Apenas Meu.

37 Encontrada.


Notas iniciais
Esse é o último capítulo! O próximo já será o Epílogo e partiremos para a curta segunda parte. Preparados pra essa aventura? O capítulo tá curto, mas com um acontecimento que vai reverter toda a estória. Não toda ela. as boa parte do que se encontrava em paz. Acharam mesmo que acabaria nessa paz? Muitas coisas ainda vão balançar nossa pequena família! A música tem referência à Deus. Achei ela perfeita, e os trechos se encaixam com os acontecimentos! Boa leitura *-*

Lost and insecure. You found me, you found me. Lying on the floor. Surrounded, surrounded (You Found Me – The Fray).

Jullie estava de volta. E agora, ela frequentava uma escolinha. Onde aprendia poucas coisas para sua idade, mas já era algum tipo de aprendizagem. Como meu relacionamento com Christian mudou drasticamente, ele não viu mais necessidade para continuar na antiga casa. Agora, morávamos junto no meu apê, enquanto ele aguardava sua casa nova ficar pronta.

Meus projetos estavam abarrotando a mesa do meu escritório e estávamos perto do horário do almoço. Mas havia algo que não se encaixava no planejamento daquela festa...

Meu telefone tocou e atendi ao segundo toque. – Ava, organiza...

- Princesa. Vamos almoçar juntos, hoje? – Christian indagou, sua voz fazendo com que arrepios percorressem caminhos no meu corpo.

- Hmm. – Murmurei, sorrindo. – Posso pensar no seu caso.

- Não te dou oportunidade para pensar. – Ele rebateu risonho, enquanto eu o ouvia digitar em seu computador. – Mas preciso que almoce aqui na minha sala. Sua entrada está liberada. Vou pedir para Taylor buscar Jullie para nós.

- Eu busco Jullie. – Ofereci, já arrumando minha bolsa enquanto prendia o telefone junto ao ombro.

- Tudo bem. Espero minhas mulheres então. – Ele disse contente e desligou em seguida.

Meu celular vibrou e uma mensagem de Cary chegou, estou indo aí. Precisamos de um tempinho ;)

*

Depois de anunciar à minha assistente que demoraria mais tempo durante o almoço, sai pela porta giratória e encontrei Cary ao longe. Ele abanou a mão acima de sua cabeça. Seus olhos estavam cobertos por um par de óculos escuros. Usava uma camiseta branca e jeans escuro, seus cabelos castanho-escuros estavam ao vento e seu sorriso de derreter pernas de quaisquer garotas estampado no rosto.

Meu coração se animou com a felicidade proporcionada em vê-lo e naquele momento, me senti como uma criança quando reencontra um amigo que não via há um bom tempo. Corri, sem me importar com as pessoas que encaravam ao redor e Cary abriu os braços, me esperando. Saltei contra seu peito e ele me aparou entre seus braços que me gritavam: casa!

Ele estava rindo sob mim e seu peito tremia em meu abdômen.

- Que recepção calorosa, docinho. – Ele disse, e depois de me pousar no chão com delicadeza, seus lábios estalaram no canto do meu rosto.

- Eu estava com saudades. – Me expliquei, olhando-o de perto, e vendo que ele era ainda mais belo daquele ângulo.

- Juro que nem tinha percebido. – Deu de ombros, passando os dedos por meu braço.

- Temos que ir buscar Jullie. Vou almoçar com Christian, mas...

- Ah! Não quero interromper o encontro dos pombinhos. Só vim até aqui para te ver. Vamos. Busco Jullie com você. – Ele disse tudo bem rapidamente, com uma piscadela.

Eu sorri grata por ele compreender e ruborizada pelo uso da palavra “pombinhos”, depois ele passou seu braço pelo meu, enquanto caminhávamos até seu carro estacionado dentro do bolsão de estacionamento da rua. Entramos a bordo e Cary encaixou o porsche dentre o mar de veículos de Manhattan.

Com a liberdade que tinha, liguei o som e aumentei o volume, deixando-nos no silêncio, mas era um silêncio gostoso de partilhar com meu melhor amigo. Não havia silêncio melhor que aquele.

Eu não precisei dar o endereço, cinco minutos depois estávamos diante da entrada da escolinha em que Jullie estava. O ar ao nosso redor era tomado pela voz de crianças e pais. Pelo microfone anunciando os nomes. Os gritos e as risadas das crianças me contagiaram, Cary enrolou sua mão na minha.

- Kate me disse que você contou. – Ele falou, sorrindo. – E quero te parabenizar, meu amor. Você atingiu um grande auge da sua vida. Ele merecia saber.

Eu sorri, em meio a lágrimas querendo lavar meu rosto.

- E eu sei. – Sua voz pareceu embargada. – Que ninguém nunca vai entender pelo o que seu coração está passando. Eu não vou entender, nem Kate e muito menos Christian. Mas eu imagino quão grande deve ser a dor. – Dito isso, as lágrimas desenrolaram por meu rosto, banhando-me de tristeza eminente.

- Eu só queria poder, Cary. Só um filho pra ele. Eu só queria ter esse brinde de Deus, por um momento. Sentir uma criança me chutar por dentro, depois passar por dores absurdas para tirá-lo de dentro de mim. Amamentar, enquanto seus dedos de dois centímetros abraçavam um dos meus. Era só isso que eu queria. – Sussurrei a última frase em meio a um coração machucado pelo passado. – Mas sei que isso foi importante no passado. No caso com Nathan. E entendo. E aceito. Mas não aceito agora...

- Shh.- Cary sussurrou, me puxando para o seu colo e beijando o meio dos meus fios.

Só então meus olhos voaram para o lado de fora. Enquanto um rapaz de cabelos encaracolados e castanhos conversava com a moça da saída e em seus braços, Jullie. Que estava se segurando em seu ombro. Ignorei minha dor. Seja do passado ou do presente, e abri a porta de forma desastrosa. Meus pés tocaram o chão, e foi quando tudo começou a girar em câmera lenta. Cary gritou meu nome, mas eu não dei atenção. O homem da boate. Era ele. Com Jullie nos braços. Eu corri, empurrando qualquer pessoa que se pusesse em meu caminho.

Jullie virou o rosto em minha direção e seus olhos estavam surpresos, espantados. Eles se arregalaram, e ela se chacoalhou nos braços do homem. Meu peito estava em um aperto, causando sufoco no fundo da minha garganta.

Eu tinha que tirar minha menina de lá. Fossem quais fossem as circunstâncias. Não a deixaria nas mãos do homem da boate, então, acelerei meus passos quando o mesmo sorriu para a Porteira de saída e saiu caminhando em direção a um carro preto. Bloqueei as imagens malditas que minha mente medrosa tentou passar para os meus olhos. E então, eu cheguei perto, enquanto Jullie esticava seus braços brancos e curtos na minha direção, me chamando com seus dedos.

Meu ar estava curto, meu peito subia e descia e minhas pernas doíam pela adrenalina. Com brutalidade e velocidade, eu peguei Jullie pelos braços e a puxei com a maior força que tive, segurando-a entre os meus, em um abraço protetor, enquanto a mesma afundava suas delicadas mãos entre meus cabelos.

- Eu não conheço ele, mamãe. – Murmurou sua voz doce e embargada por um choro distante ao meu ouvido, mas a última palavra foi a que mais me abalou.

Cary chegou em seguida, expulsando o homem aos empurrões, mas eu não escutava o que ele gritava para o mesmo. Minhas pernas cederam pelo conforto da menina nos meus braços e me sentei com ela entre as minhas pernas, enquanto afastava as imagens do que Nathan fizera comigo, mas dessa vez, no lugar do meu rosto, estavam as feições de Jullie...

Eu enxuguei suas lágrimas, enquanto as minhas desciam pesadas e quentes por meu rosto. As pessoas estavam ao redor, e quando olhei em volta, muitas delas puxaram seus celulares. Alguns filmaram a cena comovente, outros tiraram fotos e outros discaram alguns números. Com isso, o homem que tentou levar Jullie correu até o carro e fechou a porta atrás de si, cantando pneus ao deixar seu plano para trás.

*

Os braços de Christian cruzaram minha cintura, abraçando-me de maneira aconchegante no calor dentre seus braços fortes e longos. Minha cabeça se apoiou sob seu queixo, enquanto esperávamos Jullie ser examinada ao nosso lado.

Depois do ocorrido, Cary tomou Jullie dos meus braços e me carregou pela cintura até seu carro. De lá, sem explicação ou indagações, ele dirigiu até o hospital mais próximo. Ao chegarmos, Christian nos esperava fazendo telefonemas, sem o terno e completamente descabelado.

Eu ergui minha cabeça, e encontrei seu olhar impassível para a doutora que examinava nossa menina, ao longe ela sorriu um sorriso fraco, o que só partiu o meu coração, repentinamente, me lembrei de uma coisa.

- Ei. – Chamei, puxando-o suavemente pelo braço. – Ela me chamou de mamãe.

Engoli em seco, me lembrando de sua voz, de seu desespero e de logo em seguida eu cair de joelhos sobre a calçada feita de pedras. Meus joelhos estavam ralados, mas nem aquela dor ardente diminuiria o afeto em que meu coração se encontrava.

Ele se abaixou, seu rosto vermelho de raiva, mas uma compreensão nos olhos, referente ao meus sentimentos, se estendia por sua face. Suavemente, ele pousou seus lábios sobre minha testa e sussurrou: — Sei que ela faria isso logo, Ava. Porque é o que você é agora para ela. E será para sempre, se quiser.

Eu quero, Christian. Eu quero.

Meu rosto estava quente pelo pavor inicial, seguido de uma ira constante que me levou a busca-la dos braços daquele homem. Nem a voz de Cary me impediu, nem nada me impediria.

- Seu nome está flutuando pelas manchetes agora. – Christian sorriu suavemente. – Eu gostei da imagem. – Sorrimos juntos, mas poucos sabiam o porquê de meus joelhos cederem, fora pelo “mamãe” e não pelo momento. – Vou encontra-lo. Nem que eu precise ir ao inferno. Vou fazê-lo pagar por ter tocado nas duas mulheres da minha vida.

Eu acenei suavemente em positivo, entendo a proporção que aquilo tinha tomado, principalmente por ter contado a Christian que ele era ao homem da boate. Ele havia tocado em suas duas mulheres. E mais do que ninguém, eu sabia que Christian cumpriria com sua promessa.

Notas finais
Bom, quando eu escrevi, eu chorei demais. Stella, esse capítulo é pra você. Força, miga. Estou sempre aqui, contigo! ♥ Beijos pessoal e espero vocês nos comentários! Vocês são tudo para mim! Vou preparar um agradecimento para o Epílogo, tá? Beijinhos!