Notas iniciais
Não, não tem pegação no capítulo. O "tocada" é mais pro interior da Ava, mesmo. Gente, hoje eu tô toda chorosa, sabe? Fiquei ouvindo umas musiquinhas novas que tô baixando pro novo projeto e comecei a lembrar de todos os momentos Chrisava de AM, tô ouvindo agora 'To Build a Home', e foi ela que me inspirou quando Ava decidiu ir embora, eu lembro que escrevi o primeiro rascunho chorando muito.
Agora, pegando a ideia da minha amiga GabrielaF6, eu vou postar o capítulo com uma frase inicial de música. A música de hoje é: You and Me - Lifehouse.
Bjins ♥

I don't why I can't keep my eyes off of you.

Corinne teve um enterro vazio e triste, com direito a garoa insistente. Eu fui até lá, não como despedida, ou para prestar homenagens. Eu não tinha explicação. Também não era uma compaixão. E muito menos vangloriava aquele momento. Christian também foi, todo frio e elegante em um terno escuro. Durante a cerimonia, ele não levou flores até o tumulo da esposa, mas na sua vez de colocar algo sobre o caixão, ele tirou sua aliança e a depositou lá.

Depois daquele momento tempestuoso – e depois de avisar Cary – eu andei por Manhattan. Como fazia quando estava desesperada, e ela conseguiu me recuperar o ar, como sempre fez. A tranquilidade para as tempestades que viriam. Eu ainda tinha muitos demônios internos e externos para exterminar.

Bati a porta com o cansaço tomando conta de mim e interrompi meus passos com a cena que vislumbrei no sofá da minha sala. Christian estava jogado lá com Jullie deitada sobre seu peito, ambos dormindo. Como se lá fosse o refúgio certo do desespero. Não que eu ficasse lisonjeada com aquilo, mas não podia ignorar a felicidade que senti ao encontra-los. Cary chegou alguns segundos depois, falando alto demais com Mia e apoiei o dedo nos lábios para que ambos ficassem quietos. Ambos obedeceram assim que viram a cena que presenciei e andaram calmos até o quarto de Cary.

A primeira coisa que fiz foi pegar Jullie com extremo cuidado nos meus braços. Ela se remexeu um pouco desconfortável, mas se agarrou a mim quando reconheceu quem era fechando seus olhos e voltando ao estado de sono. Eu a levei até meu quarto, e a cobri até o queixo, ativando o efeito fumê dos vidros, para que nenhuma luz perturbasse o sono de um anjo. Sorrindo, eu fechei a porta do cômodo. E meu coração bateu forte quando esbarrei com Christian fitando a cena.

- Ai, porra! – Sussurrei, empurrando-o da minha frente, e caminhando para longe, exatamente para manter distância.

- Você é ótima com ela. Eu não. – Se lamentou me olhando dos pés a cabeça.

Ignorei o comentário e o olhar. – O que está fazendo aqui?

Eu sabia a responsabilidade que carregava. Conforme o CT, nós tínhamos algum tempo para assinar os papéis, mas precisávamos decidir com agilidade, caso contrário Jullie iria para um orfanato e esperaria para ser adotada.

- Ela não é minha filha. Nem sua. Não podemos ficar com ela. – Disse ele, se sentando no chão e parecendo completamente a beira do desespero. Eu me sentei de frente para ele, para mostrar que me sentia do mesmo jeito. Insegura.

- Não podemos deixa-la num lar pra adoção, Chris. Não podemos. – Acenei em negativo com a cabeça, sentindo as lágrimas rolarem sem dó nem pena pelo meu rosto em chamas. – Ela não merece isso. Não tem culpa do pai que teve. Se isso dói em você. Machuca você e perfura. Imagine para mim que... – Eu parei, estática. Quase revelando as coisas da maneira e no momento errado.

Ele esperou, procurando a resposta pela minha postura, mas eu não revelei a ele. E nem podia. Nem conseguiria.

- Eu não vou abandonar ela. E como a moça do CT disse, ou somos nós dois juntos, ou ela vai direto pro orfanato. Pensa nisso. Pelo amor de Deus. Só assina a droga do papel. Eu cuido do resto.

- Eu não quero a responsabilidade pelo ato cometido por aquele porco. Eu quero um filho com você. Eu sempre quis um filho com você. Ver sua barriga crescendo e sentir os chutes dele aí dentro. – Instantaneamente, as lágrimas rolaram por todo o meu rosto.

De um sofrimento antigo. De uma dor ainda maior.

- Você não pode pensar desse jeito. Você teve uma vida com aquela menina. E ela, não tem culpa nenhuma. – Prendi o choro que ameaçava escapar no fundo da garganta. – Eu nunca pedi nada pra você, além daquele dia na delegacia. Eu tô pedindo isso agora. – Fechei os olhos, incapaz de olhar na perdição dos seus.

Eu nunca havia esquecido no que ocorrera lá. Em como me senti menosprezada. Ele já estava perdoado. Mas nada na vida passa. Sabemos que o momento da dor ou felicidade chega ao fim. Mas seja o momento bom o ruim, ele sempre guarda uma cicatriz. E eu – com certeza – tinha uma cicatriz profunda daquele momento.

Ele olhou diretamente nos meus olhos, e eu senti que ele sabia do que eu estava falando.

- Olha, naquele dia...

- Não precisa se explicar. Eu te desculpo se você assinar os papéis comigo. É um tipo de perdão. Ela só te pediu isso, e é o que eu tô pedindo agora.

*

Christian nunca mais perguntou nada depois daquele dia. No dia seguinte, ele me ligou e nós assinamos os papéis na sala da sua grande empresa. Talvez ele não tenha se convencido por aquilo que eu disse, talvez tenha sido apenas uma reflexão sobre seus próprios motivos. Balancei a cabeça, com o toque do telefone do meu escritório, e atendi de maneira habitual.

- Ava, organizações. – Respondi com voz monótona, mexendo nos papéis em torno de mim, procurando um em especial, e quase pulando de alegria ao encontrar.

- Ava. – Era Christian e a atenção do papel foi completamente desviada para sua voz no outro lado da linha. – Quero uma ajuda sua esta tarde.

- Sobre? – Indaguei.

- Ficaria muito brava se eu não contasse? – Ele indagou, sua voz muito próxima ao meu ouvido, rouca e completamente perfeita para mim.

- Não. – Respondi, erguendo as sobrancelhas.

- Então, passo as cinco no seu serviço. – Ele desligou ao final da chamada, me deixando com o tu-tu-tu insistente no lugar de sua voz rouca.

*

As cinco em ponto, o carro do fiel Taylor parou diante do Edifício de empresas do meu pai. Eu caminhei até ele, segurando a saia do vestido, para que a mesma não voasse e mostrasse aquilo que não deveria.

Taylor, com mais intimidade pelos anos em que passamos nos vendo em um dia e outro, tomou a liberdade de me cumprimentar com um beijinho no rosto. – Olá, Ava.

- Taylor. – Cumprimentei, aquiescendo com a cabeça.

Ele abriu a porta traseira e eu entrei, ouvindo o suave bater dela atrás de mim. Me espantei com Christian no banco de trás, pois o mesmo sempre ia sentado na frente. Uma cadeirinha de bebê estava posta na outra ponta do banco, para o caso de pegar Jullie em algum local.

- E agora, senhor? – Taylor indagou, olhando pelo retrovisor central.

- Vamos até aquele endereço que te passei mais cedo. – Christian respondeu, levantando os olhos suficientemente para se entendido.

Eu estava com as pernas cruzadas, me sentindo completamente posta de lado. Puxei o celular do bolso lateral da minha bolsa Gucci, e digitei uma mensagem para Cary: Vou chegar um pouco mais tarde, bj.

*

Estranhei quando Taylor estacionou em uma área residencial de Manhattan, perto do centro que aproximava qualquer morador de mercados, ou quitandas. Ou aquelas lojinhas de cosméticos que precisamos nos momentos mais importunos. E gostei do lugar. Era perfeito pra criar uma criança, e não podia explicar porque estava começando a pensar daquele jeito, naquele lugar, com aquele homem. Eu simplesmente estava.

Christian desceu depois, deixando o blazer e gravata para trás no carro e notei que seus cabelos estavam mais pontudos, e aquilo, de certa forma, o trazia de volta.

- Vamos. – Ele chamou, seguindo em frente pela calçada e me mostrando o caminho. Eu o segui, ouvindo o som dos meus saltos no concreto urbano.

Taylor ficou lá atrás, no carro e repentinamente Christian virou para a direita, seguindo por um caminho de pedras que serpenteava dentre a grama alta. Antes mesmo de entrar, dava para notar que ninguém morava ali. Grama alta, tinta das paredes externas descascando e as várias árvores – pois aquele era o maior espaço territorial, comparado às outras casas – precisavam ser podadas. Ainda assim, eu o segui. Curiosa pelo que viria a seguir.

Ele tirou um molho de chaves do bolso e abriu a porta de madeira gasta. Logo que entramos ele acendeu o interruptor para iluminar ao nosso redor. Dei de cara com um enorme espaço para sala, com um balcão americano para que a sala de jantar fosse formada logo atrás. À esquerda, estendia-se um lado para o dono mobiliar da forma que quisesse – como um canto de lazer para si. Sem palavras, eu o segui pela casa e ao subir dois degraus longos, ele abriu as portas duplas de vidro que davam para um extenso local. E pela pia antiga e o balcão bem no centro, eu sabia que era a cozinha. Ele deu meia volta, como se não quisesse falar sobre o momento, para que eu o absorvesse. Realmente, ele me conhecia demais.

Nós subimos as escadas que dava volta em si e seguimos por um corredor acarpetado que abafou o som dos meus saltos louboutin. Havia algumas várias portas pelo corredor, mas ele abriu a penúltima antes da porta do centro e demos de cara com um quarto pintado com tinta branca – fresca. Dava para ver as latas de tintas espalhadas.

- Porque me trouxe aqui? – Perguntei por fim, avaliando – por conta própria – que aquele era um quarto para bebês – para Jullie.

Eu o olhei nos olhos e contive o sorriso que ameaçou despontar quando notei que ele se esforçava para esconder um com os lábios.

- Eu quero a sua aprovação. É este aqui o lugar em que sua filha vai morar.

Suas palavras me derrubaram inicialmente. E eu quase chorei ali mesmo, bem na sua frente. Mas eu sentia que aquele não era o momento, eu não poderia interromper sua felicidade pela infelicidade que meu passado me proporcionava.

- Está aprovado então, você já a trouxe? – Indaguei, me referindo a Jullie.

Ele negou com a cabeça. – Queria sua aprovação antes. E contar o porquê disso tudo.

Ele foi dizendo, enquanto caminhava até a última porta, abrindo-a até o canto e acendendo a luz do teto rebaixado. Eu espiei lá dentro, encontrando o quarto todo mobiliado, com móveis e aparelhos novos. Uma cama de casal e tudo mais que havia em um quarto. Ao entrar, notei que uma parede era de vidro e mostrava uma bela paisagem dos fundos da casa.

Ele caminhou sobre o carpete estampado do quarto, e se sentou graciosamente na cama, dando tapinhas no estofado perto de si, me convidando a sentar. Eu não estava com medo de ir até lá, mas o conhecia e conhecia muito bem suas reais intenções. Ele queria um voto de confiança, e só hoje queria começar a construir nossa história. Não que eu não quisesse, mas meu tempo já tinha dado. O prazo tinha vencido; estragado.

Me sentei ao seu lado, colocando a bolsa sobre meu colo. Olhei em seus olhos. – O que quer conversar comigo?

- Quero explicar que comprei essa casa, porque aquela era muito grande para mim e para Jullie. Ela foi escolha de Corinne, porque eu comprei esta aqui antes e gostaria de fazer surpresa, mas quando ela passou por aquela Mansão se apaixonou. Acho que quando comprei, na verdade, estava pensando em você. E em como se sentiria, sabendo que este seria nosso lar. Eu comprei essa casa no dia seguinte àquele na delegacia. – Ele não precisava explicar mais nada. Só por sua jogada de palavras, e pela posição esquisita dos seus ombros, eu podia dizer que ele também estava chateado. – Corinne ficou sabendo da gente em algum momento antes do noivado. Ela disse para eu me afastar de você. Nem mandou, ou algo do tipo, conversou comigo, se fazendo de mulher ofendida, e disse que me perdoava pela traição, mesmo nunca aceitando ser traída...

- Por isso a explosão no hospital. – Conclui, sentindo que minhas barreiras estavam desmoronando com cada palavra que ele dizia, com a voz carregada de sentimento verdadeiro. – Sinto muito.

- Não quero que sinta. Eu quero...

Ele não precisava terminar. Ele queria começar algo.

- Não desse jeito. – Respondi da forma mais amigável que pude. – Não logo depois que acabou de perder sua mulher. Vou me sentir um tapa-buraco, O.K? E isso não é legal. – Conclui, com as mãos suadas, sabendo que, mesmo que quisesse pular contra seus braços, tinha que me controlar, e saber dar a valor a mim mesma, e ao amor que guardava por ele desde o primeiro momento que o vi.

Ele acenou em positivo. – Eu entendo. Só quero, que enquanto dá esse tempo, se lembre: eu nunca disse aquele “eu te amo” para ela como disse para você. Não gosto destas três palavras pontuando meu sentimento por você. O que sinto por você não acarreta somente isso. Eu sou seu, e sempre vou esperar você.

Notas finais
É uma frase bem pequena, mas que tem tudo a ver pelo o que Ava tá passando, dá pra acreditar, que tá acabando? Desculpa aos comentários que não respondi, li todo e amei de paixão!!!! ♥