Notas iniciais
Oi, gente! Finalmente saiu a one-shot Mike x Sam, cadê os shippers?? ♥
Espero que gostem, seus lindos!!

O helicóptero desceu até nós. A grande cabana em chamas tinha uma visão monstruosa, porém fantástica. A luz alaranjada que vinha de lá quase me cegava, o cheiro forte de madeira queimada e fumaça me fazia tossir e sentir uma forte dor de cabeça. E aquele calor vindo das labaredas me aquecia de uma forma que eu preferia nunca ser aquecida. De qualquer forma, era um lugar onde eu jamais voltaria. E daria tudo pra esquecer que estive lá. Não só a cabana. A montanha inteira. As minas ocultas lá embaixo. O penhasco. O sanatório. Tudo relacionado com aquele lugar. Eu daria tudo pra continuar minha vida como se aquilo nunca tivesse acontecido. Egoísta? Talvez. Mas é meu direito não querer sofrer com lembranças.

Eu estive ali dentro, ele me pediu pra não mexer um músculo, senão ambos estaríamos mortos. E aqui estamos nós dois. Só nós dois. Eu ainda não acredito que eles foram capazes de fazer aquilo com a Hannah. Se eu estivesse lá minutos antes... nada disso teria acontecido. Todos estaríamos vivendo felizes para sempre e voltaríamos lá de novo no ano que vem pra nos divertir, como sempre foi. Mas o que é diversão agora? Eu só consigo lamentar pelos pais deles... Perder três filhos não é fácil. Ainda mais do jeito como tudo aconteceu. Isso é doentio.

Subimos no helicóptero. Ele me disse uma vez que tinha medo de altura, mas como alguém consegue ficar com medo diante de uma situação dessas? Senti que ele queria me abraçar enquanto saíamos daquele lugar maldito. E essa também era a única coisa que eu queria. Não que me sentisse atraída especificamente por ele. Eu apenas... estava vulnerável. E ele também. Unidos pelas perdas. Unidos pela solidão. Unidos pelas visões horríveis que tivemos lá embaixo. Unidos pelo medo. Pela vida que nos restou depois de todos que se foram.

Nós dois compartilhamos momentos que jamais contaríamos para qualquer pessoa. Ele me salvou quando estive presa. Eu fui a primeira a ver o estado deplorável em que ele se encontrava. E idiotamente falei que ele "parecia a visão do inferno". E não foi uma vez só. Ele me viu só de toalha. Ele me viu presa, humilhada. E mesmo assim soube me respeitar. E olha que "respeito" nunca foi muito o estilo dele.

Sentamo-nos lado a lado no helicóptero enquanto duas pessoas tentavam fazer exames médicos breves e desesperados, como medir nossa pressão, ver nossos machucados pelo corpo, medir nossa temperatura. Eu apenas conseguia falar irritada "Estou bem! Estou bem!" e ele nem isso conseguia. Apenas o observei calado, olhando para o além, enquanto uma pessoa mexia com ele como se fosse um rato de laboratório. Seu olhar parecia de puro desespero, embora sua postura indicasse choque. De qualquer forma, dos males pelos quais passamos esse era o menor. Ou sequer chegava a ser um mal.

Depois que terminaram aquela triagem insana, sentaram-se de frente para nós. Tentaram fazer algumas perguntas mas recusei-me a responder. E ele parecia sequer ouvir. Pedi um tempo à sós com ele. Respeitaram meu apelo, finalmente, e saíram pela minúscula porta, indo à cabine de pilotagem. Olhei para ele e ele estava estático, atônito. Como se seu cérebro estivesse recebendo tantos flashes e informações que isso o paralisou por fora, como um computador ruim que está cheio de abas e programas abertos e simplesmente trava de repente.

Aproximei lentamente minha mão da mão dele e entrelacei meus dedos com os dele, olhando para frente, querendo que nossa conexão fosse meramente física e não emocional. Eu sentia uma profunda compaixão por ele, um sentimento de ligação, cumplicidade. Passamos por coisas que só nós sabíamos e sobrevivemos perdas que só nós entendíamos. Ele, talvez, mais do que eu. A mão dele estava gelada e a minha estava quente demais. Era como se ele estivesse desligado e eu estivesse a todo vapor.

Depois de algum tempo, que eu sequer consegui contar, finalmente pousamos e fomos levados à delegacia, onde quiseram nos entrevistar sobre o ocorrido. Foi difícil tirá-lo do helicóptero, então eu o segurei, permitindo-o que se apoiasse em mim e o levei para fora. Ficamos frente a frente. Ele ainda estava nervoso. Eu passei a mão pelo rosto dele e disse suavemente "Mike. Mikey, acorde, por favor.". Depois de alguns segundos ele chacoalhou a cabeça e gritou "Jess?!" e me viu, ficando levemente desapontado. Mesmo assim, sua reação mais instintiva foi me abraçar fortemente e chorar. Eu pude sentir suas lágrimas quentes em meu ombro e senti algo inédito com aquele abraço. Um tipo de conexão... mais forte que aquela que eu tinha — ou pensava ter — com Josh.

Mike me soltou e perguntou se alguém mais havia sobrevivido, e eu infelizmente tive que dizer a dura realidade, seguida de um "vai ficar tudo bem.". Ele me fitou com os olhos arregalados e por fim disse: "Me prometa que nunca vai sair de perto de mim. Por eles. Agora somos apenas nós."

Eu retribuí o abraço, pressionando minhas unhas azuis descascadas contra seu casaco. Pus-me a chorar também. A única coisa que consegui dizer naquele enorme heliporto foi: "Apenas nós..."

Notas finais
E aí?? O que acharam??
Não esqueçam de comentar ♥
Beijinhos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!