Notas iniciais
Muito obrigada pelas reviews novamente, estou amando recebê-las *-* o ponto alto do futuro da fic vai se mostrado neste capítulo, que pode ter coisas falsas e verdadeiras. Apenas o tempo falará... ;)

Seus sonhos estavam confusos, como sempre. Mas desta vez havia um diferencial: muita neve ou muito fogo. Uma hora aparecia o frio nortenho e depois sentia um calor enlouquecedor digno das Cidades Livres. Não que Lyanna um dia pisara naquelas terras, mas era o que diziam por aí. As muralhas de Winterfell estavam sendo atingidas por uma tempestade... de fogo? Lyanna tinha a sensação que Winterfell não iria ser tão fria assim durante algum tempo. Parecia ser verão, pelo menos era o que ela sentia após sentir tanto frio e tanto calor ao mesmo tempo. Mas nada superou o susto que ela teve quando percebeu que várias crianças estavam correndo no salão do castelo, todas com características de um Stark legítimo e dois ou três que destoavam com o resto das crianças. Era ruivos, mas havia algo na postura deles que sugeria que o Norte vivia dentro deles ativamente. Uma confusão envolveu-a novamente, provocando uma neblina acentuada mas sentia uma segurança esquisita dentro de si.

Parecia estar entrando em um universo paralelo.

Nunca esteve em Porto Real, mas tinha a sensação que estava na Fortaleza Vermelha e sentada ao lado do Trono de Ferro com Rhaegar ali sentado, comandando uma audiência lotada. Alguns olhares indiscretos caíam sobre ela, geralmente se perguntando o que ela havia feito para que uma guerra inteira começasse por causa disso. Eles eram queridos pelo reino por conta da história de amor que enfrentaram para ficar juntos. O povo gostava disso.

Tinha um lobo-gigante branco e com olhos vermelhos atravessando o salão. Lyanna não se assustou, ficou com a impressão de que aquele animal que tanto representa os Stark de Winterfell fazia parte de sua vida. Ela não teve dúvidas de quem era o rapaz que estava sendo acompanhado pelo animal nada doméstico. Muita gente ficava tensa, muitas vezes Rhaegar elogiava o quanto... qual era o nome dele? Ela não se lembrava.

Aquele lobo-gigante tinha um nome, mas não pareceu ser tão importante se lembrar disto. O rapaz que se movimentava ao lado do animal lembrava Bran, o seu irmão mais velho que há um longo tempo (?) morrera em uma irresponsabilidade. Apenas lembrava porque quem conhecia Rhaegar sabia que aquele rapaz tinha a mesma personalidade... do pai. Lyanna se encheu de orgulho, ele não tinha características dos Targaryen... externamente.

Uma tontura tomou conta dela e tudo ali se dissipou, criando outra situação ao seus olhos. Seu corpo não estava lá, apenas conseguia ver o quanto uma menina era bem parecida com ela mas um pouquinho mais nova, empunhava uma espada de madeira contra alguns meninos esfarrapados. Não era Lyanna, seu pai nunca permitiu que ela portasse uma arma. Magra e não muito alta, a menina tinha uma expressão feroz enquanto batia naqueles pobres meninos sem dó. A Rainha sentiu vontade de rir, a menina seria mais macho que metade dos homens de Westeros.

Mas algo brilhou no pescoço da menina.

Ela usava o mesmo colar da rosa de inverno de uma legítima Stark. Geralmente é dada para a filha mais nova de um Lorde de Winterfell.

Antes que ela conseguisse conectar o seu raciocínio, era uma Stark... assim como ela.

Lyanna prendeu a respiração quando outra imagem surgiu.

Um rapaz semelhante às características dos Baratheon tentava forçar a lobinha a gostar dele, mas ela não conseguia pois seu coração estava ocupado por causa de um lobo-dragão que passou por cima das condições que foram impostas antes dele nascer. O prometido dela não era lá muito tolerante... e nem o lobo-dragão. Lyanna se entristeceu, a frustração de seu filho era dolorosa demais para uma mãe, afinal, os Stark e Targaryen não eram dados a flexibilidades em tratados de paz.

A menina era bem agressiva, era nítido que ela não queria se casar com ninguém. Se sentia deslocada naquele castelo nortenho, seus olhos eram bem curiosos mas um tanto quanto tristes. Uma demonstração de que se não pode ter Lyanna, pode-se ter a mais jovem Stark que tanto se parecia com ela. Robert Baratheon, seu vagabundo.

O rapaz do lobo, Jon, não conseguia nem ver o prometido da menina-loba que uma ira crescia dentro dele, uma ira de dragão.Este era o principal receio dela: alguém acordar o dragão. Mas não era pelo casamento que ele estava no Norte, os problemas e tensões forçaram a ida dele... com outros. Conhecê-la foi uma consequência infeliz e, cada vez mais que o tempo passava, mais o sentimento que tinha por ela se tornava agitado e, talvez, descontrolado.

A menina-dragão avisou-o de que aquilo era irracional, mas o lobo-dragão não quis ouvir.

Os meninos-dragão incentivaram-no a seguir o que pensava, mas as consequências seriam pesadas. Mas independente da escolha, os três o seguiriam até o resto de suas vidas.

Seu lobo-dragão estava triste.

Rhaegar e Lyanna se preocupavam com o herdeiro do Trono de Ferro.

Com os olhos melancólicos e coração obscuro, o lobo-dragão levantou seu olhar para a jovem Stark vestida pronta para trocar as juras de amor com um Baratheon, passando pelo corredor e abaixando o olhar quando o viu. Ele sabia que não era pela sua autoridade. Ninguém sabia dos seus sentimentos, nem mesmo a menina-loba. Eram secretos, apenas o lobo-gigante sabia, e este vigiava o rapaz Baratheon dia e noite. Em sua tortura psicológica, o lobo-dragão se pegou pensando, e logo odiando, nas possibilidades de vida que os dois teriam juntos. Uniriam os Stark e Baratheon. Com o coração a fogo e sangue, o lobo-dragão sumiu daquele corredor.

Não era permitido matar sob o teto deles.

Também não era permitido se meter na vida pessoal dos Stark.

Algumas lágrimas deslizaram por sua face enquanto entrava nos aposentos reservados apenas para ele, Jon Targaryen. O ódio o corroía, nunca quis nenhuma mulher, apenas a que escolhesse se casar... o que seria impossível. Mesmo com os irmãos-dragão, Jon se sentia sozinho naquele lugar. Seu desejo era ir atrás dela, mas se fizesse aquilo... as consequências seriam catastróficas. Ele tinha cinco escolhas: voltar para Porto Real como se nada tivesse acontecido, o que seria impossível; fugir com ela, se o aceitasse, é claro... mas seria impossível, a menina-loba ainda estava machucada; empunhar a espada contra os Baratheon, mas logo seria censurado pelos pais; assumir o seu sentimento na frente de todo mundo, mas de nada adiantaria; ou... o coração dele bateu rápido, ele teria que assistir o casamento por motivos políticos mas isto iria consumir tanto dele, ou melhor, o que restava dele... ela engravidaria, formaria uma família nortenha e seria feliz sem o próprio Jon.

Ele tinha uma espada ao seu lado, um lobo-gigante do outro e um exército sulista no Norte sob suas ordens. Os irmãos-dragão e as Serpentes de Areia estavam ali, todos apoiariam qualquer decisão sua já que estavam no Norte apenas para examinar um território potencialmente inimigo. Nunca ficaram em paz total, mas o Norte e Sul conseguiam levar a vida tranquilamente... exceto pelas flechas.

Lyanna engoliu seu coração quando percebeu que o herdeiro do Trono de Ferro limpou as lágrimas e adquiriu um brilho decidido em seus olhos, respirando fundo para ter certeza do que iria fazer. Guardou a espada junto a si e saiu do quarto imediatamente, com o lobo-gigante ao seu lado.

De certa forma, para a angústia de Lyanna, ele e Rhaegar eram praticamente a mesma pessoa. Jon iria até o fim, independente de qual este seja.

(...)

Abriu os olhos de repente, estava assustada com o sonho que havia tido. Não se lembrava muito bem, mas sabia que era algo relacionado ao seu lobo-dragão e o Norte. Com o coração acelerado, Lyanna não conseguiu ficar na mesma posição naquela cama. Espera aí, porque ela estava em uma cama de armar? A sua última lembrança foi ter desmaiado no tapete daquela mesma tenda, a tenda do Lorde Stark de Winterfell. Sentiu uma pontada de dor, seria um lobo-dragão bem intenso... o que a fez ficar um pouco temerosa.

Deixe de besteira, Lyanna. Você nem sabe o que sonhou direito.

Afastando o cabelo do rosto, ela percebeu que já estava de dia... mas não tão claro assim. Estavam saindo do Inverno, mas mesmo assim ainda estavam nele. Sentindo um cheiro de suco de laranja, o seu desejo logo se pronunciou e sua boca encheu de água. Sentando-se lentamente na cama por causa da barriga, percebeu que Arthur Dayne estava ao seu lado, guardando-a. Prestativo, ele fez a típica reverência.

- A Rainha está melhor? – seu tom de voz estava mais calmo do que da última vez que haviam conversado. Menos tenso, talvez. Lyanna assentiu, arrumando o cabelo em uma trança embora de vez em quando sentia uma leve tontura típica de uma gravidez avançada – Nos preocupou bastante, Vossa Graça.

Ela respirou fundo para conter uma ânsia de vômito.

Queria que Rhaegar estivesse aqui.

- Apenas senti uma fraqueza, não sei bem o que aconteceu... – explicou lentamente, observando várias rosas azul-claro de Inverno pela cama, as que Rhaegar sempre costumara colher para ela — ...mas o importante é que me sinto bem melhor, Arthur. Foi você que as colheu para mim?

Ele balançou a cabeça, deixando-a confusa. Logo, ao olhar para o outro lado da tenda, um sorriso surpreso tomou conta de seus lábios. Seu pulso se acelerava ao perceber que o seu amor estava ali, sentado e checando alguns mapas sozinho. Concentrado, Lyanna reconhecia que ele estava cansado e assim seu coração se afligiu.

O que aconteceu enquanto eu dormia?

O Rei percebeu lançou-lhe um olhar carinhoso, já sabendo que ela estava acordada ao ouvi-la conversar com Arthur. Com um sorriso discreto, ele se levantou e atravessou a tenda lentamente, observando-a atentamente. Lyanna havia se esquecido de como a presença dele era marcante e majestosa, sempre com o talento de impôr suas condições e fazer os seus inimigos ficarem desorientados apenas por perceber que o sangue de Valíria corria em suas veias. Ameaçador nas batalhas, mas carinhoso em seus braços de loba.

Lyanna tentou se levantar para abraçá-lo, mas ele chegara primeiro e a fez se sentar imediatamente. Seu toque era quente e... o coração da lobinha estava descontrolado.

Pouco tempo se passou, mas parece que foram anos.

Acariciando-se o rosto da menina-loba lentamente, fez um gesto para que Arthur Dayne deixasse a tenda, o que logo foi atendido.

Seus rostos estavam próximos e ela sorria abertamente, encarando aquele olhar violeta que tanto amava. Rhaegar era doce e gentil, mas apenas quem o conhece sabe disto.

- Estou tão feliz de vê-la bem, minha lobinha – sua voz estava rouca e seu hálito quente que atingia o pé da sua orelha a fez arrepiar. Corou levemente, havia se esquecido das juras de amor que ele sempre fazia – Como você está?

Ela o beijou levemente, ansiando aqueles lábios quentes.

- Com muita vontade de tomar um suco de laranja, Rhaegar – respondeu sorrindo, abraçando aquele Targaryen exótico e musculoso. Se sentia tão segura perto dele, havia se esquecido a diferença entre enfrentar Westeros só e fazer a mesma coisa junto ao seu dragão. O Rei sorriu satisfeito, passando a mão lentamente em sua barriga e deixando-a arrepiar. Lyanna ansiava o toque dele, quanto mais íntimo, melhor – Senti um calor enlouquecedor e o nosso lobo-dragão ficou agitado quando olhei para o fogo. Fiquei fraca por alguns instantes, tive medo de perder o nosso menino.

Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto da Rainha.

- Será um dragão puro, um legítimo Targaryen, minha lobinha – começou ao pé do seus ouvido, deixando-a arrepiada novamente – A gravidez da minha mãe foi assim, eu dei muito trabalho e quando ela via fogo, tinha a sensação de que eu estava nascendo. Fico feliz que seja só um alarme falso mas os Targaryen nunca nascem após oito meses, por isso temos que ficar em uma vigília nesta semana. Não sabe o quanto meu corcel de batalha sofreu para chegar até aqui o mais rápido possível.

- Você recebeu a carta do meu irmão, não é?

Ele assentiu prontamente.

- Mas Oberyn também já sabia o que estava se passando com você, apenas ocultou para que os Tyrell ficassem sem saber de nada – respondeu rapidamente, pegando-a no colo com facilidade mas cuidadoso. Colocou-a em na cadeira mais confortável – Meus vassalos estão tomando Porto Real, estou esperando uma carta de Oberyn para saber o que está acontecendo por lá.

Lyanna sorriu.

Que sonho mais besta que tive. Apenas uma divagação.

- Já conversou com todos aqui? – perguntou curiosa, já querendo ter certeza que Ned e Benjen estavam com as cabeças intactas ligadas aos seus pescoços. Lyanna também havia esquecido do cheiro de Rhaegar, um cheiro quente e intenso que lembra, talvez, cravo.

Rhaegar assentiu, saindo da tenda apenas para pedir o suco de laranja dela.

- Está tudo certo, lobinha – respondeu ao sentar ao seu lado, acariciando sua mão quente. Rhaegar sempre foi muito, mas muito quente. Lyanna sorriu internamente. É, isso tem um duplo sentido verdadeiro – A única condição que o seu irmão pediu foi que nossas casas não se entrelacem mais enquanto Westeros for Westeros. Teremos que criar os nossos filhos bem longe da sua terra, longe do Norte. Eddard Stark tem medo de que uma nova Lyanna e um novo Rhaegar apareçam.

Lyanna engoliu em seco.

Deuses, permitam que este sonho seja uma invenção inútil da minha mente fértil.

A Rainha assentiu lentamente, parecia ser o melhor caminho a seguir. Não arriscaria repetir esta mesma situação já que os sonhos sempre foram perigosos, segundo os costumes nortenhos. Com receio, foi uma decisão difícil mas necessária.

É melhor assim, Lyanna. Mesmo se for um sonho besta, não se arrisque.

- Concordo com ele, — falou lentamente, observando Arthur Dayne entrando na tenda com um jarro de metal que continha um suco de laranja concentrado e azedinho, do jeito que ela sempre gostou. Tomando o copo todo em um só gole, a Rainha decidira o que fazer – Já conversou com o idiota?

Um sorriso de lado, bastante sádico, surgiu naqueles lábios maliciosos. Era quase inacreditável vê-lo bem ali, ao seu lado e triunfando em cima dos inimigos e traidores sem machucar o coração dela.

Que bom.

- Ele está machucado pois ficou agitado demais enquanto eu falava o que seria dos Baratheon, está sangrando por aí mas finge que não está sentindo dor – respondeu tranquilamente, aparentemente satisfeito consigo e com toda a situação. Lyanna sorriu abertamente, o seu dragão estava por cima da carne seca mesmo entre os seus inimigos. Como sempre, o seu amor tinha uma habilidade de intimidar as pessoas que era extremamente benéfica – Foi decidido que Ponta Tempestade não seria mais a morada deles e que se tornariam vassalos dos Stark, unindo suas famílias como sempre quiseram. Então, é um sonho realizado para Robert Baratheon, não acha?

Como sempre, cruel ao seu jeito.

Lyanna estava extremamente satisfeita com o encaminhamento das coisas.

Mas... não, nada de ‘mas’. O que importa é a realidade, o presente, e não sonhos sem sentidos.

- Com certeza, meu amor – ela tomou mais um copo de suco de laranja enquanto eles conversavam sobre o que havia feito em Porto Real e a Campina, com as batalhas e tudo mais. Lyanna ficara boquiaberta com a quantidade de batalhas entre o Norte e o Sul nos últimos meses. O seu dragão havia participado de quase todas, deixando-a alarmada. Mas já passou, ele está aqui comigo.

Após algum tempo, Ned entrou na tenda rapidamente. Parecia que havia corrido por todo regimento, estava sem fôlego e Benjen vinha atrás de si. Logo se acalmaram quando a viu bem, sendo protegida pelo Rei. Ela sabia que era esquisito ver a irmã mais nova com o dragão Targaryen, afinal, sendo protetor e cuidadoso, contrariava todas os boatos que surgiam de todos os cantos de que ele era cruel como o pai.

Bem, cruel ao jeito dele. Não posso dizer que não será crueldade quando o meu dragão começar a queimar a colheita de vários nortenhas antes do Inverno, não?

- Estou bem, obrigada – comentou sorrindo, o seu dragão estava com a mão em sua cintura, aproximando-a de seu corpo quente. Passava uma impressão de que Rhaegar tinha mais direito de ficar com ela do que qualquer um dos irmãos. Ciumento – Rhaegar me falou o que estão pretendendo. Estou em completo acordo com vocês, principalmente quando se trata da próxima geração Stark e Targaryen. Ned, prometa-me que nenhum dos seus cruzará a fronteira entre o Norte e o Sul. Faz isto por mim?

Ele assentiu prontamente, como um soldado.

Bran será um fantasma em seus ombros, meu irmão.

- Concordo com seu ponto de vista, minha irmã – Ned... você envelheceu quantos anos nos últimos meses? – Quero receber sua visita em Winterfell, mas apenas o tempo dirá quando isso será. Me entristeço com a situação pois quero que nossa família, os Stark, cresçam novamente em terras nortenhas. Mas devo dizer que isso será impossível enquanto os seus ou meus não estiverem com seus lares completos.

Lyanna assentiu.

Tradução: quando todo mundo casar poderemos nos reunir. Como se isso fosse impedir alguma coisa, Ned.

- Eu poderia conversar mas quero andar um pouco pelo campo, — os três lançaram-na olhares de censura, ela revirou os olhos impacientemente – preciso caminhar um pouco, não consigo ficar deitada ou sentada durante muito tempo.

Ela se levantou lentamente enquanto Rhaegar se posicionava ao seu lado, segurando a sua mão para que ela não ficasse desajeitada o suficiente para uma possível queda. Percebeu que Benjen analisava o Rei atentamente, bastante curioso. Todos aqueles Stark, inclusive ela, era tão novos... tão jovens... porque iniciar uma guerra? Até Lyanna sentia os efeitos de um amadurecimento forçado.

Seus irmãos saíram do caminho, permitindo que ela e o seu dragão saíssem da tenda azul-cinza e caminhassem pelo regimento, sendo observados e analisados a cada passo que davam. Uma Stark com um Targaryen era uma novidade inusitada para todos, simplesmente era difícil de imaginar a pequena loba com o último dragão dos Targaryen.

Não tão último assim.

Aos poucos, os soldados se ajoelhavam.

Lyanna era Rainha agora.

Olhando para Rhaegar, deu uma piscadela descontraída para ela, que tinha que ficar calma.

Após alguns minutos caminhando pelo regimento com a ajuda do seu amor, o mesmo fixou seu olhar na tenda dos Baratheon, que estavam observando toda aquela agitação que ocorria do lado de fora. Robert Baratheon aparecera com curativos no braço e lançando-a um olhar magoado que logo virou ira. Mas como todos perceberam, a ira de um dragão era mais mortal do que de qualquer outra casa em Westeros. A ira de um dragão provocava tantos danos que até mesmo um sem-noção como aquele Robert sentia seu impacto.

E seria assim, dia após dia ele teria que conviver com o fracasso, com a derrota.

Mas isso preocupava a Rainha.

Não é hora de pensar nisto.

Com o carinho de Rhaegar, seus beijos quentes e juras de amor antes de dormirem, os dias se passaram rapidamente. Acordava e dormia com a proteção que apenas ele conseguia dá-la, seus abraços a deixava mais confiante, seus beijos a fazia se sentir querida e seus carinhos a mostravam o quanto uma família feliz poderia surgir após todas aquelas confusões. O Rei era devoto da Rainha, como todos perceberam em pouco tempo.

Muitos diziam que ela havia enfeitiçado-o.

Queria saber o que usei.

Mas ainda tinham medo dele, afinal, era um Targaryen e fez algumas cabeças rolarem por conta de desacato à sua autoridade. Vários deles eram Baratheon, o que o fez ficar alegre ao ver que poderia diminuir aquela prole. Lyanna pouco se importou, queria que os Baratheon fosse extinguidos e que... a menininha-loba não sofra nas mãos de uma nova geração daquela família.

Certo dia, a Rainha acordou com uma dor estonteante, alertando Rhaegar imediatamente. Olhando em seus olhos violeta, era viu toda a segurança e confiança que precisava para enfrentar uma nova possibilidade de vida determinante em toda Westeros.

A bolsa havia rompido.