Apenas Meu.

13 Voltando no tempo.


Notas iniciais
Achei bem preciso o nome! Espero que curtam! Leiam com uma música paradinha *-*
Boa leitura! ♥
PS.: Muito obrigada pelas duas recomendações novas! Isso é tão importante pra mim!

A caixa chegou pela manhã, logo depois que acordei e andava pelo apartamento vazio de camiseta e mini short, um copo de suco de laranja pendia em minha mão.

Abri a porta e algum funcionário do edifício me passou a caixa, avisando-me que já havia assinado o termo de entrega. Agradeci, estarrecida pela caixa.

Abri e encontrei as peças para o almoço e um cartão dourado com a caligrafia de Kate.

“Um presentinho básico.” Era o que dizia.

Sorri e retirei as peças de tecido brilhoso, mas apropriado para o almoço da tarde de hoje. Tentaria me arrumar sozinha e conforme Christian me avisou rapidamente, ele mesmo viria me buscar com um de seus carros.

Fechei a caixa novamente e a levei até o quarto que compartilhava com Cary, deixa-a sobre a cama. Notando que a hora tinha corrido e que se não começasse a realmente me ajeitar, ficaria atrasada.

Após tomar um banho relaxante e secar meus cabelos, vesti minhas roupas íntimas e coloquei a camiseta branca simples primeiro. Puxando da caixa o blazer e passando-o pelos ombros, o tom azul-bebê entrava em contraste com meus olhos verdes e fios negros. Vesti a saia levemente rodada, parando com seu cumprimento na altura da metade das coxas, e deixando-a em cintura alta.

Coloquei os scarpins brancos e baixos, e passei pouca maquiagem. Dando mais valor a cílios e lábios. Nunca me senti tão confortável em uma roupa como me senti naquela. Seu tecido acariciando minha pele suavemente e um sorriso transbordando de meus lábios pelo evento em que iria com Christian, tudo era tão bom. Ter sua amizade de volta, como sempre fora e devera ser. A porta se abriu abruptamente e Cary me pegou no flagra, enquanto eu sorria abertamente. As maçãs do rosto erguidas e os olhos repuxados. Me virei e tentei guardar o sorriso, mas ele já tinha notado e sorriu de volta.

Cary revirou os olhos de maneira brincalhona.

– Meu Deus, é tarde demais. – Sorriu olhando-me nos olhos. – Você já vai conhecer a família dele.

– Para com isso. – Eu tentava controlar o sorriso e o rubor no rosto, mas não conseguia. Não sabia explicar que estava ocorrendo de certa forma comigo. Era como se as coisas tivessem voltado aos eixos.

Seus olhos desceram por meu corpo e subiram para os meus olhos. Ele engoliu em seco e uma coloração vermelha se aprofundou em seu olhar.

– Posso te contar uma coisa? – Ele indagou, sua voz não estava embargada, mas escutei a mesma oscilando ao final da frase. Meneei com a cabeça, inerte por sua reação repentina. – Ele mudou muito você. Eu queria te afastar dele no início e pensei que conseguiria, mas não consegui... Graças a Deus. – Ele engoliu em seco e prensou os olhos. – Ele melhorou com você e te melhorou, de todas as formas possíveis.

Acenei com a cabeça, me impedindo de chorar naquele momento. Nós sabíamos minha síndrome. Meu passado nebuloso. Meus medos. Meus segredos. Minhas paranoias e sabíamos que eu não me abriria facilmente para uma pessoa que surgisse repentinamente em minha vida e ele também sabe, que se isso ocorrer um dia, ele e Kate serão os primeiros a saber.

Antes que eu pudesse responder, meu celular começou a tocar sobre a cama e a típica foto de Christian surgiu para colocar um sorriso em meus lábios.

“Estou aqui em baixo. Não me faça levantar.” Era uma sms, séria e curta. Sorri.

Estendi o celular diante do rosto de Cary.

– Acho que ele quer que eu desça rápido. – Dei de ombros, sorrindo.

– Vai lá, docinho. – Cary deu uma piscadela. – Nos encontramos depois.

Ele se aproximou e pressionou seus lábios cálidos contra minha testa.

Mesmo quando cheguei ao carro, com a carteira em mãos e conseguindo me equilibrar sobre os saltos, ainda sentia o beijinho delicado de Cary.

Christian estava do lado de fora do carro. Uma calça jeans escura, com costura reta, cinto escuro, com uma camisa clara por dentro do jeans. Sapatos sedosos e cabelos bem modelados, penteados com fervor e postos em ordem sobre a cabeça.

Seus olhos abandonaram o visor do celular e me encararam durante alguns instantes. Ele ficou mudo, incerto, remexendo-se desconfortavelmente sobre os pés. Seus olhos me queimaram dos pés, ao meu olhar. Sorri.

Ele se recuperou, remexendo um pouco a cabeça. – Está linda, princesa.

Me aproximei, ainda sorrindo. Ele abaixou seu rosto e apoiei minha mão em seu peito. Semicerrei os olhos com suas mãos em minha cintura. Seus dedos pressionando minha pele com força, e seu rosto desceu pelo meu, ele passou o nariz por minha testa e desceu pela lateral de meu rosto, passando a ponta gélida do mesmo atrás da minha orelha, por fim, para terminar o percurso, ele esquentou minha bochecha com seus lábios úmidos e quentes. Me afastei e sorri.

– Vamos. – Assenti.

Entramos em um dos Audi’s de Christian e este deu partida. Acelerando dentre os carros, pressionou alguns botões do volante e uma música suave saiu por caixas laterais. Me senti ainda mais confortável que antes.

– É longe? – Indaguei, olhando-o de relance. Vendo os músculos dos seus antebraços se distorcerem segurando o volante com firmeza.

– Um pouco. – Meneou sem tirar os olhos da estrada.

Tirei meus sapatos louboutin e cruzei as pernas no banco. Só então ele olhou de soslaio e sorriu, balançando um pouco a cabeça.

Olhei para toda minha roupa e até para minhas pernas, de repente, nunca se sabe.

– O que foi? – Indaguei, enrugando as sobrancelhas e me virando para fita-lo.

Christian demorou um pouco para responder, segurando o sorriso entre seus lábios carnudos.

– Está parecendo àquelas menininhas quando voltam da escola e estão cansadas, sabe? Tiram os tênis e curvam as pernas o máximo possível. – Seu sorriso se iluminou mais e me virei no banco para fita-lo, sorrindo junto. – Minha irmã costumava fazer isso. Meu pai adorava, dizia que aquele era um jeito de ela mostrar que estava à vontade. Depois do que ocorreu, ela nunca mais fez. – Ele deu de ombros e sua voz se embargou um pouco.

Sorri. Eu queria dizer algo. Queria dizer que entendia e que Cary também entendia. Que se meu pai se encontrasse com ele e soubesse de todo o ocorrido, contaria tudo para o Sr. Maddox. Diria que também passou por aquilo, mas não para desabafar, de forma a questionar o fato de não ter ninguém com quem conversar. Mas pelo fato de solidariedade, de demonstrar que o Sr. Maddox não é o único no Mundo a passar por aquilo. Segurei o choro um pouco e estendi as pernas para o colo de Christian, tomando cuidado para não tocar em nada que não devia.

Ele me olhou de soslaio, e mexi as pernas, cruzando-as.

– Eu fazia assim com meu pai. – Sorri, também contando uma história. – Ele tinha dezenas de seguranças para me buscar na escola, mas sempre abandonava o que quer que fosse para me buscar. Ele nunca se atrasou, e sempre quando voltávamos, era aquele horário de ruas cheias, o caminho era longo e eu acabava dormindo assim.

Christian sorriu mais abertamente e o leve avermelhado de seus olhos sumiu. Suspirei aliviada. E sua mão livre desceu para minha perna, acariciando-a de leve, indo e vindo, esquentando-a. Me mostrando que nem tudo é como acho que é. Que Deus tem planos estranhos para nós.

Deus tira para te dar. E Deus não tira por maldade, Ele tira porque aquilo de alguma forma não fará bem a você. Foi assim que Deus fez comigo. Ele me tirou muitas coisas, para me entregar uma tarefa e um ponto de paz em apenas um garoto, no meu Christian. No meu menino de olhos brilhantes e pele macia.

Eu só não entendia a parte da missão. Deveria eu optar por minha felicidade? Optando pelo fato de abandonar meus ideais e ser egoísta de certa forma. Ou optar pela felicidade e bem dele? Eu sempre iria querer o bem dele. Nas rezas antes de dormir, nas preces desesperadas e nos desejos obscuros da minha mente.

Ele continuou fitando a estrada. Enquanto eu pensava em uma forma de me manter próxima, mas ao mesmo tempo distante do precipício em que eu estava prestes a me entregar.

Antes de realmente chegar diante da casa dos pais de Christian, pude notar que minha mãe e Kate ficariam exasperadas. Vários carros estavam estacionados ao lado de fora, sem contar alguns que estavam sob uma tenda montada justamente para isso. Tinha dois homens de terno nas proximidades de cada carro. Calcei meus louboutin, abandonando o calor das pernas de Christian e notei o exagero na decoração primaveril. Flores emergiam de vários pontos da mansão gigantesca. Não havia como destacar seu tamanho em metro quadrado, com tanta área descampada e anexos espalhados. Dava para ouvir gritinhos de crianças que passavam correndo de um lado para o outro. Seus pais preocupados, procurando-os e emitindo tranquilidade ao vê-los por ali. Quando estacionamos o carro um senhor com a careca refletindo a luz do sol, se aproximou do carro e abriu a porta para mim, estendendo sua mão em seguida, me apoiei na mesma para descer.

– Boa tarde, Srtª Steele. – Enruguei as sobrancelhas, olhando diretamente para seus olhos meigos.

Christian surgiu de algum ponto e enlaçou minha cintura.

– Fica de olho nele pra mim, Taylor? – Ele indagou, jogando o molho de chaves de carro no ar.

Taylor as pegou sem tirar os olhos dos meus.

– É claro, senhor.

Taylor saiu em direção ao carro e Christian me puxou delicadamente. Ele cumprimentava todos que passavam, ou meneava com a cabeça, demonstrando que havia visto a pessoa. Bela escolha da roupa de Kate para mim, pensei repentinamente. Todas estavam com vestidos em cores de flores. Como laranja ou vermelha. Na verdade, aquelas eram as cores mais vistas. Os dedos de Christian desceram em chamas por meu braço e ele enlaçou seus dedos aos meus.

Prensei meus dedos aos seus. Passamos diretamente pelo homem que estava com uma lista gorda e ladeamos a mansão. As paredes de vidro estavam cobertas por cortinas fechadas pelo lado de dentro. Chegamos a lateral onde continha várias tendas grandes com algumas mesas sob as sombras que as mesmas emitiam dentre o jardim. Arbustos com botões de flores vermelhas foram espalhados aqui e ali, causando um impacto refrescante com todo aquele calor.

Continuava olhando para as mesas bem dispostas e distanciadas sob as tendas. Algumas mulheres e homens passavam por nós com bandejas cheias de sucos ou champanhe espumando, escorrendo filetes de água pela taça. Tudo estava muito requintado assim como a decoração rosa-claro. Sorri, com o bom gosto e em como tudo aquilo me fez sentir em paz.

Repentinamente os olhos verdes de Kate surgiram diante de mim, ela estava suando, bastante. Seus olhos pareciam nervosos, olhando de um lado para o outro.

– Ah, graças a Deus. – Ela suspirou, apoiando uma mão no meu ombro e respirando fundo.

Graças a Deus? Como assim? Não entendi direito e perguntaria se tivesse espaço para tal.

– Houve algo, Kate? – O tom seco de Christian se transpassou por meus pensamentos, fazendo a pergunta que minha garganta não me deixava fazer.

– Rachel estava procurando por Ava. – Ela deu de ombros, disfarçando o leve rubor em suas bochechas causado pelo calor.

Além de tudo, os cachos soltos de Kate continuavam firmes, assim como seu rímel e gloss. E seu vestido se evidenciava dos das outras mulheres. Um corpete justo, tomara-que-caia. E uma saia leve e longa, com flores de vários tons espalhando-se, na ponta da saia tinha flores bordadas, combinando com os tons das estampadas ao longo da saia.

– E minha mãe está procurando por você. – Christian deu de ombros, me puxando pelos ladeamentos dentre as cadeiras.

Tudo bem, devo admitir que meu coração oscilou com a vociferação das palavras. Ele falou de forma tão descomplicada, sem se preocupar com o que aquilo daria. Mas, minha mãe já estava por aqui e se bem conheço ela, a mesma estaria lá, na cola dos pais de Christian, agradecendo pelo filho ter pago minha estadia no hospital. Kate seguiu ao nosso lado, ainda olhando em todas as direções.

Chegamos a uma fileira de três pessoas. Uma garota morena de olhos arrebatadores no meio, uma mulher de forma protetora a sua esquerda e um homem, com aparência jovem a sua direita.

Minha mãe, em frente ao trio, se virou em nossa direção. Mudou sua carteira de mão e colocou-a sob a axila, em um gesto típico. Um vestido simples e bege cobria seu corpo em modelagem justa e um coque realçava a pele de seu pescoço. Ela sorriu para mim, com uma piscadela em seguida e lhe devolvi o gesto.

Christian se soltou de mim momentaneamente e comecei a reconhecer os traços daquela garota no meio do casal. Seus cabelos castanhos bem escuros e sedosos, seu comprimento na altura dos ombros e uma franja na lateral do rosto. Seus olhos azuis me fitaram dos pés a cabeça, emitindo algum tipo de reconhecimento, logo em seguida ela olhou para Christian e deu uma piscadela. Ela estava com um vestido sem alças, azul-escuro e esvoaçante, voando com a brisa ao redor de suas pernas levemente torneadas. Sua estatura era daquelas garotas que merecem um par alto, por ser pequeno e demonstrar uma fragilidade, como se sua pele pudesse se quebrar em qualquer instante. Seus traços eram delicados, principalmente os da boca e nariz. Seu sorriso era bonito, daquele que não se encontra em muitas mulheres e vi os mesmo traços, menos joviais, no da mulher ao seu lado, provavelmente sua mãe.

O homem ao lado delas deu um passo a diante e minha mãe deu um para o lado, abrindo espaço para sua passagem.

– Você deve ser a famosa Ava Steele. – Me cumprimentou de forma a indagar quem estava falando de mim para ele.

Sorri e apertei sua mão estendida, sentindo o mesmo toque de Christian, mas com mais brutalidade.

Christian agora mexia nos cabelos da irmã e a abraçava enquanto ambos riam sobre algum segredo compartilhado em sussurros. Sua mãe olhava a cena admirada e logo ficou embasbacada por estar envolvida no abraço e risinhos cúmplices.

Voltei minha atenção ao homem diante de mim. – Olá, Sr. Maddox.

– Deixe as formalidades de lado querida. – A mãe de Christian abanou a mão diante de meu rosto, como se espantasse algo, estalando a língua com os dentes. Sorri e meneei com a cabeça.

– Já conhecemos sua encantadora mãe, a propósito. – Pai de Christian salientou. – Ela falou muito bem de você, se igualando com os comentários de Christian.

Senti Christian ficar tenso ao meu redor, enquanto seu braço direito – musculoso demais – rodeava minha cintura de forma protetora.

– Mas o que é isso, pai? – Ele indagou de forma risonha, tentando disfarçar seu nervosismo evidente pelo remexido de seus dedos pontudos em minha cintura.

Sorri olhando para a situação que me confortou.

A irmã de Christian, Mia, deu alguns passos adiante pedindo licença de forma abrupta.

– Sua mãe adora falar de negócios. – Ela revirou os olhos. – Deve ser por isso que seus pais se apaixonaram. – Comentou.

Soltei um riso nervoso, me sentindo a vontade com seus comentários e me sentindo muito amiga dela. Sentindo que nós combinávamos de certa forma, sentindo que já era para termos sido apresentadas. Como Christian nunca a levou conosco para sair? Uma ideia se apossou de meus pensamentos.

– Na verdade, eles se conheceram na faculdade. – Comecei uma história antiga de meus pais, Christian se aproximou mais, tentando escutar e Kate se manteve imóvel e sabia que se eu esquecesse qualquer ponto, ela o relembraria para mim.

– Ah! – Mia se animou e até ergueu os ombros, sorridente. – Adoro histórias românticas. Termina de me contar próximo à piscina? – Ela indagou, estendendo uma mão em minha direção.

Olhei para sua palma estendida e a toquei com a minha, um choque se formou ali, como se nossas histórias se unissem ao toque. Ela me puxou, mas notou Christian no nosso encalço e parou repentinamente.

– Saia. – Ela o espantou com a mão, igualando o mesmo gesto de sua mãe.

– É Christian, chegou a hora de cumprimentar os convidados ao evento que você nunca veio. – Kate deu de ombros, agindo de forma normal.

Ele me olhou de soslaio, ignorando os comentários das meninas.

– Pode ir lá. – Dei uma piscadela.

Ele pareceu suavizar as feições do rosto e me soltou, depositando um beijo bem no centro da minha testa, deu as costas e saiu andando, atraindo os olhares de todas as mulheres.

Continuamos a andar.

– Vamos, continue a história. – Mia tocou seu ombro com o meu, em um gesto íntimo.

– Eles se conheceram na faculdade...

– Você já mencionou esta parte. – Mia realçou e sua risada acompanhou a de Kate.

– Começaram a namorar e seus pais gostaram de todo aquele conhecimento. Minha mãe nunca encontrou ninguém que desse valor aos sonhos dela. Que a apoiasse e meu pai era da mesma forma. Ambos queriam mais, mas também queriam alguém em quem se apoiar no final do dia. Sempre chego à conclusão de que eles tinham de ir para aquela faculdade, mesmo sem completar o curso. – Suspirei, relembrando das vezes em que minha mãe usava estas mesmas palavras, com este mesmo olhar.

– Uau! Que fofinho. – Mia comentou. – A história de meus pais não foi bem assim, sinto que eles realmente se apaixonaram depois de casados. Mas vou dar ao Christian este direito de contar a história de ambos.

Soltei um risinho.

– Elliot ainda não chegou, Kate? – Ela indagou se virando momentaneamente para Kate, enquanto nos sentávamos em uma mesa com apenas três cadeiras próxima à piscina – bastante grande por sinal.

– Não, ele disse que resolveria umas coisas na cidade antes de vir pra cá. – Kate deu de ombros enquanto mexia com impaciência em suas cutículas. O detalhe mais importante era que não havia cutículas para serem cutucadas por suas unhas bem-feitas.

Olhei ao redor, acompanhando seus olhos aflitos.

– Corinne ainda não foi embora, Kate. Se essa é sua dúvida. – Mia respondeu aos devaneios de Kate, deu para notar por como as costas de Kate ficaram rígidas se erguendo de tal forma a levantar seus bustos.

Kate olhou com os olhos bem abertos para as feições delicadas de Mia.

– Sei que é por ela que está procurando. Gente, Christian não gosta dela, nem um pouco para ser sincera. – Mia deu de ombros.

– Você não precisava dizer que ela estava aqui. – Kate se aproximou de nós, sussurrando.

– Está escondendo algo de alguém? – Indaguei arqueando as sobrancelhas.

Suas costas ficaram eretas.

– Claro que não. – Me olhou com espanto.

– Mas parece. – Mia completou meus pensamentos.

– Porque não queria que eu a visse? – Indaguei, desencostando minhas costas do encosto da cadeira.

Kate estava suando, um sinal de que estava escondendo algo. E não havia tanto motivo para esconder o fato de que Corinne estava lá. Para ser sincera, ela me contaria e me faria rir da garota. Havia algo mais.

– É algo referente ao acompanhante dela. – Mia deu de ombros.

Até a garota sabia mais de fatos do que eu.

– Christian está acompanhando ela também? – Indaguei incrédula.

– Não! Nunca deixria meu irmão fazer algo de tão baixo calão. – Mia respondeu, revirando os olhos nas órbitas.

Me irritei e um ponto do meu sangue ferveu de certa forma.

– Então. O. Que. Está. Acontecendo? – Indaguei pausadamente.

– Não está acontecendo nada! – Kate respondeu com um tom agudo, agitando meus tímpanos.

Abri os lábios para responder, mas alguém chegou. Cary sorria para nós.

– Oi, docinho. – Ele cumprimentou com uma piscadela.

Mia me chutou sob a mesa, olhei em sua direção e ela sorria descaradamente. Ah minha nossa. Não acredito nisso.

– Onde está sua acompanhante? – Indaguei, olhando ao redor.

– Achou algo interessante na mesa self-service. – Deu de ombros.

Só então consegui esquecer o peso nos ombros e dei risada.

Até Kate pareceu mais relaxada. Mas eu ainda não havia esquecido de todo o assunto. Cary estendeu a mão para mim.

– Venha, vamos dar uma volta comigo. Saia do meio dessas garotinhas. – O sol iluminava o espaço dentre seus fios, passando pelo espaço dos seus braços levemente abertos, me esperando.

Me levantei nos calcanhares e atei meu braço ao dele.

Kate suspirou e fechou os olhos por alguns instantes.

Cary começou a caminhar, enquanto seus dedos acariciavam minha mão atada por seu braço.

– Achou a irmã de Christian muito... espontânea? – Ele indagou, olhando-me e soslaio.

– Gostei dela. Traz até certa tranquilidade. – Respondi.

– Tomara que não seja como a tranquilidade que Kate demonstra, docinho. – Ele balançou a cabeça um pouco.

– Vocês se amam. – Toquei meu ombro em seu braço, empurrando-o um pouco.

Relembrei da cena de desespero de Kate. Enruguei os lábios.

– Kate esta esquisita. – Pensei, e suspirei.

– Também acho. O cabelo dela estava um pouco desgrenhado. – Rimos juntos.

Me desvirtuei das risadas e depois de um suspiro, decidi falar:

– Não. Sabe que nos conhecemos muito. – Realcei. – Ela está me escondendo algo. Referente à Corinne, ao menos.

– Talvez ela e Christian tenham voltado. – Cary deu de ombros.

Estávamos serpenteando dentre as mesas. Alguns fotógrafos ao longe, tiravam fotos nossa discretamente.

– Não acho que tenha ocorrido isso. – Pensei. – Mas também não faço a mínima ideia do que possa ser. – Dei de ombros, suspirando frustrada.

Tentei buscar qualquer coisa, qualquer imagem fugida do que eu tenha visto esta noite. Tentando investigar de qualquer forma o que realmente poderia estar acontecendo. Somente Kate estava estranha, talvez minha mãe, mas se estava, conseguiu disfarçar muito bem. Nem Cary estava estranho.

Cary encontrou uma mesa vaga, e uma garçonete se aproximou e enfartou nossa mesa com comes e bebes. Comecei a beliscar algumas coisas.

– Pensando melhor, ela nem me cumprimentou direito. – Ele pensou, também beliscando um dos pães doces de uma cesta bege, com alças de laço em seda.

– É, também...

Minha fala foi interrompida pelo som do meu celular, o toque indicava que era um número estranho. Tirei o mesmo com um pouco de atrapalhação da bolsinha e atendi a ligação, erguendo um dedo para Cary, pedindo para o mesmo esperar.

– Alô. – Atendi, ainda sorrindo por estar imersa por tranquilidade.

Meu sorriso sumiu, assim como minha respiração oscilou presa na garganta. Aquela respiração, aquele arfar, eu o reconheceria em qualquer local. Em qualquer situação. Em qualquer tom.

– Saudades? – Aquela voz. Não, não, não! Não podia ser verdade.

Minha mão tremeu e meus dedos soaram, o telefone oscilou na minha orelha e comecei a olhar desesperadamente ao redor. Onde ele estava? Quem dera meu número a ele?

– Você fica muito linda de azul-bebê. – Uma risada seca soou após o elogio.

Engoli em seco e fechei os olhos. Cary já estava de pé. Ele estava aqui mesmo. Respirando o mesmo ar que eu. Vendo o que eu via e o pior de tudo: me vendo.

Não, não, não!

Aquilo explicava o fato do estranhamento de Kate. Talvez ela tenha o visto caminhando nos arredores.

– Vejo que ainda tem as mesmas amizades, Ava. – Outra risada seca.

As lágrimas escaparam. Não teve como segura-las. Minha garganta já ardia. Meu maxilar já doía e deixei que as gotas quentes escorressem por minhas bochechas.

A ligação caiu e um tu, tu, tu constante começou a soar. Tremi, soltando o celular de qualquer forma pela grama podada. Um tremor me ocupou. Cary estava diante de mim, mas eu não via suas feições com certeza absoluta. Arfei e um choro alto saiu de minha garganta. Fotógrafos se lançaram contra meu rosto, assim como os flashes.

Não deu pra segurar, não chorei apenas por ele estar de volta, mas por ele ter estragado um evento de Christian. Agarrei as mãos de Cary e as coloquei sobre meu rosto, escorreguei da cadeira e me lancei sobre seus braços. Ficamos sentados sobre a grama, braços emaranhados e Cary sussurrando sem pausas em meu ouvido.

Deixei que as lágrimas lavassem minha alma. Apertei Cary mais contra mim, querendo mantê-lo o mais próximo possível. Querendo me encolher e me afogar em seu corpo, ficar lá, até tudo acabar.

Quis os braços de Christian. Quis o sorriso de Kate. Quis as mãos de minha mãe. Quis os olhos de meu pai. Quis uma tesoura. Lamina. Faca. Qualquer coisa, menos isso.

Cary também chorou, pois ouvi uma fungada.

Como isso poderia estar ocorrendo comigo? Como Nathan Hyde poderia estar de volta?

Como ele conseguira meu número? E porque diabos, Kate não me contara? Porque, meu Deus?

Tudo de novo não!

Suspirei com as lágrimas um pouco controladas e abri os olhos. Me assustei com o rosto de Christian tão próximo ao meu e arfei um pouco.

Ele colocou suas mãos sob minhas axilas e me retirou dos braços de Cary aos poucos, como se eu fosse algum tipo de criança que precisasse de algum cuidado.

E então ele me abraçou. Como se soubesse de todo meu pavor. Como se soubesse da ligação, da ameaça imposta no tom de voz de Nathan...

Christian me conhecia. Christian sabia quem eu era. Ele não se importava com meus demônios enclausurados. Não se importava com minha aparência. Ele se importava comigo.

Apertei o encontro dos seus ombros e beijei seu pescoço de leve. Passei os dedos pelos fios de cabelos espalhados em sua nuca.

Ele começou a caminhar com cautela dentre o círculo de pessoas que se formara ao meu redor, assistindo ao meu pranto.

Sem que eu notasse a porta de um carro se abriu. Christian me colocou lá dentro primeiro e depois entrou no banco traseiro comigo, se sentando ao meu lado.

Ele ficou quieto por um momento, olhando ao redor, olhando para as pessoas lá fora se aproximando do carro, mas sendo espantadas pelo simpático Taylor e um segurança enorme.

Christian apoiou os antebraços nos joelhos e reconheci que aquela era sua posição de crise interna.

– Ei. – Chamei, passando as costas da mão sobre o rosto e cutucando-o com um pé.

Ele me olhou rapidamente, como se houvesse me notado ali pela primeira vez.

Puxou minhas pernas com toque bruto, mas de maneira delicada. Me colocou em seu colo, minhas pernas circundando as suas. Apoiei minhas mãos em seus ombros, um pouco desconcertada pela proximidade que nossas áreas íntimas estavam por conta da saia.

Suas mãos estavam duras em minha cintura e não sabia o que aquilo representava realmente. Kate me dissera certa vez que Christian nunca trata ou tratou garotas de forma delicada ou romântica. Então, porque ele estava agindo daquele jeito comigo?

Ao mesmo instante, minha mente me mandou uma imagem fugida de Nathan pelos arredores e meus olhos se inundaram, Christian sumiu por alguns instantes. Pisquei e ele estava de volta, enquanto lágrimas banhavam minhas faces.

– Eu quero saber o que está acontecendo. – Ele indagou olhando diretamente para meus olhos.

Sua respiração quente na altura do meu pescoço.

Murchei em seus braços, me diminuindo visivelmente. Eu não podia contar. Não podia. Aquilo era de alguma forma... humilhante.

Abanei a cabeça de um lado para o outro, indicando meus sentimentos e minha resposta.

Christian suspirou, frustrado.

– Tudo bem, então, princesa.

Seus ombros despencaram sob meus dedos e prensei os olhos segurando as lágrimas. Apoiei minha testa na sua, aproximando nossos corpos.

– Quero que entenda que não é com você...

– Sei disso. Mas não quero segredos nisso aqui. – Respondeu em tom seco.

Nisso aqui? Nisso o que?

– Não quero segredos no que temos até agora.

– Não estou pronta. – Pedi oscilando com a voz.

– Conte-me correndo quando estiver. É uma ordem. – Um sorriso surgiu de seus lábios.

– Seu mandão. – Belisquei seu ombro, sorrindo.

Os lábios de Christian subiram tensos até os meus. Chegaram tão perto, que sentia a ponta do início da pele tocar meu lábio, virei rápido e seu selinho foi dado no canto da boca.

Não, ainda não.

Suspirei e apoiei minha cabeça em seu ombro.

Seus dedos desceram por meus fios e soube, naquele instante, que poderia ficar naquela posição pelo resto do dia. Por tanto que o ombro, os dedos e o coração batendo sob meu ouvido fosse de Christian, estaria tudo bem. Sempre estaria bem.

Notas finais
E aaaaaaaaaaaaaaaai? O que vocês acharam? Me contem TUDO ein? E no que acham que isso tudo vai dar? Até o próximo! Dps de amanhã s2