Notas iniciais
Agora que a fic realmente começara Jon e Arya, eu gosto de shipper e pronto. Escrevo a fic porque sinto bem em imaginar, não quero corresponder conscientemente às expectativas alheias. Rhaegar ficará, a partir deste momento, um pouco cruel, assim como a autora ;) também tem outra: não sou obrigada a fazer a fic segundo as opiniões dos leitores. Se fosse assim, Martin não teria matado tanta gente nos livros. Boa leitura, foda-se :D

Ele estava aprendendo a lidar com o título de Lorde Stark.

Nunca foi instruído para liderar e isso estava causando diversos probleminhas em Winterfell, o Norte estava mais tranquilo enquanto todos voltavam para casa e reconstruíam tudo, principalmente com o fim do Inverno mortal que os atingiu. As colheitas estavam fracas, mas o mercado de Porto Branco os salvava o suficiente para aguentar uns dois ou três anos até tudo ficar bem. O pior era pensar que Winterfell tinha que dar um jeito nos Baratheon.

Stannis e Robert não eram brincadeira.

Com apenas oito meses no Norte, já deram dor de cabeça aos Reed ao tentar caçar em terras que não os pertenciam.

Sulistas.

A neve não deixava os dois visitarem Winterfell, para o agradecimento eterno do Lorde Stark. Estavam agitados, a fortaleza era fria e as colheitas eram pobres. Os criados estavam acostumados com o Sul e seu sol de Inverno, então era praticamente impossível levar aquela fortaleza para frente.

Pensei que Rhaegar havia sido misericordioso conosco.

Apenas eles, os Stark, tinham certos privilégios.

Cat poderia receber visitas do Sul e Robb... poderia viver no Sul, aprender como se faz as coisas por lá. Seria bom um pouco de vivência para ele descobrir que os inimigos podem vir de todos os cantos, quanto maior o conhecimento do seu primogênito, melhor para o Norte. Para Winterfell.

Os Arryn tiveram um grande prejuízo com a guerra, principalmente depois que a irmã mais nova de Cat se casou com Jon Arryn por motivos... constrangedores. Estavam sendo vigiados no próprio território, sob pena de morte quem levantasse a mão contra um dos soldados Targaryen. Mais da metade dos criados de lá estavam em Porto Real, ajudando a reconstruir o que eles destruíram. Seus cavaleiros que ainda sustentavam a guerra foram mortos ou exilados. Queimados.

Humilhação. Rhaegar sabe fazer isso muito bem.

Os Tully foram poupados.

‘Poupados’.

Tinham que sossegar os homens de ferro, se eles se rebelassem, a responsabilidade seria dos Tully. Só que não terminava por aí, os Tyrell dominavam Rochedo Casterly e agiam como se os Tully fossem vassalos deles, o que o Rei não fez questão alguma de determinar o que aconteceria entre aquelas duas casas. Mas ao todo, os Tully estavam bem por causa de Cat.

Pelo menos o Rei considera a minha família.

O fluxo da Patrulha da Noite estava intenso, vários prisioneiros de guerra estavam vestindo o negro. Isso o deixava receoso, nunca gostou dos Lannister e ter os seus vassalos era inadmissível... mas não adianta conversar com o Rei, ele ficava cada dia mais intolerante quanto reclamações ‘insignificantes’.

Digno do sobrenome ‘Targaryen’.

De vez em quando se pegava pensando em como as coisas estariam caso sua irmã mais nova estivesse viva. Ned procurava esquecer este assunto, o que mais interessava era que a sua família estava saudável e com um primogênito que parecia um lobo de verdade.

Sentados no caldeirão, eles jantavam lentamente e sem nenhuma tensão por perto. Era bom sentir o quanto eles estavam seguros ali, em Winterfell. Mas a segurança sempre é ilusória, como o seu pai sempre disse. Principalmente para Bran.

Bran.

Cat estava mais linda do que nunca, provavelmente engravidaria novamente pois já havia demonstrado sua fertilidade. Isso o fez sorrir de lado. Era a sua esposa e tinha ciúmes ao pensar que ela poderia pertencer ao seu irmão mais velho. Mas fantasmas são fantasmas.

- Mandei um corvo para Porto Real com o relatório de que fiz sobre o Norte – comentou enquanto tomava vinho, chamando a atenção de sua esposa. Ela quer mas ao mesmo tempo não quer expôr nossos filhos aos Targaryen.

Ajeitando a longa trança ruiva, Ned analisou-a.

Era uma menina, uma jovem que tinha um punho de ferro. Sabia liderar, mas tinha um coração de mãe.

Parece mais uma loba do que uma truta.

- Relatou a insubordinação dos Baratheon como vassalos de nossa casa?

Infelizmente.

- Tenho que relatar, é o Rei.

Ela balançou a cabeça imediatamente, gerando algumas dúvidas nele.

- O Rei já queima as colheitas deles, Ned – argumentou educadamente. Ela não queria que os Baratheon fossem prejudicados, mas mesmo assim não queria que eles continuassem no Norte. Porque será, Cat? Isso tudo é medo? – Não seria mais fácil devolvê-los para o Sul?

Ele revirou os olhos impacientemente. Não era a primeira vez que ela começava com esse assunto, mesmo sabendo ser impossível de aquilo acontecer. O Rei não pede, o Rei ordena e o faz independentemente se são a família materna do herdeiro do Trono de Ferro.

Do que percebo, Rhaegar Targaryen leva a vingança muito a sério.

- Sabe que isso é impossível, Cat – respondeu diretamente, na última vez que conversaram sobre isso foi difícil para o Lorde Stark contornar a situação. Não gosta de Robert por tantos motivos... o que está escondendo de mim? – O Rei o exilou do Sul e agora são os nossos vassalos. Não tem como argumentar com ele, se é que você percebeu. É um Targaryen, preciso falar mais?

- Mas Ned... e... e se você fosse para Porto Real e conversasse com ele? – perguntou-o inutilmente.

???????

- Isso não tem jeito, Catelyn. Dei minha palavra para o meu melhor amigo e mesmo se eu conseguisse superar essa desonra, dialogar com o Rei sobre os Baratheon seria o mesmo que agir como se eu fosse Bran ou o meu pai atrás da minha irmã mais nova que morreu no parto do herdeiro do Trono de Ferro, que no caso é um Targaryen – era difícil Ned perder a paciência, mas não tinha como mantê-la com todas as insistências. Não posso, Cat. – Sinto muito, Cat. Isso não está ao meu alcance.

A sua senhora respirou fundo, tentando conter o nervosismo. Aquilo a fazia ficar fora de si toda vez que imaginava uma filha deles com a cara e o jeito de Lyanna Stark... principalmente casando-se forçadamente com um Baratheon. Principalmente se esse pretendente fosse o próprio Robert. Isso também gerava calafrios no Lorde Stark, mas há como voltar em sua palavra?

Não, não há.

- Mas se o Rei souber disso... – começou novamente, usando uma artimanha que Ned ficava com medo. Uma mãe sempre corre atrás do possível e impossível... - ...poderia ser muito ruim para nós, querido Ned.

Sei disso, Cat.

Dando de ombros, ele decidiu que não falaria mais sobre aquele assunto.

- Cat, não sofra por antecedência.

Ned pensava que ela fosse assentir e voltar a jantar, mas fez o contrário. Catelyn tinha uma personalidade admirável, mas quantos aos filhotes virava uma loba-gigante com um coração de pedra. Ele não duvidava que ela poderia levantar uma espada contra a pessoa que quiser ferir sua cria.

Nossa cria. Claro que não deixarei isso acontecer.

Sua senhora levantou-se do assento lentamente, saindo dali em silêncio. Ele odiava quando ela ficava assim, não queria vê-la triste, afinal, era uma ótima companhia e ele a amava... mas palavras são palavras, honra é honra e orgulho continua sendo orgulho. Orgulho ferido, em questão.

Não foi fácil dar pra trás na guerra.

Não mesmo.

Deixou-a ir. Era melhor assim, pensando ela poderia chegar à alguma conclusão benéfica à eles.

Mas enquanto continuar pensando em jogar o jogo dos tronos...

Não, Cat.

Enquanto jantava sozinho, seus pensamentos vagavam por toda Westeros, sendo pego de surpreso por um grupo de soldados de Winterfell. O Lorde Stark franziu o cenho, seja o que estava acontecendo, poderia ser sério.

Parece que tudo é sério para um Lorde.

- Lorde Stark... – o líder do grupo fez a típica reverência, juntamente com os outros, e demonstrando um pouco de nervosismo. Apenas observando, Ned reparou que uma ruga em seu castelão estava mais pronunciada. Espero que não estraga a minha noite... - ...o Senhor Comandante Mormont deseja falar com o senhor.

Erguendo uma sobrancelha, Ned realmente não estava esperando um Urso. Geralmente quem dava as informações da Patrulha eram os mensageiros e não o próprio Senhor Comandante. Era estranho, era esquisito... mas parecia importante. Deixando o cansaço do dia de lado, principalmente depois da pequena discussão com Cat, colocou a sua postura de Lorde em prática.

Ned estava ficando bom nisso.

- Tragam-no.

Eles fizeram a mesma reverência e um deles foi buscar o dito cujo.

Ned sabia que eles preferiam Bran no caldeirão, mas este estava morto e alguém precisava substituí-lo. Aquilo pairava em Ned o tempo todo, o fantasma de Bran o incomodava e muitas vezes o deprimia.

Após alguns minutos, o Senhor Comandante Mormont apareceu, fazendo a habitual reverência ao Lorde Stark de Winterfell. Ned só o tinha visto uma vez quando fora até a Muralha com Benjen para saber como que funciona a Patrulha Negra, na época, há alguns anos, ainda não era o Senhor Comandante, mas o Urso sempre foi determinado em seus objetivos, como todos sabem. Era um vassalos dos Stark lá da Ilha dos Ursos, um lugar que Ned nunca fora mas que Bran gostava muito.

Saia da minha mente, Bran.

- Como vai, Lorde Stark? – perguntou-o polidamente e, como todos da Patrulha, era mais que bem-vindo nas muralhas de Winterfell.

Satisfeito com a visita, Ned sempre gostara das histórias dos patrulheiros. Mas claro que como Lorde, o significado dessas histórias seriam puramente desafiantes. Todos sabiam que os selvagens estavam inquietos do outro lado da Muralha, mas era um assunto restritos à apenas algumas casas do Norte.

Ao Rei também, óbvio.

Ned sorriu discretamente.

- Muito ocupado, Senhor Comandante... – respondeu-o cordialmente, até mesmo alegre de ver alguém entrando no salão de Winterfell que não seja alguém para falar dos problemas que os Baratheon estavam causando no Norte. Estava cansativo, até mesmo a sua senhora dava opinião nas decisões dele — ...mas sente-se comigo, creio que mesmo com o fim do Inverno ainda esteja ruim de se instalar nas estradas. Coma junto à mim, Senhor Comandante.

Ele assentiu imediatamente, demonstrando alívio ao ser recebido ali depois de chegar do Sul.

Claro que está aliviado, mas esse alívio se deve porque não há nenhum indício de Robert ou Stannis aqui em Winterfell. Os deuses foram bons!

- Agradeço pela hospitalidade, Lorde Stark... – falou de forma mansa, mas uma forma mansa nortenha, nada ligado ao Sul em suas frescuras e aproximando-se da mesa, sentando-se longe depois. Ned o analisou novamente, não era tão jovem mas não deixava de ser um... uma vida de Senhor Comandante o envelhecerá rapidamente - ...as instalações na Estrada do Rei estão um caos mesmo depois da guerra e com o fim do Inverno. Já nós da Patrulha sabemos lidar com o frio independente das condições, Lorde Stark. O maior perigo seria ficar cara a cara com um Baratheon.

Como sempre.

Neste momento Ned captou que o assunto da conversa seria restrito. Com um sinal, os outros soldados saíram do salão, deixando os dois sozinho no caldeirão. Uma criada surgiu servindo uma sopa com carne desfiada fervendo e um vinho famoso por ser considerado o ‘sol de Dorne’. Era a melhor coisa que ele poderia oferecer naquele momento, Benjen era um deles, fazendo com que Patrulha fizesse parte da sua família.

E o Senhor Comandante parecia estar com fome, avançou na tigela com gosto.

Ned sempre gostara de ver os outros comendo, era um ato que revelava muito bem como eles lutavam. Não, não foi Bran que o ensinou... foi sua irmã mais nova, Lyanna. A Rainha Loba.

- Creio que esteve no Sul, não? – perguntou-o terminando a sua refeição, era mais que óbvio que o Urso estava no Sul, mas uma conversa importante sempre surge com comentários estupidamente cautelosos. Ele assentiu levemente, provando do vinho.

- Recrutando meninos, jovens, velhos para a Muralha e procurando saber como Westeros está depois da guerra, o próprio Lorde Stark sabe que não é sensato enviar corvos como mensageiros políticos – respondeu sensatamente, sendo, para o agradecimento de Ned, sincero quanto aos seus pronunciamentos. O mesmo assentiu, esperando que ele falasse mais – Além do mais, tive que conhecer o Rei Dragão.

Eu sabia. Rhaegar Targaryen virou a sombra sobre a minha família.

- Então penso que está aqui por mais de um motivo.

O Senhor Comandante assentiu lentamente, terminando com o vinho. Ned não levava a mal a presença do Urso ali, se foi uma ordem do Rei, ordem devem ser obedecidas à risca. Mas não conseguia negar que cada vez mais que falavam em Rhaegar Targaryen, mais o estômago de Ned embrulhava.

- Tywin Lannister está sem um braço e metade de uma perna, já está chegando na Muralha... – informou-o lentamente para que o susto não fosse tão grande, mas não houve efeito. Ned quase caiu pra trás quando escutara a loucura que o Rei estava fazendo, lançando Tywin Lannister para o Norte, para a Muralha... para, não, espera... ele está sem um braço e metade de uma perna, indo até a Muralha entre nortenhos... devo dizer que é pior que a morte, Rhaegar. Como sempre, mestre na humilhação dos inimigos — ...o Rei falou que eu deveria usá-lo como faxineiro quando não houve comida para entregar nos postos da Patrulha. Devo dizer que achei estranho de início, mas como o homem não tem medo da morte, como pude constatar, e aleijado... qual a graça torturá-lo, não? Os Lannister já estão quase extintos mesmo. Gostei do novo Rei, Lorde Stark. O Príncipe tem a aparência de um Stark, um lobo-gigante.

Claro que tem. Vi quando ele nasceu.

- O Rei Rhaegar é muito justo com quem merece, Senhor Comandante... – começou cordialmente, querendo falar poucas e boas sobre os Targaryen mas não podia fazer isto. A Patrulha não toma partido e o seu irmão estava lá para provar um pouco disto. Palavras mal ditas, Palavras malditas - ...mas creio eu que a sua presença aqui tenha mais outra justificativa.

O Urso assentiu firmemente.

Claro que tem, o problema é saber o que devo fazer depois de ser dita.

- O Rei Dragão está requisitando a presença do senhor em Porto Real.

Ned engoliu em seco. Mal tinha se estabelecido, já teria que ir até lá?

Para qual finalidade?

- Sabe o porque que tenho que ir, Senhor Comandante? – perguntou-o tentando conter a agitação dentro de si, não queria ficar longe de Winterfell, de sua família... realmente não queria deixá-los nem mesmo por pouco tempo. O seu Robb estava com Cat, não iria perder a criação do seu, até então, único filho.

- A única coisa que sei é que o Rei Dragão, segundo o mesmo, pode esperar o tempo que for, mas que um dia o senhor teria que ir até Porto Real.

O Urso não parece saber de nada. Que bom.

- O Rei estipulou esse tempo de espera? – perguntou-o astutamente, não queria ficar confuso em palavras mal ditas.

- Acho melhor, se é que me permite, o senhor e o Rei trocarem cartas, Lorde Stark. Não me envolvo nos assuntos na coroa, então mostrando-se um assunto tão íntimo... retiro-me da questão, se é que me entende.

Ned assentiu com segurança.

Claro que te entendo. É o que um homem honrado faz.

(...)

- E então? – perguntou uma Catelyn agitada, segurando Robb no colo enquanto o encontrara na sala íntima, olhando para o fogo e pensando sobre muitas coisas. Tantas coisas que acontecem em tão poucos tempo... o que será que nós, Stark, fizemos para os deuses? – A carta já chegou, querido?

Observou-a por algum tempo. Ele e Rhaegar se corresponderam por algum tempo...

Cat era uma jovem linda e inteligente, mas sempre soube o que queria. Agora o que ela queria era que os Baratheon ficassem longe dos Stark. Não era para menos, Robert Baratheon resolveu visitá-los exatamente depois que o próprio Ned mandasse a carta para o Rei.

Ambos homens orgulhosos e complicados.

Que gosto que minha irmã tinha, pelos deuses!

- Leia.

Ele a entregou rapidamente, como se quisesse esquecer o conteúdo dali.

Enquanto a sua senhora lia, ele voltou a olhar para o fogo.

Fogo dos Targaryen.

Eu não posso sair de Winterfell.

Cat mordeu o lábio inferior enquanto lia a carta do Rei Dragão, demonstrando o receio que estava contido ali, naquele pequeno pedaço de pergaminho. Ao finalizar, ela dobrou a carta e devolveu-o.

- O que fará, Ned? – perguntou insegura, mas evitando a inquietação para não acordar Robb – Pelo menos o Rei disse que você tem a autorização de ser Mão aqui em Winterfell, ficando em Porto Real seis meses, ou seja, seis meses aqui e seis meses lá. Tem o direito de usar o mar como meio de transporte, o que é bem prático, partindo de Porto Branco. O que fará?

Dando de ombros, Ned se viu tentado.

Poderia ajudar um reino de uma perspectiva diferente, até porque é um Stark e tinha o sangue do herdeiro do Trono de Ferro. Poderia ajudar a sua família...

Poderia fazer tanta coisa... isso o assustava.

- O Rei pensou em tudo – comentou um pouco receoso, jogando a carta no fogo, deixando-a queimar lentamente. O fogo queima e consome... – Até mesmo no meu modo de vida familiar.

Cat assentiu firmemente.

No fundo, ela quer que eu aceite para ver se eu mude de ideia com essa promessa que fiz à Robert.

- Tem um ano para aceitar e mais dois para se adaptar à essa rotina, daí você pode tirar a conclusão do que deve fazer como Mão, querido Ned.

Ele balançou a cabeça imediatamente.

- Não te deixarei com um filho nos braços e outro na barriga, Cat.

Cat estava com três meses de gestação, não era uma gestação conturbada mas mesmo assim era impactante demais para o Lorde Stark. Ele se sentia um irresponsável por abandonar a família, isso se aceitasse a proposta. Como ela havia provado, tinha uma fertilidade exemplar... mas que proporcionava pesadelos para a mesma.

Ela sente que é uma menina.

- E se for uma filha com todas as características da Rainha Loba, Ned? – perguntou já deixando aflorar aquela ansiedade que tentava conter dentro de si. Ned entendia o sofrimento dela, que depois de conhecer melhor Robert Baratheon, ampliava a cada dia que passava. Noites sem dormir viraram comuns, principalmente depois de uma crise emocional digna de uma grávida... – Aí nem mesmo um herdeiro o seu melhor amigo terá! Quer que eu entregue a nossa filha à ele por causa de uma... uma coisa desnecessária que só serve para consolar o ego dele?!

O Lorde Stark respirou fundo, a tentação de discutir com ela era forte. Ned se sentia ofendido com o comportamento dela perante o seu melhor amigo, chamando-o de mesquinho e egocêntrico antes de dormir toda vez que ela hóspede ali. Mas como uma boa esposa, disfarçava muito bem o seu incômodo, sendo demonstrado apenas para Ned e o Meistre.

Ela vê defeitos nele até onde aquele idiota não tem.

- Robert é um homem bom, Cat...

Ela revirou os olhos impacientemente, respirando fundo para não se irritar muito.

- Um homem que apenas deseja um consolo com todas as características da Rainha Loba e EU que vou fabricar uma filha para ser entregue à ele? – raciocinou toda uma pergunta, falando rápido e deixando-o tonto em questão de segundos. Mulheres... – Não entregarei minha filha, Ned. Nem sob pena de morte.

Engolindo em seco, Ned balançou a cabeça.

Fique tranquilo...

- Estarei quebrando a minha palavra, Cat.

Sei o recurso que ela vai utilizar. Cat sabe que eu não tenho escapatória.

Mulheres.

- O Rei não aceitará este combinado, principalmente envolvendo o nome de Robert e uma Stark inocente, que nada tem a ver com o fracasso amoroso dele – não era um raciocínio, uma hipótese ou um comentário... era uma afirmação. Com certeza, uma afirmação. Afirmações são perigosas...

...mas essa era verdade.

Sendo Mão, Ned não teria como esconder a sua intimidade familiar.

- Afinal, Cat... deseja tanto que eu me torne Mão do Rei que é filho do assassino do meu pai e irmão mais velho? – perguntou seriamente, colocando seus pensamentos naquela discussão. Ele não sabia o que era pior: discutir sobre essa questão de um matrimônio forçado entre os Stark e Baratheon ou exibir a ferida ainda não cicatrizada. Mas ela conseguiu manter a sua posição, com o punho de ferro que ela tem... – Está colocando minha honra contra meus sentimentos, sabia?

Ela assentiu, não mudando a sua posição. Ned sabia que era quase impossível comovê-la.

Só acontece quando Robb está no meio.

- Desejo muitas coisas, Ned – começou firmemente, respirando fundo para não ter que titubear em nenhuma hora. Ele a conhecia muito bem, sabia que quando começava... era difícil terminar sem algum dano – Desejo que tenhamos vários filhos saudáveis e que Winterfell floresça nesta Primavera. Quero lhe dar felicidade mas primeiro quero deixar claro que se algum dia eu tiver a oportunidade de fazer com que nossa filha, caso tenhamos uma Rainha Loba em miniatura, seja protegida de Correrio... Ned, não hesitarei em mandá-la. Já que sua palavra não pode voltar, a minha contará... e muito!

Rodopiando as saias, ela deixou-o só naquele cômodo.

Suspirando, ele já não sabia o que fazer.

Parece que sinto isso desde que Lyanna resolveu ir embora com Rhaegar.

Observou o fogo novamente.

- Entre ser Mão do Rei e perder o meu melhor amigo, meu irmão... o que Bran faria em meu lugar?