Apenas O Tempo Falará...
33 Arya, Eddard e Catelyn
Notas iniciais
Estava escuro quando acordou e sua memória falhou por alguns segundos a respeito de onde estava. A lareira do aposento decorado em amarelo, como se ela fosse uma criança, estava acesa e o fogo crepitava, espalhando calor. Nunca pensou que Winterfell fosse tão quente, foi construída em cima de águas termais, comparando facilmente ao seu lar. Só de lembrar da Fortaleza Vermelha, seu coração apertava.
Suspirou exaustamente, ainda sonsa de sono e cansada da longa viagem que fizera até o Norte, Arya só percebeu que estava sendo observada quando trocou de posição na cama e abriu os olhos de leve. No susto, a lobinha berrou assustada e na tentativa de se levantar, suas pernas se enrolaram nas peles e caiu estupidamente pra trás. Os olhos verde-água era ternos mas incrivelmente invasivos que pertenciam a uma mulher ruiva vestida em azul e vermelho.
No chão, Arya escutou a mulher se levantar e ir até ela rapidamente. O coração da pequena loba se acelerava ao perceber, lentamente por causa do seu estado exausto, que a mulher ruiva não era nada mais e nada menos do que a Lady Stark, sua mãe.
– Filha, eu não quis te assustar! – exclamou a voz doce e firme pronunciar a igualmente doce palavra ‘filha’, deixando a lobinha mais nervosa. Vê-la se aproximar deu-lhe um vislumbre daquele rosto tão receptivo e carinhoso. Os olhos verde-água vibravam enquanto miravam a tímida lobinha – Fiquei de te esperar pra quebrarmos o desjejum juntas mas minha ansiedade foi mais forte e vim aqui te ver – ela vai chorar? A garganta de Arya se enrolou, fazendo um bolo desconfortável ao perceber que não estava pronta para conhecer sua mãe. Esta última se jogou nos braços da lobinha, que a abraçou de volta após alguns segundos de surpresa – Minha filhinha, não sabe quanto tempo eu sonhei com este momento! Eu perguntava para o seu pai como você é e agora tenho certeza do que ele está falando, tão linda e a cara dos Stark, de fato. É a única, ouso dizer, porque todos os seus irmãos puxaram o meu lado da família, os Tully. Bom saber que temos uma Stark tão Stark, se é que me entende.
Arya piscou algumas vezes para compreender a enxurrada de informação que a atingia, sua mãe falava rápido e bastante calorosa, talvez o suficiente para deixá-la tímida. O coração ainda batia fortemente e ela se perguntou quando, ou se, acostumaria com a perspectiva de falar a palavra ‘mãe’ diariamente. Lady Stark acariciou o seu longo e bagunçado cabelo castanho-escuro enquanto a observava imersa em sentimentos profundos e intensos, Arya praticamente sentia em seu olhar verde-água que os anos passaram devagar para aquela senhora tão bem conservada.
– Oi, mãe... – isso foi estranho – ...tudo bem?
Sua exultante mãe assentiu imediatamente, seu sorriso satisfeito era contagiante.
– Melhor impossível! – respondeu dando-lhe um beijo na testa, deixando-a vermelha como um morango maduro no auge da primavera – E como vai a minha linda filhinha?
‘Linda filhinha’.
Arya decidiu que nunca contaria sua relação com Rhaegar depois daquela reação tão intensa da Lady Stark, causaria problemas para o Rei e ela não gostaria que isso acontecesse. Lembrar disso a fez pensar em Jon, mas não perguntaria para a mãe naquele momento senão acharia que sua presença não era importante o suficiente.
Ela está muito emocional...
...e eu também, lembre-se de não mencionar Rhaegar tão cedo.
Arya sabia que aquilo seria difícil.
No momento em que abria a boca para responder, sentiu o estômago roncar.
– Com fome – respondeu em um dar de ombros seguido por um sorriso sem jeito que obviamente conquistou a ruiva.
– Chamarei as criadas para o banho e assim iremos fazer o desjejum, que tal? – ela fala como se eu fosse um bebê – Aproveite e durma mais um pouco, filhinha.
Foi neste exato momento que algo perturbou a lobinha profundamente.
Nos olhos da mãe jaziam um sentimento perigoso e que sempre deixava a pequena loba diante de circunstâncias dramáticas.
Viu sua mãe extremamente afetuosa sair do aposento rapidamente, fechando a porta olhando para a pequena loba, que sorriu timidamente. Na verdade, Arya estava sem jeito com tamanha demonstração de carinho de uma mulher que só conhecia por carta, se fosse Rhaegar seria diferente. A lobinha não sentia timidez alguma quando estava com o seu pai de criação que tinha sangue Targaryen correndo pelas veias, sendo potencialmente perigoso por motivos óbvios. Como Jon. Perguntou-se aonde ele poderia estar, até que o próprio abriu a porta do aposento silenciosamente.
Deitada na cama, ela não tomou outro susto porque escutou os seus passos apressados no corredor. Seus olhso acinzentados pareciam ser feitos de fogo, torravam a lenha assim como a lareira do cômodo fazia. Intenso, ele se aproximou da cama após fechar a porta. Antes de Arya falar qualquer coisa, ele tomou seus lábios urgentemente, abraçando-a forte e logo se posicionando entre suas pernas. Surpresa, logo estranhou toda aquela reação apressada.
Havia algo errado mas era difícil tomar a iniciativa de perguntar o que acontecia fora daqueles aposentos decorados infantilmente. Os lábios quentes aprofundavam o beijo, sua língua invadia a boca da lobinha e demarcava o seu território incontestável. As mãos do Lobo-Dragão percorreram por seu corpo, aproveitando que ela vestia roupas de dormir, e as posicionou uma no seios, apertando-o, e a outra na coxa, abrindo as pernas rapidamente.
Sem fôlego, eles se separaram e antes que Arya pudesse raciocinar, Jon a mordeu em seu delicado pescoço. Do jeito que ela gostava, sim. Fechando os olhos, a lobinha gemeu baixinho e suspirou de prazer ao sentir os lábios dele sugarem seu mamilo esquerdo. Não soube como ele retirou as roupas de dormir da lobinha tão rápido, alertando-a que aquilo estava muito mais que errado.
Está incompreensível.
– Jon, o que está acontecendo? – ela perguntou entre suspiros de prazer.
Os olhos acinzentados a miravam com um tom espantosamente determinado, e foi aí que ela se desesperou.
Ele está vestido da mesma forma que chegou.
– Fique tranquila, meu amor – mas como, seu idiota? – Nada acontecerá, apenas acordei te desejando mais que o normal. Hoje irei fazer diferente da última vez que nós transamos, te farei minha mulher querendo ou não.
Arya prendeu a respiração.
Não adiantará contestar a decisão dele, mas isso ainda o matará.
– Então faça.
(...)
– Mas você acabou de chegar, Ned! – exclamou Lady Stark incompreensivamente, para o desespero do pobre Ned. Odiava vê-la sofrendo daquela forma, era tão desnecessário para com sua senhora que o próprio ficava envergonhado com a postura que acabara adquirindo com o passar dos anos. Será se Brandon faria algo assim? – O que aconteceu que você não quer me contar, hein? Eu sei que aconteceu algo, Eddard Stark de Winterfell! Sou sua esposa, não um soldado qualquer que pode ficar sem justificativa! Vamos logo, me conte!
Ele suspirou exausto, não gostava de fazer aquilo com o garoto mas não havia como deixá-lo perto dela mais.
Tudo que ela precisa é conhecer Gendry Baratheon e esquecer Jon.
O Reino agradeceria e Ned sabia muito bem disto, como Mão do Rei era o seu dever saber.
– O Príncipe Jon não ficará aqui, tenho que acompanhá-lo até a Fortaleza Vermelha – começou lentamente, analisando a expressão aborrecido da esposa. E ela chegou tão feliz por causa da nossa filha mais nova... seu idiota... – Voltarei com a Princesa Daenerys em pouco tempo, não se preocupe com isto – ele ainda era mirado pelo olhar questionador da esposa – O Príncipe só quis entrar nas criptas e ver a mãe, não quer muito de Winterfell e agradeço imensamente a compreensão dele. É um bom rapaz, só está um pouco perdido por ter que se casar com uma Casa que nunca teve afinidade. Além de se separar da prima, que ele considera uma irmã mais nova.
Catelyn ainda o observava nada satisfeita. Estavam em seus aposentos pessoais quando ela apareceu aos pulos exibindo um sorriso que há muito ele não via naquela face linda e delicada que ele tanto ama. Muito. Sentado na cama, Ned não sabia o que fazia primeiro.
Vou imediatamente para o Sul...
...ou espero Jon descansar um pouco?
Afrontou o Príncipe o suficiente e Ned não queria fazê-lo novamente, o rapaz era filho de Rhaegar Targaryen mesmo.
– Entendo que ele tenha vindo apenas para visitar a Rainha Loba, mas você precisa mesmo ir até Porto Real? – perguntou um pouco mais amena, só um pouco... – Ele é grande o suficiente para ir até lá sem companhia alguma.
Ele analisou a esposa como se ela fosse louca.
– Os Baratheon estão loucos para vê-lo morto e fazer com que Rhaegar Targaryen entre em crise – respondeu imediatamente, por mais que Robert seja seu amigo não poderia deixar algo tão idiota ocorrer. Eles não sabem do que o Rei é capaz para proteger as crias... – Sem falar que o próprio me decapitaria caso eu abandonar o filho no Norte porque a senhora minha esposa pediu. Sabe muito mais do que eu que pisamos na corda bamba, não podemos falhar porque ainda farei algo que deixará o Rei em fúria.
– Não, Ned... – ela começou já sabendo do que se tratava — ...se você inventar de trazer aquele traste do Robert para conhecê-la, juro que eu a pego no colo e fujo para onde nem você irá saber. Posso ir até Asshai com minha filha, mas esse homem não a terá. Mesmo se resolvesse tomar esta atitude estúpida, o Rei não admitiria tal idiotice.
Lorde Stark deu de ombros.
– Ele só precisa ficar sabendo depois...
A senhora sua esposa revirou os olhos impacientemente, era nítido o desejo dela esbofeteá-lo.
Não a culpo, será se Brandon faria algo assim?
– ...e aí eu mandaria uma linda cartinha para ele dizendo o que está acontecendo aqui e até aumentaria as coisas apenas para ele vir aqui montado num dragão pra poder matar o aleijado do seu melhor amigo – completou enraivecida – Pelos Sete, Ned! Ainda acha que eu aceitarei Robert Baratheon, um gordo e aleijado, como genro?
– Não ele, Cat – respondeu em um fio de voz, de vez em quando a senhora sua esposa o assustava na determinação de proteger as crias, lembrando bastante o modo protetor que o Rei adquirira com o tempo – Gendry, aquele rapaz forte e promissor. Foi armado cavaleiro por Sor Beric Dondarrion há alguns meses, talvez seja uma ótima companhia para a nossa filha porque ele não foi criado na corte e pode ensiná-la a gostar daqui. O que acha desta ideia, minha linda esposa?
Catelyn cruzou os braços, sua expressão facial se mostrava indecisa.
– É um bastardo, Ned! – exclamou indignada – É um bom rapaz, mas é um bastardo.
Ele coçou a nuca, era o ponto fraco da questão.
– Um bastardo legitimado, o que deixa essa questão de lado já que a feiticeira de Asshai não consegue dar um filho para Stannis e assim o torna como o único herdeiro da Casa Baratheon – explicou melhor, queria que ela entendesse, comprendesse e por fim, aceitasse – Gendry é determinado, sei que gostará da selvageria da nossa filha mais nova assim colocar seus olhos azul-claro nela.
A intenção do Lorde Stark era deixar a senhora sua esposa feliz mas... parecia com o dom de deixá-la enraivecida a cada palavra pronunciada.
– ‘Selvageria’, Ned?
Lá vamos nós de novo...
(...)
Catelyn se sentou para o desjejum, não estava tão bem-humorada quanto antes porque o seu amado marido resolveu colocar na cabeça duas idiotices: ir com o Príncipe até Porto Real e só voltar carregando outra Targaryen a tiracolo, e ainda prosseguir com o plano de casá-la com um Baratheon. Pensou se o próprio Robert sabia daquele combinado, provavelmente feito com Stannis e a mulher vermelha de Asshai.
Será um milagre se Ned voltar com cabeça de Porto Real.
– Não parece bem, mamãe – Robb chegou junto de Bran e Rickon pare o desjejum, finalmente iriam fazer uma refeição com a família toda junta, o sonho da pobre Catelyn. Carregado por Hodor, ainda ver Bran naquele estado fazia o coraçãozinho da Lady Stark apertar – Já foi conhecer nossa irmã?
Ela assentiu levemente, sabia que não deveria contar aos filhos que o Príncipe não ficaria em Winterfell. Eles pensarão que há algo contra nós. Logo irão questionar sobre o pai e aí Catelyn não teria outra saída a não ser contar como se fosse algo normal.
Seus filhos se sentaram na mesa com os olhos recheados de expectativas, queriam conhecer a irmã criada pelo Rei, justo o poderoso Rhaegar Targaryen. Uma curiosidade saudável que até mesmo ela tinha, não era comum aquele tipo de acordo. Quando a viu dormindo tranquilamente pensou o quanto se pareceu com Lyanna Stark, tirando daí a preocupação de Ned a respeito da proximidade do Rei com a linda lobinha. De fato, Arya era a cópia da jovem Lyanna, a mulher que dividira todo um reino e acabou com Casas inteiras.
Uma mulher é um perigo.
A Patrulha da Noite entende das coisas.
Sansa apareceu no grande aposento usando um vestido nortenho violeta, combinando perfeita com a cor vermelha do seu cabelo e o próprio penteado impecável. Ela queria causar uma boa impressão na irmã mais nova por muitos motivos, por mais inocente que Sansa era... ainda tem suas intenções escondidas. Conhecia a filha mais velha o suficiente para saber que queria algo da corte, achando que ali teria todo o glamour que ela sentia falta no Norte. A ruivinha se sentou de frente pra Robb, deixariam a ponta da mesa para Arya porque todos queriam conhecê-la logo de cara.
– Parece animada, Sansa – comentou Catelyn incentivando o bom humor da filha, praticamente rezando para que o seu próprio melhorasse por causa disto – Colocou seu melhor vestido para conhecer sua irmã.
Ela deu de ombros, aprontando os seus talheres para parecer uma linda lady impecável ao comer.
Com quem eu posso casá-la aqui no Norte que não seja um brutamontes?
– Fiquei sabendo que já a conheceu, mamãe – comentou Bran animado assim como Sansa estava, para a felicidade da mãe, que sabia o custo que era para o seu menininho dar um sorriso.
Ela ergueu uma sobrancelha.
– Vejo que todos esses criados são uns fofoqueiros – comentou finalmente sorrindo ao vê-lo sorrir abertamente, dessa forma todos os seus receios dissiparam no ar – Mas sim, eu fui até o quarto dela e pude ver com meus próprios olhos Tully que ela é, de fato, a cópia da Rainha Loba.
Foi aí que Sansa demonstrou mais animação, a mesm era apaixonada com a história de amor de Lyanna e Rhaegar.
Não destruirei as doces ilusões da minha filha ao falar quantos milhares que morreram nesse meio tempo de guerra.
– Os olhos afiados como garras? – perguntou Rickon infantilmente, era isso que falavam no Norte quando o assunto era a irmã do senhor seu esposo.
Catelyn sorriu de lado, não poderia mentir aquilo.
– Como uma loba, sim – respondeu pensativa, mas finalmente feliz – Arya levou um susto tão grande quando acordou e me viu que caiu da cama.
Todos eles riram da situação, estavam leves e curiosos... mas só Lady Stark sabia o que a perturbou profundamente em sua filha mais nova. Arya nunca seria uma Sansa, disso ela tinha certeza ao ver que o corpo da filha era treinado e algumas cicatrizes de treino com lâminas eram visíveis. O longo cabelo possuía um ar sedutor e os olhos desafiavam qualquer um que chegasse perto, então foi assim que ela conheceu a filha.
Perguntou-se a respeito de como os homens a encaravam em Porto Real e se algum dia ela matou algum homem. Catelyn tinha receio de descobrir a verdade, portanto nunca perguntou a Ned o que Arya realmente fazia naquele tempo no Sul.
Além de montar em um dragão viajar pelo mundo, é claro.
Todos eles conversaram por mais algum tempo enquanto os criados começavam a servir os pratos do dia, começando por uma travessa de peixes fritos na manteiga, recheados de figos, uvas e ameixas secas. Foi providenciado exclusivamente para Arya, que adorava essas esquisitices de Bravos e assim, como uma mãe atenciosa, providenciou mais que depressa. Seus filhos analisaram o prato com curiosidade, nunca provaram algo tão exótico assim.
– Isso morde? – perguntou Robb fazendo graça, o que deu certo – Quero dizer, olhe esse peixe!
– É gigante, nem parece um – comentou Sansa rindo do comentário do irmão mais velho – O que é isso dentro desses peixes?
– Figos, uvas e ameixas secas – respondeu a criada que colocava a porção para Bran, que não tinha como colocar impulso nas pernas para se servir – É um peixe que só é encontrado no Mar Estreito, meu senhor.
Catelyn assentiu.
– Foi muito difícil achar alguém que tivesse a disposição de pescá-lo e mandá-lo pra mim – falou sorrindo, foi uma sorte tremenda encontrar Sor Davos, um homem gentil que há alguns anos foi um ladrão de especiarias. Infelizmente, o homem tinha o péssimo gosto ao servir Stannis Baratheon – Sor Davos fez esse favor.
Antes de seus filhos perguntarem como o homem conseguiu fazer aquilo em tão pouco tempo, alguns passos foram escutados do corredor e assim todos ficaram em silêncio. Podia-se sentir a tensão no ar enquanto o barulho dos sapatos desciam a escada calmamente. Catelyn passou os olhos por seus filhos, ficando feliz que a sua linda lobinha seria recepcionada exatamente da forma que planejou.
Ao vê-la adentrando o aposento, Lady Stark sentiu o coração apertar.
Arya Stark não vestia as cores de sua Casa, muito menos parecidas com ela. Parece que não quis deixar suas raízes de Porto Real ao se vestir para refeição em Winterfell, fazendo com que a mãe se sentisse angustiada por muitos... acessórios e enfeites.
O longo vestido negro sulista tinha uma cauda considerável, se arrastando pelo chão enquanto ela andava. Possuía bordados pela gola, mangas e saias feitos em rubi, desenhando um dragão nitidamente. Este exibia olhos de ouro próximos aos seus seios, estes quase desnudos em um decote escandaloso, exibindo todo o seu busto e clavículas. Arya sustentava aquele vestido aparentemente pesado como se fosse uma fina túnida de dormir, tão graciosa quanto afiada.
Os olhos de sua não tão doce filha não eram de uma menina, mas sim de uma pessoa que conhecia o que estava fazendo, tendo toda a noção do quanto aquele momento era importante. Ela não sorria, analisava a todos enquanto andava até a mesa e o brilho acinzentado em seus olhos eram afiados, perigosos, lógicos e bem treinados.
Linda, sedutora e ameaçadora, era a Arya que ninguém estava esperando.
Uma espada longa e fina com o cabo incrustados rubis e esmeraldas num formato de lobo pendia em sua cintura elegantemente, dando a impressão de que não era apenas de enfeite. Catelyn agora tinha certeza que sua filhinha já havia matado alguém, ou melhor, muitas pessoas.
Era Lyanna Stark, mas esta treinada por dragões e agora era possível perceber o grande receio que Ned possuía em relação sua filha mais nova.
Selvagem, Ned.
O longo cabelo castanho-escuro estava solto, mas uma tiara em ouro e esmeraldas pendia no topo de sua cabeça, vários fios de ouro escorriam entre os fios de seu cabelo escuro. Intimidante, agora Catelyn compreendia que Rhaegar fez da sua lobinha a...
...sua Rainha.
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