uma guerra por ela, tá, era bonito mas não prático.
Rhaegar sabia que precisava terminar tudo aquilo para voltar a tê-la consigo.
Engolindo em seco, ele começou a ler a carta:
Aqui é Eddard Stark e mando-lhe esta carta como um sinal de minha colaboração para com os assuntos da coroa, os assuntos do Rei e da Rainha, que no caso é a minha irmã mais nova. Há alguns dias eu recebi uma visita surpresa em meu regimento no Tridente, sendo a minha irmã mais nova e agora a Rainha Lyanna Targaryen. Contando-me o acontecido, realmente fiquei chocado mas sabendo onde pisar nesta situação tão delicada. Como Lorde de Winterfell, é meu dever dizer para o Norte como devemos nos posicionar e esta guerra foi motivada pelo não tão sequestro da Rainha, fomos imprudentes e desafiamos Aerys, sendo conhecido como o Rei Louco, se me permite a expressão. A princípio, fiquei chocado com tudo que ela me falou, do casamento do jardim de inverno até a gravidez, que está sendo determinante em minha decisão. Minha irmã apresentou o dragão em formação dentro de seu ventre e não parece nem um pouco arrependida, vindo até aqui com os seus três fiéis cavaleiros que não me deixam sequer encostar nela, de ter começado toda essa confusão desnecessária. Assumo que como irmão mais velho, amo a minha irmã fraternalmente e tenho o dever de desistir desta guerra pelo bem dela, afinal, sei como as coisas funcionam quando se tem o herdeiro do dragão em minha proteção sendo que eu estava posicionado contra os Targaryen e variáveis. Defenderei e guardarei minha irmã até os meus últimos dias, protegendo-a, eu consequentemente protejo a dinastia Targaryen e não vou matar bebês ou crianças porque é errado e minha honra vale muito, ninguém pode comprá-la. Por isso eu me recolho da guerra e reconheço-a Rainha de Westeros, assim também considerando-o Rei. Não há nada mais importante do que a família, Vossa Graça, e não vou me dar o luxo de perder mais alguém que amo, nem que tenho que proteger um dragão, que pelo jeito que a Rainha fala, é um menino e se chamará Jon, um nome nortenho que acho apropriado ao lembrar das raízes nortenhas que minha irmã, a Rainha, carrega em seu sangue. A Rainha te quer por perto mas não pode cavalgar mais por causa da gravidez avançada, o que ela foi, com o perdão da expressão, sem juízo ao sair de Dorne até o Tridente apenas para pedir que eu desista da guerra. A Rainha sempre foi muito inteligente e este foi um golpe de espada, Vossa Graça, então estou decidido a dobrar o joelho, assim como Correrio e o Ninho da Águia farão caso nos aceite, implorando misericórdia em nossos territórios. Lyanna Targaryen é, antes de tudo, uma Stark, que agora precisa de muito descanso e nenhuma viagem. Não está tendo enjoos, está tomando muito suco de laranja, a gravidez já está bem avançada e chamei uma Septã para cuidar dela, que é forte como uma loba-selvagem. Meu regimento está no Tridente e não tenho nada a esconder, poderá vir só ou acompanhado com o seu exército, pois minhas intenções são pacíficas e quero apenas que minha família sobreviva. Como Lorde de Winterfell e Protetor do Norte, reconheço a legitimidade do Rei Rhaegar Targaryen e da Rainha Lyanna Targaryen, dobrando o joelho e esperando que uma longa paz se estabeleça entre nós. Mas espero que compreenda que no futuro, como eu já pedi para a Rainha e a mesma me concedeu, não irei aceitar qualquer laços matrimoniais entre os Norte e a dinastia Targaryen. Atenciosamente, Eddard Stark. Obs: minha irmã está ficando melancólica por sentir a falta do Rei, temo que isso afete a gravidez já que nunca a vi tão emocional.
Rhaegar teve que ler a carta duas vezes para a sua mente captar todas as mensagens que apenas um pedaço de papel o informava. Era um absurdo pensar que Lyanna atravessara metade de Westeros com o dragão deles na barriga em longas cavalgadas, ele não sabia se ficava aliviado por seus melhores amigos ficaram com ela o tempo todo, durante toda a viagem, ou se procurava cada um enforcava. Ele poderia pensar milhares de coisas, mas precisava ficar menos exposto.
Em pé no meio de um regimento extremamente populoso, Rhaegar sabia que não deveria demonstrar seus sentimentos e anseios publicamente pois isso geralmente enfraquecia um Rei, foi isso que seus mentores sempre deixaram claro. Os problemas dele pertenciam apenas ao mesmo, nada de ir ao público. Já basta o que seu pai havia feito.
Levantando seu olhar e encarando cada um dos seus soldados, Rhaegar percebeu que eles o encaravam com respeito e se perder isto, seria bem difícil conseguir de volta.
Outro motivo para preservar minha vida privada.
Eles fizeram a reverência típica, percebendo que não era uma boa oportunidade de conseguir alguma coisa com Rei, e deram um jeito de voltar ao que estavam fazendo, claro que fingindo não estar prestando atenção no Rei. Com o coração apertado pela quantidade de informação e a perspectiva de pensar em sua pequena travessando Westeros em intenso galope, o deixava desnorteado. Não sabia o que faria se perdesse o seu pequeno dragão e provavelmente se mataria se Lyanna fosse junto. Não conseguia viver em um mundo onde sua família não estivesse feliz e junto a si. Era bem isso que Eddard Stark estava falando, sobre a importância da família.
Andando até a sua tenda, Rhaegar dispensou a todos pois queria ficar sozinho naquela imensidão de possibilidades.
Ansioso, suas mãos tremiam levemente. Não gostava de pensar que Lyanna está com os nortenhos, o ciúme que o Rei sentia era quase doentio ao cogitar a hipótese de que os viado do Baratheon estivesse ali, observando-a, principalmente colocando maus agouros no pequeno dragão. Rhaegar não duvidava disto. Esperava que Eddard Stark a protegesse pacificamente pois Arthur não era nada diplomático nessas situação.
Não deve ser.
A tentação de matar Robert Baratheon era imensa, poderia ser uma ótima oportunidade para que ele e o viado acertassem as contas, o Lorde de Winterfell não negou a vontade daquele filho da puta. Não deveria negar, Rhaegar acabaria com a raça dele em questão de segundos.
Lyanna é só minha.
Mas é um assunto que ele poderia pensar logo depois, mesmo sendo mais intenso e impactante em Rhaegar, a guerra viria primeiro. Eddard Stark oferecia o resto de Westeros de mão beijada por puro desejo de proteger a volta da sua irmã, não desejando-a nada de ruim e isso é muito importante. O Rei e o Lorde de Winterfell partilhavam a crença e lealdade na família, sendo um fator decisivo para ambos.
Quanto mais ele pensava, mais clara ficava a artimanha arriscada que Lyanna usou para que nada acontecesse com ele e com os irmãos, mesmo achando que ela foi inconsequente ao arriscar a vida dela e do pequeno dragão, estava sendo a única alternativa para que a sua pequena conseguisse o que queria.
Foi necessário.
O Norte agora o considera Rei não pela dinastia Targaryen e sim pela Rainha ser uma Stark de Winterfell, sendo outra artimanha de Lyanna. Mas Rhaegar sabia que ela não pensou nisto sozinha, tinha tanto dedo de Arthur que parecia até mesmo que a estratégia foi dele. Independente de quem começou este plano absurdo, parecia estar dando certo.
Esse dragão já está crescendo como um.
Apesar de tudo, ele sentia tanto orgulho da sua mulher e seu filho, Jon, disso ele tinha certeza, pela resistência às adversidades e a coragem que era inútil negar um sorriso. Aceitando as condições do Norte em não ter mais nenhum laço matrimonial durante o resto da eternidade com os Targaryen era mais que aceitável, Rhaegar só esperava que sua dinastia honrasse essa medida de desespero que os nortenhos impuseram.
Balançando a cabeça e forçando um desaparecimento do sorriso, ele pediu para que o guarda chamasse Oberyn e o resto de seus vassalos. Não precisou esperar tanto, todos chegaram em questão de segundos pois sabiam da carta com o selo do lobo-gigante.
Há vários coisas que devo fazer, mas tenho que finalizar esta primeiramente.
Alguns se sentaram e outras permaneciam em pé, segundo a análise do Rei, estavam mais ansiosos do que pareciam estar. Encarava cada rosto, seus vassalos sempre foram leais e nunca vacilaram.
– Recebi uma carta de Eddard Stark, o Lorde de Winterfell dobrará o joelho e se eu aceitar, Correrio e o Ninho da Águia também seguirão pelo mesmo caminho – informou a todos com uma voz sóbria e racional, disfarçando a sua ansiedade em ver a sua pequena com uma barriga enorme.
A minha lobinha deve estar com quase oito meses.
A ansiedade corria por ele, não conseguia pensar mais em Porto Real.
– E Vossa Graça aceitará? – perguntou um dos seus vassalos, o que tinha mais a perder de todos eles. Seu território havia sido queimado pelos Baratheon há algumas semanas e o Rei sabia como levar vantagem em sentimentos como este.
Dobrou e guardou a carta dentro de sua roupa, ninguém leria aquilo.
– Me diz o que pensa, Oberyn.
Ele assentiu, pronto para dar a opinião e sentando-se ao lado de Rhaegar.
– Não será necessário... – começou confiante, apenas ele sabia que um sorriso estava querendo se formar nos lábios do Rei mas que o mesmo nunca o faria na frente de tantos vassalos o observando — ...Vossa Graça já se decidiu e, se me permite, eles estão em desvantagem e poderíamos matá-los e pilhá-los, sendo apenas uma questão de tempo, mas há consequências.
Um vassalo dos Martell assentiu imediatamente, já captando a ideia que Oberyn já estava passandoi para todo o grupo.
Rhaegar sorriu internamente.
Seu malandro venenoso.
– O Inverno está passando e precisamos semear a terra e voltar para nossas mulheres, meu Rei – argumentou na tentativa de ser mais calmo, só que não tinha jeito... a ansiedade daquele homem era visível até mesmo para um viado como o Baratheon.
O Rei olhou para Oberyn, era nítido que este estava se esforçando para manter a atuação.
Não cobra mentirosa, eu poderia te dar todos os bordéis de Westeros por causa disso.
Um vassalo recém-conquistado de Ponto Tempestade se pronunciou, estava apreensivo.
– Vossa Graça, o que fará com os Baratheon? – perguntou receoso de uma provável ira do Rei. Essa ira existia fortemente, mas aquele vassalo preocupado apenas com suas terras não tinha nada a ver com isso – O Norte, Correrio e o Ninho da Águia irão ajoelhar caso a Vossa Senhoria aceite, mas o que faremos com os Baratheon em Ponta Tempestade?
Rhaegar já havia pensado nisto. Não deixaria aquilo tudo barato para eles.
– Eles se mudarão para o Norte e se tornarão vassalos dos Stark – respondeu sentindo um prazer palpável ao imaginar o pretendente a Rei em um buraco gelado perto da Muralha sendo vassalo de uma das famílias mais tradicionais de Westeros – Colocarei aquele rebelde em seu respectivo lugar, não se preocupe.
Oberyn sorriu discretamente.
Estava tão difícil de conter um sorriso que Rhaegar mal acreditava no que estava vivendo.
Se eu soubesse que notícias como estas chegariam, não acordaria tão deprimido.
– Vossa Graça está certa... – começou Oberyn novamente, como se fosse um pastor de ovelhas. Eddard Stark é o lobo do rebanho – ...eles vão implorar por nossa misericórdia, principalmente os Baratheon, que não tinham nada a ver com o desenrolar dos Stark na história. Sendo o Lorde Stark que mandou a carta, já há algum acordo?
Rhaegar meditou por alguns segundos. Não seria justo deixar os seus vassalos a ver navios.
– Lorde Stark é o irmão mais velho da Rainha, que carrega meu dragão dentro de si, o motivo que ele está se ajoelhando é que, como um Targaryen, ele prioriza mais a família do que os laços políticos – começou Rhaegar, falando o mínimo possível apenas para satisfazê-los e assim dar uma desculpa para eles beberem e transarem com putas – Lyanna foi até ele pedir para que ajoelhasse perante mim já que a guerra estava claramente desvantajosa para eles. Como uma irmã sendo a conselheira, o Lorde Stark preferiu protegê-la do que expô-la aos nossos inimigos e assim, consequentemente, ele está protegendo o herdeiro do Trono de Ferro. Uma ironia completa. Antes de alguma revolta surgir, o Stark resolveu cessar fogo e calar a boca de quem tem uma opinião contrária a da Rainha.
Os vassalos observaram-no pensativos, pareciam ainda enxugar tantas informações esquisitas e claramente vantajosas que eles receberam do nada. Oberyn assentia, sorrindo maliciosamente.
Sua víbora, vocês e seus segredos. Claro que sabia que ela não estava mais em Dorne.
– Então... a Rainha ganhou a guerra com o Norte? – perguntou um vassalo dos Tyrell ainda um pouco lerdo. Rhaegar não o culpava, que assentiu naturalmente – Então... precisamos lutar por Porto Real?
O Rei se levantou, assustando a todos.
Preguiçosos.
– Oberyn irá liderar o ataque a Porto Real, eu irei até Eddard Stark com os cavaleiros do regimento, já que o plano não envolve cavalos no ataque e domínio desta cidade à nossa frente – falou decidido, surpreendendo a todos, menos, é claro, Oberyn – Podem se retirar. Oberyn, fique.
À medida que os vassalos iriam saindo da tenda rapidamente, geralmente Rhaegar tinha uma presença muito forte nas ordens que dava, com conversas sobre Porto Real, Winterfell, Norte e... a Rainha. Lyanna teria que explicar muito à Rhaegar quando se encontrassem, mas teria que agradecer já que quanto menos guerra, menos gente morre, fica pobre e coisas extremamente deprimentes. Não queria construir um reino baseado em guerras e massacres, apenas os Lannister deveriam ser massacrados. Eles e seus vassalos.
Quando ficaram à sós, Rhaegar deixou o sorriso tomar sua forma.
– Guardarei Tywin, sei que quer uma morte dolorosa para ele – falou por falar, já sabendo que isso estava implícito ao tomar Porto Real.
O Rei passou os dedos pelo longo cabelo prateado que estava se agitando por causa da ‘brisa’ marítima, o mesmo poderia jurar que seus olhos estavam satisfeitos e que Oberyn, como sempre, sorriu de volta. O que tinha de leal, tinha de cafajeste.
– Você já sabia e provavelmente a protegeu de qualquer envolvimento com os Tyrell e sua própria família – era uma afirmação e Oberyn não negou, apenas tomou um gole de vinho de Dorne.
– Sei tudo que ocorre no meu território, três cavaleiros com manto branco não é algo que se vê todo dia e logo meus espiões falaram que era a loba que causou a guerra, se é que me permite a expressão – justificou-se descaradamente, ainda sorrindo.
Sinto raiva e felicidade ao mesmo tempo. Mas é pura perda de tempo. Não sofra à toa, Rhaegar, você precisa saborear as reviravoltas da vida e não exalar ira e matar a todos, assim como o seu pai fizera. Não é assim que se prepara um Rei, essa preparação vem de muita experiência acumulada e quando algo nos é dado, temos que aceitar.
– Deveria ter me contado.
– Se a Vossa Graça soubesse, qual foco que teríamos na guerra? – perguntou como se fosse uma justificativa. Mas o sorriso não deixava a face bronzeada daquela mula lazarenta – Como ganharíamos os Tyrell se o foco fosse a Rainha? Pelos deuses, Rhaegar! Coloquei toda uma vigilância digna de uma víbora de Dorne durante a viagem dela, principalmente quando a Rainha atravessava a Campina. É claro que Arthur, Gerald e Oswell matariam todo mundo, mas os informantes são muito bons em passar notícias verdadeiras aos que procuram, se é que me entende.
Rhaegar não sabia se ria ou se montava o seu garanhão e fosse até o Tridente rever a sua lobinha.
Que deve estar com um dragão bem forte dentro de si.
– Eu... – ele suspirou, tentando eliminar os maus agouros dentro de sua mente — ...como ela estava ao passar por Westeros?
Oberyn tomou mais vinho.
– A Rainha tentava disfarçar a barriga mas de vez em quando dava para ver que estava grávida quando descia do cavalo para comer alguma coisa, só que os três cavaleiros de manto branco mataram umas boas dúzias de enxeridos. Mande meus agradecimentos, não suportava mais mandar tantos westerosi para a cova apenas por ver o que não deviam ter visto – respondeu simplesmente. Uma morte, pelo menos para Oberyn, era a mesma coisa de cem mortes. Então não era um imenso aborrecimento para aquela víbora maliciosa, esperta e leal mandar gente de toda Westeros tomarem no cu – Alegre-se, a Rainha é forte e não passou mal em canto algum, vai nascer um dragão, pode ter certeza disto.
Não sei se eu tenho um ataque de fúria ou um de riso por ficar aliviado que estava tudo relativamente bem.
Rhaegar suspirou, não era hora de ficar perdendo tempo.
– Tome Porto Real, meu amigo, irei até o Tridente daqui algumas horas. Quando chegar lá, te mando uma carta e assim você me fala como e onde encurralou Tywin Lannister.
– O que fará se aquele viado estiver por lá? – perguntou Oberyn, que sabia do confronto individual que o próprio Rhaegar concordou – Sei que a fúria de um dragão pode durar uma eternidade.
O Rei estudou Oberyn atentamente. Mesmo sendo mais velho que Rhaegar, ele exalava juventude e especiarias das Cidades Livres. Era sempre muito bem-vinda uma amizade como esta: antiga, leal e extremamente útil. Rhaegar estava cercado de amigos leais e que o ajudou mesmo sem estar sabendo o que se passava.
– O que quer em troca? – Rhaegar tinha que o recompensar, gerando uma sobrancelha erguida naquele rosto queimado de sol – É uma questão de honra, Oberyn.
Ele abriu um sorriso astuto.
Claro que ele quer.
– Peço permissão para que eu faça o que quiser com os Clegane – respondeu respirando fundo, como se a própria ira estivesse mexendo dentro de si. Rhaegar entende aquilo muito bem.
Ele se permitiu um sorriso.
Darei permissão para que ele torture intensamente os Clegane, chegando a uma morte que os mesmos implorarão.
– Tem a minha permissão... – começou determinado em estabelecer algumas condições necessárias. Rhaegar se revelava um sanguinário, mas era apenas vingança — ...se encontrar crianças da família Clegane, não as torture. Mate de uma vez.
Oberyn assentiu contente.
Não pouparei ninguém, que eles sintam a mesma dor que eu senti
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