Notas iniciais
Muito obrigada pelos comentários, eles são muito importantes para o rumo da fic e sei que ficarão contentes com o futuro dela. Já tenho uns 5 capítulos feitos e a história toda em minha mente :D só quero um pouquinho mais de comentários, viu u.u ? rs! Este aqui é mais curtinho porque eu quero fazer o clima para nosso querido e bonitinho Jon aparecer, tá? Beijos!

Ela sabia que era vigiada dia e noite pelos soldados nortenhos, sabia os olhares incrédulos e muitos insatisfeitos pela presença dela ali, carregando o filho do último dragão na barriga e sendo mimada pelos Stark em todos os seus desejos. Muitos deles não a considerava uma Stark mais, era nítido o olhar nada contente dos vassalos nortenhos.

Todos sabem que estão perdendo a guerra mas não demonstram o desespero.

Ned expulsou qualquer indício de prostitutas no regimento, falando que não era apropriado para uma grávida conviver com essas coisas ‘imundas’. Algumas medidas de proteção foram tomadas por Ned e Benjen, colocando mais criadas ao redor dela e providenciando todos os seus desejos. Se Lyanna quisesse canela, o que vinha acontecendo bastante, eles tinham que ir até Salinas para procurar onde tinha. Eles agiam tão protetoramente que até mesmo ela ficou surpresa, pareciam que tudo que queriam era deixá-la bem para a família Stark não sofrer outro golpe mortal à la Jaime Lannister. Mas vendo todo esse mimo, não conseguiu parar de pensar em seu amor que provavelmente estava tomando Porto Real naquela hora.

No dia seguinte da sua chegada, Lyanna acordou emocionalmente instável e tudo que faziam, ela chorava. Foi um choque para seus irmãos, ela nunca chorou na frente deles mas, como chegaram à conclusão, que além do ataque emocional, era que o próprio dragão em formação estava sentindo falta do pai. Ah, Lyanna também. Melancólica, ela não quis comer e isso deixou o Lorde de Winterfell preocupado, afinal, ela já estava com uma barriga tão grande que precisava de ajuda para se levantar todo dia de manhã.

Tiveram que arranjar novas roupas, Lyanna estava engordando com a gravidez e as outras estavam ficando ligeiramente menores. De vez em quando ela sentia frio, mas o calor que tomava conta de si quando o seu dragão chutava... era bem intenso e esse começou a ser um incômodo tão grande que preferia tomar banho de água fria, mesmo sob os protestos dos seus irmãos.

Ela se perguntava se Ned havia mandado a carta para o seu Rhaegar, eles chegaram a um acordo mas os Baratheon estava os infernizando. Stannis e Robert não eram brincadeira, o gênio deles era tão terrível que chutaram um vigia do regimento, quebrando as costelas dele, por apenas avisar que Arthur proibiu a todos de entrarem na tenda dos Stark logo depois que ela chegou.

Os Baratheon tinham que manter uma distância dela, não era seguro.

Robert sempre seguia os seus passos, fazendo com que seus cavaleiros ficassem atentos a qualquer movimento. Ned e Benjen também tiveram uma conversa séria, mas até Stannis estava falando que aquilo tudo era uma ‘questão de honra’.

O que é honra, afinal?

- O que eles acham que é honra, Ned? – perguntou enquanto passava o seu tempo dentro da tenda dos Stark, sentada no tapete felpudo com um vestido leve e tomando suco de laranja. Lyanna estava sentindo muito, mas muito calor, mesmo com a chuva desabando lá fora.

Ned estava sentado na poltrona mais confortável, observando-a. Parecia gostar do que via já que um sorriso discreto apareceu em seu rosto. Ela estava sem suas botas e sentada de uma forma tal que parecia uma criança... mas uma criança que tinha que tomar cuidado com a barriga.

Lyanna estava lá por conta de uma dor na barriga, preocupando a todos.

‘Todos’.

- Stannis fala que foi uma promessa rompida e não honrada, o que foi verdade.

Ela revirou os olhos impacientemente, mas sorria internamente. Ned estava cuidando dela como se fosse o seu pai.

Talvez na necessidade de virar o Lorde de Winterfell o espírito patriarcal encarnou nele.

- Eu nunca quis, você que iludiu o idiota – argumentou sorrindo agora, o seu dragão dera outro chute.

Será um dragão daqueles.

Ned ficou atento aos movimentos dela, até mesmo se levantando da poltrona e sentando ao seu lado, observando-a novamente. Ele estava bem preocupado com essas pontadas e chutes que Jon estava fazendo e que isso não era tão comum assim, principalmente com o calor que ela sentia. Uma Septã estava cuidando dela, mas como a mesma admitiu, era um dragão bem agitado.

Os olhos dele demonstravam a preocupação de um pai, não de um irmão.

A necessidade fez com que Ned virasse o Lorde de Winterfell e consequentemente o meu pai.

- Não estou com um bom pressentimento, irmãzinha – confessou receoso.

Lyanna arqueou suas sobrancelhas e balançou a cabeça logo em seguida.

Ele não consegue disfarçar o medo que tem de me perder.

- Logo Rhaegar estará aqui e Jon ficará mais calmo, você verá – Lyanna usava uma voz doce para que seu irmão não se preocupasse. Claro que toda mulher tem medo de morrer no parto, mas com Rhaegar nada aconteceria, mas para isso ele precisava estar ao seu lado – Sei que chegou uma carta ontem, Gerald é ótimo na arte da espionagem.

Ele suspirou, estava exausto.

Abandonar o orgulho dá trabalho, aposto que ele ficará a vida inteira com isto na mente.

- A Víbora de Dorne apenas avisou que o Rei chegaria rapidamente aqui... – começou a explicar e assim Lyanna analisou-o. Não parecia ter a idade que tinha, parecia bem mais velho — ...e seus vassalos comparecerão em número aqui, mesmo com a garantia de que não seria uma armadilha. Fiquei ofendido com isso, Lyanna.

Seu orgulho que está frágil demais.

Dando de ombros, ela tomou o resto do seu suco de laranja calmamente.

- Rhaegar é desconfiado por natureza, Ned – falou bem tranquila, sem dar muita importância aos receios do irmão. Era desgastante ficar escutando conversas sobre honra e orgulho, principalmente quando estes foram feridos – Você irá conhecê-lo, afinal, é o tio do dragãozinho aqui. Como poderá perceber, Rhaegar tem uma qualidade que você também: a preservação da família independente das condições externas. Irá estranhar o jeito intenso dele, mas é o fogo que fala por si.

No final das contas, Ned estava apreensivo por encontrar Rhaegar Targaryen, o irmão ainda era muito jovem e amadurecer forçadamente era difícil pois todos eram mais velhos que ele, fazendo com que ele se sinta o mais inexperiente, o que ele é. Todos sabem que as guerras se vencem é com a sutileza e não com uma arma em mãos... neste caso específico, uma gravidez.

Benjen também estava nervoso, senão mais.

Sempre quando Lyanna saía da tenda Stark, nos intervalos que a chuva concedia, era para passear pelas redondezas com seus cavaleiros de manto branco enquanto Ned ficava de olhos neles, não gostava de perdê-la de vista pois tinha a sensação que ela fugiria a qualquer momento.

Mas não era só ele que a observava.

- Não tenho muita certeza se Rhaegar aguentará aquele sujeito – comentou Oswell, dando-lhe um copo de água após uma caminhada pelo campo molhado. Para Lyanna, tudo a deixava com calor – Não é do feitio do meu grande amigo suportar um assédio desse, principalmente se o nome da loba estiver no meio. Perdoe-me pela expressão, minha Rainha.

Como sempre informal e desbocado.

Ela sorriu por muitas coisas, mas só de imaginar ver Rhaegar chegando no regimento era mais do que um sonho, então Robert Baratheon não teve muita participação em suas preocupações. Bebendo até a última gota, Lyanna devolveu o copo para Oswell enquanto se aproximavam do regimento. Já estava escurecendo e o sereno não a deixava muito bem.

- Os olhos dele não são confiáveis, Vossa Graça – falou Gerald, tirando os soldados da frente para ela passar tranquilamente e longe dos toques deles. Pelo menos era a filosofia de Arthur Dayne: nada de toques na Rainha – Tenho a sensação que o Rei irá se enfurecer com esse... assédio.

Assédio.

Robert a procurava em todos os lugares, analisava-a atentamente e passeava o seu olhar pelo corpo de gestante dela. O ódio era nítido em seus olhos, principalmente quando voltava o seu olhar novamente para a barriga dela. Lyanna ficava com a impressão de que ele a queria mas a odiava ao mesmo tempo, provavelmente frustrando-o. Certa vez ele tentou tocá-la, apenas tocar em seu ombro, mas Arthur Dayne o bloqueou e colocou-o no chão, pisando em cima do peito largo e musculoso dele e apontando a espada de aço valiriano na artéria do seu pescoço. Lyanna se surpreendeu, não esperava o toque daquele... idiota.

Ned apareceu, pedindo desculpas pelo movimento irresponsável do seu melhor amigo.

- Robert Baratheon que tem que pedir perdão, Lorde Stark – Arthur Dayne realmente era bem agressivo quando queria, Lyanna já havia visto esse ‘eu’ dele mas com Robert... o ódio falou mais alto e todos ficaram com a impressão de que aquela espada tão famosa iria realmente rasgar aquela garganta. Era o desejo dele, estava visível, mas não podia fazê-lo. Assim, recolheu-se e deixou aquele... estúpido... se levantar com a ajuda de vassalos dos Baratheon, que estavam em choque – O Rei é um legítimo Targaryen, fiquem atentos com ele.

Que bom que Arthur avisa.

Ned assentiu, fazendo sinais para que os vassalos dos Baratheon saíssem de lá o mais rápido possível. Quanto menos Baratheon no meio, melhor fica a situação do Norte. Mas Lyanna tinha uma dúvida que os irmãos também possuíam em sua mente. Logo após aquela pequena confusão, ela voltou-se para a tenda dos Stark com os seus três cavaleiros de manto branco olhando por ela.

- Me preocupa o que o Rei está reservando para Robert – confessou Ned, mantendo o fogo aceso para que o frio não tomasse conta do regimento. Estavam no final do Inverno, mas não fazia calor suficiente para eles, já para Lyanna qualquer lugar fazia calor – Com Ponta Tempestade tomada pelos Martell, provavelmente os Baratheon estejam sendo expulsos de sua própria terra. Não gosto disto.

Ela se sentou no tapete felpudo. Ela gostava, ficava um pouco longe do fogo... que a fazia lembrar demasiadamente do seu amor. Lyanna sentiu uma pontada entre as pernas, fechando os olhos com a dor que estava sentindo, assustando a todos. O seu coração batia intensamente, permitindo um certo descontrole dos seus pensamentos... que agora estavam perdidos, a cabeça dela apenas rodava com as pontadas que sentia no ventre até entre as suas pernas.

Não pode. Ele não é maduro o suficiente.

Com seus cavaleiros e irmãos, todos se aproximaram ao vê-la fechar os olhos com força. Um deles levando água para que ela tomasse, mas a mesma derrubou o copo no tapete, não conseguia pensar em nada para ingerir naquele momento e um calor desgraçado estava tomando conta dela, que nem aguentava mais olhar para aquele fogo.

- Minha Rainha... – falou Arthur Dayne, deitando-a no tapete e colocando diversas almofadas para que ela ficasse confortável, principalmente na parte da barriga. Com os olhos fechados, Lyanna só rezava para que o seu dragãozinho não nascesse naquela hora. Muito cedo, muito cedo - ...respire pausadamente...

- Não me enche! – praguejou impacientemente, não queria ver o seu dragãozinho morrer... não... – Esse calor está me enlouquecendo, está doendo... onde está Rhaegar?!

Arthur Dayne olhou para Ned, procurando saber o que fazer neste caso.

Lyanna não conseguiu prestar atenção ao diálogo deles, a dor tomava conta de si.

Tudo que ela sentia fazia com que ficasse com vontade de vomitar, algo que ela praticamente não teve a gravidez inteira. Seus seios doíam e o seu dragãozinho se contorcia em sua barriga, desesperando-a. Ele não pode nascer agora. Com aquele entra e sai de gente da tenda, ela não reconheceu ninguém, apenas sabia que a tenda estava com mais gente. Neste momento Lyanna perdeu os sentidos.