Apenas Meu.

15 2ª pt: A Felicidade sempre dura pouco.


Notas iniciais
Oi, minha gente! consegui revisar antes de meia noite. Se querem ler os capítulos com êxito para entendimento e afins, confira as informações abaixo:
Kate: http://www.fashionunion.com/peplum-dresses/blue-bandeau-peplum-dress/invt/wdrp0190ble?siteID=Hy3bqNL2jtQ-5F5yRCFA.etQJBvIqSFjpQ&utm_source=LS&utm_medium=affil&utm_campaign=generic
Ava: http://www.theoutnet.com/product/365086?cm_mmc=LinkshareUS-_-Hy3bqNL2jtQ-_-Custom-_-LinkBuilder&siteID=Hy3bqNL2jtQ-HW5elWCs8cXKdBasmEFYgQ
Corinne: http://www.colette.fr/#/eshop/article/31634883/alexander-wang-dress/535/
Trilha sonora do capítulo:
Piece of Me - Britney Spears.
Suit & Tie - Justin Timberlake
Sexy Silk - Jessie J
Give me Love - Ed Sheeran.
Xêrão e ótima leitura! ♥

Chegamos a uma loja da Victoria’s Secret no centro histórico de Manhattan. Localizado na área de lojas que as garotas adoram. Entramos na área refrescante, por ar condicionado da loja, e uma vendedora pareceu emergir do chão, jogando todo charme possível para cima de Christian, atrás de mim.

Ele olhava encantado para todas as peças e arqueava as sobrancelhas para os valores.

— Boa tarde! – A vendedora começou animada. – O que vai ser hoje?

Tudo bem, ela não estava perguntando nem para mim e muito menos para Kate, mas sim para Christian.

Com certeza aqueles músculos delineados escondidos por sua blusa chamaram atenção e ouvi um leve suspirar quando ele levantou os olhos em sua direção. então aquele tom de verde jamais visto também a abalava.

— Vai comprar algo para a mamãe? – Ela indagou.

Entendi o tom de sua pergunta. O que na verdade ela queria perguntar era: “Tem namorada, garanhão?”

— Não, querida. Vai ser para mim mesmo. – Respondi sorrindo e me aproximando, tirando Christian de debaixo de seus olhos.

— Ah, sim. Para a irmãzinha. – Ela disse, descarada.

Kate arfou e soltou uma risada irônica.

Christian ficou quieto me olhando de soslaio. Ele se virou para a garota.

— Não, ela é minha namorada.

Namorada? Namorada, tipo, mesmo? Nossa! Amoleci sobre as pernas e abri um sorriso enorme.

A vendedora ponderou durante alguns instantes. Olhou para mim, dos pés a cabeça e olhou para Christian, demorando mais que o necessário.

Kate tomou a atitude dando alguns passos para frente.

— Nos mostre umas peças novas. Já deve saber que o manequim dela é 36, busque lá para gente. – Kate abanou a mão em direção a uma escadaria, fazendo pouco caso.

A vendedora acenou com a cabeça e sumiu, enquanto subia pelo lance de escadas.

— Legal. Vocês gastam muito com essas roupinhas. – Christian comentou, seguindo a mim e Kate.

Andamos pelos espaços entre as araras com peças íntimas e passamos por uma cortina felpuda e rosa. Chegamos aos vestiários e nos sentamos em um sofá amplo, também rosa, bem na cor de Victoria’s Secret.

A garota passou pela cortina com duas sacolas cheias de roupas mínimas. Enrubesci. Christian não me veria daquele jeito mesmo!

Tirei os sapatos e comecei a mexer no cabelo, jogando-o de um ombro para o outro.

— Adorei essas peças! Quero para mim também. – Kate comentou, puxando algumas delas e as avaliando um pouco.

Se virou para mim, com uma piscadela.

— Venha baby. – Me puxou pelo punho e entramos em um espaço, fechando a cortina atrás de nós. O vestiário era espaçoso, com três espelhos espalhados em vários ângulos diferentes.

— Você é louca! – Sussurrei puxando um fio de seu cabelo.

— Ai! – Empurrou meu ombro. – Entenda como um passatempo e ele tá adorando a experiência. Está bem animadão. – Piscou um olho.

— Saia já daqui. – A enxotei com um empurrão.

Ponderei com os pedaços de renda e cetim entre os dedos. E escolhi, com certeza para começar, por uma peça negra. Retirei-a da embalagem lacrada para trocas e a vesti.

Ah minha nossa, quanta pele para fora.

Um sutiã todo rendado deixava meus seios ainda mais redondos. E a calcinha contrastava com meu tom de pele branco.

Puxei a cortina e coloquei a cabeça para fora, procurando por Kate.

Christian levantou os olhos verdes do celular e me fitou com um sorriso travesso.

— Cadê a Kate? – Tentei evitar o tremor em minha voz.

— Ela disse que eu podia fazer a avaliação. – Christian guardou o celular no bolso e cruzou os braços na nuca.

— Pervertido. – Comentei, me distraindo um pouco da vergonha.

Kate entrou pela cortina com a vendedora no seu encalço.

— Ah. Nos deixe ver. – A vendedora se mostrou animada mais que o normal.

Acenei em negativo. Ergui um dedo e chamei Kate. Esta caminhou até mim e fechamos a cortina atrás de nós.

— Você é muito safada. – Comentei.

Seus olhos desceram pela lingerie.

— Não mostre essa peça de vovó para ele. – Seu nariz enrugado e olhos arregalados.

Dei risada.

— Quero saber a piada. – Christian falou, lá de fora, sobressaltando-me momentaneamente.

— Quietinho aí, se não, não verá roupinhas. – Kate esbravejou, se virando para a cortina como se Christian estivesse ali dentro.

Christian não falou mais nada. Estreitei os olhos para Kate.

— Vai! Deixe de ser tímida! Eu saio daqui, OK? Conversei com a vendedora e isso vai ajudar a atrasa-lo. – Ela prensou as palmas das mãos, umas as outras.

Ponderei. Pensando nos fatos e em como o pessoal estava lutando para conseguir o que queríamos bem rapidamente, muito em cima da hora.

Christian era meu namorado, agora.

— Estão atrapalhados, lá? – Indaguei, puxando outra peça de renda.

— Estão. Você fica aqui dentro um pouquinho, enquanto ligo para Cary e Elliot e depois vamos comprar as roupas e você compra algum presente para ele. – Sussurrou, entregando-me uma peça rosa-clara e preta.

— Tudo bem. – Revirei os olhos. – Mas, isso é por ele, entendeu? – Indaguei, empurrando-a para fora.

— Aproveita, tá? – Kate indagou, e sabia que estava dando uma piscadela para ele ao passar.

Me vesti com uma peça com as bordas de renda rosa-clara. Um fio, bem no centro, ligava a parte superior e a calcinha.

Dois fios pequeninos se amarravam nas laterais para segurar a calcinha.

Meu coração estava acelerado, soltei os cabelos para frente dos ombros.

Coloquei a cabeça no espaço da cortina e encarei Christian. Minhas mãos estavam trêmulas, mas, ao ver Christian, estas sensações de nervosismo se dispersaram.

— Vem cá, vem. – Chamei com o indicador para frente e para trás.

Ele se levantou, com um sorriso transcorrendo em seus lábios.

Ele chegou perto e seu cheiro invadiu minhas narinas, um cheiro limpo, másculo. Ele abriu a cortina, sem tirar os olhos dos meus e a fechou atrás de si.

Naquele momento eu quis descobrir quanto Kate tinha dado para a pobre vendedora.

Só então os olhos de Christian desceram por meu corpo. Meu coração acelerado, minhas pernas trêmulas e um calor enorme. Um desejo subindo, por tê-lo tão perto, com tão pouca roupa. Senti seus olhos pousarem em meus seios mais rechonchudos. Em minha barriga lisa. Por minhas pernas torneadas e voltarem o trajeto, até estarem em meus olhos.

Passei os dedos por seu ombro, sorrindo.

— Diga algo. – Pedi.

Seu sorriso se alargou e suas mãos se instalaram no meu quadril, apertando-o de leve. Arfei.

— Fica linda de qualquer jeito. Mas agora você está gostosa. – Ele deu uma piscadela e meu sorriso se tornou maior.

Seu rosto se abaixou e se esfregou contra o meu. Esfregou o nariz, testa e por fim lábios.

Sua língua entrou em contato com a minha instantaneamente. Nossos lábios se trombavam, enquanto nossas línguas se tocavam. As mãos de Christian desceram para o topo do meu traseiro, apertando-o com as pontas dos dedos. Passei os dedos pelos seus ombros e desci por seus braços, acariciando um pouco.

Aquela distração estava bem... interessante.

Ele me empurrou para trás, até que minhas costas quentes tocassem o espelho gelado em contraste com o corpo quente de Christian que me tocava por todos os lugares. Gemi. O beijo ficou mais firme, com mais propósito. E Christian começou a vasculhar minha boca com sua língua ágil. Apertou meu quadril com o seu, mostrando o tamanho do seu desejo por mim. Virei a cabeça para o lado contrário da sua, buscando mais facilidade. Sua língua passando pela minha, o som do nosso beijo se soltando daquele contato. Suas mãos agitadas, apertando, esfregando, qualquer ponto de pele que ele sentisse.

Ele parou o beijo e passou os lábios nos meus, instigando-me para mais perto e se afastando, de forma erótica. Seus dedos começaram a passar por todas as bordas da lingerie. Sorri, sentindo o calor de sua pele contra a minha. Me decepcionei enquanto tentava alcançar sua boca para beija-lo novamente. Para mostrar para ele o tamanho do meu desejo. Ele me deu um beijinho e afastou o rosto me olhando de perto. Suas mãos pressionaram as laterais dos meus seios e fechei os olhos. Fui carregada por um arrepio gostoso, um líquido quente emergindo de entre minhas pernas.

Suspirei, notando onde estávamos.

— Acho melhor pararmos. – Disse quando ele começou a passar a língua pelo meu pescoço. – Christian.

Puxei os fios do seu cabelo, tirando sua língua da minha pele.

— Já viu a lingerie e está ótimo. – Argumentei, sorrindo.

— Tudo bem. – Ele acenou com a cabeça, ainda pressionando o corpo contra o meu.

Sorri, sentindo-o cada vez mais próximo. Nosso calor percorrendo o ar ao nosso redor e arfei. Estava complicado para se respirar.

— Para já com isso. – Disse olhando profundamente em seus olhos.

Vi alívio lá. Assisti a uma porção de cenas que se passou por minha mente. Vi felicidade composta por desejo retribuído. Vi dor. Vi piedade. E vi agradecimento. Assisti a tudo isso e meu coração se apertou.

Eu tenho de fazê-lo feliz, pensei. Tenho de fazê-lo com que se sinta bem. E não estou fazendo isto direito. Meu coração estourou, espalhando sangue internamente e engoli em seco, tentando, a qualquer custo, reprimir aquele incômodo estranho na garganta e estômago.

Toquei minhas mãos em seus ombros e comecei a empurra-lo delicadamente em direção à cortina, antes que ele pudesse sair, Kate apareceu por ela sorrindo em nossa direção.

Seus dedos se fecharam em torno do braço de Christian.

— Vamos garanhão. – Disse brincalhona.

Christian se despediu com uma piscadela. Correspondi e fechei a cortina em seguida.

Apoiei minhas costas contra o vidro gelado do espelho e fechei os olhos, respirando fundo.

Senti a presença de Kate e abri os olhos. Um sorriso travesso ocupava seus lábios.

— Se troque, precisamos passar em casa agora. Vai dar tempo. – Cochichou. – Me traga as peças que vai levar.

Enruguei as sobrancelhas. Aquilo tudo não era para dar tempo de arrumarem tudo?

— Temos que ir com o planinho até o final, baby. – Sorriu, fechando as cortinas diante de seu rosto.

Tirei as peças, as dobrei, colocando-as dentro dos saquinhos de troca e vesti minhas roupas. Sai com os dois pares que escolhi e Christian já estava de pé, com os meus sapatos em mãos.

Estendi as sacolinhas pra ele e me apoiei em seu ombro, enquanto calçava os sapatos.

Christian abaixou o rosto e me deu um selinho. Tão delicado ao ponto de me libertar de todo e qualquer pensamento péssimo ao nosso respeito.

— Sei que Christian não aguenta mais esperar. – Kate bufou.

— O que? – Indaguei alto de dentro do meu antigo closet no apê de Christian.

Kate se aproximou do batente de entrada. Vestida como eu: roupas íntimas e saltos negros.

— Christian não aguenta mais esperar. Não quer ir avisar lá pra ele que...

A porta se moveu com os toques insistentes de Christian, como se adivinhando a ideia de Kate.

Ela sorriu.

— Vá lá avisar ele, acredito que ele vá esperar com esse incentivo. – Ela abriu caminho dando de ombros.

Sai de diante das portas abertas e entreabri a porta de entrada encarando o rosto de Christian e o peito nu.

— Oi. – Sorri.

Seus olhos rolaram para baixo e me escondi atrás da porta.

— Espere só mais um pouquinho, tudo bem? – Pedi, vendo-o engolir em seco. Ruborizei.

Ele acenou em positivo e fechei a porta rapidamente.

— Pronto. – Kate cantarolou.

Me virei e Kate estava destacada por um vestido azul escuro de paetês. Ele era até fofo demais para Kate. Sem mangas, realçando os bustos, com uma saia justa e um filete de tecido bem rodadinho na cintura. Sorri e acenei em positivo.

— Vem ver se este está bom. – Ela me chamou puxando-me pelo punho.

Segui Kate com um pouco de dificuldade até ficar diante da peça mais nua que já vi. Ela não era vulgar, era bem fresca.

No tom laranja o vestido se destacava pelos paetês em dégradé sobre a peça. Alcinhas bem fininhas o prendiam e com costas um pouco nuas, talvez até o centro. Sorri, pois gostei da cor.

Vesti a peça e passei apetrechos femininos.

Kate e eu saímos pela porta do quarto, averiguando as mensagens no celular para saber se já podíamos ir.

Olhei ao redor da sala, procurando por Christian. E o avistei encostado contra a porta. Olhos arregalados, bochechas coradas pelo nervoso. Camisa polo branca, com as mangas puxadas até os cotovelos. Calça Levi’s preta e tênis negros. O tipo de rapaz perfeito. Ele se aproximou rapidamente e deixei de escutar os comentários de Kate de que poderíamos ir naquele instante.

— Que porra de roupa é essa, Ava? – Ele perguntou alto, olhando-me nos olhos e cruzando os braços.

Típica pose de homem possessivo. Mesmo assim, seus olhos percorriam meu corpo dos pés a cabeça, admirando-o. Como era bom sentir-se desejada, suspirei.

— É um vestido. – Dei de ombros, olhando-me da cabeça aos pés e dando semi-voltas.

— Eu vou pegar um casaco. – Ele se apressou, passando por mim e esbarrando em meu ombro.

— Está com frio, amor? – Me desviei do foco verdadeiro.

Kate assistia tudo com um sorriso preso nos lábios.

Olhei ao redor da sala e encontrei a chave sobre a mesinha de centro. Peguei-a entre os dedos e abri a porta de entrada.

— Ava...

Kate tentou me chamar, mas eu já estava dentro do elevador, a caminho do estacionamento.

Esperei impacientemente, até que as portas se abrissem novamente.

Andei pelo estacionamento em direção ao carro de Christian e desativei o alarme, adentrando o mesmo. Fiquei no conforto do carro, esperando que ambos descessem. Ali o ar estava melhor, indicando menos ar dominante, querendo que eu fizesse algo que não queria.

Cruzei os braços sob os seios, quando ambos surgiram pela porta do elevador. Christian achava que iríamos a um barzinho, mas estava enganado demais, sorri sozinha. Meu plano com Kate já estava mais do que armado, mas essa possessão de Christian não estava nos meus planos. Eu iria com essa droga de vestido, quer quisesse ou não. Mia estaria lá também, ele poderia implicar um pouquinho com sua irmã.

Kate entrou no banco traseiro, assistindo as minhas reações pelo espelho frontal.

Christian apareceu com um casaco preto em mãos, estendendo-o em minha direção. Peguei-o de sua mão e as sobrancelhas de Kate estavam erguidas, desconcertada. Esperei Christian ligar o carro e só então joguei o casaco no banco de trás.

Christian olhou de soslaio para mim.

— Preste atenção na estrada, por favor. – Murmurei.

— E você poderia colocar o casaco? – Ele indagou, olhando a estrada adiante.

— Não, Christian. Não poderia. – Pressionei as costas contra o estofado do banco.

Olhei para Kate e mexi as sobrancelhas.

Ela acenou em positivo, entendendo o sinal.

Um bip soou no seu celular. Ela fingiu ler algo, e eu reprimia o sorriso com os lábios.

— Ah, minha nossa. – Kate bufou, fingindo estar irritada.

Se eu pudesse parar o tempo, o faria, só para parabenizar Kate pela ótima encenação. Minha mãe também iria amar.

— O que houve, Kate? – Indaguei, olhando-a por cima do ombro.

— O carro de Cary quebrou perto da Mansão de Joe. – Ela disse. – Ele pediu para irmos buscar ele lá, a caminho do pub. Pode ser, Christian? – Ela indagou, lamuriando em tom implorador.

— Oi? Ah, sim. Podemos sim. – Ele concordou, mudando o trajeto que faria.

Percorremos o caminho em silêncio. Os olhos de Christian oscilando entre a estrada e minhas pernas.

Seu carro parou diante da Mansão com luzes moderadamente acesas, como se fosse uma noite qualquer. Joe havia oferecido a casa, por ser do modo como queríamos, piscina à noite, pista improvisada, barzinho na lateral. Tudo perfeito.

Descemos do carro e Christian abraçou meus ombros, tentando esconder minha pele exposta. Toquei a campainha.

Como combinado ninguém atendeu.

— Ah, que merda. Abre logo isso. – Kate reclamou abrindo a porta em um impulso, enquanto eu empurrava Christian.

A luz se acendeu repentinamente e várias pessoas saíram de vários locais com apitos e buzinas. Soando-as, fazendo uma algazarra. Um coro de parabéns, felicidade e tentativa de cânticos de aniversário soaram ao nosso redor e sorri com felicidade, sentindo-a emanar de Christian, também.

Ele se aproximou e pressionou seus lábios contra uma de minhas orelhas.

— Foi tudo armação sua, princesa? – Indagou em um sussurro, mordiscando o lóbulo de minha orelha.

— Foi de todo mundo. – Respondi por cima da música.

Não tivemos mais tempo de conversa, pois ele foi puxado por seus amigos da Jimks para os fundos da casa. Kate me puxou pelo punho, após cumprimentar Elliot com um selinho rápido.

Avistamos Cary nos fundos da casa, dançando colado – até demais – com uma loira bronzeada. Sorri em um sua direção com uma piscadela; a garota não se importou, provavelmente sabia de nós pela Jimks inteira.

— Preciso beber! – Kate cantarolou por cima de uma música da Nicki Minaj: Envy.

Passamos pela lateral da piscina, com algumas garotas sendo jogadas, pois estavam bastante alteradas. Paramos diante do balcão de mármore da casa de Joe e erguemos um dedo. Pegamos nossos copos plásticos e cheiramos.

— O que é isso? – Indaguei ao pé do ouvido de Kate.

Mas, Kate já estava na metade do copo. Virando-o e me olhando de soslaio. Terminou de beber e prensou os lábios.

— Hum. Gostoso demais. – Ela riu.

Ah, minha nossa. Ela já estava alterada?

Aproximei meu copo dos lábios. Toquei a língua na borda e meu copo saiu rápido de minha mão.

Me virei em direção a quem quer que tivesse puxado.

— Ei! – Falei alto.

Christian virava meu copo em sua boca, deixando-me com mais vontade ainda de beber. Droga! Possessivo!

— Isso era meu. – Cruzei os braços.

Vi-o tomar todo o conteúdo enquanto seus amigos riam da cena.

— Me dá uma dose! – Pedi.

Alguém chegou rápido com outro copo e antes que Christian pudesse sequer tentar tirar meu copo de minhas mãos, coloquei-o rápido em direção à boca e tomei tudo em uma golada só.

Ardeu a língua, as laterais da boca e principalmente a garganta. Mas que merda era aquela?

Me virei para indagar para Kate que já estava com outro copo.

Enruguei as sobrancelhas.

— Brigou com Elliot? – Indaguei, meneando com os ombros.

Kate olhou por sobre meu ombro. Seus olhos estavam aflitos e desesperados, por fim, ela olhou na minha direção e sorriu meio torto. Me virei rapidamente, antes que algo ou alguém me interrompesse, como sempre ocorria.

Que cena linda e ótima para a noite. Corinne abraçava Christian descaradamente com um caixinha em mãos. As mãos de Christian estavam em sua cintura e ele sussurrava algo em seu ouvido, provavelmente para ser escutado por cima do som da música. Corinne jogou a cabeça para trás, rindo de algo que Christian tinha dito.

Ela se virou, ainda com um braço sobre o ombro do meu namorado.

Não consegui sorrir, nem de modo irônico em sua direção. Ela estava com um vestido preto, em decote quadrado até a metade de sua cintura. Marcando sua pele. Seus cabelos soltos em madeixas onduladas e um batom vermelho em seus lábios.

— Quem a convidou? – Indaguei me virando em direção a Kate.

Seu rosto consistia na mesma expressão que a minha.

— Ninguém sabe. Ela deve ter ficado sabendo de algum jeito. – Mia disse sobre meu ombro direito.

Me virei e fitei seu rosto. Ela olhava diretamente para Corinne com as sobrancelhas arqueadas.

Ela estava com um vestido justo e uma abertura na parte do abdômen, nada além disso, como se aquele fosse seu máximo de sensualidade.

E então, por todas as caixas da festa começou a soar Piece Of Me de Britney Spears. E é claro que toda mulher, ou todo rapaz, sabe que todas as músicas de Britney são extremamente sensuais.

Enruguei os lábios quando Corinne arqueou as sobrancelhas e bateu algumas palminhas, animada pela música. Seu quadril começou a se mover instantaneamente.

Christian, com o braço envolto em sua cintura, virava seu segundo copo de bebida.

— Nossa música! – Ela disse, agarrando o pulso dele.

Coloquei ambas as mãos na cintura.

Christian notou minha expressão e sorriu em minha direção.

Corinne o puxou até o centro da pista de dança. Lá, ela começou a dançar. Mas, não dançar movendo os pés e os braços. Começou a dançar de costas para Christian, esfregando-se completamente nele.

Christian não fez nada para impedir.

Não sei se a raiva já estava me consumindo desde a hora do agasalho em seu apartamento. Só sei que senti meu sangue ferver por todos os pontos.

Mia, Kate e eu ficamos olhando para a cena com feições horrorizadas. Desviei os olhos apenas quando Elliot e Cary se aproximaram, olhando de mesma forma. Ouvi Elliot bufar, como se aquilo fosse ridículo por parte de Christian.

As mãos de Christian desceram por sua cintura, sorrindo, enquanto sussurrava em seu ouvido.

Como ele podia fazer aquilo bem na minha frente? Como ele podia dançar com ela de tal maneira? Ali? Com tudo mundo para testemunhar.

Até Leila olhava de um ponto escondido, com a mesma expressão.

Como ele fica tão chateado com ela em um dia e no outro está dançando tão agarradinho? Como se nada tivesse ocorrido?

Não fiquei ali para ver o resto. Caminhei até o balcão e pedi um copo.

— Do que você quer? – Um garoto próximo ao freezer me indagou.

— O mais puro e forte possível. – Sorri.

Ele não demorou a encher um copo até a borda e me entregar. Repentinamente, Kate surgiu ao meu lado bebendo outro copo. Seus olhos já estavam com um brilho mais opaco e bem vidrados no nada. Ela sorriu, um pouco grogue.

— Docinho, não quero você como ela. – Cary apoiou uma de suas mãos no meu ombro direito.

Olhei de soslaio para ele, enquanto bebericava mais um pouco da minha bebida.

— Ah, Cary. Só estou esperando a porra de a minha música tocar. Eles não têm uma? Eu também tenho! – Esbravejei.

Meu coração batendo acelerado forte em meu peito. Cary segurou um sorriso com os lábios avermelhados, mas Kate não conseguiu e soltou uma gargalhada que encheu meu peito de felicidade. Acompanhei-a. Pensando no que poderia aprontar e entendendo que aquilo também era por parte das doses que havia tomado.

Agora. Eu precisava esperar. Só isso. Esperar que uma música que eu goste e que possa dizer que é minha, toque. E aí sim, Christian vai ver que não sou como as outras.

Desviei meus olhos do nada, quando a mão de Cary saiu de meu ombro e uma mais firme tocou minha cintura. Christian começou a beijar a lateral do meu pescoço.

Afastei-o com uma mão, enquanto bebia o restante da minha dose.

— O que houve, princesa? – Ele indagou.

Arqueei as sobrancelhas. Olhando-o profundamente nos olhos.

Pense, Ava. Vocês só deram uns beijinhos e uns amassos mais pesados. Nada demais. Nada que pudesse ser considerado um relacionamento.

Ele tinha mais história com Corinne que comigo. Com ela, ele tinha total liberdade e vice-versa. Eles sim, pareciam um casal. Agora ele e eu? Nós nunca pareceríamos um casal.

Mas, ele estava agindo de maneira diferente e não importava em qual situação nos encontrávamos, o que importava é que hoje estávamos juntos e ele não tem o direito de fazer este tipo de coisa diante de meus olhos, embaixo do meu nariz.

— Não houve nada. – Dei de ombros, estendendo o copo para que um rapaz o enchesse.

Bebi mais um pouco, deixando-o na metade.

— Você está bebendo demais. – Christian reparou, os lábios em uma linha reta, tensa.

— Nossa. Nisso, você reparou? – Indaguei, olhando-o de baixo.

— Como assim? Vem. Vamos dançar. – Ele segurou meu punho, sorrindo de lado.

— Corinne não está lá na pista? – Indaguei me erguendo nos pés e encontrando-a no centro, ainda dançando com a voz de Justin Timberlake. – Ah, sim. Bem ali. – Apontei. – Ela deve estar te esperando.

— Para com isso, Ava. – Ele pediu fechando os olhos por alguns instantes.

— Não paro, porcaria nenhuma, não. Estou falando sério, amor. – Dei uma piscadela, tentando disfarçar. – Vá dançar com ela; afinal, é seu aniversário.

O rosto de Christian se iluminou um pouco, como se fosse ótimo se livrar da discussão que viria a seguir.

Ele saiu. Não em direção a Corinne, mas em direção aos seus amigos. Deixando-me apenas com Kate.

— Pois é. Ele, realmente, não conhece você. – Kate deu de ombros, olhando na mesma direção que eu.

— Ele não me conhece totalmente, Kate. – Concordei, tomando todo o conteúdo.

— Eu quero dançar. – Kate disse, deixando seu copo sobre o balcão.

— Vamos esperar um pouquinho. Vamos esperar uma música pra chamar de nossa. – Ironizei, imitando a expressão de Corinne.

Kate e eu rimos.

Só nos restou isso: Esperar.

Esperamos por muito tempo.

Christian dançou com Corinne mais algumas vezes. Brincou com Mia, Elliot e Cary. Sorriu para mim. Me deu beijinhos delicados. Bebeu muitas doses.

Muitas músicas foram e vieram. Eu ainda não estava cansada. Pois, nesse meio tempo tomava energético com Kate.

E então. A música começou. Tinha de ser aquela. Kate e eu conhecíamos. Eu nem precisei chamar, pois, quando me levantei, Kate já estava me arrastando para o centro da pista, próximo de Elliot e Cary.

Os olhos se voltaram para nós, como se fossemos o holofote da festa.

Eu conhecia a letra de Sexy Silk da Jessie J, com uma voz irreconhecível. Comecei a mexer os quadris e Cary se aproximou por trás. Suas mãos instaladas nas laterais do meu corpo.

Sorri. Estarrecida pela sensação de pagar na mesma moeda. E fui longe. Senti todos os olhares em cima de mim e comecei a cantar a música com a cabeça jogada sobe o ombro de Cary. Mexendo os quadris mais depressa e mais lentamente, conforme a batida permitia. Comecei a passar as mãos nas laterais do meu corpo. Não deixei de cantar. Todos os olhos masculinos estavam sobre mim.

Desci sobre os pés e voltei, com o bumbum um pouco mais arrebitado. Sorri em direção a Christian, que – enfim – tinha parado de dançar com Corinne e me olhava com um pouco de raiva, um pouco de desejo.

Peguei uma alcinha do meu vestido e deixei cair sobre um ombro, enquanto Cary afastava meus cabelos do mesmo.

Eu já estava suada, mas não queria parar. Aquela parecia ser a primeira vez em que os rapazes me notavam como uma garota. Repentinamente a música acabou e enruguei os lábios, mas ela começou a tocar de novo e Cary me puxou para mais perto.

Meus lábios se moviam com a música descaradamente. Todos olhando e Cary sorrindo em meu pescoço, achando graça. Christian estava engolindo em seco, sem reação.

Boy, I will be your sexy silk,

Wrap me around round round round

I'll be your pussy cat licking your milk right now (don don dooon)

Garoto, eu serei sua seda sensual,

Me enrole ao seu redor, redor, redor, redor

Eu serei sua gatinha lambendo seu leite agora (don don dooon)

Os olhos de Christian se transformaram em um tom que eu nunca tinha presenciado, quando ele ouviu o que eu cantava, apenas mexendo os lábios.

Christian caminhou em minha direção e Cary desapareceu das minhas costas. Um medo me abateu. Sim, era muito estranho sentir medo do meu Chris, mas eu senti. Seus olhos estavam com uma essência diferente. Sua testa enrugada e os lábios em uma linha reta.

Antes de ele fazer o que fez, eu sabia que o faria. Ele atravessou o espaço que nos separava com dois passos. Meu pulso doeu quando seus dedos se fecharam forte nele. Ele me arrastou diante de todos.

Uma raiva e humilhação tomou conta de mim e antes que eu pudesse impedi-lo, Christian me puxou com mais força, deixando-me em frente a ele, enquanto caminhávamos até o lado de fora da casa do rapaz.

Eu não queria chorar e nem iria. Ele mereceu o que fiz e não me arrependi e nem me arrependeria.

Percorremos o caminho do apartamento de moto. Eu não toquei nele, fiz questão de ir segurada em qualquer lugar da moto, menos em locais que sua pele se encontrasse. Sua mão se instalou em minha coxa por várias vezes, mas em nenhuma eu correspondi. Passamos sob a cancela e subimos de elevador. Aquele silêncio me matando. As palavras queimando na metade da minha garganta. Sei que a adrenalina eliminou todo resquício de álcool. Eu esfregaria tudo o que ele me fez naquela noite.

Mas, eu não podia negar que ele tomou uma atitude certa. Ele quis resolver tudo as claras, mas somente entre nós e não diante de todos.

Christian trancou a porta do apartamento atrás de si.

Arfei quando ele se virou em minha direção. Sua expressão estava como a de Nathan e abaixei a cabeça como fiz há dez anos.

Quando eu tinha nove anos. Tudo começou anos antes e Nathan sempre me deixava tímida, medonha do que poderia acontecer.

Eu comecei a ver tudo de forma diferente. Ali, em pé diante de Christian, eu me senti diante de Nathan. Me senti exposta. Me senti nua. Me senti... humilhada.

Eu quis me ajoelhar e erguer as mãos pra cima. Clamar por Deus em suas atitudes. Clamar por piedade.

Não grite, por favor, não grite comigo. Não grite como ele fazia comigo, amor. Não estrague o que construímos.

Levantei os olhos, me desvencilhando dos sentimentos da garotinha que fora um dia. Não tinha mais o mesmo coração mole; agora eu era fria. Não emitia sentimento com facilidade. Eu não podia fazer o que todas as mulheres e homens faziam. Encarei os olhos de Christian com firmeza. Meus punhos estavam cerrados, como fiquei quando contei tudo para Cary. Como fiquei quando meu pai mandou Nathan embora de nossas vidas. Como fiquei quando recebi notícias devastadoras. Como fiquei diante de uma privada, vomitando de nojo e humilhação.

— O que você achava que estava fazendo? Hein? Estava tentando me provocar? – Ele indagou.

Seus braços já estavam se movendo de uma direção para a outra, desesperado por respostas que lhe agradassem.

O que ele queria? Que eu o visse dançar agarradinho com Corinne e simplesmente sorrisse e levantasse o polegar?

— E o que você queria? – Indaguei, soltando uma risada nervosa enquanto cruzava os braços diante dos seios.

— Que você dançasse comigo. – Ele deu de ombros.

Aquilo me amoleceu internamente, mas só inicialmente.

— Então porque, diabos, dançou com Corinne? Vocês é que pareciam um casal. Todo mundo estava lá e você se esfregou com ela! – Esbravejei apontando em direção ao seu peito, me aproximando.

Christian segurou um sorriso herói nos lábios.

— Isso tudo é ciúmes, princesa? – Ele indagou, chegando mais perto.

Dei dois passos para trás, tomando uma boa distância entre nós.

— Deixou de ser ciúmes quando você dançou com ela pela segunda vez. – Cruzei os braços novamente, sem emitir qualquer sentimento bom a favor dele.

— Pelo o amor de Deus. – Christian se exasperou passando as mãos pelos cabelos, abanando a cabeça de um lado para o outro inconformado.

— Pelo o amor de Deus? – Repeti, levantando a voz um pouco. – A primeira música obscena que começa a tocar ela te arrasta para a pista e você vai de boa, sem nem olhar na minha direção. Você lembra a merda que ela fez com você? É claro que não!

— É claro que lembro, mas não guardo mágoas. – Ele deu de ombros.

— Você se recupera rápido demais das mancadas dela. Agora, é eu dançar um pouco com Cary para você me arrastar a força para cá. Você me machucou! – Estendi meu pulso diante de seu rosto.

— Sem dramas, por favor. – Ele pediu um pouco abalado.

Abri a boca para responder, mas o toque de seu celular me interrompeu.

— Alô. Sim, já cheguei. – Ele me olhou de soslaio, escutando o que a outra pessoa tinha para dizer. – Estou um pouco ocupado, Corinne.

É isso aí!

— Pode vir, sim. – Christian desligou e guardou o celular no bolso de seu jeans.

— O que você disse? – Indaguei, prensando os olhos, segurando o choro.

— Que Corinne pode vir para cá. – Ele repetiu.

— Ah, tudo bem. Ela vai dormir na sua cama também? – Indaguei, reabrindo os olhos.

— Ava, ela não tem onde ficar essa noite. Saiu escondida de casa. – Christian deu de ombros.

— Você é ingênuo ou se faz de trouxa? – Indaguei, cerrando os dentes.

A raiva estava aumentando. Christian estava se alterando diante dos meus olhos. Ele só precisava pedir desculpas. Ele só precisava passar seus braços ao redor dos meus ombros e tudo estaria desfeito. Ele só precisava me levar até sua cama e dormir junto ao meu corpo, me embalando. Mas... Christian só olhou para mim durante um tempo interminável. Não aguentei mais e fui embora.

Caminhei pela escuridão de Manhattan, pensando e repensando. Por várias vezes durante a noite o toque de Christian ressoou. Por várias vezes, eu vi sua moto zunindo para cima e para baixo, mas eu não queria que ele me visse naquele estado.

Eu não queria que ele visse meu rosto manchado de preto do rímel pelas lágrimas que ele causou. Eu não queria que ele notasse os olhos inchados. Eu não queria que ele notasse os cortes nas palmas das minhas mãos, pelo tempo em que cerrei os punhos. Não queria seus olhos verdes sobre meus cabelos desgovernados. Não queria ele visse meus pés descalços e sapatos em mãos.

Eu estava um caco e tudo por uma pequena atitude que refletiu em conclusões imensas para meu coração. Eu queria gritar. Queria cair de joelhos. Queria correr... correr de volta para o apartamento e arrancar Corinne aos puxões. Beijar Christian na boca e lhe demonstrar todo meu amor. Eu nem tive tempo de demonstrar todo meu amor por ele com as palavras.

Uma moto zumbiu ao longe de novo e me encostei mais aos muros da calçada. Vi os ombros de Christian passarem de novo e entrei mais a fundo nas ruas de Manhattan, chegando em trechos comerciais.

Aos poucos e bem sorrateiramente consegui chegar ao apartamento de Cary. Ele não estava lá e suas coisas continuavam do mesmo jeito. Mergulhei em uma banheira e chorei como nunca. De modo desesperador.

Gritei dentro do apartamento, bati as palmas das mãos na água, derrubando-a.

Pensei em Christian. Em seus lábios, nos nossos momentos... nos nossos toques. Nas nossas brincadeiras. Passei o resto do tempo pensando em como poderíamos ser não fossem nossos problemas passados.

Tudo o que nos impedia de continuar era isso: o passado.

Notas finais
Desculpem pelo tamanho enorme! Espero que não tenha ficado massante! O que acharam de tudo? Kate apronta muito! E Christian, hein?!?! Merecendo uns socos na cara! Ele tá magoando nossa Ava, demais ]=
O que acharam do novo lance da trilha sonora? Querem em todos os capítulos! Beijos amores! E até o próximo s2