Apenas Invisível
1 Capítulo um - Único
Notas iniciais
Matthew sempre foi invisível.
Sempre, ou, pelo menos, desde que se lembra.
E não, isso não é uma vantagem e nunca poderá ser interpretado assim. Ele sempre chega cedo em seus compromissos, é gentil com todos – ou melhor, com todos que dão essa oportunidade a ele – e vive com um semblante alegre e relaxado, totalmente “de bem com a vida”, parecendo não ter absolutamente nenhuma frustração. E para quê?, o canadense se pergunta ocasionalmente. Para ser ignorado quase sempre?
É, quase sempre, porque quando não era ignorado, era confundido com o seu irmão, Alfred, aquele jovem extrovertido e com olhos azuis brilhantes. E a fonte de muitos dos seus problemas.
Embora talvez o que mais doa em tudo isso não seja nunca ter participado de uma discussão, ter se sentido admirado por alguém ou viver na sombra de Alfie. Era bem provável que fosse não existir para a pessoa que ele mais ama no mundo todo. Ah, são incontáveis as vezes em que ele passou por Matthew sem olhar nos seus olhos; e se olhou, foi com total desinteresse, sem exceção.
Como se estivesse olhando apenas para o nada.
Mas ele não faz isso por maldade. Apesar de não parecer mais do que apenas um adolescente revoltado, no fundo é muito gentil. Nem na mais tênue e idiota teoria pode ser culpa dele.
É culpa de Matthew, claro! A culpa é totalmente dele, por ser daquela maldita maneira...
Às vezes ele pensa o que aconteceria se desaparecesse. A resposta nunca é agradável, não importa qual ponto de vista tente fazer.
Ninguém sequer notaria.
Afinal, ele é apenas o garoto invisível, não é?
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