Apenas Mais um Fantasma

2 Amigos e lembranças


Notas iniciais
GUESS WHO'S BACK Eu não morri, só estava me escondendo por ter medo da desaprovação dessa fic. Agora voltei, e tenho a história completa na minha cabeça. Mas não em palavras. E ainda tenho que ajeitar umas linhas do tempo bem otárias. Vai ser uma historinha interessante. :D ~Ninguém liga, essa fic não tem nenhum acompanhamento. ~ ;-; Mas estamos só no começo do meu legado aqui! Bom, neste capítulo aprendemos que o Math é um otaquinho, que góticos são daoras, que a Julieta é uma enxerida que nunca teve amigos, que o Danny escuta hévi métau e que a autora gosta de introduzir personagens inúteis para o avanço da história. (Mas o Danny e a Rose vão ser importantes, sério -qqq) Não briguem comigo pelo fato de que a Rose não age como uma gótica, explicarei isso mais tarde em um capítulo. Esse capítulo é só pra introduzir os personagens secundários e um dos principais.

Passamos o resto da noite conversando. Descobri que ele não é aquele garoto rebelde e irritado que parecia ser, era apenas um menino tímido e quieto. Seus interesses eram música e videogames. Pelo que ele me disse, é muito comum ver jovens assim atualmente. Em seu guarda-roupa há várias camisetas e moletons com estampas de personagens. Sua comida favorita é pizza de atum. Não é nenhum adolescente revoltado, é apenas um ariano de 14 anos simpático, mas um pouco solitário.

Agora são 5 da manhã. Math adormeceu há 7 horas e acredito que não vá acordar tão cedo. Seu rosto tem uma expressão calma e sua respiração está leve. Talvez eu pudesse invadir os sonhos dele e assim haveria uma chance de que ele me visse. Mas não quero atormentá-lo mais, agindo como um fantasma que assombra pobres inocentes. E seria como interromper seu sono tranquilo, não quero ser inconveniente. Saber que você está sendo perseguido por um fantasma já não é a coisa mais agradável do mundo, apesar de ele ter dito que cresceu ouvindo estórias sobre fantasmas e nunca teve medo deles, então não está muito perturbado. Não acredito muito nisso, mas não comentei nada. Preciso de ajuda para pelo menos descobrir o motivo de eu ainda estar aqui.

O tempo passa rápido, e agora são 06h30min. Percebo que Matheus está prestes a acordar. Ele abre os olhos e faz uma cara mal-humorada. Provavelmente vou assustá-lo com isso, mas a educação fala mais alto.

– Bom dia, Math! – digo.

Ele se surpreende com a minha voz e olha para os lados, até se dar conta de que o som não vinha de alguém que ele pode ver.

– Então... Não foi um sonho?

– Não, ainda estou bem aqui – rio – Mas se quiser que eu vá embora, eu vou.

– Seria rude da minha parte te mandar embora — Ele diz enquanto sai da cama — E sua companhia não é uma coisa ruim por enquanto.

Mal posso esperar para ver como é a rotina de Math. Conhecer sua escola, seus professores e seus colegas. Vai ser como um regresso à escola. Math vai para o banheiro, escova os dentes e se veste com um daqueles moletons fofos e uma calça jeans larga. Pega a mochila, desce as escadas e pega uma fatia de pão torrado para comer no caminho. Aparentemente, Viviane é a única presente na casa neste momento, e Math mal se despede dela antes de deixar o local.

Andamos por uma rua calma. O céu ainda está cinza, mas hoje não choverá. Math não parece gostar muito de ir para a escola. Mas me lembro que, quando eu era viva, adorava a escola (uma das poucas coisas das quais me lembro). Então, deve ser um lugar legal.

Paramos em frente a uma loja de sapatos, com um apartamento no andar de cima, evidente graças a uma varanda e uma janela que encaravam a rua. É bem comum ver essas residências acima de comércios nesta cidade, deve ser legal morar nesses lugares. Pergunto por que paramos e ele diz que está esperando um amigo. Finalmente vou conhecer seus amigos! Começo a criar expectativas sobre esse tal amigo, mas meus pensamentos são interrompidos por uma figura de um adolescente descendo as escadas e parando na rua.

O jovem também tem cabelos pretos, porém lisos e sua franja está jogada em cima do olho esquerdo. O olho exposto apresenta uma olheira terrivelmente profunda e roxa. A pele do garoto é muito pálida, como se não tomasse sol por um bom tempo (e provavelmente esse é o caso). Roupas pretas, costas curvadas e um semblante desanimado: um gótico.

– Oi – Ele tem uma voz fraca. Eu realmente não imaginava que Math tinha um amigo assim.

– Bom dia, Danny – Math parece um pouco mais animado ao ver o colega.

– Desculpa, a Rose vai se atrasar com aquelas frescuras dela. Se quiser, pode ir agora e depois te alcançamos.

– Não se preocupe, vou esperar com você. Ainda está cedo.

Ficamos esperando por um tempo até que uma garota um pouco menor que Danny desce as escadas. Ela é parecida com o outro garoto, provavelmente são irmãos. Ambos têm a mesma franja jogada em cima do olho e as mesmas olheiras. Mas a garota é mais arrumada, as olheiras estão camufladas pela maquiagem escura e suas roupas não são de couro e com enfeites de correntes, como as do garoto. Está vestindo uma saia de renda preta que vai até os joelhos e um casaco marrom. Ela abre um sorriso quando vê os garotos e os cumprimenta gentilmente. Depois, vamos juntos até um ponto de ônibus.

O trio de jovens está fazendo algo que eu sempre quis fazer: ir para a escola acompanhada de meus amigos. Minha memória limitada diz que não tive muitos amigos durante a vida, mas ainda há chances de eu ter feito isso, espero pelo menos me lembrar algum dia.

Eles não conversam e estão com expressões sérias e indiferentes. Nada de interessante parece acontecer no trajeto até que vejo Rose olhando para Math, um sorriso adorável em seu rosto. O garoto retribui o olhar, com suas bochechas ganhando uma tonalidade rosada. Ela ri e se vira para frente de novo. Quase deixo escapar um gritinho de animação com o clima romântico entre os dois.

A animação foi desaparecendo com meus pensamentos tristes que tento evitar ao máximo, mas eles sempre voltam. Amor, neste sentido, é algo que provavelmente nunca senti e não tenho mais tal chance. Todo o meu futuro foi destruído por um evento fútil do qual sequer me lembro. Perdi as chances de ter uma vida feliz e normal, crescer e fazer as coisas que eu desejava. E eu era tão jovem... Agora, tudo desmoronou e sou obrigada a passar meus dias nesse vazio, esperando o destino indefinido: céu, inferno, a eternidade neste... Nada, ou talvez uma nova vida. Nada foi explicado, não sei de nada, apenas aguardo. O que eu sou além de só mais um fantasma?

Repreendo-me por pensar assim. Devo ter um pensamento positivo perante meu estado. Caso contrário, acabarei enlouquecendo e talvez me afaste do dia que alcançarei a luz. Sem crises existenciais, Julieta!

O ônibus para. Posso ouvir as vozes das crianças brincando no pátio do colégio e jovens conversando e rindo alto. Apesar de irritante para a vizinhança, acho esse som muito agradável, me traz uma sensação boa. É provável que seja um tipo de lembrança dos meus tempos de estudante. Os três alunos do último ano do ensino fundamental descem do ônibus e entram pelos portões metálicos pintados de branco. Os garotos entram de cabeça abaixada, tentando não chamar atenção, enquanto Rose mantém a cabeça erguida e sorri para os outros alunos. Sua aparência não sugere isso, mas a garota demonstra ser doce e simpática.

Depois de adentrarmos as portas do colégio e andarmos pelos corredores azuis do interior do local, uma menina aparece correndo em nossa direção. Seus cabelos volumosos, louros e ondulados, presos em um rabo de cavalo lateral, se movimentam livremente com a corrida da menina e acabam atingindo o rosto de um inocente distraído. Ela usa uma camiseta verde limão um pouco larga demais e uma bermuda jeans. Os três parecem reconhecê-la. Quando chega até nós, dá um pulinho e nos cumprimenta.

– Oi, gente! – Sua respiração está acelerada.

Atrás dela, vejo um garoto de cabelos também dourados correndo. Este usava uma camisa de um time de futebol com uma bermuda jeans. Ele chega ao lado da menina, ofegante. Posso notar que é menor do que a garota e que seu rosto revela uma cara nada contente.

– Maria! Você saiu correndo e me deixou lá, sozinho! O que você tem na cabeça? – Ele desvia o olhar e se vira para nós, meio sem graça – Ah, oi.

– Bom dia, Maria. Bom dia, Gui – Rose acena e sorri.

– Eu só vim dizer oi pra eles, poxa! – A mais alta reclama e eles começam a discutir. Math, Rose e Danny se afastam dos loiros e discretamente vão em frente. A cena me faz rir e Math sorri ao ouvir minha risada.

O sinal bate e eles entram em uma sala de paredes azuladas. Danny e Rose sentam-se na última fileira. Math acomoda-se em uma carteira ao lado de uma das largas janelas cobertas por cortinas claras. Também vejo os dois loiros sentados algumas fileiras atrás de Math. Já esqueceram aquela discussão, pois agora estão conversando e rindo juntos.

Um professor entra na sala e chama a atenção dos alunos que perturbavam a aula. É um senhor gordinho, de cabelos ruivos, bigode e óculos redondos. Ele cumprimenta a sala, mas apenas alguns alunos respondem, e nenhum dos que conheço está entre eles. Leio em seu crachá o nome Evandro Dias. Parece ser um homem simpático.

Sr. Dias dirige-se a sua mesa e inicia a chamada após sentar-se. Distraio-me com os estudantes até que um nome chama minha atenção.

– Daniel Schuster Rodrigues.

Danny responde, em um tom quase inaudível, confirmando sua presença. Fico confusa. Não era Danny? Deixo escapar um “hã?” e Math ri. A chamada está no R, o nome de Rose será chamado logo, logo.

– Rosário Schuster Rodrigues.

Rose responde também em voz baixa. Apesar da surpresa, agora tenho certeza que ela e Danny (ou Daniel?) são irmãos. Também descobri que o nome da menina loira é Maria Júlia, e o do menino é Guilherme.

Ah, é claro! Amigos se dão apelidos. Sinto-me boba por ficar tão surpresa com seus nomes verdadeiros. Brigo comigo mesma pela minha estupidez e Math começa a gargalhar. A sala toda olha para ele, que cobre a boca com as mãos e se encolhe na cadeira logo depois. O assunto se encerra e volto a me distrair com as ações dos alunos.

Poucos alunos estão realmente prestando atenção na aula. Math está desenhando, Rose está com a cara enfiada em um livro, Danny está ouvindo uma música perturbadora com seus fones de ouvido, Maria e Guilherme ainda estão conversando. O professor não parece se incomodar muito com a bagunça. Fico revoltada e brigo com Matheus pela falta de respeito. Ele escreve um bilhete e deixa no canto da mesa, sinalizando que devo lê-lo. A mensagem diz que eu não devo me preocupar com isso. Respondo com um pedido de desculpas e sinto-me envergonhada por ter incomodado. O constrangimento é quebrado quando o garoto sorri e olha para os lados, em uma tentativa de adivinhar onde estou.

Quando o intervalo começa, Math e os góticos se separam. Danny e Rose andam com outros dois garotos, ambos de cabelos e roupas negras. Matheus anda cabisbaixo até a cantina, mas não come nada. O lugar é preenchido por alunos, vozes altas, risos e comida. O menino segue andando sozinho até um corredor especial, com retratos de alunos que se destacaram no colégio e trouxeram troféus para serem expostos como decoração da sala do diretor, espalhados pelas paredes. Os olhos dele se focam em um retrato de uma garota de cabelos castanhos escuro e um sorriso enfeitado pelo aparelho dentário. Abaixo da moldura está escrito “Petúnia Simonis". Tenho a impressão que a conheço de algum lugar... Não só em carne e osso, mas também no plano espiritual. Provavelmente era ela quem ele estava visitando ontem. Math parece um pouco deprimido vendo a foto da garota. Coloco minha mão em seu ombro, mesmo sabendo que ele não sentiria o toque.

Escuto passos, tem alguém correndo por esse corredor. Quando redireciono meu olhar à Matheus, o jovem que causava o barulho dos passos esbarra nele e os dois caem no chão. Felizmente, não há ninguém – nem outro espírito – por perto para rir da cena, além de mim. O apressado tem aparência de mais velho, talvez seja um estudante do ensino médio, e é muito alto. Eles se levantam e o maior pede desculpas.

– Tudo bem. Mas por que a pressa? – O menor pergunta.

– Ligaram da escola da Beatriz, ela se machucou e mamãe não está em casa, então tenho que ir buscar ela. – Ele fala com tanta pressa que mal consigo entender o que dizia – Agora, se você me dá licença, preciso correr! – O colegial dá um tapinha amigável no ombro de Math e sai correndo de novo.

Quando o jovem sai do alcance de nossas vistas, pergunto:

– Quem era ele? – Acho que assustei o ariano. Sussurro um pedido de desculpas acompanhado de uma risadinha.

Math me conta sobre ele enquanto voltamos para a sala de aula. Seu nome é Bruno, é apenas um simpático conhecido do garoto. A sala de aula parecia vazia, mas logo vejo que Rose (creio que ela e o irmão não gostam de ser chamados pelos nomes verdadeiros) sentada no fundo da sala, ainda lendo aquele livro de capa preta. Me pergunto por que ela não está com os outros góticos que vimos mais cedo. O barulho do garoto ao meu lado entrando na sala chama sua atenção e ela sorri para ele. Ele responde balançando a cabeça e senta-se em seu lugar, já segurando o lápis, pronto para continuar seu desenho.

Resolvo deixar o menino em paz por um tempo e vago pela escola. É um prédio grande e agradável. Quando vou até o pátio, vejo a dupla de loiros e outros garotos do 9º e 8º ano jogando uma partida de futebol contra os alunos do 1º ano do ensino médio. Os mais jovens estão ganhando, posso perceber isso pela cara de frustração dos colegiais. Há algumas garotas na arquibancada, também colegiais, que perderam as esperanças e agora torcem pela vitória dos alunos do fundamental. Isso parece deixar os mais velhos indignados com a “traição”.

O intervalo termina e vou assistir a mais uma aula, como se eu fosse uma daqueles alunos vivos.

Notas finais
Não corram nos corredores. Desculpa pela crise da Julieta no meio do capítulo, mas 'u' 'u' 'u' Não me arrependo de nada.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.