Notas iniciais
Obrigada pelos comentários, tô achando o máximo a empolgação de vocês! Então, vou deixar bem claro que a partir do próximo capítulo que Jon irá aparecer de uma forma... abstrata. Só quero avisar que irei sincronizar muito bem o futuro deles ;) também tenho que avisar que ainda terá muito LyannaxRhaegar, mas o tempo passa e aí entra JonxArya *-*, viu? Beijos, logo em seguida quero ver minhas reviews (:

Ele sentia que deveria cavalgar mais rápido, algo nele estava agitando-o de uma forma incômoda. Uma inquietação e uma ansiedade tremenda tomou conta dele quando estava atravessando Valdocaso. Os seus companheiros, sendo apenas dez dúzias de cavaleiros e escudeiros, estavam fazendo com que a viagem ficasse mais devagar por conta da inexperiência de alguns. Rhaegar sentia a urgência tomar conta de si, havia algo errado e ele sabia que era com Lyanna. Seu coração apertava quando pensava nela.

Lyanna... esteja bem.

Sem paciência, Rhaegar pegou seus dez melhores cavaleiros e seguiu até o regimento dos Stark perto do Tridente. Já sabia de todas as informações daquele lugar, principalmente da rendição de Correrio. Ele nem precisou responder ao irmão da sua amada, os Tyrell negociaram com eles e ambos demonstraram um consenso. Esta carta chegara um pouco antes do Rei sair dos arredores de Porto Real, provavelmente Eddard Stark mandou uma carta para Correrio e o Ninho da Águia antes de mandar a oficial até Porto Real.

Pelo menos em seus arredores.

Avançando durante a madrugada, o seu corcel de batalha estava em seu limite e Rhaegar também, mas era o seu emocional. Os cavaleiros acompanhavam o seu ritmo fielmente, mesmo tendo que sacrificar algumas ‘necessidades básicas’ para isso. O terreno estava lamacento e a chuva desabava em cima deles, mas nada disso impediu que Rhaegar a velocidade do seu galope. Aprendeu a montar com os melhores professores de Westeros, nada o pegaria de surpresa já que o Tridente era um terreno bem conhecido dele. Rhaegar conhecia as armadilhas de Westeros, ele sempre se aventurou por aí antes de se casar... mas agora o que importava era Lyanna, a sua Rainha.

Eles cavalgaram pela madrugada inteira, avistando as luzes do regimento um momento antes da alvorada. Aliviado, mas ainda com o coração apertado por saber que algo tinha acontecido à sua amada, não hesitou no galope e, com o término da chuva, viu que havia duas casas sendo representadas por ali.

Uma fúria invadiu-o.

Os Baratheon estavam lá.

Um misto de ira e emoções intensas dominou-o, fazendo com que ele esquecesse toda a cortesia para se portar diante de inimigos dispostos a se ajoelharem. De repente, pelo menos na mente dele, nada disso mais importava. Os vigias estavam preparando para parar aqueles cavaleiros, mas perceberam que o líder era nada mais na menos do que o Rei. Eles permitiram a entrada de Rhaegar, mas permitir não seria a palavra certa.

Ele passaria por cima daqueles soldados independentemente do que fariam, afinal, quem quer se colocar na frente de um dragão em fúria?

O dragão foi acordado, demonstrando ânsia em ver a sua Rainha.

Logo viu uma agitação entre as tendas maiores, principalmente a tenda do lobo-gigante.

Achei.

Rhaegar não teve tempo sequer de prestar atenção no regimento, apenas galopou rapidamente, atropelando um desconhecido, chegando até lá. Os primeiros raios do sol estavam aparecendo e quando aqueles soldados perceberam que era Rhaegar Targaryen, com sua aparência incrivelmente exótica, ficaram sem saber o que fazer. Colocando os pés no chão, literalmente, ele não perdeu tempo e começou a procurar tenda por tenda onde estava a sua amada, a sua Lyanna.

Até no momento em que ele vê Robert Baratheon entrando na tenda principal, provavelmente do Lorde Stark já que esse é o regimento nortenho e não de Ponta Tempestade, que foi tomada por sinal.

Ali.

A fúria em vê-lo era notável e, no momento que Robert Baratheon percebeu quem estava atrás de si, o dragão foi impiedosamente acordado. O viado estava chocado com a presença do Rei, encarando-o logo em seguida e colocando um ar arrogante para enfrentá-lo.

Não tenho tempo para isso.

- Você não tem nada a fazer aq... – ele tentou dar uma de... idiota para cima de Rhaegar, que não perdoou e deu um soco na cara do viado e jogando-o de lado, literalmente. Tudo era uma questão de tempo, o Rei sentia a urgência deste sentimento e não havia nada pior do que sentir e não poder ver o que acontecia.

Entrando na tenda, percebeu que havia uma menina grávida deitada em um tapete felpudo e com uma dúzia de travesseiros ajudando-a a ficar confortável. Com uma face tranquila, parecia dormir profundamente e Rhaegar se desesperou ao perceber que aquela menina grávida e vulnerável era justo a sua Lyanna. Sem enxergar quem estava ali dentro, o Rei apenas foi direto até ela, ajoelhando-se rapidamente para ver o seu pulso. Um desespero tão intenso parecia estar correndo como o sangue em seu corpo, sentindo que todos ali o observavam mas pouco ligando para isso.

Soltando um suspiro quase inaudível, constatou que sua Rainha estava apenas dormindo. Sorriu internamente, analisando a menina-loba que estava diante de si.

Onde eu te veria assim, frágil e vulnerável?

Voltou seu olhar para a enorme barriga de grávida, dessa vez sorrindo discretamente enquanto passava a mão por ali, sentindo-se grato pela cavalgada intensa que ele teve até o Tridente. Com tecidos leves, o Rei estranhou estas vestimentas já que estava fazendo um relativo frio lá fora. Alisando o cabelo dela, ele resolveu olhar quem estava na tenda.

Seus cavaleiros do manto branco estavam ajoelhados, demonstrando sua lealdade. Eddard Stark estava lá com o outro irmão cujo nome Rhaegar não se lembrava, alguns vassalos provavelmente nortenhos, duas criadas de Dorne que ele mesmo escolheu, uma Septã e outras pessoas, parecendo uma mistura de servos com... parteiras? A face de preocupação delas não escondia a ansiedade de saber que o Último Dragão estava a encará-las atentamente na busca de algum fator que denuncie qualquer coisa errada que elas fizeram em toda a sua insignificante vida. Rhaegar sempre foi muito intimidante, tanto pela sua aparência Targaryen quanto por suas atitudes.

Um silêncio profundo tomou conta da parte interna da tenda enquanto vários soldados se agitavam lá fora porque os dez cavaleiros estavam chegando impetuosamente. Nenhum soldado conseguiria parar um cavaleiro como os da própria guarda do Rei.

Pensando um pouco, Rhaegar tomou cuidado com suas palavras.

- Faz tempo que ela está assim? – perguntou baixinho, apenas para a Septã escutar. Esta corou com a atenção dele.

Era uma mulher bem mais velha mas isso não escondeu o seu desconcerto.

- Err... ahh... e-eu...

E o próprio Rei suspirou, desistindo de levar uma conversa com ela. Impaciente, Rhaegar não conseguia esperar uma justificativa daquilo.

- Lorde Stark – chamou-o, mesmo ajoelhado e com seus olhos direcionados à sua pequena loba. Alguns passos foram dados com firmeza até se posicionar em sua frente, ajoelhado-se em seguida. Era apenas um jovem pressionado porque o pai e o irmão mais velho foram mortos pelo seu próprio pai, então assumindo Winterfell era o mesmo terror que Rhaegar passava naquele momento: governar Westeros. A diferença era que Eddard Stark era mais novo, inexperiente em diplomacia (embora tenha se saído bem), sem nenhum herdeiro definido e que não teve nenhum treinamento para assumir um território por não ter sido o primogênito. O Rei sentia um pouco de pena dele.

Mas mesmo assim, era um Stark e demonstrava ser um homem duro e digno de um Inverno.

Veremos.

- Vossa Graça.

Ótimo.

Examinando o rosto daquele Stark, o Rei percebeu algumas semelhanças com a sua lobinha, como os olhos firmes e um rosto longo. Rhaegar e seus pensamentos viajaram para um futuro próximo, caso tudo dê certo... afinal, ele seria... o irmão da Rainha. Já o é.

- O que houve? – perguntou o Rei com uma certa cautela. Lobos e dragões são bem diferentes, como Rhaegar sempre soube. Uma vez, quando seu pai pensava com clareza, ele dissera que a melhor arma que um homem pode ter é o orgulho disfarçado por trás da humildade. Orgulhoso, Rhaegar sabia a hora que deveria usá-lo.

Uma certa ruga apareceu entre as sobrancelhas do Lorde de Winterfell.

Ele está desorientado pois sabe que está com as mãos atadas.

Mesmo assim, era praticamente impenetrável.

- Minha irmã está com uma gravidez avançada e sente muito calor o tempo todo, Vossa Graça – respondeu prontamente embora o tom de voz fosse mais grave do que Rhaegar pensava. Já este ergueu uma sobrancelha, pedindo maiores explicações – Sentiu algumas dores e eu suspeitei ser uma prévia de um parto, então logo chamei o que achei de melhor aqui no Tridente, que foram aquelas quatro criadas. Lyanna gostava de andar durante a tarde e quando chegou aqui depois de sua curta caminhada, se agitou e desmaiou ao olhar para o fogo, pelo que pude constatar.

Rhaegar estava preocupado com Lyanna. Desesperadamente preocupado.

Mas foi uma felicidade gigantesca saber daqueles sintomas, mesmo sendo tão contraditório em relação ao seus sentimentos por sua amada. Sorrindo internamente, ele não conseguiu disfarçar muito bem e acabou sorrindo abertamente, sendo o alvo de uma desconfiança tremenda dos olhos cinzentos do Stark. Assentindo, o Rei conteve o seu sorriso antes que pensassem outras coisas.

- É um legítimo dragão, Lorde Stark – Elia nunca teve uma gravidez assim, de um dragão completo – Minha mãe sentiu isso de mim e da minha irmã caçula, Daenerys. São dragões feitos para liderar a dinastia Targaryen e vejo que a Rainha gostará bastante ao saber disto.

Um dragão.

- Mas... Vossa Graça, não acha ser perigoso para a minha irmã? – perguntou demonstrando a sua preocupação. Claro que ele está preocupado, eu também estou – Afinal, nunca a vi com lágrimas nos olhos.

Vai ser um dragão problemático.

- Então provavelmente o parto será em questão de dias, os Targaryen nunca nascem depois dos oito meses – respondeu mais concentrado em afastar uma mecha de cabelo dela do rosto do que prestar atenção nas preocupações daquele Stark. Rhaegar já tinha milhares de preocupações, apenas queria apreciar o momento de vê-la tão... bonita. Faz tanto tempo... – Embora não seja viável fazer um parto no Tridente, não quero deslocá-la para canto algum em um estado como este. Arthur.

O mesmo se aproximou rapidamente, já sabendo que seria um ‘pedido’ em relação ao real problema daquele regimento. Lyanna não era problema algum, muito pelo contrário. Rhaegar não via a hora de estar junto dela, principalmente após tomar a Fortaleza Vermelha para si e vê-la dormir nos colchões de pena nos aposentos reais.

O nosso quarto ficará o mais longe possível dos que minha antiga família dormia.

- Reúna os vassalos dos Stark e Baratheon que estão aqui no acampamento... – sussurrou ao pé do ouvido do seu melhor amigo, que assentiu imediatamente — ...nesta tenda. Resolveremos tudo antes do dragão nascer.

Assentindo novamente, ele se afastou e começou a conversar com o irmão que Rhaegar não sabia o nome, mesmo assim nem deu tanto atenção àqueles dois, que já entravam em contato com todos, tanto dentro quanto fora da tenda. Rhaegar sentiu o olhar pesado de Eddard Stark em cima de si.

- Vossa Graça, temo pela vida da minha irmã – confessou duramente. Era nítido ver o orgulho daquele homem tentar barrar os seus sentimentos. Normal – Nunca a vi tão vulnerável.

Nem eu.

- Lyanna é a minha Rainha, uma loba que carrega um dragão e nada acontecerá com ela enquanto eu estiver por perto, grave as minhas palavras, Eddard Stark. Nada acontecerá com ela enquanto eu estiver vivo.

Ele encarou-o por alguns segundos, procurando firmeza e seriedade nos olhos violeta de Rhaegar. Procurava segurança para a própria irmã, mas Rhaegar sabia que a segurança de Lyanna dependia do Rei e não do irmão. O problema é que não havia jeito de tirá-la daquele acampamento naquela situação, ele não arriscaria uma nova viagem, mesmo curta.

- Foi muito doloroso ver minha família morrendo, Vossa Graça, não arriscarei mais.

Eddard Stark... você não vê o quanto estou cercado de problemas muito maiores que os seus?

- Isso não é de sua exclusividade.

(...)

Enquanto reuniam vassalos do lado de fora da tenda, Rhaegar colocou a sua Rainha em seus braços. Estava menos leve do que da última vez que eles se viram, tendo cuidado para não provocar nenhum incômodo em sua barriga de grávida. O Rei sentia um desejo quase que insano de tê-la ali, naquele lugar e naquela hora. Seus lábios estavam voltando a sua cor rosada, aliviando-o. Lyanna estava muito pálida quando ele chegara.

Rhaegar não viu a hora de vê-la acordada.

Deitou-a na cama de armar do Lorde Eddard Stark, juntando todos os travesseiros ao redor do seu corpinho de lobinha, principalmente na nuca e na barriga. Não quis colocá-la em outra tenda, estava desconfiado de sua própria sombra e faria muito mal em separá-la dele, que correu por Westeros exaustivamente para vê-la.

Ela não vai sair da minha visão tão fácil.

Sentou-se na cama, acariciando o rosto daquela garota tão corajosa.

Corajosa e louca.

Sorriu de lado ao imaginá-la surpresa ao vê-lo, seria uma sensação indescritível.

As criadas de Dorne chegaram com uma refeição quente para o Rei, que dispensou qualquer tipo de bebida que poderia atrapalhar o seu raciocínio. Rhaegar não era burro, sabia que tentariam algo a qualquer deslize que ele cometesse. Então, apenas água. Respirando fundo, o Rei comeu uma pequena parte e se descobriu sem apetite.

Comerei depois.

- Arthur, permita a entrada deles – ordenou baixinho, fazendo o cavaleiro fazer uma reverência e sinalizar para Gerald abrir a tenda àqueles nortenhos e... Baratheon. Rhaegar queria encarar Robert Baratheon em seus olhos, sentados em uma mesa de diplomacia. No caso, eles estavam tentando se salvar de possíveis penalidades de guerra e isso fazia com que Rhaegar se sentisse melhor ainda, afinal, já estava humilhado antes mesmo da condenação do pós-guerra – Não deixe que nenhum ser vivo se aproxime da Rainha nesta tenda, meu amigo.

Levantou-se, havia colocado a sua lobinha do outro lado da gigantesca tenda do lobo-gigante com uma cortina de seda quase transparente dividindo-a. Arthur vigiava-a em pé, analisando cada homem que poderia adentrar ali. Os outros dois cavaleiros do manto branco se organizaram em lugares estratégicos caso alguma cabeça precisasse ser tirada do corpo. Os vassalos entravam um pouco acanhados, observando a exótica beleza do Rei. Os nortenhos viam outro mundo naquele ser Targaryen, a própria história os intimidava pois nunca deixarão de ligar os dragões com esta tradicional família.

Rhaegar se sentou na cadeira principal da mesa redonda, analisando-os atentamente enquantos estes se sentavam. Lançando um olhar quase que imperceptível para a sua Rainha, checou se ela estava bem. Todos ali estavam sem as armas, foi uma exigência óbvia do Rei.

Uns muito novos, outros muito velhos.

Uns muito assustados, outros muito exaustos.

Eddard Stark, seu irmão cujo Rhaegar tinha dificuldade para lembrar e o tão famoso Robert Baratheon adentraram ali, este último lançando um olhar extremamente questionável. Ele desafiava o Rei explicitamente, não passando despercebido pelos seus cavaleiros de manto branco. Eddard Stark lançou um olhar de censura para o amigo, sinalizando onde deveriam se sentar, ou seja, longe de Rhaegar.

Apenas o viado se recusou a fazer a reverência respeitosa típica.

Nada que me atrapalhe.

Alguns evitaram olhar para a Rainha através daquela cortina de seda recém-colocada, já outros tentaram ser discretos.

- Vossa Graça... – o Lorde Stark resolveu começar ao perceber que nada sairia dos lábios de Rhaegar e que ele mesmo teria que arranjar uma corajosa iniciativa já que o regimento era nortenho. O Rei analisou-o atentamente. Espero não tenha puxado o lado imprevisível dos Stark - ...tem a minha palavra de honra em qualquer tratado a fazer, assim como o Norte.

Rhaegar assentiu lentamente, ainda analisando-o. Observou uma ruga entre as sobrancelhas do irmão mais velho de sua Rainha.

Está com medo de perder o Norte apenas pela honra.

- Qual tratado você acha que eu devo fazer, Lorde Stark? – perguntou-o apenas para testar até onde a palavra de honra, a sinceridade, daquele jovem iria. Se tremeu, Rhaegar não soube... – Sabe os que minha família sempre fez com traidores, Lorde Stark?

Pressione a honra dele.

Um silêncio tenso havia se estabelecido entre eles.

- Os Targaryen procuram queimar traidores, Vossa Graça.

Eddard Stark não tremeu externamente.

Externamente.

- Queimaria todos vocês... – começou já colocando medo neles, assim como seu pai sempre ensinou ao lidar com soldados rebeldes, no caso, traidores. Um jovem, um Bolton, estava prendendo a respiração. Como é grande a minha vontade de queimá-los... - ...mas minha Rainha é uma loba-gigante e não seria justo acabar com a sua família do jeito que os Lannister acabaram com a minha. Esperando o meu único filho, o lobo também estará presente nele e assim o Norte continuará sendo um aliado por questões políticas e agora, por laços de sangue. Assim como Dorne é para os Targaryen.

Eles são astutos, sabem que tudo sempre tem um ‘mas’.

Novamente, Lorde Eddard Stark assentiu lentamente.

- Sei que nada é de graça, Rei Rhaegar.

Nada é de graça, Eddard Stark.

- Está correto, Eddard Stark – concordou cauteloso, não queria desagradar a sua Rainha caso a sua família ficasse mais despedaçada ainda mas... o Rei não poderia colocar a situação, a sua preocupação, de uma forma tão explícita. Problemas pessoais são diferentes de problemas de guerra, quando misturados causam um grande estrago... mas o Rei poderia impedir algumas coisas... – Apenas a Patrulha Negra, mensageiros e camponeses poderão se direcionar ao Sul. A partir de hoje, os nortenhos estão proibidos de atravessar as Gêmeas e meus soldados fiscalizarão suas terras mensalmente. Os alimentos podem ser comprados do sul, juntamente com outros itens que apenas aqui se produz, mas não haverá perdão para todo o Norte caso apenas um soldado descer ao Sul. Se apenas um soldado se atrever, o Norte inteiro pagará pela inconsequência. Deixo bem claro que todos os mensageiros serão checados ao chegarem ao Sul ou entrarem ao Norte. Não duvido da sua palavra de honra, Eddard Stark, embora não seja suficiente neste caso.

O isolamento é a melhor coisa a se fazer.

Todos olharam para o Rei, estavam chocados. Nunca antes um Rei resolvera separar o Norte do Sul e manter regimentos fixos para checá-los, espioná-los e deixar Rhaegar sempre informado do que estava acontecendo por lá.

Outro silêncio profundo se instalou.

Espere.

- Nortenhos não são Baratheon – Robert Baratheon, vulgo viado, encarou-o desafiadoramente como se estivesse pronto para um combate individual. Rhaegar descartava esta possibilidade, ele tinha uma mulher e um filho em formação para jogar tudo para o alto. O Rei tinha uma família, porque ele gastaria o seu tempo rachaçando um fracassado? – Sou sulista, Rhaegar Targaryen, e nada me impedirá de ir para onde eu quiser.

Rhaegar arqueou suas sobrancelhas.

Lyanna mataria esse cara em dois tempos se ficassem noivos.

- Que não seja por isso, meu amigo – começou sorrindo internamente, já imaginando o choque que ele teria ao perceber que o seu castigo era... bem, para o resto da vida. Homens não se esquecem da humilhação, rebaixamento e orgulho ferido — , minha ordem é clara: a partir de hoje, sua morada agora será aquela velha fortaleza ao norte do Lago Longo, um pouco ao sul do Rio Último. Creio que a Estrada do Rei facilitará bastante o seu contato com Winterfell... quando não estiver nevando – o Baratheon pressionava a mandíbula com força enquanto seu rosto ficava vermelho de fúria. A morte o pouparia de derrotas. Os vassalos estavam surpresos com a exigência pois todos eles sabiam que o orgulho ferido e o fracasso desgastam e acabam com o homem. A morte apenas fará com que ele se torne um motivo para um bardo qualquer cantar – Irão fazer parte dos vassalos dos Stark, tendo-os como autoridade máxima no Norte. Não era tudo que você mais queria? Fazer parte de uma ligação com os Stark de Winterfell?

Se ele estivesse com o martelo de guerra, com certeza avançaria pra cima de mim sem pensar duas vezes. Esse é o bom de ser cauteloso.

O Rei sorria internamente ao ver os olhos furiosos e as bochechas vermelhas de raiva daquele ser tão ignorante, arrogante e selvagem. Robert Baratheon não sabia o valor da família e do amor, apenas queria a glória e o sexo. Típico de moleques verdes mimados.

Não perderei meu tempo com um sujeito tão desprezível assim.

- Pode ser um Targaryen, um Rei e ter roubado a minha Lyanna, mas não é dono da minha vida! – vociferou, ficando de pé e alertando Gerald, que rapidamente sacou um punhal de arremesso e jogou-o no ombro daquele idiota, que berrou de dor. Encarou o cavaleiro de manto branco furiosamente, nada disso surpreendeu o Rei. Claro que aquele viado iria reagir e Rhaegar estava mais preocupado com a lobinha do que com ele. Tudo é uma questão de prioridades – Já tirou tudo de mim, mas se pensa que vou ajoelhar aos seus pés e beijar seus anéis de um lagarto de três cabeças, reverenciar uma aberração que será esse novo lagartinho... está muito enganado, eu, Robert Baratheon, juro que um dia, UM DIA, irei confront...

Mas o viado não conseguiu terminar já que Gerald acertou outro punhal de arremesso, desta vez no braço esquerdo, atravessando-o. Com outro berro, o viado espumava de raiva enquanto Rhaegar sorria prazeirosamente. O que era raro publicamente.

- Lorde Stark, faça o favor de amarrar o seu vassalo e mandá-lo para o Norte imediatamente – ordenou com um prazer gigantesco invadindo-o. A morte é boa demais, mas irei atrás de você algum dia, Robert Baratheon. Grave minhas palavras – Imediatamente.

Sua fortaleza sofrerá nas minhas mãos, Robert Baratheon.

Queimarei suas colheitas com muito prazer.

Eddard Stark assentiu lentamente, observando os resmungos de dor que o seu melhor amigo emitia. Essa conversa precisava terminar o mais rápido possível, queria ficar com a sua Lyanna o mais rápido possível e vê-la de olhos abertos, surpresa e feliz. Assim como a conheci.

- Benjen.

Agora Rhaegar sabia o nome do irmão mais novo.

Este último sinalizou alguns vassalos para ajudar a tirar aquele homem enfurecido e com sangue empapando toda a sua roupa dourada extremamente pomposa. Carregando-o rapidamente, o Rei observou aquela situação com um sorriso discreto estampado em seu rosto. Era a humilhação, derrota e desonra que matavam um homem, não uma espada no peito.

Percebeu que Lorde Eddard Stark sinalizava que queria continuar a conversa.

- Arrumem suas provisões – ordenou aos seus vassalos, que se levantaram imediatamente, não estavam nenhum um pouco hesitantes em sair dali. Rhaegar se pegou curioso com a personalidade do irmão da sua lobinha – Sei que está sendo leve nos julgamentos, o que agradeço inteiramente, Vossa Graça.

‘Mas’... ?

- No momento, sim, mas devo alertá-lo que as consequências serão a longo prazo e portanto, como irmão da minha Rainha, concedo-o alguns privilégios, mas nada mais – esclareceu rapidamente. Nada de desentendimentos.

O nortenho assentiu imediatamente, já demonstrando pelo seu olhar que havia algo que o incomodava.

Eddard Stark esperou todos saírem, certificando-se de que nenhum nortenho estava escutando-os.

É algo pessoal.

- Peço que me perdoe pelo pedido que farei, mas pense na minha visão familiar, minha visão de pai, e tente compreender... – falou cautelosamente, um tanto quanto sem jeito até, gerando um misto de desconfiança e curiosidade. Ele está propondo algo para um Rei que acaba de salvá-lo... enfim, ele é seu cunhado e então deve considerar o que ele fala, Rhaegar, mesmo você querendo degolá-lo - ...peço humildemente que nenhum laço de sangue deverá ocorrer entre os Stark e os Targaryen, nenhum laço de casamento ou de sangue. Por favor, peço que nossas casas não se misturem novamente. Considere este pedido, Vossa Graça, pois sei que não estou em posição de pedi-lo.

Ele analisou aquele Stark tão curioso. Seus olhos eram endurecidos provavelmente pela guerra, uma ruga entre as sobrancelhas já se pronunciava, mas ele era tão jovem... quantos anos será que ele tinha? Quinze, dezesseis? Não era um cavaleiro, apenas um soldado que teria que administrar todo o Norte. Era um jovem que já estava desorientado, desconfiado e cauteloso com tudo que o rodeava.

Ele está com medo de ter uma filha parecida com Lyanna e que meu filho se pareça comigo.